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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Mai09

Calvão - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos até Calvão e o seu post alargado.

 

Tardou chegar aqui, não por falta de visitas ou fotos, antes pelo contrário, pois Calvão tem tanto para mostrar que a indecisão estava mesmo em escolher as fotos que a representassem e, de cada vez que por lá passava, as fotos aumentavam. Resolvi que seria hoje o dia de Calvão, porque já era tempo de estar aqui.

 

 

Há quem defenda que a região de Barroso termina no rio Tâmega e de facto o Rio Tâmega e o vale de Chaves fazem a transição entre a terra fria do Barroso e a terra quente que desde Mirandela se prolonga até nós.

 

Calvão, acompanhada por Castelões, Soutelinho da Raia e Seara Velha, parecem testemunhar isso mesmo, pois conhecendo-se as características das aldeias barrosãs, também se conhecem as características destas aldeias, mas tal como algumas aldeias barrosãs, também Calvão tem características únicas que as deve ao seu aconchego à montanha que a protege dos ares frios de Barroso e goza da condição de um pequeno vale que se começa a desenhar em terras de Ervededo e se prolonga até Seara Velha, onde de novo o concelho encontra terras oficiais de Barroso.

 

 

Fronteiras que se desenham oficialmente e politicamente, mas que na realidade se diluem num mesmo povo com características mais amplas, as características das terras altas de montanhas e serras, com pequenos vales e altos planaltos, onde o frio de inverno é frio e o calor de verão é de inferno, terras onde, como dizia Torga, não há raças, há castas, as castas transmontanas.

 

Pois à casta transmontana e alto-tamaguense, com terras quentes e terra fria de Barroso à mistura, é que Calvão não escapa.

 

Calvão onde é sempre agradável ir, para visitar, apreciar e estar.

 

 

Visitar porque é uma das nossas aldeias de visita obrigatória para apreciar não só o casario típico e rural da pedra de granito e da madeira, sem casas senhoriais ou solarengas é certo, mas com um conjunto de casario que se desenvolve ao longo das suas várias ruas com o aconchego da encosta da montanha e que dentro do típico rural, há uma diversidade de pormenores que são dignos de serem apreciados, desde a capela do cemitério, ao cruzeiro, às fontes de mergulho, à igreja com o seu “Cristo Rei”, às muitas fontes de água que ainda registam o símbolo do estado novo, belíssimas fontes por sinal e que aqui foram preservadas, e bem, e, fazem o testemunho e também a história de uma fase da nossa república portuguesa.

 

 

E se o casario encanta, nem há como continuar esse encanto no Santuário da Nossa senhora da Aparecida, com um belíssimo parque de merendas, uma capela também interessante, fontes e muita paisagem para ser apreciada, paisagem que nem parece terrestre se deitarmos o olhar para os picos das montanhas que se desenvolvem até Seara Velha e se prolongam em direcção a terras de Ardãos, já do concelho de Boticas.

 

E tal como atrás dizia, se Calvão é aldeia para ir e apreciar, então o recinto do Santuário da Nossa senhora da Aparecida é local para ir, apreciar e estar, pois o local convida mesmo a estar por lá um dia inteiro, com merenda, claro, e de preferência nesta altura do ano que se avizinha de fim de Primavera e Verão. Merendas ou almoços aos quais não faltam mesas, churrasqueiras e com sorte até bar de apoio, também com características simpáticas pelo seu desenvolvimento ao ar livre para a população. Se gostar de montanhismo e caminhadas, delicie-se também, pois por ali não faltam montanhas que convidam à sua descoberta e à sua caminhada, mas se for dos que gostam de “botar” uma soneca à beira da merenda, sombras não faltam por lá, ou sol, se o preferir.

 

 

Quanto à Senhora da Aparecida, conta a tradição que em 1833 teria aparecido a Senhora a três pastorinhos de nomes Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Então, o povo perante a divulgação do acontecimento, erigiu logo uma capela para em 1842 levantar uma outra com maiores dimensões, ligada à primeira. Mas não pararia por aqui, pois em 1880 seria construída outra capela em forma de nicho. Começava-se a desenhar o actual santuário, principalmente após a construção de uma fonte, aberto um espaço arborizado e claro, a colocados  de coretos (três). Tudo isto, porque a romaria à Senhora da Aparecida, realizada em cada primeiro domingo de Setembro, foi sendo cada vez mais importante e concorrida, pelas graças que corriam de boca em boca.


Os romeiros depois de participarem nas cerimónias religiosas, cumprirem as suas promessas, comerem
as merendas e ouvirem as bandas tocar, despedem-se do local, rezando ou cantando em adeus:


Ó Senhora d'Aparecida
As costas vos vou virando
A saída é agora.
A volta já não sei quando.

 

 

Continuando um pouco no deleite dos parágrafos anteriores existe neste pequeno rincão Norte do concelho mais que motivos que merecem a nossa visita e a visita de muita gente. Um rincão que embora conhecido por nós, não é devidamente aproveitado e explorado por quem de direito e que bem poderiam contribuir para o desenvolvimento dessas aldeias, bem como contrariar o despovoamento das mesmas. De facto além do interesse das aldeias em redor de Calvão, como as aldeias da freguesia de Ervededo, Castelões, Soutelinho da Raia e Seara Velha, concentram-se também aqui os santuários mais importantes do concelho, como o já referido da Srª da Aparecida, o de S. Caetano, o da Srª do Engaranho de Castelões, mas também toda a história que está relacionada com o Couto de Ervededo e o seu antigo concelho, história que se prolonga na arqueologia, mas também em usos e costumes.

 

 

Terras que tantas vezes foram cantadas por Torga e por quem a descobre, que são também referência para alguns estudiosos e historiadores, referencia também religiosa. Pode-se dizer que é uma mina por explorar em actividades turísticas naturais, religiosas e culturais, com temáticas e de montanha, tendo as aldeias e as suas gentes, as suas tradições, usos, costumes e produtos como uma forma sustentável desses mesmos interesses culturais e turísticos… mas enfim, como sempre, esquecemos e desprezamos o que temos de melhor para apostar também no centralismo na e em torno da cidade, pois o brilho das luzes sempre atraiu… para vidas que se pensam melhores.

 

 

E enquanto os senhores de Lisboa e outros de cá andam distraídos com projectos feitos para 4 anos que encham o olho a quem os vê, mesmo que deles não se tire proveito ou futuro as nossas aldeias vão sendo despovoadas e envelhecidas e uma das provas disso mesmo é que há umas dezenas de anos atrás havia necessidade e era ambição das populações das aldeias terem a sua igreja, pois a capela tornava-se pequena, ter uma escola, electricidade, água canalizada e saneamento, coisas do passado que com o tempo e a custo até as conseguiram, mas talvez tarde demais e sem políticas em paralelo para reter as populações na sua terra, pois hoje, as necessidades das aldeias são bem diferentes. Os jovens partiram, as escolas fecharam e a população que resta, hoje anseia por uma casa mortuária, o alargamento do cemitério e um lar para poder passar os seus últimos dias com alguma companhia, mas que assistência. Não me estou a referir a Calvão em particular, mas a todas as nossas aldeias despovoadas.

 

 

As soluções para contrariar despovoamentos são conhecidas e até fáceis de por em prática e concretizar, principalmente em aldeias que distam da cidade apenas uma dúzia de quilómetros e que bem poderia manter por lá os seus filhos, mas para isso teria que haver políticas acertadas e preocupadas em que isso acontecesse, mas não há, em troca, têm-se cidades com atabalhoados, emaranhados e amontoados de betão, onde as pessoas vivem metade das suas vidas em meia dúzia de metros quadrados entre as suas paredes… mas claro que contra o b€tão, não há argumentos, nem urbanismo que lhe resista, porque afinal é o b€tão que paga tudo, não é!?

 

 

Pois é, e também Calvão, embora com os seus atractivos e interesse, sofre e segue a linha da tendência do despovoamento, números que vos apresentarei aqui no mosaico final quando a freguesia (com Castelões) tenha por aqui a sua cobertura num post alargado.

 

Calvão que é sede de freguesia à qual pertence também a aldeia de Castelões, fica a 12 quilómetros de Chaves a Norte da mesma e ocupa 19,62 km2 de área (a freguesia).

 

 

Essencialmente agrícola tem como produções mais significativas o vinho, centeio, milho, batata e feijão.

 

A igreja paroquial, muito imponente com os seus campanários a subirem bem alto e a destacarem-se além dos telhados do casario, foi reconstruída nos finais da década de 1940, após a igreja existente ter sido destruída por um ciclone. É muito maior que a antiga igreja, a primitiva, denominada de Santa Maria de Calvão seria uma das que faz parte da estória da lenda de Maria Mantela.

 

 

E por hoje é tudo. No próximo fim-de-semana cá estaremos outra vez de volta às nossas aldeias e às freguesias, entretanto durante a próxima semana, como sempre, cá estaremos diariamente e, por cá, às quartas também há feijoada, ou peixeirada ou então devaneios, logo se vê.

 

Até amanhã.

 

 

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