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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Jul09

Chaves classicamente moderna

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Ontem realizou-se mais um colóquio organizado pela associação Tamagani (os artistas cá da terrinha), pelo Fórum Galaico Transmontano e pelo BIC (Banco de Ideias de Chaves). O Colóquio era subordinado ao tema “Património Urbano” e estava integrado dentro de uma série de colóquios onde se pretende discutir o futuro de Chaves.

 

Era intenção dos organizadores mobilizar a população para discutir a cidade e o seu futuro e, dentro dos eventos que se organizam em Chaves, este também tem sido um sucesso, pois quase consegue encher o auditório do GAT e com público interessado e interveniente. Um sucesso portanto.

 

Louvo a intenção e o esforço dos organizadores destes colóquios ao quererem dar uma sapatada na apatia com que os flavienses vivem a cidade e nela intervêm, mas por muita pena minha, nestes 3 colóquios que foram realizados, pois num concelho com 40.000 habitantes onde mais de metade vivem na cidade e nas redondezas, ter 100 pessoas interessadas na cidade, não é nada, com a agravante de que, o que se diz naquele auditório não sai de lá.

 

Não quero com isto criticar ou desincentivar  a atitude dos organizadores destes colóquios, antes pelo contrário, pois ter 100 pessoas a discutir Chaves já é uma vitória, quero antes lamentar que apenas sejam essas pessoas as interessadas e lamentar também que o que por lá se diz, caia em saco roto, mesmo sabendo que andam por lá olheiros e gente responsável por este município, que com certeza, no dia seguinte participarão as conclusões ao pequeno grupo interessado, do poder ou com aspirações a ele,  dizendo: -  “Deixa-os andar, que aquilo não dá em nada”.

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É precisamente o sentimento de “deixa andar que a nossa opinião de nada vale” que está instalada na população. Cada vez mais se vive alheado do que é público e do que é de todos, porque todos sabem que o único valor que a população tem é o valor de um voto por cabeça e esse, só acontece de 4 em 4 anos e, a população a ser importante, só o é mesmo no dia em que vai às urnas para se saber para que lado cai o seu voto, de resto, a população e a sua opinião nada valem, pois ninguém quer saber deles e o povo, que é povo, é povo mas não é burro, mesmo assim, é-lhe mais fácil alhear-se ou conformar-se, porque já sabe que o seu valer nada vale.  É assim se vai fazendo a “democracia” que temos e tudo  graças aos políticos que também temos, do poder ou da oposição, pois tudo vai dar ao mesmo.

 

Já estamos habituados a que promessas de políticos não são para cumprir, seja a nível local ou nacional, mas tudo continua igual e, mesmo que a maioria da população não vá às urnas, pouco interessa, pois as contas fazem-se com os votos que entram nas urnas e não com o querer da maioria da população. Ainda gostava de ver os resultados eleitorais de um Portugal democrático com voto obrigatório… mas isso não interessa a políticos tal como não interessa mexer muito no esquema do financiamento dos partidos, onde (a meu ver) reside o verdadeiro cancro da política.

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Estamos em período de crise, séria, que já todos (a grande maioria) começamos a notar em nossas casas, no entanto, o Governo continua com as nóias dos TGV´s e Aeroportos, mais ponte menos ponte sobre o Tejo, Mundiais de Futebol e outras grandiosidades imitados pelas terrinhas dos autarcas, que embora a outra escala, também continuam a esbanjar dinheiros sem que dele se tirem os reais proveitos e onde o que é urgente e necessário, continua por realizar.

 

No último encontro da Blogosfera Flaviense chegou-me às mãos uma revista “publicitária”, que embora editada com o Jornal Público em Março deste ano, só agora me chegou às mãos.  É uma daquelas revistas que os Jornais dedicam a uma cidade, com tudo muito bem feito, atraente e ao gosto de quem a paga. Quem teve acesso à revista e não conhece Chaves, pela certa que ficou impressionado, e nem era preciso abrir a revista, pois bastava ficar-se pela capa, onde uma foto nocturna da nova ponte pedonal demonstram bem os luxos que se vivem em Chaves e onde não faltam promessas impossíveis de realizar (como Chaves Património Mundial), ou acções de cosmetologia, com o novo mundo da cosmetologia das Termas de Chaves, seja lá isto o que for, pois os que vejo por lá são sempre os mesmo, os “empenados das maleitas” que procuram nas termas algum conforto, como confortável terá que estar na vida, para suportar as custas do tratamento, passando por uma Eurocidade que não se deslumbra enquanto se continua a virar costas para parcerias e ligações com os concelhos vizinhos, para terminar numa conquista de investimentos num parque empresarial que até tem uma plataforma logística que não funciona ou num complexo hidroeléctrico de 1700 milhões do qual nada beneficiamos e que só nos bem afogar as nossas terras…

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A realidade de Chaves, cidade e aldeias que todos queremos e amamos porque são as nossas,  é bem diferente, com um Centro Histórico à beira da ruína e sem moradores para além do comércio, uma cidade carente de estacionamentos e os poucos que existem são maioritariamente pagos, com um comércio tradicional que se lamenta constantemente mas que não se moderniza e nada faz para combater o poder das grandes superfícies comerciais, uma cidade sem oportunidades para os seus filhos licenciados, uma cidade não planeada onde o betão continua a mancar mais que a «razão», uma cidade com um Hospital a fazer de conta e onde até morrer, mete dó, pois sabemos que nem na morte teremos um lugar digno para nos podermos despedir dos que nos são queridos.

 

Não admira portanto que em Chaves, a maioria da sua população viva alheada da cidade quando todos sabem, que as políticas também vivem alheadas dos principais e reais interesses da população. Coisas simples são necessárias e urgentes mas também por cá se vivem os sonhos de pequenos TGV’s, que não dão em nada, a nada levam, mas enchem o olho, nem que seja em capas de revistas e que pelo meio se diga que “ninguém pára Chaves”- uma realidade …só não se sabe é a caminho de quê ou de onde! Indeterminadamente perdida no “classicamente moderna”, pois nem é uma coisa, nem outra…

 

Para quem neste texto queira descortinar cores políticas, que fique a saber que o recado (se assim o considerarem) é para todos (poder e oposição) pois eu também já sou dos que ainda cumpre o dever de cidadania de votar, mas também já deixou de acreditar… valha-nos ao menos a liberdade de ainda, por aqui, poder dizer algumas verdades, apenas as possíveis, pois até na liberdade devemos (ou temos de)  ser comedidos e ficar pelo meio litro de sangria, como diria Torga.  

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