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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Mai09

Hoje não há feijoada, nem peixeirada - há lamentos!

 

.

 

Já não vão lá com rezinhas aos santos,

Nem com mesinhas de santas

E santas, reconhecem agora

Foram as mães que os pariram

Quem sabe, até, se no meio de tanta santidade

Não foi por temor a Deus que o acto aconteceu

 

Umas migalhas secas de pão, isso sim

Interessa

Interessa aos pombos  e

Interessa-lhes

Ver os voos interessados

Apenas

Por umas migalhas de pão

 

Eles sabem tudo da vida

Madrasta, quase sempre

Mas sobretudo sabem

Como os pombos gostam de migalhas

Conhecem-lhe os voos

As horas, as manhas

E até a desconfiança

 

Eles, ao contrário

já não desconfiam de ninguém

Já há muito aprenderam

A não confiar

E eles sabem tudo

Até de monarquias, repúblicas

Guerras, revoluções

Fome, inveja, ódios e

até de amor

Também um dia o conheceram

 

Eles sabem tudo

E hoje

Apenas querem ter no bolso

Umas migalhas para os pombos.

 

.

 

.

 

Gosto de poesia sim senhor. Sempre gostei e é muito bom remédio para desanuviar, desde que, claro, se encontre a poesia certa para o momento certo e hoje, é um daqueles dias em que a poesia me apeteceu, talvez para esquecer, notícias do dia, em que nem sequer quero acreditar. Noticias do poder, claro, não daqueles que são simples marionetas de quem manda, e entenda-se marionetas como políticos, mas antes daquele poder que realmente é poderoso. Dois mails que aguardavam por mim neste fim de noite, puseram-me assim.

 

O primeiro dizia que o Parlamento Europeu ia votar ontem (não sei se o foi) uma Lei europeia em que vai restringir o acesso à INTERNET ou aos sítios da INTERNET. Ou seja, passará a ser uma coisa vendida aos pacotes, tipo TV CABO ou MEO ou esse género de pacotes comercias, tudo com a desculpa dos malefícios da INTERNET, do terrorismo, das cópias piratas de filmes e música. Leia-se aqui também que o Boom! da INTERNET começou a molestar o grande capital e descobrem agora na INTERNET,  também um negócio onde poderão lucrar um milhões largos a acrescentar aos que já têm, e as marionetas europeias, claro, lá lhes vão fazer o favor de lhes aprovar uma Lei feita à medida.

 

A curto prazo, podem dizer adeus aos blogues (este incluído), chats, chamadas telefónicas e outras comunicações via INTERNET…os vampiros estão a tomar e a silenciar a INTERNET e vão acabar com aquilo que de bom a INTERNET tem,  este aproximar de gentes e de povos, este partilhar para receber, sem interesses.

 

Para mais informações sobre essa lei, siga os links:


http://www.laquadrature.net/en/telecoms-package-towards-a-bad-compromise-on-net-discrimination
http://www.laquadrature.net/wiki/Telecoms_Package
http://en.wikipedia.org/wiki/Telecoms_Package
http://www.blackouteurope.eu/

 

Para pedir esclarecimentos e chegar até aos nossos deputados europeus, tem estes links:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Deputados_de_Portugal_no_Parlamento_Europeu_(2004-2009)
ou 
http://www.europarl.europa.eu/members/expert/groupAndCountry/search.do;jsessionid=69ADF04943C000194117E9C7032EEC31.node1?country=PT&language=PT

 

.

 

.

 

O segundo mail é ainda mais assustador, pois um vídeo que circula na NET, alojado no YouTube denuncia mais uma vez a grande indústria dos laboratórios farmacêuticos e, simplesmente denuncia, que este vírus da gripe suína, não teve origem no México, mas num laboratório e que foi propositadamente introduzido na população com o intuito desse laboratório poder fabricar as vacinas. Não quero acreditar que isto seja verdade, porque a ser assim, só me resta mesmo ter como única ambição juntar umas migalhas de pão seco para dar aos pombos. Veja o vídeo aqui:

 

 http://www.youtube.com/watch?v=0K2LdGUca9w

 

 

Em dias assim, prefiro mesmo a poesia, que essa, sempre nos vai dando algum aconchego à alma, em Torga, por exemplo, encontro muitos aconchegos:

 

.

 

.

 

Chaves, 23 de Setembro de 1960

 

Resolveu confessar-se, e dispunha-se a cumprir o ritual canónico:

 

- Eu pecador…

 

Sorri-me.

 

- Creia que estou a ser sinceríssimo!

 

E nem dava conta que mantinha afivelada a máscara que o desmascarava. A máscara ridícula da seriedade, que todos usamos habitualmente.

 

Com amiga dureza, disse-lhe então o que ele certamente já sabia e tentava a si próprio ocultar:

- Oiça: cada vida apenas se salva ou perde no plano de Deus. Isto é: no seu absoluto desnudamento. O resto diz respeito unicamente aos códigos sociais. À boa ou má reputação que desfrutamos, às vénias que nos fazem ao passar, ao espaço que vamos apalavrando nas futuras páginas da necrologia. É a epiderme de cobra que deixamos ardilosamente no caminho. Não ponha qualquer esperança nessa mistificadora camisa de gaze. Arranque pele verdadeira, se quer realmente desobrigar-se. Mas arranque-a a sós consigo, na solidão do arrependimento, longe de testemunhas inúteis. Descole o bordo da crosta de transigências e puxe sem dó nem piedade, até que tenha diante da consciência a alma em carne viva.

 

Miguel Torga, In Diário IX

 

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