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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Ago09

PORTUGAL

 

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PORTUGAL

 

O Brasil não conhece Portugal. Tem dele uma ideia inteiramente arbitrária, onde a sua realidade aparece absurdamente desfigurada. Por culpa dos próprios portugueses , de alguns dos mais ilustres, de resto – poetas, escritores e políticos, estratificou-se na consciência brasileira um perfil lusitano que em vez de ser um verdadeiro retrato é uma execrável caricatura. Os países, como as pessoas, estão sujeitos a essas vicissitudes. Criaram-se erradas famas colectivas como inexactas legendas pessoais. O nosso amigo mais íntimo e sincero pode em dado momento trair-nos sem sequer o suspeitar. Revela de nós qualquer fraqueza ocasional, exagera um tique, carrega um pormenor – no louvável intuito de acentuar certa faceta -, e o auditório parte desses nadas, enfuna as velas da imaginação, e constrói assim um castelo no ar. Tudo inocente e de boa-fé. Mas daí a pouco andamos pela praça pública ajoujados de virtudes e defeitos que não nos pertencem. E já não há forças humanas que nos livrem do carrego e nos retornem à pureza da condição. Passamos a ser outros, irremediavelmente. (…)

 

Miguel Torga “Ensaios e Discursos”

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Ao ler este texto de Torga, não datado mas certamente dos anos 50, além da sua actualidade fez-me reflectir sobre o ser português por esse mundo fora e a imagem que os portugueses têm nesse mundo, feito quase sempre por um simples gesto português…

 

Mas não é preciso sair de Portugal para caricaturar a nossa raça, pois por cá também o fazemos quer com as anedotas dos alentejanos, quer com as anedotas dos bimbos e parolos da província e, até na intimidade de cidade/aldeias do nosso concelho cometemos esse pecado.

 

Mas neste mês de Agosto que acaba, tal como todos os anos, o nossos caricaturados preferidos, são mesmo os nossos emigrantes, sem nos darmos conta que estamos a caricaturar os nossos familiares, os nossos amigos, os nossos vizinhos, em suma, estamos a caricaturar-nos a nós próprios num típico provincianismo, esse sim, caricaturalmente parolo e até ignorante, mas sobretudo injusto ao metermos no mesmo saco os devaneios de alguns, poucos.

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Está-nos no sangue da raça o não nos conseguirmos libertar de um cruel e pesado fardo do passado, de pobreza e ignorância, em que o vinho era alimento dos portugueses e Portugal era o país dos grandes feitos, de descobridor do mundo, heróis do mar, de povo nobre, nação valente e imortal. Continuamos a ser, afinal, o país do triste fado, da saudade e de Camões. Pequeninos, pobres, mas armados aos cágados…e em simultâneo, ajoelha sempre quando a procissão passa e, para merecer o céu, tem de sofrer, mas sobretudo temos medo da alegria e da felicidade, como se, ser feliz e alegre, fosse pecado. Temos medo da liberdade, somos um povo triste que nasceu para sofrer e trabalhar e tudo que sair desse caminho, são devaneios alucinantes que não vestem bem com a nossa condição…

 

Porquê nos maltratamos assim!?

 

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