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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Abr09

Discursos Sobre a Cidade - O Morro da Fràgatânia - Por Tupamaro

 

.

 

O   MORRO   da   FRÀGATÂNIA”

 

Texto de Tupamaro

 

SEGIREI fica mesmo lá naquela preguinha plissada gaélica da fronteira que as lutas mourisco-leonesas alinhavaram, para mais tarde, a Espanha concertar com Portugal.

Da corola dos seus encantos, a ribeira do seu rio Mente convida-nos a um poiso, qual mariposa a gulosar-se com o néctar da sua flor preferida.

Sentados num dos bancos da sua ribeira, agora Praia Fluvial, esquecemo-nos do mundo.

E sonhávamos.

Lá, à nossa frente, do lado de lá do rio, na outra margem, apareceu uma perdiz perdida dos caçadores, a esgravatar, sossegada e distraída, o chão daquele carreiro que sobe o rio pela margem esquerda.

Não demos conta de mais nada, mas, pelas nossas costas, algo, ou alguém, veio tapar-nos os olhos com aquele jeito suave do «adivinha quem é».

E só nos disse, numa estranha eufonia:

-“Não te mexas. Vou contar-te a Lenda da Fraga Negra”.

Acudiu-nos ao pensamento a imagem de Legiões romanas, disciplinadas e ameaçadoras, mas assustadas com a travessia do Rio Sil, e, do outro lado, pintadas com a “woad” (ou tinta vegetal azul), as hordas aguerridas, barulhentas, desafiadoras, dos clãs Celtas, afoitadas pelo ímpeto e bravura das suas mulheres.

Outros Povos se atreveram e reinaram por estas paragens.

Nem os Muçulmanos, que nos deixaram por herança, entre outras, A NORA, nos «fazem andar mais à nora» do que os CELTAS.

Por mais literatura ou informação que deles nos cheguem, sabe-nos sempre a pouco. Sentimos que falta sempre mais uma página, um conto, um relato, um enigma, um segredo,

Adivinhando o mistério em que mergulhava o nosso pensamento, a deusa Nai, que os olhos suavemente nos tapara, sussurrou:

- Vou contar-te a Lenda:

- “Por este Planalto ondulado, entre o Sil, o Tâmega e o Tuela, Tribos e Clãs de mestiçagem céltico-romana se fixaram.

Além de território estratégico era sedutor pelos seus recursos naturais, que garantiam farto sustento.

Assim, também os Bárbaros o cobiçaram. Vândalos, Suevos e Visigodos por aqui andaram às turras.

E até a Moirama nele se estabeleceu.

Com a Reconquista, Monges e Frades os Vândalos suplantaram na destruição das memórias desses Povos, que de bárbaro tinham apenas a sua independência do Jugo Romano!

Constantino em 313 - Édito de Milão  -  e Teodósio, 391, decretaram o cristianismo em todo o Império.

Pois, por estas paragens, ali por volta de 435 um príncipe suevo, afilhado do Bispo de Ourense, Sinfósio, fez uma incursão guerreira a estes domínios.

O Bispo de Chaves, Idácio, tinha por aqui uma afilhada linda como uma flor.

Andava a pastorear o seu rebanho quando, numa cavalgada de reconhecimento táctico, o príncipe suevo, ao voltear um morro, com ela se deparou.

Fitaram-se.

O dia anoiteceu num repente.

O céu encheu-se de milhões de estrelinhas.

Dos bosques chegavam derretidas melodias saídas das flautas de faunos enternecidos.

Quando o sol se levantou no amanhecer a pastora e o guerreiro ainda continuavam abraçadinhos.

A Ourense e a Chaves demoravam as notícias acerca do paradeiro dos afilhados.

Idácio, Bispo de Chaves e Sinfósio, Bispo de Ourense (aquele, mais cristão-romano; este, mais cristão - suevo) acordaram num conciliábulo em SIGIREDI.

De Sandini (hoje Sandim), de Rodorici (Roriz), de Argimiri (Argemil) e de Potamii (Pedome) , pontos de apoio à cintura de busca dos afilhados, as notícias eram nenhumas.

Uma e outro haviam-se sumido.

Era noite de Lua Cheia. Os lobos uivavam nos bosques; as corujas piavam nos palheiros.

Uma chuva de estrelas caiu do céu.

Os dois acampamentos, embora em oração, arrepiaram-se de medo.

Olharam para o sítio onde pareceu cair a chuva de estrelas.

Lá no cimo daquele monte uma fita de cetim prateado pareceu rodear o cabeço.

E de uma fenda guardada por estevas floridas saíam luzes a moldar a figura dos dois afilhados.

Sinfósio e Idácio benzeram-se, atónitos e incrédulos.

Compreenderam o mistério do amor.

Ainda hoje, no “Morro da FràgaTânia”, aquela Fraga Negra se ouve a emitir brilhos e suspiros, em noites de Lua Cheia.

Não lhe toques. A fenda abrir-se-á para te arrebatar para o mundo do excelso”.

 

Estremunhámos.

 

Do lado de lá, na margem esquerda do rio Mente, já não vimos a perdiz perdida dos caçadores.

 

Uma placa prateada indicava um trilho:

M O R R O   da   F RÀGATÂNIA!

 

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