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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Mais Chaves sem Torga

21.10.09 | Fer.Ribeiro

 

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Embora Miguel Torga seja uma companhia quase diária e, a sua obra, seja a obra que tenho na “mesinha de cabeceira” tenho saudades das suas palavras, não das que ele escreveu, que essas já são eternas, mas das que ele deixou de escrever com a sua partida.

 

Gostaria de ver Chaves de hoje aos olhos de Torga, com a mesma "rudeza" e poesia de quem sempre viu com os olhos da verdade.

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Infelizmente Torga jamais acordará com um assobio salutar e, jamais escreverá sobre Chaves. Restam-nos as suas palavras registadas ao longo dos anos nos seus diários e na sua obra, entretanto, Chaves continua a assobiar para o lado, devendo-lhe a devida homenagem…

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Chaves, 24 de Setembro de 1971

 

Gosto destas cidades pequenas, frutos urbanos em que a polpa deixa ver ainda o caroço à volta do qual se desenvolveu: a praça do município, enquadrada pelo castelo, a igreja matriz, a casa da Câmara e a Misericórdia, com o pelourinho no meio a garantir a justiça. Superam gregariamente – na sua disciplina alinhada e varrida – a anarquia e a promiscuidade do aglomerado aldeão, conferem liberdade e dignidade ao habitante, que, além disso, pode continuar nelas e respirar o oxigénio puro do campo, a ver a paisagem, e a saudar a alvorada com um assobio salutar, como o que me acorda todas as manhãs desde que aqui venho.

 

Miguel Torga, In Diário XI  

 

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