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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Hoje há feijoada e é dia de feira em Chaves

15.07.09 | Fer.Ribeiro

 

Hoje é quarta-feira e como manda a tradição, cá pela terrinha, é dia de feira e, já se sabe, restaurante que se preze tem de ter feijoada.
 
Também por aqui, embora esta coisa esteja longe de ser um restaurante, hoje vamos ter uma espécie de feijoada, tantos foram os acontecimentos da última semana, tantos quantos os assuntos a abordar.
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Desde as festas da cidade, a inauguração do Festimage, a inauguração do Arquivo Municipal, as obras no Espaço Polis, visita do Ministro da Cultura Dr. José António Pinto Ribeiro, lançamento de uma candidatura independente à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, lançamento de livros de autores flavienses, foguetes no ar e bandas nos atrelados…etc, coisa e tal, e nem sequer trago os acontecimentos e eventos do programa das festas da cidade, senão, corria o risco de por aqui ficar o dia inteiro. Ainda há quem diga que em Chaves não acontecem coisas!
 
Vamos começar pelo que de mais agradável aconteceu, precisamente no dia 8 de Julho, pois por cá esse dia escreve-se a vermelho no calendário. Claro que o mais agradável de tudo foi mesmo o feriado, soube bem. Quanto à festa, já tive oportunidade de me referir à ausência dela e, se chegou a acontecer (pois eu sou distraído) resumiu-se a 15 minutos de foguetes no ar e a duas horitas de banda no atrelado… assim, é melhor deixar a festa de lado e passar directamente a um dos assuntos mais importantes da semana: a visita do Ministro da Cultura Dr. José António Pinto Ribeiro a Chaves.
 
Pois não é todos os dias que um Ministro se dá ao trabalho de abandonar Lisboa, atravessar estes montes todos e ficar por umas horas atrás deles, visitando e inaugurando aquilo que ainda vamos tendo de melhor por estas bandas, pois, embora eu não tivesse sido convidado para as cerimónias nem dispensado para assistir a elas, sei pelos meus repórteres avançados que o Senhor Ministro da Cultura inaugurou o Arquivo Municipal de Chaves, visitou o Baluarte do Cavaleiro, as escavações arqueológicas (ou balneários romanos) do Arrabalde, inaugurou o Festimage nas Freiras, visitou a Biblioteca Municipal e a exposição do Mestre Nadir Afonso e, ainda teve tempo para um pulinho o Centro Cultural.
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Embora esta visita aparentemente possa fazer parte da rotina de visitas de um ministro, na realidade pode ter sido importante para Chaves, pois uma coisa são papéis e imagens da cidade vistas desde Lisboa e outra coisa é a realidade vista in loco, principalmente no que respeita à importância dos balneários romanos do Arrabalde que está na fase (tanto quanto sei) de arranjar financiamento para a execução do museu. Convém não esquecer que estas coisas da história e das arqueologias são tratadas por entidades que estão dependentes do Ministério da Cultura.
 
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Mas também teve oportunidade de ver como do velho e decadente se pode fazer um espaço arquitectónica e culturalmente interessante, embora com alguns pecados, tal como acontece com o novo e, até aqui inexistente, Arquivo Municipal. De facto deveria ser um exemplo a seguir mais vezes em Chaves, ou seja, recuperar edifícios no centro histórico, transformando-os e adaptando-os para este tipo de serviços, dando vida e interesse às nossas ruas medievais, em vez de construir novos edifícios. Um exemplo a seguir mais vezes, embora (diga-se a verdade) até já se tenha feito alguma coisa nesse sentido, pois temos o exemplo do Centro de Emprego e Formação Profissional, o exemplo da Biblioteca Municipal e até do Baluarte do Cavaleiro e da respectiva ilha (esta ainda em projecto). De lamentar (nestes exemplos de recuperações) só lamento mesmo as intenções que há para o antigo Cineteatro, pois pela tradição do local, merecia um fim bem mais nobre do que aquele que lhe destinam.
 
Mas ia dizendo que no caso do Arquivo Municipal, embora no contexto geral seja de elogiar aquilo que por lá se fez, não fica isento de pecados, principalmente no corpo novo com o excesso de betão que por lá se plantou “matando” a leitura das construções romanas e medievais que deveriam ter ficado na totalidade à vista no primeiro nível da construção. Com tantas soluções que a nova engenharia apresenta, tinham de optar pela pior, ou seja, uma estrutura pesadona de betão à vista onde não falta o mamarracho de um elevador com caixa na totalidade em betão. Para que conste, já há soluções com estruturas suspensas para elevadores ou então, estruturas metálicas com elevadores em vidro. Um assessor de bom gosto precisa-se urgentemente para este município…
 
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Mas enfim, retirando os pecados, o arquivo municipal tem nota positiva. Pena que o Senhor Ministro tivesse de inaugurar um edifício vazio, sem mobiliário e arquivos, mas sempre estavam por lá uns “zombies” a sair do que resta das muralhas medievais. Já agora, também foi de mau gosto o local que escolheram para colocar a placa alusiva à visita e inauguração do Senhor Ministro, mais um bocadinho e ainda a colocavam nos arrumos, debaixo das escadas…
 
Importante também, foi a visita do Ministro da Cultura aos Balneários Romanos do Arrabalde, mas também ao Centro Cultural, pois tanto num caso como noutro, teve contacto directo com as potencialidades dos dois locais e nunca se sabe como isso não poderá vir a ser importante numa futura decisão ministerial.
 
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Quanto ao Festimage, rendo-me, agora fiquei sem argumentos, pois além de não ter sido um Indiano a ganhar o primeiro prémio, pois este ano foi para a Moldávia, sei que há a intenção de dois ou três participantes virem a Chaves (dois espanhóis e um francês, ao que me constou), nem que fosse só por isto…mas adiante, pois a exposição Festimage foi inaugurada pelo Ministro da Cultura. Rendo-me à sua grandeza e, que importância tem que o evento não tenha fotografias de Chaves ou que nada promova a cidade de Chaves!? Isso são coisas menores… a visita de um Ministro (da CULTURA) à exposição, abafa e remata com toda a má língua que há sobre o evento que sempre quis ir além da paróquia e dos paroquianos... Admira-me até como é que o Senhor Ministro não fez logo ali um protocolo com a organização no sentido de a exposição percorrer as principais galerias de Portugal. Se calha, atordoado pelo calor da praça, não lhe veio à lembrança.
 
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E quanto à visita do Senhor Ministro da Cultura a Chaves é quase tudo, mas antes vou deixar por aqui uma foto de arquivo que vai de encontro aos desejos do Senhor Ministro, à qual Chaves não lhe é assim tão estranha, pois segundo ouvi aos meus infiltrados na visita, o Senhor Ministro confessou que até se mudava para Chaves se por aqui houvesse mar. Pois que não seja pela sua ausência, não o temos, mas inventa-se:
 
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(Foto de arquivo)
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Espero que com esta sugestão o Senhor Ministro da Cultura Dr. José António Pinto Ribeiro (que com este apelido só pode ser boa pessoa), faça as malas e se mude para Chaves, porque afinal, o mar acontece quando e onde o quisermos, é como o Natal, para alguma coisa inventaram as novas tecnologias. E podemos até nem ter uma mar a sério, mas temos mares de montanhas e mares de nevoeiro que costumam povoar as terras do vale de Chaves e também muita cultura e muita história.
 
Bem gostaria de continuar por aí fora com os acontecimentos da semana, mas tenho de reduzir o post aquilo que de mais importante aconteceu, que depois da visita do Senhor Ministro da Cultura, sabe-se lá porquê até nem foi anunciada como devido, resta-me ir para aquilo que tem causado ultimamente alguma comichão nos dois partidos com aspiração ao poder de Chaves – Uma candidatura independente à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
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Pois é, os partidos que se vão cuidando, pelo menos enquanto não proibirem as candidaturas independentes, pois com o descontentamento geral da população com os partidos e com os políticos, esta dos independentes pode pegar moda e impor-se. Aliás e, pelo que sei, esta candidatura que agora apareceu em Chaves já abriu o apetite a outras candidaturas independentes a outras freguesias do concelho, promete portanto não ser caso único.
 
Mas vamos então para o MAI – Movimento Autárquico Independente, que como se trata de uma candidatura de cidadãos independentes de Chaves, onde além de flavienses estão também muitos amigos, tenho todo o gosto em trazê-lo aqui ao blog, sem mesmo ser suspeito, pois Santa Maria Maior não é a minha freguesia. Quem me dera que na minha também acontecesse assim um movimento…
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Fica o seu manifesto divulgado na apresentação do movimento, cuja cabeça de lista é o Taró, é este o nome pelo qual toda a gente o conhece na cidade:
 
“O Movimento Autárquico Independente concorre aos órgãos autárquicos (Assembleia e Junta de Freguesia) da Freguesia de Santa Maria Maior, Chaves, nas próximas Eleições Autárquicas.
 
Não concorremos contra qualquer partido político, mas estamos também convictos de que a democracia não se esgota nos partidos.
O movimento que corporizamos pretende ser dinâmico e interventivo e fomentar a participação de todos cidadãos de Santa Maria Maior na vida da cidade.
 
Por isso distinguimos a acção dos partidos, pela forma como vamos estar em Santa Maria Maior, ou seja, a nossa razão de ser, as nossas soluções e propostas decorrerão, imanarão da comunidade na qual nos integramos e fazemos parte, não do interior ou da razão de qualquer partido.
 
Aqui reside, pois, a nossa diferença e, consequentemente a nossa força.”
 
 
 Quanto aos partidos políticos, se com esta candidatura ficaram com alguma comichão, nem há como coçarem-se, pois se tiverem propostas válidas para a cidade e as pessoas ainda acreditarem nelas, nada terão a recear, mesmo sabendo que em apoios, esta candidatura independente, cresce dia-a-dia.
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Tempo ainda para o Mestre Nadir Afonso, que mais uma vez está entre nós na nossa terrinha a passar uns dias e, também para apresentação do livro “NADIR AFONSO: INTINERÁRIO (COM)SENTIDO”, que acontecerá amanhã, às 18H00, na Biblioteca Municipal, apresentação que estará a cargo de Maria José Magalhães, docente da Faculdade de psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

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