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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Requiem pelas autópsias do Hospital de Chaves

08.01.09 | fernando ribeiro

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Hoje, na maqueta de notícias enviadas por Paulo Reis, há uma que desperta a atenção e merece realce pela sua importância, pois trata-se de mais uma perda relevante que a cidade de Chaves perdeu para Vila Real, ou seja, o Gabinete do Medicina Legal de Chaves onde se faziam as autópsias.

 

Trata-se de uma perda considerável para a cidade, para o concelho, mas também para os concelhos vizinhos de Boticas, Montalegre e Valpaços, pois era em Chaves que as autópsias dos nossos mortos eram feitas. Pois desde 1 de Janeiro tal já não acontece e os nossos mortos para autópsia são transferidos para Vila Real, o que levará para além do aumento de despesas com o funeral (pela notícia, de pelo mais de 500 Euros), o transtorno e aumento do pesar das famílias na espera para o funeral do corpo, espera essa que se prolongará pelo menos por 4 ou 5 dias, dependendo da hora e dia em que se morra e da lista de espera de Vila Real, podendo mesmo estes dias serem alargados se a morte coincidir com festas ou fins de semana alargados por pontes.

 

Mais uma vez os senhores de Lisboa roubam Chaves pela calada da noite e sem aviso prévio à população. Não sei se o fizeram às entidades locais, mas até pouco interessa, porque o interesse deste encerramento é de todos nós, da população em geral.

 

Se os senhores de Lisboa para inaugurar serviços e edifícios, luxos e outros investimentos na região, às vezes até de carácter privado e de lazer, se amontoam aos magotes para virem à província mostrar os seus belos fatos e carros topo de gama, fazendo-se acompanhar por ministros, secretários de estado, assessores (principalmente os de imprensa), governadores, fotógrafos, jornalistas e televisões e para os actos ainda convidam as entidades civis, militares e religiosas da região, para encerrar e roubar aquilo que é nosso e fundamental para a região, fazem-no na calada da noite, a coincidir com festas religiosas e tradicionais, como o Natal e Fim-de-Ano, para que ninguém se aperceba.

 

Tal como vêm  às inaugurações para marcar pontos políticos e eleitoralistas, também deveriam vir cá para estes encerramentos, e convidar a população para assistir ao acto. Isso não fazem eles…faltam-lhes!. Será uma boa questão para pôr ao Socrates,  quando cá vier inaugurar as obras do Polis.

 

Primeiro as cirurgias, depois uma série de serviços, depois a maternidade, agora as autópsias. Está na hora de se repensar este pseudo hospital, esta mentira de Hospital que de tal só quase já lhe resta o nome. Chaves desde sempre (Séculos) que teve tradição hospitalar, tendo existido até mais que um hospital em funcionamento. Militares e civis. Está na hora de dizer basta. Com politicas erradas temos as nossas aldeias despovoadas e com estas políticas de centralismo (que a história se encarregara de julgar também erradas), estão a fazer de Chaves uma cidade onde se torna cada vez mais difícil viver com dignidade e o convite ao abandono é constante, porque assim, cada vez é menos bom viver em Chaves, e agora, até morrer em Chaves é mais penoso e mais caro.

 

Pode ser que agora com a Eurocidade Chaves-Verin os horizontes dos políticos da Eurocidade se alarguem e dispensem de vez esta amostra ou este hospital a fazer de conta, e nas suas instalações nasça um grande hospital da Eurocidade com médicos e enfermeiros de ambos os lados da fronteira, com todas as especialidades e com um serviço exemplar ao dispor da região do Alto-Tâmega e Província de Ourense.

 

Às vezes, as penas e lamentações dão-me para sonhar e acreditar que há por aí políticos que pensam em nós e na população. Sonhos, estes ainda nos são permitidos.

 

Até amanhã, com mais um discurso sobre a cidade, mais pobre que há uns dias atrás.

 

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