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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Jul09

Discursos Sobre a Cidade - Por Tupamaro

 

.

 

Texto de Tupamaro

 

CONVERSAS   COM   ZEUS”

-VII-

 

no hay quinto malo».

 

Saímos «deste País», Terra de pequeninos, de grandes homens e de maiores canalhas, para visitar a Província Bética.

À entrada, por Ayamonte, fomos recebidos pelos ecos de “Luz de Luna”, chegados das faldas da Serra Morena, pela voz do cantaor “El Cabrero”.

À protecção de «La Giralda» assentamos arraiais.

O nosso grupo era constituído por uns tantos crentes e uns poucos infiéis.

A maior parte, com o pretexto de apanhar sol mediterrânico, ia, mas era, rezar às Virgens, que as há em qualquer rincão andaluz    -   “La tierra de Maria Santíssima”.

A menor parte ia ver o que de famoso e fabuloso tem Sevilha, Córdoba e Granada.

 A mínima parte ia ver como alguns “portugaleses” «pegam os touros pelos cornos», lá, fora de portas.

É que cá, dentro de portas, estão a ficar quase todos capados, embora disfarcem com ares de capões de Freamunde.

Em Espanha, as raças apuram-se. “Vitorinos, Domecqs, Miuras são alguns desses espelhos.

Por cá, e em grande parte das vezes, novilhos engordados à pressão com ração, continuam a aldrabice ao turista e à «cornada de oportunidade” para uns ricaços tradicionais e tradicionalistas exibirem umas benzeduras a virgens de barro e serem besuntados com baboso palavreado de repórteres televisivos.

Salva-se, da Festa «pato-brava», a coragem dos Forcados. Mesmo quando derrotados pelos derrotes de um touro, mais que enraivecido e muito menos que bravo, esses, ao menos, são autênticos.

Mas só lá fora, pelas Espanhas, é que podem mostrar quanto valem a pegar o «touro pelos cornos».

Fomos à Maestranza. Quisemos conhecê-la vazia. Afinal, está mesmo cheio de coisas lindas. A Porta do Príncipe é majestosa. A porta ao lado deu-nos entrada para o Museu Taurino.

A Real Maestranza é mesmo Monumental!

Com o diploma de espectador no bolso, para uma “Corrida”, sentámo-nos numa esplanada, abençoada pela sombra de bondosas árvores do Jardim de Murillo.

Algo nos lembrou que, provavelmente, foi daqui que sopraram alguns ventos para estro da criação daqueles bois vistosos e premiados na Feira dos Santos, descidos do CANDO, em garboso desfile por Casas – dos - Montes abaixo, atravessando Santo Amaro e com chegada triunfal à Feira. Carne limpa, um pesava 509 Kilos; o outro, 512 Quilos. Valeram, na altura, Dezasseis contos!               

Cogitávamos acerca da forma arredondada dos redondéis (o da Maestranza é ovalado) e da forma ovalada onde metem «o rectângulo das Quatro - linhas – do - tapete-verde- tendo-à-volta-uma-moldura-humana (umas vezes, bela, outras, fraca), onde se exibem três equipas e só duas se defrontam.

Ainda não vai longe o tempo em que «o desafio» era jogado em arenas, tal como hoje é ainda o terreno das Corridas de Touros.

Claro que touradas há em muitos estilos e com muito estilo. Às vezes com estalo.

Pioneiros do «tapete-verde», para os disparates do pontapé na bola e das futuras «arenas relvadas», são os Barrosões.

Em qualquer lameiro se punham dois tocos de giesta ou de carvalhoto para marcar a baliza; em qualquer lameiro se promovia uma «CHEGA” de Bois    -   estes, sim, verdadeiros touros, e, por isso, “Reis do Pobo”.

Que grandes embates vimos entre o de Mourilhe e o de Stº André; o da Srªa da Piedade e o de Covelães; o de Torgueda e o de Ladrugais; o de Meixedo e o do Barracão; o da Vila e o da Portela. Mas o de maior lembrança foi o de um Touro novinho, de Gralhas, com um campeão maduro, de Vilar de Perdizes!

Para esta nossa visita às marismas do Guadalquivir, a Maestranza oferecia-nos o embate entre seis touros da raça Miura e seis cavalos da raça Lusitana.

Esta dúzia fora escolhida para semental.

E «Doze Magriços», de barrete enfiado a preceito, de caras iriam, “à la vez”,  de caras derrotar os derrotes dos belmontíferos Miuras.

 

-“Oi, meu! Tá tudo?

-“Tá tudo, meu!

 

Despertámos.

 

Dois tugueses   -    um, anafado numa cadeira, já com quatro copos de cerveja na mesa, cinco pratos de tremoços, que metia com velocidade entre os dentes, cuspia cascas para onde calhava; outro, a empurrar uma barriga para a frente e a lançar escarradelas para o passeio ou a «carretera», segurava na mão uma garrafa de três quartos, de uma bebida estranha, que levava às beiças, repetidamente.

Este quadro levou-nos para lucubrações noutro «círculo central», que não “o - das – quatro – linhas-do-tapete-verde-com–o-relvado-em-mau-estado”, onde os “artistas”, às vezes, fazem «entradas» a «pôr em risco a integridade física de colegas de profissão»   -    como se uma «sarrafada» daquelas fosse um doce mimo nas «canetas» do baboso «comentador televisivo»!

 

-“Olá! Que tal”?

 

Não tivéssemos sido tocado no ombro e nem caso faríamos do “olá”.

Estávamos a pensar nos Olés! De apreço e de espanto pela arte de tourear na Maestranza.

Nessa “Praça”, ou em qualquer “Praça” taurina de Espanha, é onde se «reza a missa maior da cultura e da tradição Hespanholas»!

 

- “Olá! Que tal”?

 

Até pensámos ouvir a voz de El Fandi!

 

-Por Júpiter!, gritámos, com um salto.

 

Aquele «tipo porreiro», de quem já vos tenho falado, deu cá uma destas gargalhadas!

 

-“Ai trocaste-me”?!

 

Pudera! Não fosses tu do «Jardim dos vira-casacas»!

 

-Ó meu tratante dos infernos! -  rebentámos.

Mas quem é que te faria aqui, nesta terra de virgens vândalas, de filhos do sol, de «sangre e arena», de «mujeres …(con) el embrujo de los ojos moros»?!

Sabes bem que por estas bandas foi onde Aníbal…., espera lá, não o Silva, de Boliqueime, mas o Barca, de Cartago, … é que se fez homem, e, não fora Júpiter, os romanos não viriam para aqui falar grego!

 

-“”“És sempre o mesmo”!

Lá vens, como de costume, com os teus «trocadalhos do carilho!», ripostou.

E o que te traz por aqui?!

Claro! O califa abigodado pregou-te um susto com o atarracado Silveira montado num pónei raquítico e armado em valente com uma espada de papelão em riste!

Ou andas a fugir daquela frigideira do Largo das Freiras?!

 

 

Ou terá sido com a insistente tetra-divulgação da «arte fotográfica e digital» que te encharcou de virtuais realidades e tu vieste à «tierra de Maria Santíssima» pedir-lhe socorro para as maleitas que estão a afligir a tua parvónia?

Já agora, deixa que te diga o que me pareceu essa fandanguice do “Festimage”, mal me chegou  notícia, lá ao Olimpo.

Pelo que se sabe do “Festimage”, a preocupação dos seus promotores vai inteirinha para o «divulgar entre os residentes e visitantes da cidade a arte fotográfica e a arte digital» … de « autores das mais diversificadas origens».

Claro que não pondo estes o seu pezinho, a sua pata, ou a sua manápula lá por Chaves, essas artes só, e só, divulgam os trabalhinhos doutras paragens.

Não fora o Festimage, e Chaves só teria «o bacalhau dos restaurantes e as roletas do Casino para atrair visitantes»!

Com o Festimage, Casino e Restaurantes correm o risco de fechar portas, pois toda a gente irá a correr e amontoar-se no Festimage!

E os instrumentos para a execução da «arte fotográfica e da arte digital» irão esgotar num abrir e fechar de olhos.

Em nome dos superiores interesses de incomparável acontecimento   -  «Em Portugal não há evento ligado à fotografia que possa ter a veleidade de se comparar com o Festimage    -    fez muito bem, aquele “aldrabão” Dinis, em retirar as suas “grosseiras amostras de fotografia” ( era o que mais faltava, chamar-lhes “de arte fotográfica”! O tal Dinis sabe lá o que é arte fotográfica! Só para lá de Ourense e de Lamego é que se começa a saber qualquer coiseca, sabia, D. Dinis II?!).

Esse pacote de cliques iria, mas era, pôr a rir os artistas “das mais diversificadas paragens” e a escangalhar de riso as «personalidades reconhecidas internacionalmente nas áreas da fotografia e da arte digital» que eventualmente fossem ao sítio do Festimage para dar uma vista d’olhos ao andamento do certame.

Porque em Chaves não há NINGUÉM que seja capaz de prestigiar tanto a Região como os de «diversificadas paragens», candidatando-se aos prémios com qualquer tema menos com o de CHAVES, até fica mal haver aí quem faça perder tempo com «coisas de Chaves».

A Cidade, o Concelho e a Região não têm argumentos dignos de serem DIVULGADOS em qualquer raio de acção!

CHAVES que vá (ou até já foi!) para o raio que a parta!

Mas para ela que venham todos os raios de luz da arte fotográfica e da arte digital via Festimage.

O sr. Dinis fique aí pelo “Jardim do Bacalhau”, deixe o fiel amigo dos restaurantes para essas badalhocas visitas, com fronteira em Ourense e Lamego, que aí a Chaves o vão papar, e conte quantos RESIDENTES E VISITANTES «à Festimage» vão estar de papo no ar e de mão estendida a receber essa IMPORTANTE DIVULGAÇÃO de arte fotográfica e arte digital.

Depois das Invasões Francesas, CHAVES já vai na 4ª Invasão de Festimage(s).

Essa Divulgação é já uma Inundação.

Irra! Que os «residentes e visitantes» desse Município já devem estar encharcados de arte … fotográfica e digital, depois de transpostas as fronteiras de Ourense e de Lamego!

Em Vila Verde da Raia ou em Vila Verde de Oura; no Cambedo, no Peto ou em Seara Velha; em Vilela Seca ou em Vilela do Tâmega; em Outeiro Seco ou em Outeiro Jusão; por exemplo, quantos há que se entusiasmaram com essa 1ª, 2ª e/ou 3ª DIVULGAÇÂO?!

Seus «burrecos»! Então não vêem que estão a precisar, até, já, da ?!”””

 

 

-CREDO, CRUZES, CANHOTO! – gritámos.

É do sol! É do flamenco! É das «sevilhanas»! Ou das sevilhanas?!

Só nas “Corridas de Toros” é que «no hay quinto malo».

Que praguedo nos estás a rogar, o meu trafulha?!

Pois ficas a saber que, na próxima, quando te apanharmos lá pelo Arrabalde, só vais trincar presunto de Feces (curado a Butano), pastéis feitos com carne de vaca charolesa ou reco da pocilga, e folar de ovos gripados.

5ª?!!!!!!!!

 

- Tem calma, meu! – falou-nos em voz macia, Zeus.

Vamos deitar mais umas bençâozitas na cachola dos flavínios, com água do Rio Mente, que é para se inspirarem a apertar o papo aos candidatos “politicastras “e, assim, fazê-los falar verdade e fazer coisas acertadas. Caso contrário, nem o € de baixo da língua os salva da boa recepção de Cérbero.

Esse «Pixotes», como não têm um Sancho que os proteja, aninham-se coitadinhos atrás de um D. Afonso, de onde disparam asneiras, abundantes nas aljavas da sua ruindade, sobre a Cidade.

 

Zeus tem a mania dos temperos. Deixai estar que, na sua próxima visita à Normandia Tamegana, vamos pregar-lhe com uma malagueta de Valdanta, bem disfarçadinha nos pimentos do Cambedo   -  na companhia de umas batatas de Águas Frias, cozidas com a casca; e umas sardinhecas fresquinhas de … Vigo!

É para aprender a não «temperar» com bênçãozinhas e mezinhas as gandulices que bem pedem umas sacholadas …. com os atilhos dos aventais, pronto!

 

Neste entretém, um sacristão da Catedral de Sevilha começa a tocar as sinetas, para as vespertinas; logo de imediato, um almuédano, lá do cimo de um alminar chama os fiéis para o quarto salat.

 

-- “BEM   m’EU   FINTO!  - rematei-lhe, com uma palmadita no lombo.

Até mais logo, no Flamenco! – dissemos, em despedida.

 

Deixámos Zeus em paz.

Partimos para as nossas guerras.

 

 

 

Tupamaro

 

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