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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Do rescaldo da Europa até Chaves

10.06.09 | Fer.Ribeiro

«O Presidente da República não comenta resultados de eleições, isso é matéria que compete aos analistas e eu não direi uma única palavra sobre os resultados», afirmou o Chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, quando questionado sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu.

 

Quem sou eu para por em causa se o Presidente da República deve opinar ou não.

 

Pois eu tenho uma opinião, mas primeiro vamos aos números reais desta votação, deixando de parte aqueles que interessam aos partidos e, contabilizam para saber quantos lugares garantem no Parlamento Europeu, a sua única preocupação e, claro,  quem somou mais votos para poder gritar VITÓRIA.

 

Cada um faz a leitura que quer e lhe interessa, fazendo vista grossa à realidade que é vem preocupante, senão vejamos:

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Para esta votação estavam inscritos 9.662.063 eleitores dos quais 6.101.554 não votaram, ou seja, apenas 3.560.509 foram às urnas e destes, 164.879 votaram em branco e 71.153 foram nulos, e o vencedor (PPD/PSD) obteve 1.128.715, ou seja, apenas os votos de 11.6% dos eleitores inscritos. Por sua vez, o PS, nem 1 milhão de votos atingiu.

 

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Penso que estes números dizem muito e será um erro crasso ignorá-los, pois mais de 63% dos eleitores portugueses não querem nada com eleições, nem com partidos, e não admira que assim seja, pois cada vez mais a população está descontente e desiludida com os nossos políticos e sobretudo, não acredita neles e, já começa a ser comum ouvir que “o que eles querem é mamar” e outros, que o pensam, não o dizem por medo.

 

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Claro que “toda a gente” diz que estas eleições não interessavam, pois são para a Europa. Curiosamente, a mesma, que directa ou indirectamente, dita os nossos destinos.

 

Pois meus caros já há por aí algum medo, mas sobretudo, gente que não se quer comprometer. Ideais e ideologias, são coisas do passado. Socialismo, social democracia, comunismo…só se for para estudar como teorias, mas sobretudo o que mais falta nos políticos, é princípios, rectidão, justiça e palavra, pois durante as campanhas eleitorais tudo vale e tudo se promete, depois de ganhas as eleições, para o bem e para o mal, é à maneira de quem manda. Os partidos, não passam de clubes dos quais meia dúzia são dirigentes e o resto é massa associativa e aos quais a maioria não pertence. Aliás penso mesmo que se o Benfica ou o Futebol Clube do Porto se candidatassem às eleições, um deles, ganhava-as, porque em políticos, já ninguém acredita.

 

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Há anos atrás alguém falava em juventude rasca. Pois é, o tempo passa e a juventude cresceu com os valores que aprendeu…

 

Mas deixemos de parte a Europa e as eleições. Regressemos a Chaves cidade  e ao meu olhar sobre a cidade, embora haja por aí quem pense que eu não tenho direito a esse olhar… Mas a cidade é de todos e embora eu nada decida, tenho direito ao meu olhar e à minha opinião.

 

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Pois cá pela terra as coisas não são diferentes do que se passa a nível nacional. Claro que a outra escala, com clubes de bairro e jogadores também de bairro, mas que gostam de dar nas vistas na esperança de serem vistos pelos olheiros do clube grande da capital, de resto,  é igual aos clubes grandes à escala pequena. Cada equipa joga para si, sem tácticas de jogos, sem escola e sem grandes perspectivas de futuro  e, tal como os grandes, aqui os pequenos, também são iguais, apenas muda a cor do equipamento. Jogadas, há para todos os gostos e desgostos e também por cá, a maioria do pessoal não vai à bola.

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Mas passemos a coisas reais e promessas que nunca foram cumpridas, a prioridades que são constantemente adiadas, a futuros que são comprometidos, a projectos que são ultrapassados, a apostas que foram perdidas, ou melhor… nem vale a pena, pois todos temos memória e só não vê, quem não quer ver e atenção que não me quero referir a coisas de hoje ou recentes, mas a necessidades, prioridades e oportunidades e apostas que vão sendo adiadas ou perdidas ao longo dos últimos anos do pós 25 de Abril e que vão sendo repetidas nos vários mandatos e, que se repetem também na maioria das vilas e cidades de interior e de província com muitas culpas do poder central.

 

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O despovoamento das aldeias e a falta de atractividade do mundo rural, políticas agressivas e desiguais entre comércio tradicional e grandes grupos, apostas imobiliárias desmedidas e não planeadas na cidade, falta de perspectivas de futuro na cidade e no meio rural para os nossos jovens, perda de bens e serviços no campo da saúde e educação, degradação e despovoamento do centro histórico, marginalidade crescente e sobretudo uma incerteza e falta de apostas e projectos sustentadas para um futuro a médio e longo prazo com vista a uma cidade e mundo rural atractivos de modo a permitirem o repovoamento das aldeias com o apoio numa cidade que se quer média e parceira.

 

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Não só para as aldeias mas uma cidade  que consiga afirmar-se também nesta região. Claro que para isso ser possível, ter-se-ia que pensar a cidade para além de prazos de 4 em 4 anos, deixarem-se de parte alguns luxos de encher olho e haver preocupações com o essencial e prioritário, começando pelo mais simples, ou pelas bases, como se costuma dizer, e com projectos que tenham continuidade, seja qual for a cor política do poder, ou seja, projectos que sejam de todos e sobretudo da cidade e do concelho, para a cidade e para o concelho.

 

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Coisas simples, que no dia de hoje, dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, poderiam ser entendidas como um convite para o regresso das nossas comunidades à sua terra de origem e com as condições de vida e oportunidades que conseguiram lá fora.   

 

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Mas claro que não me cabe a mim decidir a cidade, mas posso opinar e, também não me conformo com a cidade que temos, pois todos sabemos que tem potencial para ser muito mais. Basta um pouco de amor e trabalho sério, que de oportunistas, estamos todos fartos, embora uns não ousem dize-lo e outros não se queiram comprometer. Claro que cabe aos políticos tratar dessas matérias (poder e oposição) em vez de ficarem à espera que uns caiam para outros lhes ocuparem o lugar, pois tem sido por causa dessas brincadeiras que a maioria dos portugueses já não vai votar…

 

Até amanhã!