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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Set09

Em Chaves também há vinhos de qualidade - Quinta de Arcossó

Os vinhos são como os homens,
com o tempo, os maus azedam 
e os bons apuram...
                     "Cícero"

 

 

 

Pois é precisamente de bons vinhos, nossos, que hoje quero falar. Mas antes quero-vos falar um pouco da história do vinho e das lendas que lhe são associadas.

 

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Claro que um bom vinho anda quase sempre, ou também, associado a uma boa gastronomia, aliás Salazar até dizia que “Beber vinho dá de comer a um milhão de portugueses”. Mas não é propriamente dessa gastronomia que o “vinho alimentava” que eu me referia, mas à gastronomia a sério. Mas hoje vamos ficar só pelo vinho, mas foi ao gastronomias.com que fui sacar as lendas:

 

“Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, a foi encontrar comendo parras.


Colhendo os frutos dessa planta, até então desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o tempo.


Por isso, em grego, a videira designa-se por staphyle, e o vinho por oinos.

A mitologia romana atribui a Saturno a introdução das primeiras videiras; na Península Ibérica, ela era imputada a Hercules.

 

Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se encontava refastelado à sombra da sua tenda, observando o treino dos seus archeiros, foi o seu olhar atraído por uma cena que se desenrolava próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.

 

O rei deu imediatamente ordem a um archeiro para que atirasse.
Um tiro certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida.

 

Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear.

 

Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância.

 

O rei bebia frequentemente o sumo desses frutos.

 

Um dia, porém, achou-o amargo e mandou pô-lo de parte; alguns meses mais tarde, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer.

 

Tendo descoberto o sumo posto de parte, e supondo-o venenoso, bebeu dele.


Dormiu (o que não conseguia havia muitas noites) e acordou curada e feliz.

A nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu o vinho à categoria de bebida do seu povo, baptizando-o Darou-é-Shah « o remédio do rei ».

 

Quando Cambises, descendente de Djemchid, fundou Persépolis, os viticultores plantaram vinhas em redor da cidade, as quais deram origem ao célebre vinho de Shiraz.”

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Lendas à parte, o vinho tem uma longa história, pelo menos, remonta a 6.000 a.C. Pensa-se que tenha tido origem nos actuais territórios da Geórgia ou Irão. Na Europa, é mais recente, mesmo assim pensa-se que terá aparecido no velho continente há cerca de 6.500 anos na Bulgária e na Grécia.

 

Adorado pela antiga Grécia e Roma, aliás até tinham um Deus, Dionísio para a Grécia e Baco para Roma, tem vindo ao longo dos tempos sido associado e utilizado também em cerimónias religiosas cristãs e judaicas, quer na Eucaristia quer no Kidush.

 

Tinha que passar pelas lendas e um pouco da história do vinho para chegar aos vinhos de hoje, aos bons vinhos de hoje, que Portugal também produz e que por terras flavienses também existem, como os da Ribeira de Oura, onde a Quinta de Arcossó já prova que também por cá se podem fazer vinhos para competir com os melhores vinhos nacionais e internacionais.

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Pois hoje é mesmo sobre os vinhos da Quinta de Arcossó que vos quero falar, um bom exemplo de como com um bom trabalho, apoiado tecnicamente e associado a uma boa localização se podem também fazer bons vinhos no nosso concelho.

 

A Quinta de Arcossó incorpora um projecto vitivinícola na região de Trás-os-Montes, Sub-Região de Chaves, que procura transformar vinho ancestral de camponeses em vinho de excelência, bem como servir de paradigma e de referência numa região com potencial mas completamente sub-aproveitada em termos vitícolas.

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Na busca dessa excelência foi determinante o conhecimento acumulado acerca da qualidade das uvas e do vinho obtido secularmente pelas famílias Pizarro e Montalvão Machado da parcela onde se encontra instalada a vinha que dá actualmente origem aos vinhos Quinta de Arcossó. Aliás, esta parcela da Quinta de Arcossó está inserida no coração da micro-região da Ribeira de Oura, a qual tem fortes tradições vitícolas desde a ocupação romana, como são prova disso os vários lagares dessa época existentes nas encostas pendentes ao rio Tâmega e seus afluentes, bem como as referências constantes na obra de Estrabão, grande geógrafo do império romano, e particularmente de escritos dos séculos XVIII e XIX. Por sua vez, estando convictos que a excelência de um vinho resulta, em grande medida, de uma capitalização perfeita entre a componente associada à natureza, designadamente, o solo e o clima, e a associada ao homem. Foi esta convicção que levou Amílcar Salgado, o proprietário da Quinta de Arcossó, um filho da terra e bem conhecedor das suas terras a durante dois anos encetar diligências tendentes à aquisição da já referida parcela que constitui a actual Quinta de Arcossó, a qual se encontrava abandonada do ponto de vista vitícola desde 1987.

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Após a sua aquisição em 2001, iniciou um projecto de reestruturação que culminou com a plantação de 12 hectares de vinha no ano de 2003 sob a orientação do Eng.º Rui Xavier Soares, o qual obedeceu a um vincado compromisso entre o conhecimento ancestral da parcela para produzir uvas da mais alta qualidade e o dos novos processos de viticultura.

 

Foi em 2005 que a primeira vindima foi efectuada e a primeira vinificação de vinhos Quinta de Arcossó sob a orientação do enólogo Francisco Montenegro. Cujos resultados do primeiro vinho, quer em termos qualitativos, quer em termos de aceitabilidade por parte dos consumidores, foram muito superiores ao esperado.

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Em 2008, mais conhecedores da parcela e dos novos processos de vinificação aplicados durante 3 vindimas, e na busca permanente da excelência, a Quinta de Arcossó decide elaborar um vinho que pretende ser o topo de gama da sua produção. Esse vinho foi vinificado com desengace totalmente manual (escolha bago a bago). Efectuou a maceração pelicular a baixa temperatura, bem como a fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho com capacidade de 400 litros e não sofreu qualquer processo de bombagem ou remontagem mecânico.

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Amílcar Salgado  confessa-se na procura permanente da qualidade e no respeito pelo conhecimento acumulado na região, “esmeramos a viticultura da parcela e mantemos na adega a concentração e o palato das uvas, para que a aceitabilidade do vinho ultrapasse o mercado local e permita que aqueles que se encontram distantes ou não conheçam,  possam saborear a região mesmo que não venham junto dela. E isto já acontece, até porque já Quinta de Arcossó já exporta cerca de 15% dos vinhos que vende.

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Actualmente a Quinta de Arcossó dispõe de duas marcas no mercado: Quinta de Arcossó e Padrão dos Povos. A primeira incorpora os melhores lotes e quer o vinho tinto, quer o vinho branco passam por estágio em barricas de madeira de carvalho francês e carvalho americano, ou seja, obedecem a um tratamento mais fino e requintado em cave. Nesta marca dispõe no mercado de um vinho branco e tinto colheita, de um tinto reserva e de um rose. A marca Padrão dos Povos é composta por um vinho tinto e um vinho branco colheita. Trata-se de um vinho mais simples e menos ambicioso, mas que pretende ser uma homenagem à região de Chaves com muita acessibilidade a todos aqueles que pretendam apreciar com exigência um bom vinho de excelente relação qualidade preço.

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Mas na adega da Quinta de Arcossó já há novos vinhos a lançar brevemente no mercado. Com a marca Quinta de Arcossó um Reserva branco para o Natal, um syrah (tinto) para meados de 2010 (colheita de 2007) e aquele que pretende ser o topo de gama, cujo processo de elaboração foi totalmente artesanal, mas que ainda não tem data de lançamento nem designação, mas muitos daqueles que já o provaram efectivaram reservas.

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Quanto à vinha que produz este líquido dos Deuses, encontra-se plantada numa encosta virada a Sul, mas ampla a Nascente e a poente, o que lhe permite receber o máximo de luz solar em qualquer altura do ano. Está disposta em talhões por casta, com linhas de videiras com orientação Norte/Sul e Noroeste/Sueste, em função das necessidades solares de cada casta. O embardamento já foi pensado para captar o máximo de luz solar e naturalmente as melhores maturações possíveis, mas equilibradas. A vindima e a vinificação é realizada casta a casta e mesmo com escolha de pequenas parcelas de cada uma delas em função dos vinhos a obter.

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A vinha é composta pelas castas tintas: Touriga Nacional; Touriga Franca; Bastardo; Tinta Amarela; Tinta Roriz; Tinta Barroca e Syrah. Castas brancas: Arinto; Fernão Pires; Moscatel Galego e alguns pés de vinha antiga que resistiram desde o abandono. No próximo ano será introduzida mais uma casta branca. Ao todo, a actual vinha é composta por 50.000 pés que poderá atingir, produção estimada em velocidade cruzeiro, as 50 000 garrafas;

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Actualmente para além do mercado português, a Quinta de Arcossó já exporta cerca de 15% da sua produção para a Suiça e França.

 

Pessoalmente, embora não seja especialista, sou apreciador de bons vinhos, e, do vinho da Quinta de Arcossó, posso-vos garantir que me enamorei dele desde o primeiro dia em que o provei. É um daqueles vinhos que marca e que fica para sempre retido na recordação e, não hesito nem um bocadinho em considerá-lo dos melhores vinhos nacionais, que só enriquecem e enobrecem o nosso concelho de Chaves.

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Um bom exemplo também de como por cá, com gente empreendedora, aliada a uma boa equipa técnica e também a muito trabalho, amor e carinho, a qualidade também pode ser conjugada.

 

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Da minha parte, já é um vinho de eleição e só lamento que por cá não haja mais Quintas de Arcossó e mais Amílcares Salgados, pois, infelizmente, a nossa qualidade só se vai impondo com projectos individuas e quase à revelia das entidades que deveriam estar preocupadas com aquilo que vamos tendo de melhor e que, aos poucos, também se vai abandonando e perdendo.

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Um bem haja para a Quinta de Arcossó, para a família que está por detrás da Quinta e para toda a equipa técnica e trabalhadores da mesma.

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Claro que foram estes os vinhos servidos na inauguração da exposição de fotografia comemorativa das 750.000 visitas deste blog e, que por todos foi elogiado, além de demonstrar que também é uma excelente companhia dos pastéis de Chaves.

 

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