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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Coleccionismo de Temática Flaviense – Bilhetes e calendários das “Carreiras”

05.02.09 | fernando ribeiro

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Sem dúvida alguma que o coleccionismo tem pano para mangas e uma prova disso mesmo são os bilhetes e calendários que hoje por aqui deixo e que me foram enviados por um amigo do blog e um apaixonado coleccionista. Curiosamente estes bilhetes e calendários são para compor outra colecção bem mais interessante…

“Como coleccionador de emblemas de boné de motoristas, cobradores e fiscais da empresas de camionagem antigas, tenho também alguns bilhetes e horários, que junto aos respectivos emblemas esmaltados para melhor compor o ambiente do expositor.

Infelizmente ainda não consegui arranjar o da Auto-Viação. A seu tempo aparecerá um para mim, assim o espero, que a arte de coleccionar é isto mesmo... esperar pacientemente até encontrar mais uma peça da minha colecção, que nunca ficará acabada por mais completa que esteja…”

 

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São palavras de Carlos Caria que gentilmente cedeu estes bilhetes para publicação, mas às suas palavras e à tal arte paciente de coleccionar eu juntava ainda a história que também se faz com o coleccionismo, e hoje ficam aqui alguns exemplos disso mesmo, ao trazermos aqui o calendário de 1971 da Auto-Viação (do Tâmega), mas também os bilhetes das “carreiras” do António Magalhães entre Chaves e Braga e vice-versa.

 

Os da minha geração e mais velhos lembram-se de certeza destas camionetas, cinzentas, que também eram apelidadas de camionetas de Braga ou da Viação Auto Motora, cujo nome completo da empresa era mesmo: Viação Auto Motora de António Magalhães & Cª Ldª, que vim agora a saber por Carlos Caria, que também eram conhecidas pelas carreiras da empresa do Marinho, em homenagem ao seu fundador António de Magalhães Afonso Marinho.

 

Camionetas de Braga, do Magalhães, da Viação Auto Motora ou do Marinho que se encarregavam de nos ligar ao litoral via Braga, quando então até estavam na moda e eram populares as praias do norte como a da Póvoa de Varzim. Mas era também com estas “carreiras” diárias (se não me engano se realizavam duas ou três vezes por dia), que Chaves se ligava também os concelhos vizinhos de Boticas e Montalegre.

 

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Enquanto as “Carreiras” do Magalhães nos ligavam a Braga, as amarelas de listas vermelhas da Auto-Viação do Tâmega ligavam-nos aos restantes concelhos vizinhos e a Vila Real e Régua, salientado mesmo nos seus bilhetes que eram asseguradas ligações por comboio ao Porto, ainda no tempo do velho Texas de via estreita até à Régua, ou do Texas até ao Porto por via larga. Foi assim e nunca mais a esqueci, a minha primeira grande viagem entre Chaves e Porto, com os meus 7 anos em 1967.

 

Por isso, meu caro Carlos Caria, também com o coleccionismo se faz história além de nos trazer à memória recordações de outros tempos, que historicamente falando são tão próximos, mas que hoje em dia já ficam tão distantes. Espero que consiga o tal emblema em falta da Auto-Viação.

 

E antes ainda de terminar chamo a atenção para os preços dos bilhetes de então (1976) na ligação Chaves-Braga e vice versa: 130$00 (hoje pouco mais de 50 cêntimos) carimbados em cima dos 94$00 impressos no bilhete. Recordemos que eram tempos de inflações altas em que os preços cresciam quase diariamente sem dar tempo para novas impressões.

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