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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Livros e Poesia de Autores Flavienses

13.07.09 | Fer.Ribeiro

Primeira Parte

 

Tal como prometi ontem, hoje, vamos para um post cultural, de livros, com autores cá da terrinha e as suas publicações recentes.

 

Começo pelo livro de poemas de Carmen Cupido, curiosamente mais um que surge com origem na blogosfera e que vêm à luz pela feliz descoberta de uma editora.

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Quanto à Carmen Cupido, confesso que já várias vezes tinha passado pelo seu blog, mas por distracção minha, nunca me apercebi de que era um blog de uma flaviense, que por casualidade, já há muito conhecia a sua existência, desde o seu tempo de catraia, por ser meia vizinha (do Campo da Fonte) e por ser também irmã de uma das minhas amigas dos bons e velhos tempos de Liceu.

 

Passou-me despercebida, mesmo porque já não é a catraia dos idos anos 70, mas não é por este aproximar de conhecimentos e origens que hoje a trago aqui, mas sim, pela sua poesia e pelo seu recente livro de poemas publicado pela “Chiado Editora”, um livro que já tive oportunidade de ler e reler e que vou manter por perto para reler sempre que me der na gana. É assim que faço com os meus livros de poesia e com os meus poetas preferidos.

 

Da sua poesia, já posso dizer qualquer coisa, mas para além de dizer que gosto do que ela escreve, não digo nada mais, pois não sou crítico literário e da poesia, apenas sei se gosto ou não. Da poesia de Carmen Cupido gosto, e é tudo. Quanto à Carmen Cupido mulher, também  pouco posso dizer, pois um conhecimento distante não me permite falar dela, mas, não há melhor que ser ela própria a apresenta-se, nas palavras profundas que se sentem sinceras, emotivas e sentidas, palavras que deixa na badana do seu livro e que passo a transcrever:

 

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“Sou Carmen Machado Antunes Cupido, nasci em Chaves a 17 de Fevereiro de 1966, no seio de uma família modesta mas rodeada de muito amor. Cresci sem brinquedos, sem bonecas, sem contos de fada, sem televisão. Apesar da dureza da vida, fui uma criança feliz e vivaz, daquelas que sobem às árvores, nadam nos rios, brincam com fisgas e jogam à bola de pé descalço. Tinha já 10 anos quando o primeiro televisor penetrou na minha casa e 12 anos quando recebi o meu primeiro livro “As quatro mulherezinhas” de Louisa May Alcott que devorei vezes sem fim.

 

Ser a sétima de sete filhos trouxe-me algumas vantagens; as minhas irmãs serviram-me de primeiro elo de ligação com o mundo abrindo-me a mente e o espírito. Foi através delas que aprendi o gosto pela música, pelas línguas, pela leitura e sobretudo, a levar o meu pensamento mais além do que os meus olhos viam. Não tive grande tempo para rebeldias de adolescente. A morte da minha Mãe, da minha luz, do meu tesouro precipitou-me às portas da idade adulta sem que eu tivesse tempo de compreender o que se passava. Aos 16 anos, a minha vida correspondia ponto por ponto à de uma mulher já adulta: A lida da casa ao meu encargo, um emprego, nomeadamente no Oficio Regional de Turismo inserido no programa Ocupação Jovem e os estudos para terminar! Ainda assim, a minha extroversão e a minha facilidade para comunicar levou-me a fazer bons amigos e viver na medida do possível, uma adolescência mais ou menos normal.

 

Estudei em Chaves até ao 12° ano de escolaridade, secção Letras. Fui uma estudante média, o tempo do qual dispunha não me deixava estudar mais para obter melhores notas. Não frequentei a faculdade por falta de meios económicos. Descontente com a vida medíocre que se me apresentava, inscrevi-me em Londres, num programa que recrutava estudantes de toda a Europa desejosos de estudar na Inglaterra sob as condições de um contrato Au-pair. Vivi em Iver, Buckinghamshire, acolhida por uma família inglesa maravilhosa que me tratou como uma filha, que me ajudou e com a

qual ainda hoje guardo contacto. Três anos incríveis nos quais frequentei o Cambridge First Certicate Course assim como o Proficiency no Langley College e na Slough Thames University. Foi na inglaterra que iniciei a prática do Karaté, desporto do qual me apaixonei. De retorno a Portugal obtive lugares nos podiums de alguns torneios e passei o meu exame de cinturão negro. Fui Campeã Nacional, seleccionada para os Campeonatos da Europa em Sopron, Budapeste, Hungria no ano 88.

 

O vento do casamento chegou de Cascais e levou-me definitivamente para a Suíça, onde hoje resido. Sou esposa de António e Mãe de Sarah e André. A minha família, os meus filhos, tem o lugar principal no meu dia-a-dia. Tudo o resto vem depois.

 

A poesia sempre foi um momento de retiro necessário no meu quotidiano para poder respirar, soltar a alma de pesos inúteis e renovar as energias do corpo e do espírito. Tomei consciência já tarde que, o que eu considerava como sarrabiscos eram afinal poesia capaz de “tocar” os leitores, às vezes mesmo profundamente!

 

Profissionalmente, a minha facilidade nas línguas levou-me a ser tradutora no quadro dos Departamentos de Policia e Tribunais da minha zona de residência. É um trabalho “à la demande”, nem sempre fácil mas fascinante. Contrariamente ao que muitos pensam, não é uma actividade dita “perigosa”, mesmo que trabalhe com casos mais ou menos complexos, dentro de prisões, em casas de correcção, salas de tribunal ou auditórios de polícia.

 

Paralelamente a esta actividade remunerada, mantenho outras a título benévolo. Todas directa ou indirectamente ligadas à comunidade portuguesa, à integração do estrangeiro, à infância e a escola; e ao handicap. É para mim primordial, participar activamente na vida que nos rodeia, oferecendo aos que precisam e sofrem, o meu grãozinho de ajuda e reconforto. Sei que faço pouco; mas também sei que o meu

pouco para alguns é muito!

 

Sou apenas uma pessoa comum, com uma vida comum, que escolheu a simplicidade como forma de atravessar o tempo que Deus me concedeu aqui na Terra. E este estado das coisas convém-me perfeitamente!”

 

E sobre a Carmen Cupido, depois do que ficou escrito atrás,  é quase tudo. Ficamos ansiosamente à espera dos seus próximos livros de poemas, entretanto, este, o «Corpo do Poema» já se encontra à venda em Lisboa e brevemente, também estará à venda em Chaves. Esteja atento às montras das livrarias flavienses, pois este é um livro de poemas, de uma flaviense, a não perder.

 

Fica dois poemas, um dos quais, dá título ao livro:

 

 

Vou, inteira, no corpo do poema

Escrever-te, ao ouvido,

Os murmúrios desinquietos

Dos sonhos e sentimentos

Que ecoam aos quatro ventos

Desta rosa machucada que me sou

 

                        Gravei-me na pele; do corpo do poema

Para  que me possas ler com os teus dedos

E tocar, mesmo quando eu não estou

 As metáforas da minha dor

Obedientemente alinhadas no fonema

 

Tacteia os meus medos;

Mas não te queimes nos sóis cadentes

Que já caíram no mar do meu peito; onde encerro os segredos

Que só a fina pluma dos tantos poentes

Que me deixaste na cova da mão

Pode, alto, insinuar baixinho

A atrevida intenção

De te morder o coração

Pela ponta dos teus lábios!

 

(Carmen, 30 de Agosto de 2008)                                                                                                                          

 

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(Foto de Darren Holmes)  em http://amadeo.blog.com/repository/306792/1833494.jpg

 

 

Arrancar-se

Ao corpo casulo

Cativeiro do Eu

Atiçando o Ser

Que, à força de não ser

Rasteja como uma lagarta

Pela linha dos tempos mortos

Pendurando-se nas virgulas

Que travam o impulso da vontade

 

Há que despertar

A coragem da evasão

Que dorme raquítica

No colo nebuloso dos medos

Retorcer os fios de seda que prendem

As asas de quem se é no fundo

E saltar para o mundo...

 

Do alto do parapeito da ravina da vida!

 

Para terminar, só falta mesmo deixar por aqui o link para o blog de Carmen Cupido: http://carmen66.spaces.live.com/

que a partir de hoje também passará a constar da lista de blogs com link no blog Chaves. Mas siga mesmo este link, pois no blog da Carmen Cupido encontrará também um link par uma votação online onde a sua filha, Sarah Cupido também está a dar cartas na música com sabor português,. Vá até lá e vote na nossa luso/flaviense descendente.

 

Segunda parte

 

Ainda voltando ao prometido ontem, eu disse que hoje teríamos por aqui cultura e livros, pois o prometido é devido e vamos ao segundo livro, também de poemas, recentemente editado por um flaviense, já consagrado nas lides da poesia.

 

Edgar Carneiro, um ilustre flaviense reconhecido, elogiado e até condecorado  por todas as terras por onde tem passado, publicou recentemente mais um livro de poemas - « Depois de amanhã».

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Hoje é só para dar conta do seu mais recente livro, quando ao seu autor, brevemente, teremos oportunidade de falar outra vez. Até lá.

 

Um agradecimento também para o amigo Tupamaro por nos dar a conhecer e oferecer este livro.

 

Parte três

 

E já diz o ditado que não há duas sem três.

 

Pois temos mais um livro, este bem diferente dos comuns livros de letras, embora tenha algumas, pois é mais de imagens que se trata.  Imagens de cancelas do nosso conhecido casal das cancelas, que assina também o blog Cancelas, ao qual se juntaram as Chaminés do blog (claro) chaminés. Dois em um, pois é como se de dois livros se tratasse, com dois prefácios e dois temas, com assinaturas do velho amigo Domingos, sem esquecer a Milita, mas também da colaboradora deste blog Fe Alvarez, que aliás, conheci através do casal “Cancelas”, aos quais aproveito para agradecer, e claro, também estou eternamente agradecido à Fe, a nossa flaviense asturiana.

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E por hoje, com três livros, é tudo e, suponho, que quanto a livros vai ser tudo por uns tempos, mas não muito longos, pois sei que há mais para vir a público. Afinal Chaves também é terra de escritores, poetas e artistas, dos quais, muito nos orgulhamos.

 

Até amanhã!

 

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