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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Valdanta - Chaves - Portugal

28.12.08 | fernando ribeiro

 

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Se havia aldeia que há muito já deveria ter passado por aqui era Valdanta, mas dia a dia ia sendo adiada, por uma ou outra razão, mas principalmente porque nunca tinha descoberto a verdadeira aldeia, o seu núcleo ou seja, o seu coração.

 

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Quis o destino que só há dias, por altura da matança do reco da Abobeleira, descobrisse o coração de Valdanta. Pois é para lá que vamos hoje, digamos que é a minha prenda de Natal para a aldeia e para a freguesia, mas também e, em especial, para aqueles que na blogosfera flaviense, directa ou indirectamente, trazem Valdanta quase diariamente até todos vós. Como não há feitos sem homens, ficam desde já os nomes desses obreiros de Valdanta, começando pelas senhoras:

 

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Lai Cruz – Com o Blog Lai,Lai,Lái,Lai Lai  às vezes dedicado a Valdanta

J.Pereira, com o blog Valdanta – O verdadeiro tesouro da freguesia

Jorge Romão, com o blog Vale-de-Anta – Também dedicado à freguesia

 

E indirectamente ligados à blogosfera mas verdadeiros embaixadores da freguesia, os amigos:

 

- Tupamaro;

- A.Cruz;

- Luís da Granjinha;

- Jorge Carvalho.

 

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Não poderia entrar em Valdanta sem primeiro deixar por aqui os nomes dos blogs e das pessoas que também fazem parte do coração de Valdanta e da freguesia.

 

Então vamos até Valdanta. Dizia no início que por uma ou outra razão ainda não tinha abordado Valdanta mas sobretudo porque não tinha descoberto o seu coração. É um facto que aquilo que mais me atrai nas aldeias são os seus centros históricos, os seus núcleos e o seu casario tradicional, pois é aí, também, que se encerra toda uma vida da aldeia e toda a sua história e estórias que o amigo J.Pereira tão bem nos dá a conhecer no seu blog. Estranhava eu que as suas estórias se passassem na aldeia de Valdanta que conhecia (até há dias). Uma aldeia que se estendeu ao longo das estradas e acessos e que a ligam já até Chaves cidade. Uma aldeia descaracterizada por tanta construção nova e recente, algumas até, suponho que por autênticos devaneios dos proprietários serão

 

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talvez excêntricas ou então, puras aberrações (para alguns). Gente de fora, que pela certa, nada terá a ver com o espírito de aldeia que conheço de Valdanta. Coisas da modernidade e de um crescimento desmedido mas sobretudo desinteressado em preservar a identidade de uma aldeia. Coisas da sua proximidade à cidade que tornam as terras das freguesia apetecíveis… mas felizmente que ainda tem o seu coração quase intacto e com algumas recuperações que podem pecar por um ou outro pormenor, mas que no seu todo são exemplares.

 

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É para a aldeia ainda com coração, com gente e vizinhos, de usos e costumes ainda comunitários que este blog hoje vai, e também a um pouco da sua história e dos seus tesouros. A modernidade, aquela que se vai vendo ao longo das estradas e acessos, ficarão para outros espaços e outras leituras.

 

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Vamos começar pela história que já é secular e milenar, sendo a freguesia uma autêntica estação pré-histórica de tantos que são os vestígios dessa época, ou  história de outras épocas com tudo tesouros do período romano em tudo quanto é sítio, desde a Granjinha cujo tesouro romano apenas se deu a conhecer e ainda está todo por descobrir, além  da belíssima Igreja Românica (a mais antiga da região), à barragem Romana da Abobeleira e possíveis minas de ouro a ela associada,  que de tão esquecida que está por parte das entidades, é como se nem existisse, mas continua ainda no Cando com o lagar e lagareta também de origens bem remotas para terminar, entre muitos outros vestígios históricos no Outeiro Machado e que faz da freguesia um autêntico museu vivo, mas morto por tão desprezado e esquecido que está.

 

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Tomemos como exemplo apenas o Outeiro Machado, que, pelo seu interesse e importância está referenciado em tudo quanto é livro e roteiros da especialidade, mas apenas e quase só isso, pois como o restante, está abandonado, mal tratado, desprezado além de, para se encontrar ou descobrir, seja necessário um guia. Sou eu quem o digo, eu que já lá fui várias vezes e sempre que me aventuro a ir lá de novo, nunca o encontro à primeira. Eu que o conheço e conheço o local e os caminhos. Agora imaginem o que será, para quem o viu descrito em livro ou roteiro e o quer visitar pela primeira vez…

 

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Outeiro Machado que é apenas uma estação rupestre onde num aglomerado de rochas se podem ver inúmeras insculturas, principalmente na rocha maior, onde abundam centenas de petroglifos com os mais variados e estranhos formatos, entre eles os que têm formato de cruz, em ascia e em machado, o mesmo que deu nome ao Outeiro.

 

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Também em termos de arquitectura religiosa a freguesia é rica, começando pela já mencionada Capela Românica da Granjinha, que segundo documentos, dizem ser a mais antiga da região, também referenciada pelo seu interesse e que se não fosse a carolice dos poucos habitantes da Granjinha nem sequer se poderia visitar. Capela que necessita algumas obras e urgentes, bem como o restauro do seu altar que se encontra a aprodrecer num dos cantos da capela.

 

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Passando à Capela da Senhora da Lapa, do Século XVII, no Cando, com um tecto em caixotões recamente pintados com cenas bíblicas.

 

Indo para a imponência da Igreja Paroquial de Valdanta, com um belo campanário lateral e uma pedra  epigrafada embutida na parede, sem esquecer o conjunto de cruzes que inicia nesta igreja e termina na Capelinha no Alto de uma pequena elevação adjacente ao cemitério da aldeia.

 

Claro que tudo isto e toda esta importância histórica e religiosa passa despercebida a quem pura e simplesmente passa pelas aldeias da freguesia e também a muitos dos seus novos habitantes e tudo porque além de alguns deles estarem abandonados, também não lhe é dada a devida protecção e divulgação, além de, em termos arqueológicos, haver muito trabalho para ser iniciado ou continuado, como é o caso da granjinha.

 

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Em termos de tradições esta aldeia e freguesia também tem uma palavra a dizer. A matança do porco (ou do reco se preferirem) ainda é tradição e agora até tem a sua festa na Abobeleira, e tudo graças à carolice de um dos filhos da terra.

 

Mas apontam-me o cantar dos Reis de S.Sebastião com origem numa promessa centenária e colectiva para que a peste cessasse de dizimar a população. Promessa que se tornou tradição e que ano após ano se repete em toda a freguesia, passando de casal em casal casado na freguesia  todos os anos a responsabilidade da sua realização. Mas a este respeito, dos Reis de S.Sebastião, faremos futuramente uma abordagem mais aprofundada, pois toda a sua tradição e importância merecem um post com direito a exclusividade neste blog.

 

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Há dias, por altura da matança do reco na Abobeleira encontrei por lá uma amigo da escola primária que por acaso passou a ser habitante da aldeia e que me ia dizendo o impressionado que estava com o espírito comunitário, de vizinhança e de inter-ajuda que ainda havia na aldeia. Espírito esse que já conheceço também de Valdanta e da Granjinha, que suponho repetir-se também no Cando, espírito de gente que é vizinha e  amiga, que gosta de fazer e partilhar amigos e que vive também em espírito de festa em tudo que é encontro comunitário, nunca faltado a música, as concertinas, os cantares, em suma, a festa.

 

Foi bom ter descoberto a freguesia de Valdanta na sua intimidade dos seus núcleos, mas também da amizade e da festa. Uma freguesia que também gosta de participar e onde há gente que gosta da sua terra e a defende e divulga com as armas que têm. Uma freguesia que necessitava bem mais atenção do que aquela que tem.

 

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Um dos naturais dessa freguesia é colaborador deste blog, do qual sempre tive a amizade, apoio e colaboração desde o início do blog. É responsável por um dos mensais “Discursos Sobre a Cidade” e ao qual (à meses atrás) fiz veto de gaveta a um dos seus “discursos”, precisamente porque dizia respeito à freguesia de Valdanta e o estava a guardar para o post dedicado à freguesia. A partir de hoje o veto já não tem razão de existir, e fica assim por aqui mais um “discurso” de Tupamaro:

 

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“Terras do governês”

 

 

Um Texto de Tupamaro

 

 

Aí por Chaves, os edis letrados falam e escrevem o «politiquês», praticam o «arranjês» e permitem o «governês».

 

Por algumas ALDEIAS, e pela Freguesia de VALDANTA vimos desaforos, disparates, aberrações, desleixos e graves prejuízos públicos, que assim já não podem ser chamados porque consentidos e legalizados pela lassidão e cumplicidade, pelo «arranjês» que os Serviços Municipais tudo legaliza.

 

Mas, para e por exemplo, lá está aquela casa de azul aberrante; o alinhamento do muro daquela moradia no Alto da Granginha para o Cando; na largura insuficiente desse caminho (futura estrada) a ligar as duas Aldeias e estrangulado por construções; na localização do Centro Social -“”Lar da 3ªidade e Centro de Dia””-;  no título atribuído a este: «CENTRO SOCIAL DE ABOBELEIRA E VALDANTA»; na não revelação/publicação do protocolo (se é que existe) de contrapartidas entre o «Casino» e a Freguesia e o Concelho; na ausência de instalações e estruturas de higiene e sanidade públicas; a ocupação «selvagem» de Baldios perante a passividade e indiferença ( e consentimento?) de Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, etc., etc..

 

Valdanta tem tradição no Futebol.

 

O seu «Maracanã» continua numa miséria!

 

Os Limites da Freguesia são as outras Freguesias que os ditam.

 

Algumas placas, postas a medo (ou por secretas conveniências) estão a convidar a Freguesia vizinha a declarar-se dona de grandes áreas.

 

As ligações entre os lugares e Aldeias continuam ao deus-dará.

 

Não há Planeamento. Não há Controle.

 

Em Portugal, os assentos políticos, mesmo de «sumó-pau» (madeira), representam, e são, autênticos coxins e almofadões para uma maioria que na sua actividade profissional não mereceria mais do que o Salário Mínimo, e jamais passaria da cepa-torta.

 

Aí, nesse habitat da “chico-esperteza” do «arranjês», falam e escrevem em «politiquês», e administram com o «governês».

 

O Português que se lixe!

 

Talvez que o advento do ’Portugalês’ lhes dê, a essa referida maioria, uma toutiçada.

 

Mas será tarde!

 

Não há dúvida! Essa maioria política até tenta fazer o papel de «génio»!

 

Mas quanto lhes faz minga o Talento!

 

E o “Talante”!

 

Ah! Por aí, as ‘Geometrias Variáveis’ são Constantes!

 

Não há que ficar admirado!

 

Tupamaro

 

 

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Eu, meu caro Tupamaro,  já não me admiro com nada, e o “problema” e tão grande que até já ultrapassa os políticos, pois já é coisa do sistema, da Buraka que não é só coisa de Kuduro, mas antes de Kuassapdo e da importância de assapar, o resto, povo e aldeias, que se lixe.

 

E para terminar a visita a Valdanta vamos a um pouco das suas geografias físicas e humanas.

 

Valdanta cujo orago é S.Domingos fica a apenas 4 quilómetros de Chaves, mas apenas teoricamente, pois na realidade já está ligada fisicamente à cidade. Tem 9.84 km2 de área que distribui por terras já fora do vale de Chaves e por território já um pouco acidentado a confrontar com as freguesias de Santa Maria Maior (Chaves) Sanjurge, Soutelo, Curalha (que dá nome à barragem de Valdanta – pertençam as terras a quem pertencerem), S.Pedro de Agostém e Samaiões.

 

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Em termos de população e segundo os dados conhecidos dos Censos, atingiu o seu pico alto em 2001, com 1200 habitantes residentes, contra um dos seus picos mais baixos que se registou em 1970 com 742 habitantes. Despovoamento é coisa que Valdanta não sofre, antes pelo contrário, poderá quando muito é estar mal povoada, não em termos de população mas de planeamento.

 

Em termos de actividade, poderemos considerar Valdanta como um dormitório da cidade, mas onde ainda mantém a sua antiga actividade agrícola, pois os seus ricos campos, de um vale alto, o vale da anta, nunca foram de desprezar.

 

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E agora um aparte que nada tem a ver com Valdanta e com a freguesia. Um aparte e comunicado à navegação.

 

 

Nos últimos dias tive dificuldades em aceder à área de edição dos blogs e, se o blog não o sentiu nas suas publicações, foi graças ao blog da rua nove, que felizmente tinha o seu autor em merecidas mini-férias na terrinha e foi garantindo as publicações agendadas. Como o problema de acesso ainda não foi inteiramente resolvido é natural que em próximas publicações haja algum atraso ou até falhas, pelo qual pedimos desde já desculpas. O aviso fica assim para as ausências ou atrasos, que não serão de preguiça ou desleixo, mas antes de problemas técnicos ainda não resolvidos.

 

Até amanhã, dentro do possível.

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