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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Jul09

Torre de Ervededo - Chaves - Portugal

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Ao entrarmos por Torre de Ervededo adentro, sentimos que estamos a entrar num pedaço da história desta região, tanto, que me sinto pequenino ao escrever o post de hoje.

 

De facto, Torre de Ervededo e a freguesia,  têm uma história rica em acontecimentos e importância que mereciam aqui um post ou vários posts alargados para a contar. Não prometo que o venha a fazer, mesmo porque por estas bandas o recorrer a documentação antiga é tarefa bem difícil ou quase impossível e,  eu da história, gosto de beber tudo, pois cheguei a uma idade em que desconfio sempre daquela que me oferecem de bandeja ou que muitas vezes me tentam impingir.

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É sabido que numa anterior divisão administrativa de Portugal, Torre de Ervededo foi sede de Concelho, sendo mesmo um dos concelhos mais antigos de Portugal e, teve a sua importância económica para os senhores que então mandavam nesse concelho. Economia, imagine-se,  ligada à seda e tanto quando se depreende pela documentação existente, seriam os senhores da Igreja, do arcebispado de Braga,  a ter esse poderio, quer sobre a administração do tal concelho, quer sobre a economia da seda, que sobre as gentes que o habitavam.

 

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Será um assunto que terei todo o gosto em estudar e aprofundar se tiver disponibilidade para… e então, se este blog ainda existir, terei também todo o gosto em trazer aqui as conclusões, entretanto, vamos até à aldeia que hoje existe, bem longe da nobreza e do poder que já teve, pois hoje, é apenas mais uma das aldeias deste concelho de Chaves. Não levem este apenas como um desprestígio para aldeia, pois a sua riqueza da história ninguém lha tira, este apenas, entra aqui, para dizer que hoje é uma aldeia das cerca de 150 aldeias que administrativamente pertence ao concelho de Chaves.

 

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Na realidade e geograficamente falando e olhando às suas características físicas, toda a freguesia de Ervededo tem características próprias, que embora a proximidade do Barroso não lhe herdou os seus ares, como acontece com (as freguesias de) Calvão, Soutelinho da Raia e Seara Velha, mas também não se integra nas características das restantes aldeias de montanha do concelho de Chaves. É mais uma aldeia de proximidade do grande vale, mas curiosamente do grande vale de Monterrei. Digamos que os ares que respira são mesmo os ares que vêm da Galiza, na fosse também a freguesia de Ervededo uma das freguesias da raia.

 

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Quem fala em raia, fala em contrabando, mas também em muitas estórias que deveriam fazer a história de uma guerra e de uma guerrilha ligada à vizinha Espanha e que todas esta aldeias da raia, viveram amargamente de perto. Amargamente é mesmo o termo a aplicar, pois embora Portugal fosse alheio à guerra civil de Espanha e à segunda guerra mundial, não esteve assim tão distante delas, e sem entrar nelas, sofreu as consequências da estupidez das guerras.

 

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Ervededo concelho, com sede em Torre de Ervededo, já é muita história para fazer livros, mas também o contrabando, a guerra civil de Espanha e principalmente a guerrilha anti-franquista, daria também muitas páginas de livro para escrever.

 

Quanto à actual aldeia da Torre de Ervededo, conserva (dizem) o antigo edifício que foi sede dos Paços do Concelho e também prisão que dá para um pequeno largo adornado com uma belíssima fonte em granito. É sem dúvida o edifício mais nobre da aldeia, pois o restante casario não sai do tradicional casario típico das nossas aldeias, que também tem a sua riqueza, precisamente por ainda manter muitas das construções típicas do granito/madeira, pois para além destas, não há casario solarengo ou que se possa atribuir a grandes senhores, pelo menos que eu tivesse visto. Parece mesmo ter sido a aldeia administrativa do tal concelho de Ervededo.

 

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Poder-se-á pensar que, como a aldeia foi sede de um antigo concelho, é uma aldeia de grandes dimensões, mas tal não é verdade, ou pelo menos não é na totalidade verdade, pois a aldeia desenvolve-se essencialmente ao longo de uma longa rua e em termos de dimensão, poder-se-á dizer que está na média das aldeias do nosso concelho. Tal tem alguma lógica, mesmo tendo sido concelho, pois pelo que sei, o tal concelho existiu pela sua riqueza em seda, mas os senhores de então (os do poder), não habitavam nenhuma das aldeias do concelho de Ervededo.

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E sem querer aprofundar a tal história da aldeia e da freguesia, teremos que passar um bocadinho pela sua história para melhor se compreender esta aldeia.

 

Na realidade a aldeia dever-se-ia chamar apenas Torre, pertencente à freguesia de Ervededo. E assim foi até à constituição da freguesia, ou seja, as aldeias do antigo concelho eram o Couto, a Torre e Bustelo. A denominação de Ervededo só aparece após a extinção concelho, que não era mais que um Couto do arcebispado de Braga e que, para passar a integrar o concelho de Chaves em 1853, dando lugar às freguesias de Ervededo e Bustelo, ficando a pertencer à primeira as povoações do Couto, da Agrela e da Torre.

 

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Mas tem toda a lógica que a Torre adopte também o topónimo de Ervededo para evitar confusões com outros topónimos iguais, inclusive no nosso concelho, que tal como esta Torre, também adopta o topónimo da freguesia, tal como acontece com Torre de Moreiras, da freguesia de Moreiras.

 

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Há quem se refira também a esta aldeia como Torre do Couto e este topónimo até tem mais lógica que o de Torre de Ervededo, pelo menos seria bem mais antigo, pois tudo leva a crer que a origem do topónimo estará precisamente aí, com origem numa torre do antigo Couto do arcebispado de Braga em que referem esta aldeia como sendo o celeiro do antigo concelho.

 

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Longe da sua história ligada ao antigo concelho, hoje é uma aldeia essencialmente agrícola que tal como a grande maioria da aldeias do concelho tem o seu velho casario em mau estado ou abandonado, também tem as suas construções recentes na periferia da aldeia e também conhece de perto o despovoamento, um fenómeno que já não nos é desconhecido e que pelos vistos ninguém faz nada para o contrariar. Restam os resistentes, que por teimosia ou amor à sua aldeia, insistem em ficar para lhe dar alguma vida. Mas diga-se também a verdade, pois esta aldeia, mesmo assim, ainda é uma aldeia com vida e com gente na rua.

 

Até amanhã.

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