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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O sol de inverno... Chaves - Portugal

25.02.09 | Fer.Ribeiro

 

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O sol abre-se à cidade e a cidade abre-se às pessoas, às suas gentes, aos passeios e também à vida.

Há que aproveitar estes brindes do Inverno e não há nada melhor que os aproveitar passeado a cidade, a sós ou acompanhados, tanto faz, desde que a companhia se conjugue com estes momentos.

O Jardim do Bacalhau é o ponto de partida deste pequeno passeio pela cidade, ali mesmo junto à Maria Mantela, que tal como o sol tenta enganar o Inverno também os nomes dos sítios e das coisas  tentam impor-se ao que oficialmente está estabelecido, porque nem o Bacalhau, que sempre foi Bacalhau, é Bacalhau, nem a Maria Mantela é a Maria Mantela. Alguém quis que assim fosse, a vontade do povo, e embora o povo nunca seja ouvido e achado para estas nomeações das coisas e dos sítios, vai prevalecendo entre nós o que é popular.

 

Dizem os outros da Europa que somos um povo triste. Não sei se o somos ou não, ou apenas somos assim. Pois eu nestas coisas lá vou concordando ou não, mas mais que tristes, penso que é o medo que vive e sempre viveu em nós. O medo de nos deixar assumir aquilo que verdadeiramente somos e que tal como os sítios e as coisas, mentimos constantemente ao nosso ser e aos outros,  trocamos os nomes às coisas e sempre desejosos por um arraial minhoto, choramos quando ouvimos um fado. Somos assim, complicados…

 

Estava-mos no Bacalhau, onde sempre lamento asneiras do passado, que de pouco valer chorá-las, mais vale esquece-las. Recordá-las, isso sim, sempre, para ao longo da vida também irmos aprendendo, se quisermos, claro.

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Aprender, fui eu aprendendo no Liceu onde tive contacto com as grandes descobertas da humanidade, das ciências, mas também da juventude e da amizade. Liceu que para sempre ficou registado na memória pelos grandes momentos que por lá íamos vivendo e aprendendo. É sempre com carinho que olho para esta casa, recordo os amigos e também alguns professores, aqueles que faziam a diferença e marcaram para toda uma vida.

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São sempre curtos estes passeios de sol, o tempo (dos relógios) não permite grandes devaneios e liberdades de poder andar por aí como eu desejaria, mas por pouco que seja, vai dando sempre a liberdade de tomar umas fotos e remexer nos caixotes da memória, sacando (enquanto de caminha) um ou outro momento, sempre do passado, pois outros não há na memória.

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Atalhando para o fim de um breve passeio, sobe que sobe a calçada da Ladeira da Trindade. É sempre gratificante este pequeno esforço da subida pois sabemos que lá em cima, damos de caras com aquilo que de mais monumental temos. As nossas praças que reúnem à sua volta aquilo que de mais nobre temos e também algumas das maravilhas de Chaves. Quem me dera que toda a cidade fosse assim e, não só a cidade, mas também os flavienses, assim onde e com tanta monumentalidade se comunga as diferenças de uma Praça de República e uma da Monarquia, a Praça do nosso Duque. Somos tristes, dizem os da Europa, mas também saudosistas.

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Sempre debaixo de olho, é assim que convém, embora de pouco valha. Servem de temas de conversa, e, talvez, alguma ilusão e desilusão à mistura. Vê-se quem passa na praça e no palacete também, onde a liberdade e a democracia republicana até ocultam a vaidade de ostentar na casa do poder,  as pedras e as armas da fidalguia da monarquia… fica-lhes bem. Dizem os da Europa que nós somos um povo triste, mas também vaidosos por um dia "termos sido grandes".

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Tristezas talvez, mas belezas também, principalmente se soubermos afinar o olhar e enquadramos na moldura só aquilo que convém, aquilo que por estar tudo lá, é uma imagem perfeita, mesmo que a amoreira não tenha amoras e as suas folhas ainda esperem a primavera, mas vale pelo contorno e pelo contraste que condiz na perfeição com outros contornos e outros contrastes. Dizem os da Europa que somos um povo triste, pois sim, tristes e com fado mas também com poesia…

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Poesia que a custo se vai conjugando nas novas tendências de uma cidade de betão que amuralha  o casco velho da cidade, que a abafa e amordaça. Uma nova cidade de betão onde por mais colorida que seja, não passa de uma cidade cinzenta e caótica que por não ser planeada não é pensada e cresce atabalhoada. Modernidade, é o nome da tendência que se pratica nas novas cidade de b€tão. Modernidade que dizem, olha os interesses da população. Na Europa também dizem que nós somos um povo triste.

 

Até amanhã!

 

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