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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, devaneios, professores, presuntos e confrarias

03.12.08 | Fer.Ribeiro

 

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Desde já um aviso à navegação. O post de hoje não é recomendável para esquerdalhos e direitalhos partidários (termos com copyright do blog Chaves e dos seus autores), no entanto é muito dado aos molestados do costume. A possível associação das imagens do post de hoje com os temas focados também poderão ser simples coincidência, e só uma imaginação muito fértil é que os associará aos temas aqui (hoje) debatidos.

 

Hoje, adivinha-se, que a maioria dos professores estarão em greve, e eu aplaudo, porque eles além de terem razão, são uma classe unida que luta pelos seus direitos. Aliás é uma classe da qual depende o futuro do país, não estivesse entregue a eles a pasta da educação. Infelizmente não detêm a pasta da formação, que essa, de tão confusa que anda na nossa sociedade democrática, não sabemos bem em que mãos para, embora as famílias vão fazendo o que podem e sabem. Pena que as outras classes da instituição pública não estejam e sejam tão unidas como a dos professores, porque neste país, debaixo da capa da democracia e com o pretexto da modernidade e do progresso está mais que instalado o estado do quero, posso e mando, ainda para mais com a legitimidade que lhes é conferida pelo voto do rebanho popular. Quantos nesta altura do campeonato não se arrependeram já do seu último voto nas urnas. Mas para povinho que é povinho, bastam duas de larachas dos políticos, para nas próximas eleições caírem outra vez naquela,  de quem é o povo que manda em democracia. Ilusões, pois quem manda, foi quem sempre mandou, os mesmos do costume, directa ou indirectamente, como lobo ou disfarçado de cordeiro, onde, já nem sequer os cabelos brancos são sinónimo de algum respeito, se calha, até são pintados para iludir.

 

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Estamos numa altura em que os ideais partidários (que outrora se apregoavam) já de nada valem, pois a realidade do contacto com o poder, transforma tudo. Esta democracia não tem ideais, e os que pensam que o têm, basta que lhes caia nas mãos o poder, para que os ideais se esvaziem e sejam iguais ou piores que os seus antecessores. Todos diferentes, mas todos iguais, tanto que os partidos políticos de tal maneira confundem ideais e trocam de ideais, que eu penso, aliás nem penso, tenho a certeza, que esta coisa dos partidos é mais uma questão de famílias da mesma cor (tais como os clubes de futebol) do que ideais. Socialismo, social-democracia, comunismo (esquerdalhos e direitalhos – termos deste blog) são tudo e a mesma coisa, pois quem controla mesmo é quem manda, e quem manda, não é que parece, mas quem sem parecer e o é.

 

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O meu encadear de ideias pode parecer complicado, mas não o é. Basta ter em atenção os últimos acontecimentos do último ano, com a subida do preço do petróleo e com a crise financeira mundial, onde fica bem demonstrado como os políticos, governos, repúblicas, ditaduras e reinos estão dependentes dos senhores que controlam o pilim ou a cheta, como quiserem, ou então chamem-lhe euros ou dólares, que a merda é a mesma.

 

São os senhores do dinheiro que tudo controlam, incluindo as suas marionetas (leia-se políticos) e ao que parece, a ganância é tanta, que nem olham a meios para se lixarem uns aos outros. Mas milhões para a frente, milhões para trás, cá estamos todos nós para controlar a crise e dar (ou repor) o seu ao seu dono. Tudo democraticamente, claro!

 

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Mas o que tem isto a ver com um blog que se dedica à cidade de Chaves!? – eu diria que tudo, pois o que se passa a nível mundial, passa-se a nível nacional e, claro, como o que é nacional é bom, também temos os seus imitadores locais, vulgarmente conhecidos pelos xerifes das cidades (isto nos States, claro).

 

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Por cá as coisas não são diferentes e quer seja um ou outro que ocupe a cadeira na santa casa do poder, as políticas nem por isso se diferenciam. Embarcam na situação e é tudo. De inovação nada e quando a há, mas valia não a haver.

 

Voltando aos professores e aos funcionários públicos, sem menosprezar os que optaram de livre vontade não enveredar pela função pública e daí deixando-os de parte desta questão, a função pública detém os melhores funcionários do mercado, pois se nos concursos públicos para preenchimento de lugares da função pública, para apenas dois ou três lugares concorrem dezenas ou centenas de cidadãos, partimos do princípio que a função pública detém os melhores técnicos e profissionais do mercado, pois estou em crer que num estado de direito e democrático, as oportunidades são para todos iguais (por isso os concursos) onde apenas aprovam os melhores. Que eu saiba a cunha é um termo que foi extinto com o 25 de Abril. Íeis-me chegados ao “cherne” da questão e às modas da modernidade das ideias dos actuais detentores do poder.

 

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Eu também sou funcionário público, que nesta altura do campeonato já todos sabem que sou funcionário da Câmara Municipal. Mas também sou flaviense e cidadão, com deveres, direitos e concerteza (com os direitos fundamentais da liberdade de expressão de qualquer cidadão) e como tal, também me acho no direito de ter opinião (embora alguns pensem que esse direito me está vedado). Pois quando há 22 anos iniciei a minha carreira na função pública (por opção), na minha instituição, existiam 4 técnicos  superiores (sem serem chefia) que desenvolviam ou superintendiam todo o trabalho técnico da instituição. Decorridos 20 anos, na mesma instituição, existem largas dezenas (se não chegarem às centenas – pois perco-me sempre na contagem) de técnicos superiores ou licenciados (doutores e engenheiros), precisamente para se desenvolver o trabalho que se desenvolvia há 20 anos atrás, mas o mais grave não está na quantidade dos técnicos, nem na sua qualidade, mas antes na qualidade (isso sim) dos serviços e na sua competência, sem menosprezar os técnicos, pois teoricamente (pelos concursos) foram os melhores e os serviços, também têm melhorado ao longo dos anos. As minhas dúvidas e apreensões, com tanto técnico superior e a sua qualidade, recaem na necessidade que tem havido em se criarem empresas para desempenharem e desenvolverem trabalho(s) que deveriam ser da competência directa da autarquia, quase parecendo que os técnicos e funcionários da autarquia não têm competência(s) para desenvolverem tal trabalho. O mais caricato da questão, é que essas empresas funcionam com os funcionários e técnicos da autarquia, ou seja, na prática são mais uma divisão funcional da autarquia mas com a diferença de terem aquelas tretas todas de um conselho de administração (ou lá o que é), assembleia geral, direcção, administradores e por aí fora, gente de fato e gravata,  com a agravante de toda essa “massa trabalhadora” além de nomeada, ser paga pelo município, incluindo alguns administradores (ou lá o que é).

 

Tomemos alguns exemplos de empresas municipais ou até intermunicipais de serviços que são ou deveriam ser da competência da autarquia ou nas quais a autarquia tem interesses e está envolvida., sem que contudo se note diferença do antes e depois da existência dessas empresas, pois tudo continua na mesma, ou para pior.

 

Começando pelas mais básicas como a recolha do lixo entregue a empresa intermunicipal :

 

- RESAT da qual não conheço os números envolvidos (pilim) mas conheço o serviço prestado e o que tenho de pagar todos os meses para trabalhar para eles. Trabalhar, sim, pois além de ter de carregar com o lixo umas boas centenas de metros (no meu caso), ainda temos que o separar, além de no caso do vidrão, o orifício ser tão pequeno, que somos obrigados a meter garrafa a garrafa.

 

- Passando à Empresa que passou a tomar conta das Termas em que a única diferença foi o aumento dos preços, a perda de regalias e a mudança de nome para SPA do IMPERADOR, nome pomposo para tudo continuar na mesma (mas com uma empresa por trás). Quanto aos transportes públicos, que também só eram para alguns,  parece que deixaram de ser municipais.

 

- MARC e restante complexo adjacente do qual só existe o nome, pois de Mercado Abastecedor – népia ou só peixe, de Plataforma logística muito menos e de parque empresarial nem se fala.

 

- Chaves Viva, que deveria tratar da cultura e eventos, no entanto se quisermos cinema, teatro, espectáculos ou exposições de arte lá temos que recorrer às associações privadas como o TEF, os TAMAGANI ou até o Casino.

 

- PROCENTRO, que ainda não entendi muito bem o que é e de quem depende, sei que tudo continua igual como antes da sua existência, pois para além de uma gajas boas que aparecem em trajes íntimos e bem interessantes, ou o Eusébio o rei da bola (diga-se publicidade) nos placares que instalaram na cidade, nada mais se vê que justifique a sua existência, além de nalguns casos se apresentarem comi um verdadeiro perigo para peões e condutores (estar atento ao próximo repórter de serviço).

 

- POLIS – Uma cena do Sócrates de quando ainda era (bom) ministro do ambiente que se constituiu (o Polis) em sociedade pública com pessoal, técnicos e instalações próprias para tratar de assuntos da cidade (POLIS).

 

- Centro Histórico – Está em formação ou já formada mais uma empresa para aplicar não sei quantos dinheiros no Centro Histórico, não se sabe ainda como e para que. Nesta temos que esperar pelo desenvolvimento dos acontecimentos. Ao que parece ou consta, a equipa Polis passa para a gestão desta empresa).

 

- FESTIMAGE – Evento entregue ao Semanário Transmontano para premiar fotógrafos indianos…ao que parece, pois pela iniciativa (que até é louvável na forma) deveria  promover em fotografia Chaves e o concelho, mas no evento fotográfico nem uma única foto aparece da região. Mas para isso estão cá de borla e a seco o blog Chaves, o blog do Beto, o Chaves Antiga,  o Blog do Dinis Ponteira, o Blog de Valdanta, o Blog de Segirei, o Blog da Aveleda, a Lai, o João, o Blog Cancelas e outros que tais, que o fazem por amor à camisola.

 

Mas tudo isto foi pretexto para chegar à recém “empresa” criada pelo município e que se chama Confraria de Chaves, que vem para resolver e promover os produtos gastronómicos regionais, entre os quais o presunto de Chaves, o pastel de Chaves, o folar de Chaves, o chouriço de Chaves, as couves de Chaves, as batatas de Chaves e tudo que sejam produtos de Chaves, que pela ambição do projecto, irá arrumar com todas as empresas municipais que existem, ou algumas, pelo menos com o SPA (pois já se sabe que depois de boa jantarada se tem de passar pela fonte das digestões difíceis) e com o Chaves Viva, pois também a confraria se propões organizar exposições, feiras e outros eventos culturais.

 

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Há que acreditar na confraria de Chaves e na sua isenção política pois na sua fundação, além da Câmara na pessoa do Sr. Arquitecto Cabeleira, está também o amigo e companheiro de longa data, fervoroso flaviense de entusiasmo contagiante e sempre disposto a novos desafios Dr. Carlos Guerra. Fiz assim minhas as palavras do mentor da confraria, também Carlos, mas Botelho,  que é também amigo e companheiro de longa data, fervoroso flaviense de entusiasmo contagiante e sempre disposto a novos desafios, como foi chamar a si a marca e o registo dos Pasteis de Chaves e outros produtos cá da terrinha. Aliás todos estes rapazes são rapazes da minha colheita e amigos de longa data, por isso o acreditar tanto neles. Força irmãos,  companheiros e camaradas! E já agora por falar em pasteis de Chaves. Será que alguém conhece a sua origem e a verdadeira receita do pastel de Chaves!? Sei que ainda os há, mas não me consta que esteja envolvidos no processo dos pasteis de Chaves, entretanto, não falta que por aí que apregoe como sendo os detentores do verdadeiro pastel de Chaves. Um bocadinho de informação e da historia do  pastel de Chaves também era preciso, mas agora todos estamos descansados, pois vem aí a confraria do pastel e de tudo que é de Chaves.

 

Sinceramente acredito na Confraria de Chaves, principalmente na questão do presunto e à qual não será estranha a eurocidade Chaves-Verin, pois a partir da confraria já se poderá vender presunto de Feces com o rótulo de “Presunto de Chaves”, pois o verdadeiro, de tanta fama, deitou-se na cama e agora só chega à boca de alguns privilegiados. Entretanto se não for um desses privilegiados, Montalegre já se encarregou de chamar a si e de certificar como da Vila alguns dos verdadeiros presuntos de Chaves, que afinal de contas, o verdadeiro presunto de Chaves, sempre foi dos concelhos vizinhos, principalmente dos concelhos barrosões. Claro que entre eles também os havia das nossas aldeias,. E digo bem – havia. Mas ainda bem que apareceu a confraria, onde pela certa não lhe vão faltar recos para bons presuntos.

 

Alguma coisa se vai aprendendo na televisão e uma delas é a fazer ironias como a Drª Ferreira Leite. Ironias que ninguém compreende, está claro! Mas que são sentidas, tal como as pedras nos sapatos….

 

 

E por hoje já chega, termino com as palavras-mensagem do Sr. Presidente da Câmara no sítio da NET do SPA do Imperador:

Chaves “É uma terra especial: Vive-se em harmonia intensa o passar das estações, há equilíbrio entre a vida na cidade, com o ritmo, o seu dinamismo e a variedade das suas manifestações e o meio rural sereno e quieto na sua beleza e qualidade.”

 

Gosto principalmente do realismo do “meio rural sereno e quieto” e bem quieto, parado, sem gente e até sem cães a ladrar à caravana que já por lá não passa, porque já não vale a pena.

 

Sejamos realistas. Chaves é de facto uma cidade onde se vive em harmonia intensa o passar das estações…. E só, ou quase apenas isso!

Até amanhã!

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