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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jun09

Agostém - Chaves - Portugal

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E hoje vamos até mais uma aldeia das proximidades da cidade. Agrações a apenas 9 quilómetros da cidade, mas nem por isso deixa de ter a sua identidade de aldeia. Aliás uma identidade idêntica às identidades de todas as aldeias, sejam elas de proximidade da cidade ou sejam elas das mais distantes e de plena montanha.

 

Todas as nossas aldeias, hoje em dia, têm características comuns e que passam todas pelo envelhecimento da sua população, o despovoamento e a ausência de crianças e de novos nascimentos.

 

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À excepção das freguesias do vale de Chaves ou de proximidade, como Vilar de Nantes que neste momento é a segunda freguesia, em termos de população residente, e que é mais urbana que rural, ou ainda as freguesias de Valdanta, de Outeiro Seco, de Vila Verde da Raia, Stº Estêvão, Faiões e Eiras, que embora mantenham a sua componente rural não são mais que dormitórios da cidade, tudo o resto está longe dos doirados anos 50 do século passado. Doirados, mas só em termos de população residente, pois em tudo o resto, o “ouro” pouco brilhava, principalmente nas condições de, na aldeia, poder ter uma vida tão digna como na cidade, quer em termos de infra-estruturas básicas, quer em termos de trabalho como um modo de ganhar a vida, aliada uma deficiente rede de transportes e de estradas de ligação, acessos à saúde e educação.

 

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Infelizmente desde o início do grande êxodo das aldeias (anos 50/60) não houve visão nem políticas para manter a população nas aldeias e no interior. Todas as políticas nacionais têm sido centralistas e hoje em dia, mais que nunca e nem quero falar nas políticas agrícolas das PAC, que em vez de desenvolver a agricultura no interior, arruinou-a, pois se alguém lucrou com essas políticas, pela certa que não foram os agricultores das aldeias. Mas também por cá as políticas em relação às aldeias têm sido centralistas e apensar na cidade, misturada com más políticas de ordenamento e muitos interesses aliadas a essas mesmas, começando pela ausência de um PDM durante longos anos e com um PDM proibitivo para as aldeias, que infelizmente ainda se mantém.

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Não se compreende que numa altura em que ainda havia  interesse em voltar às aldeias, pelo menos por parte dos nossos emigrantes de primeira geração, se lhe tivesse proibido a construção de moradias nas suas aldeias, pois maioritariamente e erradamente o PDM limitou a construção praticamente aos núcleos existentes, quando o que deveria ter feito, era expandir as zonas de construção e preservar os núcleos existentes.  Como não o fez (e ainda não o faz), perderam-se os núcleos típicos das construções tradicionais das aldeias com a introdução de novos materiais e mau gosto no interior das aldeias e naquilo que tínhamos de melhor e, com as proibições construtivas à volta dos núcleos, fez-se um convite a que as suas populações deslocassem também os seus interesses para a cidade, onde aí os interesses, eram e continuam a ser outros:  os imobiliários, onde a ausência de um Plano de Urbanização aprovado e de planos de pormenor, continuam a engaiolar as populações na cidade.

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(embora na legenda da foto esteja Agrações, a foto é mesmo de Agostém. Esta é uma da nóias do meu subconsciente em confundir os termos Agrações com Agostém, tal como confunde Stº António de Monforte com Nogueira da Montanha, va-se lá saber porquê...)

 

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Pois é, mas hoje é a Agostém que este blog dedica o espaço e se toda esta conversa veio à baila, é porque Agostém, dada a sua proximidade da cidade, bem poderia ser um dormitório dela, com qualidade de vida e poupar meia dúzia de mamarrachos na cidade.

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Agostém é uma pequena aldeia com apenas 97 habitantes residentes, com 8 crianças com menos de 10 anos, com 15 residentes entre os 10 e os 20 anos e com 26 habitantes com mais de 65 anos, tudo dados do Censos 2001. Dados temporalmente  ultrapassados, mas que não andarão longe da realidade.

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Quando me referi à sede de freguesia, S.Pedro de Agostém,  e à Nossa Senhora da Saúde, em cujo santuário se festejam uma das cerimónias religiosas com mais tradição no concelho de Chaves, referi-me também a esta aldeia de Agostém, que é ela quem dá nome à freguesia, e referi também , que era nesta aldeia que se festejava (no Domingo da Srª da Saúde) a festa do Espírito Santo, que com o tempo foi perdendo a sua importância e festejos também para a Srª da Saúde, pois segundo apurei na aldeia, ainda se venera o Espírito Santo, mas apenas religiosamente com uma missa, sem qualquer tipo de festejo.

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Embora seja uma pequena aldeia, pela vida que sempre tem, não o parece, pois se há aldeias onde entro e saio sem ver alma viva, nesta, que me lembre, nunca a vi sem gente na rua e já passei por ela, nos últimos vinte e tal anos, umas boas dezenas de vezes, pois á estrada que a liga à cidade de Chaves, também a liga à 314 e a Ventuzelos, por onde faço as minhas ligações preferenciais ao interior do grande triangulo da zona de Vidago (freguesia de Selhariz e Vilas Boas).

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Quanto ao topónimo de Agostém, não encontrei nenhuma referência quanto à sua origem, no entanto tudo indica que tenha algo a ver com o mês de Agosto, aliás tal como todos os termos iniciados por “agos”, como agostado, agostadoiro ou agostadouro, e agostino(a). Algo de Agosto tem e, como a nossa língua, embora antiga, está sujeita a constantes mudanças e acordos, vão-se perdendo os termos e significados de alguns termos arcaicos, que (como sempre) intelectuais e outros senhores de Lisboa, ditam por Lei, que já não estão correctos, deixam de existir, ou são simplesmente ignorados. Imaginem só, que no meu dicionário onde até constam todos os palavrões (para os senhores de Lisboa) que por cá se usam comummente, não consta a palavra carabunha, e nós é que somos os parolos. Assim, e para concluir, Agostém, algo de Agosto tem, até melhor opinião.

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Até amanhã, de volta à cidade, talvez com ilustres ou não, numa semana em que eles, os heróis e os santos flavienses, até vão estar em debate. Mais uma semana que se avizinha e que prometem acontecerem coisas em Chaves, nem que sejam mais um encontro da Blogosfera Flaviense.

 

Um pedido de desculpas também para Agostém que,  por falta de referências e documentação escrita sobre  a aldeia, me vi forçado mais uma vez a referir-me às aldeias em geral e a alguns devaneios. Espero (pelo menos), que a reportagem fotográfica seja do agrado de todos, onde ainda há pormenores dignos de um registo.

 

Até amanhã!

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