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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ilustres Flavienses - Tomé de Távora e Abreu

15.12.08 | Fer.Ribeiro

E hoje vamos até mais um ilustre flaviense do qual pouco ou nada se conhece para além do nome que dá a uma das ruas de Chaves e, uma ou outra referência que aparecem em escritos comuns.

 

Atenção que quando digo que deste ilustre (tal como de outros) pouco ou nada se sabe ou conhece, refiro-me ao cidadão e flaviense comum, nos quais me incluo e, que para sabermos algo dos nossos ilustres antepassados, temos de ter a sorte de tropeçar com eles por uma ou outra razão (no meu caso este blog) e de acertarmos na literatura e escritos que há sobre eles. Está claro que há meia dúzia (não mais que isso) de interessados e historiadores flavienses que têm conhecimento da existência e de quem é quem, tal como da obra dos nossos ilustres flavienses e da história de Chaves. Flavienses e grupos que no entanto e, como é costume no ambiente intelectual, fazem um trabalho valioso mas pouco ou nada acessível (em todos os aspectos) ao cidadão comum e,  é pena, pois se tal informação fosse pensada para ser passada e oferecida aos flavienses com um tom educativo e informativo (cabe aos que são pagos para pensar, pensar numa forma de…) os flavienses seriam muito mais cultos em termos da nossa história, mais interessados na nossa cidade e muito mais orgulhosamente ostentariam a designação de/e o ser flaviense.

 

Tomé de Távora e Abreu, um nome que deveria ser conhecido por todos os flavienses, mas sobretudo a sua obra e a importância que ela tem para a história da cidade, principalmente no que deixa escrito na sua grande obra sobre a cidade onde nos dá a conhecer (quase ao pormenor) a cidade (então vila) de há 300 anos. Refiro-me à obra intitulada “ Notícias Geográficas e Históricas da Província de Trás-os-Montes”, da qual só existe um manuscrito na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

 

Obra na qual menciona tudo que era importante em Chaves e faz um levantamento rigoroso de todos os locais de interesse e arquitectura religiosa e não só, mas também deixa a nível de arqueologia e história (já então do passado) com referências ao passado da nossa urbe e que algumas das vezes nos é apresentada hoje como sendo descoberta em primeira mão. Só a titulo de curiosidade, Tomé de Távora e Abreu já então referia a existência de umas termas romanas localizadas entre o local onde hoje estão a descoberto até ao Forte de S.Francisco.

 

Mas vamos a um pouco do que apurei sobre Tomé de Távora e Abreu:

 

Nasceu em Chaves, possivelmente na última década do século XVII. Era filho de Pedro Henriques de Távora, de origem galega, e de D." Antónia Pacheco Pereira, da família dos Zarcas, descendentes de naturais de Évora que tinham vindo para o Norte ao serviço do Duque de Bragança.

 

Não tem qualquer relação com os Távoras portugueses e a sua família é identificada na Genealogia local com o nome dos Abreus Zarcas.

 

Tomé de Távora e Abreu revelou-se desde muito cedo com grande aptidão para a música e principalmente para as matemáticas, pelo que seu pai resolveu inscrevê-lo nos estudos das «Aulas de Fortificações», em Lisboa, onde mercê da sua aplicação, veio a merecer uma bolsa de estudo no estrangeiro, doada pelo rei D. Pedro II.

 

Quando voltou a Portugal serviu no terço de infantaria do Conde de S. Vicente, irmão do Conde de S. João, D. Luís Álvares de Castro, e tomou parte em alguns dos recontros da Guerra da Sucessão, merecendo a consideração de hábil estratega.

 

Sentiu-se porém prejudicado na carreira militar e por isso aban­donou o exército, vindo ocupar o cargo de Ouvidor do Governo da Província (lugar que seu Pai havia já ocupado) e, mais tarde, Secretário do Governo das Armas da Província de Trás-os-Montes, então com sede em Chaves.

 

Escreveu várias notícias sobre arqueologia e história da região e vila de Chaves. Escreveu também vários entremezes em castelhano que segundo alguns escritos chegaram a passar ou a ser representados em pátios da capital (os entremezes eram pequenas peças de teatro de composição dramática, jocosa ou burlesca e os pátios eram as salas de teatro da altura), escreveu também notícias várias do quotidiano local e um poema satírico intitulado «Dos distúrbios, chimeras e pataratas que há no mundo».

 

Todas estas obras permaneceram apenas manuscritas e só alguns lhe têm acesso, o que é pena, pois todos perdemos. Poderiam existir pelo menos reproduções do seu conteúdo…

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Escritos referem-no como Engenheiro Militar autor do projecto da Igreja de São João de Deus, na Madalena e se Ribeiro de Carvalho, a Toponímia Flaviense e nos Mais Ilustres Transmontanos apontam a sua autoria como uma certeza, já outros, deixam pairar certas dúvidas quanto à autoria da Igreja.

 

Casou em Pontevedra (Galiza) com sua prima D." Joana de Távora que viria a falecer  em 1752). Tomé de Távora e Abreu veio a falecer na sua casa da Rua Direita, em Chaves, no dia 27 de Dezembro de 1757 e foi enterrado na Igreja Matriz.

 

Seria injusto se conjuntamente com este nome não referisse outro nome, de também outro ilustre flaviense, que tal como o Tomé de Távora e Abreu também deixou uma preciosa contribuição para a história da época. Refiro-me ao Padre Pedro da Fontoura Carneiro, Abade de Bouçoais. Hoje fica apenas a referência ao seu nome, pois também este ilustre terá neste blog um post futuro.

 

Quanto à Tomé de Távora e Abreu vai sendo tudo, não quanto à sua obra, pois já que não existe por aí acessível para toda a gente, pode ser que futuramente este blog deixe por aqui as passagens mais importantes que eles no deixou em obra.

 

E agora os créditos deste post:

 

Bibliografia e fontes documentais:

 

- Firmino Aires, Toponímia Flaviense, Chaves, 1990;

- Grupo Cultural Aquae Flaviae, Revista nº 2, Dez.1989

- Gen. Ribeiro de Carvalho, Chaves Antiga

- Dr. Júlio Montalvão Machado, Revista nº 2 Aquae Flaviae, 1989

- Enc, Luso Brasileira da Cultura

- Documentos da Biblioteca Nacional, Lisboa.