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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Inácio Pizarro - 3ª Parte

08.12.08 | Fer.Ribeiro

 

Brasão de Família do Solar de Bóbeda

 

 

Ainda em vida de seu pai, e por consideração aos serviços deste, recebera Inácio Pizarro de D. João VI, então no Rio de Janeiro, a mercê de Cavaleiro Fidalgo da Casa Real.

Em 1820 e, do mesmo modo, certamente por se terem presentes os sacrifícios do pai, recebeu Inácio Pizarro a Comenda de Santa Marinha de Lisboa, da Ordem de Cristo e o hábito de Cristo.

Em 1824 Inácio Pizarro foi armado cavaleiro da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo

Em 1825, tendo dezoito anos, Inácio Pizarro fica órfão de mãe.

A partir do falecimento de sua mãe, Inácio Pizarro viu-se obrigado a deixar Coimbra e Lisboa para tomar a seu cargo a administração de sua Casa, o que lhe impunha a residência em Bóbeda e Chaves.
 
O jovem Inácio Pizarro enfrenta pois, a partir dos seus dezoito anos, o peso da herança de seu pai que envolve também a condição de 22 Morgado de Bóbeda.

Além da administração dos bens de que o morgadio o tomava herdeiro universal, terá de assumir a protecção das suas três irmãs, Maria Delfina, Henriqueta e Maria Luísa.

A partir desta época vai ter inicio uma constante correspondência entre Inácio Pizarro e o seu tio do mesmo nome, e residente em Lisboa.

O tio vai tentar negociar um bom casamento para este sobrinho e dirige as suas tentativas no sentido de uma prima direita de Inácio Pizarro.

Porém, visto que os pais da jovem Maria Henriqueta escolheram para genro um outro pretendente, o tio sugere ao sobrinho a união com uma senhora de Lisboa, D. Inês de Castro da Cunha de Eça Castelo Branco e Melo que, no seu dizer "era bonita e tinha com que jantar."

Esta senhora, filha do Coronel de Engenheiros e lente da Real Academia de Fortificação e Desenho, Lourenço Homem da Cunha de Eça, era de alta linhagem, descendendo em linha recta de D. Pedro I e D. Inês de Castro.

O casamento realizou-se em Lisboa, em Dezembro de 1832.

Deste casamento, ao que tudo leva a crer, nasceram sete filhos mas só dois atingiram a idade adulta: José Homem de Sousa Pizarro e Lourenço Homem de Sousa Pizarro.

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Corresponde a este período o início da produção literária de Inácio Pizarro, sendo publica das as seguintes obras:

  1. -Mestre Gil, romance histórico surgido na revista Panorama, de Lisboa, em 1838.
  2. -D. Lianor de Mendonça, romance em verso publicado no Porto em 1838.
  3. -D. Lianor, romance também em verso, referente à figura de Leonor Teles, saído a público no mesmo ano de 1838.
  4. -Memórias do dia 28 de Dezembro de 1838, obra de que nada mais se conhece além do título.
  5. -Lopo de Figueiredo ou A Corte de D. João II, drama histórico em três actos, publicado em 1839, no Porto, pela Tipografia Comercial Portuense. Foi o primeiro drama em prosa escrito por Inácio Pizarro.
  6. -Diogo Tinoco ou A Corte de D. João 2º em 1484, drama histórico em três actos, escrito em prosa como o anterior, foi "representado pela primeira vez no Teatro da Rua dos Condes, na noute de 11 de Maio de 1839." Foi editado pela Tipografia Comercial Portuense, do Porto, em 1840.
  7. -Henriqueta ou o Proscripto Drama em três actos escrito em verso hendecassílabo, 1839.
  8. -O Romanceiro Português ou Colecção de Romances de História Portuguesa  - Na opinião de Camilo Castelo Branco, de todas as Obras de Pizarro, O Romanceiro devia ter sido o livro dilecto do autor. E acrescenta: “ Nenhum livro, em língua portuguesa pátria e de coisas nossas, foi lido com tanto amor” – 1841.
  9. -Cenas da História  Contemporânea - 1841
  10. -O Romanceiro,  Parte Segunda, 1846
  11. -O engeitado – Romance, 1846
  12. -O Cântaro de Água – Romance, 1844
  13. -Memorandum de Chaves, livro de memórias relativas aos acontecimentos em Chaves, durante a revolta de Maria da Fonte. – 1846.
  14. -A Filha do Sapateiro, comédia.
  15. -O Órfão – Poema publicado na revista Miscellanea poética, do Porto, 1851


É esta a última obra publicada por Inácio Pizarro.

Fim da 3ª Parte
(continua)