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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Ago09

Hoje há feijoada no terraço do Castelo

 .

Existe uma Lei em Portugal que é vulgarmente conhecida por “Servidão de Vistas”,  que é duplamente “defendida” quer no REGEU quer no Código Civil e que em suma, diz, que não podemos privar de vistas o nosso vizinho.

 

Claro que esta Lei só se aplica às construções, mas descendo ao “espírito” da Lei, é sempre condenável sermos privados de vistas e, ainda o é mais, quando essas vistas são públicas e de interesse público e turístico.

 

Embora a nossa Top Model Ponte Romana seja a menina dos nossos olhos, nem que seja pelo respeito aos seus quase 2000 anos de existência, aquele que dá mais nas vistas, embora mais jovem, é o nosso  “actor principal” da cidade, o Castelo. Nos últimos anos (pós 25 de Abril) com a febre da modernidade (leia-se b€tão), tudo têm feito para (com autênticas muralhas de betão) privarem-nos das vistas do Castelo. De muitos locais que antigamente se podia apreciar a imponência do castelo, agora só a custo e espreitando, é que conseguimos avistá-lo de perto ou ao longe, quando tal é possível. Não há qualquer crime de Lei em termos de servidões de vistas, infelizmente, mas outros haverá, mas são crimes de contorno (da Lei), que de tão habituais que são, porque já se sabe que o b€tão tem força e resistência, já os tomamos também como vulgares, ou sem força para contestar.

 

Aos poucos fomos sendo privados das vistas sobre o castelo, mas sempre nos restavam as vistas desde o Castelo e, digo bem, restavam, pois agora até essas nos são vedadas, pelo menos de há um ano até esta parte.

 

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A história é simples: há coisa de um ano, um iluminado qualquer sentiu-se ofendido com o estado do telhado do castelo. Usou do seu direito e protestou no livro de reclamações (vulgo livro amarelo) e vai daí, que a entidade competente mandou fechar o terraço do castelo para obras de restauro, recuperação ou o que lhe queiram chamar… a partir de aí (há um ano atrás) o terraço do castelo fechou para obras, e muito bem. Claro que este muito bem, só se aplica ao fecho, que se supunha temporário e breve, mas não… já lá vai um ano e nem sequer uma telha foi mudada. Obra complicada, é o que se pode depreender desta demora, pois deverá ser complicado “retelhar” meia dúzia de metros quadrados de telhado. Se calha por causa do vento lá das alturas… o que é verdade, é que por causa de uma obra corriqueira, o terraço do castelo está fechado há um ano, ou seja, há uma ano que há servidão de vistas sobre uma vista turística e de interesse público, para além do engano de quem compra bilhete para visitar o castelo e é privado daquilo que de mais interessante tem: as vistas.

 

Claro que o Castelo é um monumento nacional, carregado de história e, talvez por isso, as obras a levar a efeito tenham de ser pensadas e repensadas, principalmente naquilo que diz respeito à telha e à sua recolocação e como tal, terá que haver a compreensão de todos, pois trata-se de uma obra complexa, sujeita pela certa (também) a complexidade da Lei ou de quem gasta os seus neurónios a mandar…. Ou será que a culpa, cai mais uma vez sobre os técnicos, que nada mandam nem nada decidem, mas que têm sempre as costas largas para arcar com o peso da responsabilidade!?


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Não sei, nem me interessa o que se passa com as obras do telhado do castelo, mas já me interessa o estar privado das vistas que o castelo me (nos) proporciona. Principalmente neste mês em que recebemos os turistas e os nossos emigrantes  que com orgulho sobem a escadaria para mostrar a cidade lá de cima aos seus filhos e esbarram com uma porta fechada para o terraço.

 

Claro que se de bola se tratasse e,  mesmo que se tivesse de desfazer o telhado do castelo, as obras já há muito estavam feitas, pelo menos a julgar pela destruição de um espaço verde e o acelerar de trabalhos que em tempo recorde pôs um campo de futebol de praia em pé, e tudo só para um fim-de-semana de bola na areia, que,  com certeza foi um sucesso, mesmo que agora o tal “campo de areia” vire a “cagadeira” de cães (como alguém já me disse em jeito de adivinhação), pois que se saiba, os tais jogos de areia só acontecem uma vez por ano e o aparato vai ser desmontado.

 

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Mas, enfim, já vamos estando habituados à importância dos acessórios, mesmo que para eles tudo seja acelerado, quanto àquilo que realmente é importante, temos que aguardar e cumprir a chata da Lei ou então,  a incompetência de alguém, mas esse alguém, nunca são os nossos ilustres políticos, pois esses, mesmo que condenados, são sempre inocentes…veio-me à lembrança  o Isaltino e de novo a Lei, em que política é política e justiça é justiça, ou seja, é como se a política seja impune à Lei… e é. Mas eu, como humilde cidadão, só queria mesmo subir ao castelo e olhar a cidade…será pedir muito!? Raio das telhas!

 

Até amanhã, com coleccionismo de temática flaviense.

 

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