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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ilustres Flavienses - Inácio Pizarro - 4ª e últipa parte.

08.12.08 | Fer.Ribeiro

 Gravura de Inácio Pizarro nos últimos anos da sua vida

 

Depois de terem vivido em Lisboa os primeiros anos do seu casamento, Inácio Pizarro e D. Inês haviam feito uma tentativa no sentido de fixarem a resincia em Chaves e Bóbeda, onde os solicitavam quer as preocupações relativas à administração do seu património, quer as da "tutela" de suas irmãs.

 

Porém, esta tentativa não resultou por muito tempo e o casal regressa a Lisboa, onde julgamos terá permanecido por alguns anos mais.

 

Depois disso, Inácio Pizarro terá, definitivamente, decidido residir em Bóbeda ou Chaves, ficando sua mulher em Lisboa.

 

A partir de então, Inácio Pizarro, no auge da popularidade que lhe conquistara a publicação do Romanceiro, terá procurado em Chaves o convívio social de que sentiria a falta.

 

Vivendo quase sempre nas suas terras de Trás-os-Montes, indo à capital somente para se não afastar completamente do movimento literário e da convivência social. Era muito estimado em Lisboa e no Porto. Camilo Castelo Branco prestou homenagem ao seu carácter e talento, no estudo que lhe consagrou e que vem publicado nos seus Esboços de apreciações literárias.

 

Sem dúvida alguma que só pela sua carreira literária Inácio Pizarro é digno de ser um Ilustre Flaviense, mas também um Ilustre Português, principalmente e nem que fosse apenas pelo “Romanceiro Português”, sendo mesmo considerado por Camilo Castelo Brannco um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa.

 

Mas para terminar este já longo post, apenas porque já vai longo, pois sobre Inácio Pizarro haveria muito mais a dizer, não posso terminar sem referir também a sua acção política.

 

Eleito deputado às Cortes, com 29 anos apenas, renunciou ao mandato quando se viu impotente para evitar os desmandos do Governo em matéria tributária. Mais tarde, em 1946, quando populares secundaram a revolução Maria da Fonte e António Carvalhal, foi por seu intermédio que a tropa os não atacou e concedeu o valioso apoio às justas reivindicações dos rebeldes.


 

Inácio Pizarro de Morais Sarmento, faleceu em 17 de Maio de 1870 e se nas efemérides centenárias do seu nascimento e morte ninguém (flaviense responsável) se lembrou dele, pode ser que lá para 2070, quando fizer 200 anos que morreu alguém se lembre de uma homenagem digna e o fazer um pouco de história à sua vida e à sua obra. Há que ter esperança.

 

De entre o convívio entre Inácio Pizarro e Camilo Castelo Branco, num dos regressos a Chaves, numas das viagens penosíssimas, no cume do Inverno a dobrar montanhas, com frio, vento e chuva, relatava assim a Camilo, em verso uma dessa viagens:

 

Quisera ver aqui ministros

Mettidos numa liteira

Ouvindo os guizos sinistros

Na descida da Gralheira.

Quisera vê-los transidos

Se susto, horror e frio,

Numa liteira mettidos

Atravessando o Mezio.

Quisera ver despenhada

A liteira… Oh! Isso não!

Bastava vê-la atolada

E elles na lama…onde estão.

 

Engraçado como estes versos ainda mantêm actualidade no sentimento de alguns flavienses….

 

Até amanhã!

 

Bibliografia e fontes documentais:

 

- Firmino Aires, Toponímia Flaviense, Chaves, 1990;

- Francisco G. Carneiro, Excertos de temas flavienses;

- Grupo Cultural Aquae Flaviae, In Memoriam Inácio Pizarro, Revista nº 16, Dez.1896

- Eugénio Pimentel, in Ilustração Transmontana, 1º Volume (1908);

- Tombo Heráldico do Nordeste Transmontano, Volume Primeiro, J.G. Calvão Borges, Lisboa, 2000.

- Maria do Sameiro Pizarro Bravo Soares Pinto;

- Fernando Pizarro Bravo.

 

 

 

 

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