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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Para lá da ponte são todos barrosões

25.07.06 | Fer.Ribeiro
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Tal como as lendas, há sabedorias que vão passando de boca-em-boca e de geração-em-geração. Há, sempre, que ouvir os mais velhos. Podem não ter aprendido em livros, mas já viveram muitos anos, já falaram com muita gente, já ouviram muitas estórias e, sobretudo, já viveram uma vida em que muita coisa aconteceu. Vidas de estórias que fazem muita história.

Nas minhas visitas aos lugares deste concelho, vou ouvindo aqui e ali aquilo que os mais idosos têm para contar e, estou sempre a aprender. Coisas que não vêm em livro nenhum. Aprendo vivências que essa gente tão bem sabe contar e encantar. Pena que o tempo não “estique” para poder ficar a ouvir.

Ontem ouvi uma coisa que registei: “Para lá da ponte e do rio são barrosões”, tendo Chaves como referência.

Então vamo-nos situar e analisar o que estas palavras querem dizer. O rio é o Tâmega, a ponte, era a Ponte Romana de Chaves (a única que existia até há 50 anos atrás) e a “coisa” foi dita do lado da margem esquerda do Rio. Ou seja, os barrosões são todos os que estão para lá do rio, na margem direita.

Palavras sábias, pois se hoje a dita cidade está na margem direita do rio, ela teve (obrigatoriamente) que nascer na margem esquerda e sempre se alimentou e viveu à custa das terras e das gentes da margem esquerda. E passemos a analisar novamente: Se a ponte foi construída pelos romanos e a então Aquae Flaviae nasceu com os romanos, eles, romanos, obrigatoriamente e geograficamente falando, chegaram primeiramente à margem esquerda do rio. Uma barreira que só com a ponte conseguiriam transpor. Para construir a ponte (não sei mas suponho) demoraram umas dezenas de anos. Logo tiveram que se instalar na margem esquerda, onde ergueram os primeiros acampamentos, viveram e cultivaram os campos da fértil veiga de Chaves para se alimentarem, enquanto a ponte se ia construindo. Só depois, após a conclusão da ponte, teriam passado para a margem direita.

Quando ao “para lá da ponte são barrosões” geograficamente falando, o vale de Chaves faz a transição entre a terra quente e as terras de barroso, terminando a inclinação do relevo precisamente no rio. Aliás, analisando as características do Noroeste do nosso concelho, a partir do rio, começamos a subir para o interior barrosão e chegados a Calvão e a partir de terras de Ervededo, as características climáticas, naturais e geográficas já são autenticamente barrosãs.

Por isso, e a partir de hoje, para lá do rio são todos barrosões!

E eu, no meio desta situação toda, fico feliz e contente. Nasci na veiga (orgulhoso de ser flaviense), tenho uma costela de barroso (orgulho barrosão) e outra de terras do corgo ou de Aguiar (orgulho a fugir pro penato), vivo do lado de cá e trabalho no lado de lá do rio, com os barrosões. Resumindo – Viva Chaves, a cidade e a veiga e já agora o rio que é o “culpado” disto tudo.

Então e para ilustrar o presente post, aqui fica a fotografia da fronteira entre os verdadeiros flavienses e os barrosões.

Ficha técnica do post:

Mote – “para lá da ponte e do rio são barrosões”;

Opiniões e conclusões – da minha inteira responsabilidade!;

Fotografia – Tomada desde a Ponte de S.Roque sobre o Rio Tâmega, em 24.Julho.2006, às 13H45.

Até amanhã flavienses (ou será barrosões?).

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