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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - o Largo do Anjo e o Padre

01.09.06 | Fer.Ribeiro
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As ruas da nossa cidade têm nomes, muitas vezes de pessoas. Também não é estranho, aqui ou ali, aparecer uma estátua ou um busto de pessoas. No Largo do Anjo, por exemplo, aparece o busto que vemos na foto, toda a gente o vê e quem circula de carro até é obrigado a contorná-lo, mas, e falo por defeito, poucas pessoas reparam ou sabem de quem é o busto, quem foi o homem e o que fez por Chaves e o porque de estar naquele largo.

Pois então espero, para quem não sabe (e não se envergonhem de não saber, que eu próprio durante muitos anos também não o sabia), que este post ajude a conhecer o Homem que domina o Largo do Anjo.

Era Padre e chamava-se Joaquim Marcelino da Fontoura, nasceu em 1867, em Anelhe, aldeia do nosso concelho. Faleceu em 1938. Era filho de pais remediados, gente de bem, que há custa de sacrifícios mandaram instruir os seus filhos. Foi estudar para Braga, vindo a ordenar-se em presbítero, com a ideia de servir a Deus e à sociedade, por meio da escola.

Como pároco da sua aldeia, entregou-se ao ensino das crianças da freguesia. Ganhou confiança e coragem e fundou um Colégio, a expensas suas, no Outono de 1893, na então vila de Chaves, sob a invocação do Colégio de S.Joaquim, na Rua Ge. Sousa Machado, no ano de 1893/94. No ano seguinte, fez contacto com a confraria, passando a dar aulas no extinto Convento das Freiras de Nª Srª da Conceição, onde hoje é a actual Escola Secundária Fernão de Magalhães, ou Liceu (como vulgarmente é conhecido). Já então, por dor de cotovelo (como se costuma dizer) foi acusado de estar a exercer uma indústria lucrativa!

Quem não sente, não é filho de boa gente – diz o ditado. Pelos vistos o Padre Joaquim Marcelino da Fontoura, levou as acusações a peito e fechou o Colégio em 1896 e regressou à sua aldeia de Anelhe.

O Presidente da Câmara de então (António Fernandes Bragança) segundo reza a história, compreendeu o erro e oficialmente manifestou o desagrado pelo acontecido, dispondo-se a conceder-lhe um subsídio de duzentos mil reis para a reabertura do Colégio. Ferido no seu orgulho, o Padre Joaquim, só ao fim de três anos e depois de muitos e insistentes pedidos é que reabriu o Colégio de S.Joaquim, em 1889, indo instalar-se no Largo do Anjo, na então casa da família Arrochela, actualmente os Serviços Municipais de Águas da Câmara Municipal.

Mas (há sempre um mas, principalmente quando se fala de ensino e cultura) em 1902 (ao fim de três anos) a Câmara cortou o subsídio ao Colégio. Ao que consta, por uma questão política (questões, que pelos vistos, não são só de hoje), no entanto, e mesmo sem subsídios e contra políticas, o colégio continuou em funcionamento até 1907.

Acho que chega para ficarmos a saber afinal quem é o Homem do busto que domina o Largo do Anjo, e que por direito, explica também a razão do próprio busto e do estar naquele lugar.

Louvo quem teve a ideia do busto e da escolha do lugar, mas louvarei ainda mais aquele que ousar transformar e acabar com actual anarquia do Largo, de modo a que o Padre Joaquim deixe de funcionar como um mero sinal de trânsito de obrigação de contornar. Afinal o Homem dedicou-se ao ensino e merecia um ambiente mais… mais digno, mais atractivo, mais culto e sem o medo constante de, a qualquer altura, ser atropelado.

Até amanhã, num lugar mais calmo de uma aldeia do concelho.




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