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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Set09

Queimaram-me o Brunheiro - Chaves - Portugal

Imagem de Arquivo (infelizmente)

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Porque nasci na veiga de Chaves a uma ou duas centenas de metros das faldas do Brunheiro, sempre o tive por companheiro e testemunha das minhas brincadeiras e aventuras de criança. Tal como o Tâmega, o Castelo, a Ponte Romana ou os nevoeiros de Inverno, também o Brunheiro faz parte de nós, do ser flaviense, do estar sempre presente nas nossas vidas e nas nossas vistas, sendo talvez, até, aquele que mais marca na marca de Chaves.

 

Em criança, era comum vê-lo verde durante todo o ano e, nem sequer o avermelhar e amarelecer do Outono lhe tiravam o vigor do verde mais verde que surgia logo com as primeiras chuvas de Outono. Mas isso são tempos que já lá vão, em que as nossas montanhas estavam limpas de matos, as aldeias tinham gente e os incêndios eram raros e logo combatidos pelas populações.

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Dizia há dois dias atrás que o pulular da publicidade política nas rotundas da cidade me tinha chamado a atenção no meu regresso de férias, mas bem ao longe, o que primeiro me chamou a atenção, foi ver o Brunheiro, mais uma vez, vestido de preto, onde o que ainda restava de floresta, desde Vilar de Nantes até Lagarelhos, tinha sido vítima de um incêndio há dias atrás.

 

Embora este ano até nem tenha sido negro em termos de incêndios, este do Brunheiro é mais um a registar para o abater do pouco que resta da nossa floresta.

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Penso que já seria tempo de os nossos governantes terem vergonha e começarem a olhar para uma floresta em Portugal e no interior, a sério, sem compromissos com interesses menos claros que se prendem com o tipo de floresta que temos e com o negócio dos incêndios, senão, corremos o risco de a curto prazo, termos de acrescer ao despovoamento do interior também a sua desertificação, ou menos drástico mas também preocupante em termos económicos e ambientais e ecológicos, assistir à desflorestação de todo o território interior.


Seria bom que os governantes e as instituições oficiais a eles ligados pensassem seriamente numa floresta sustentada para Portugal, principalmente no interior montanhoso  onde praticamente só e mesmo a floresta é viável. Medidas. Uma nova política de florestação é urgente e necessária, não só em termos ambientais e ecológicos, mas também em termos económicos, com uma floresta de qualidade que dê trabalho às populações do interior e que contribua também para travar o despovoamento das nossas aldeias, ou melhor ainda, que permita o seu repovoamento.


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Com uma floresta menos sensível a incêndios, onde se privilegiem espécies autóctones não resinosas, tal como as várias espécies de carvalhos ou castanheiros, ou outras espécies, aliadas à limpeza constante de matos e a caminhos transitáveis que permitam o acesso fácil para a sua manutenção, mas também para o combate rápido a possíveis incêndios. Qual a solução ideal não a conheço, pois não sou técnico nem especialista no assunto, mas é notório que se poderia fazer muito mais e melhor pelas nossas florestas e, em vez de gastarem rios de dinheiro em equipamentos, meios e pessoal no negócio do combate a incêndios, deveria era zelar por uma nova floresta sustentável, pela sua manutenção e limpeza e pela prevenção. É a opinião de quem nada percebe do assunto mas que se dá conta que os incêndios, são um negócio e lucrativo para alguns. Digamos que tal como o negócio da recente pandemia de gripe, que de pandemia só tem o alarmismo e o negócio a ele associado, também os incêndios, são uma pandemia para as florestas, mas esta é a sério e mata, além de durante dezenas de anos, deixar as suas maleitas.

 

Em vez de, os nossos governantes, andarem tão preocupados com o luxo de TGV´s ou as novas tecnologias como os “Magalhães” para inglês ver, entre outros luxos e desperdícios, dever-se-iam preocupar mais com aquilo que é básico e essencial para a vida do interior montanhoso de Portugal, mas também para a vida em si, para o verde, para o ambiente, para a ecologia, para as populações e o seu sustento.

 

Costuma-se dizer que Portugal é só Lisboa e o resto é paisagem. Pelo andar deste comboio, não tarda que Portugal seja e só mesmo Lisboa e, perca definitivamente a paisagem que lhe restava. Lisboa, mato e deserto. Não é este, pela certa,  o Portugal que queremos.

 

E para aqueles que por aqui lêem aquilo que não escrevo, isto nada tem a ver com política partidária, mas antes (se assim o quiserem entender) com politica que se aplica a todos os políticos de Lisboa, sejam eles de que partido forem, pois até hoje, ainda NINGUÉM se preocupou com os problemas da nossa interioridade e mesmo os que daqui (presumivelmente) deveriam ir para Lisboa defender os nossos interesses, ao chegarem ao “glamour” das luzes da capital, trocam logo os bês pelos vês, ou seja, esquecem logo o engaço e a província que os pariu.  


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Pelo que tudo indica, Chaves na próxima legislatura irá ter dois deputados no Parlamento. Como já sabemos que não se sentarão na primeira fila (onde tudo se decide ou apontam aos outros onde devem votar), pelo menos no levantar de braços das restantes filas (onde estarão) que marquem a diferença ao levantar ou baixar o braço, e que o levante ou baixem conforme os nossos interesses e não conforme os interesses do pastor da primeira fila. Mas, como de costume, já sabemos que assim não vai acontecer e, o Presunto de Chaves vai ficar a léguas do queijo limiano, aliás até nem admira, pois o queijo limiano ainda continua a compor as nossas mesas enquanto que o presunto, só as imitações é que lá chegam. Mas não tarda nada, estão aí de novo os sabores e saberes de Chaves onde, quem sabe, se este ano o queijo limiano não marcará também presença.

 

Gostaria de um dia destes dizer com orgulho que estes rapazes e raparigas que vão para Lisboa são da minha colheita dos anos 60…

 

Queimaram-me o Brunheiro, como tal, não posso ter a boca doce.

 

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