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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Nov09

Sanjurge - Chaves - Portugal

 

 

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Se distraidamente me poisassem no centro de Sanjurge, não diria que a 1 Km tinha uma auto-estrada ou um Casino e que,  a 3 km tinha uma cidade. De facto, Sanjurge, mantém a sua pureza e o seu espírito intacto de aldeia transmontana e, ainda bem, que não se deixou trair pelos atractivos da modernidade nem pela proximidade da cidade.

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Mantém a pureza e a vida do seu núcleo, com o seu casario típico e algumas recuperações feitas com gosto. Claro que também tem as suas casas abandonadas e um ou outro pecado, mas no seu conjunto (núcleo) é ainda uma aldeia agradável de ver onde sem dúvida também é agradável viver.

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Na periferia e ao longo dos acessos à aldeia, desenharam-se e nasceram as novas casas, rodeadas do verde dos campos de cultivo por um lado ou, da montanha e alguma floresta do outro. Ou seja, sem servir de modelo, será um bom exemplo daquilo que ainda há dias defendia para o PDM de Chaves, com a “exigência” de preservar os núcleos das aldeias e com uma maior permissividade ao longo dos acessos e periferias das aldeias.

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Hoje, para a grande maioria das aldeias de Chaves, já é tarde corrigir os erros do passado, que por sinal, erros e pecados que ainda hoje são permitidos, no entanto, há excepções e, Sanjurge é uma delas.

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Poderão parecer estranhas estas minhas palavras iniciais, principalmente se olharmos à distância da aldeia até Chaves e ao que aconteceu com quase todas as aldeias da periferia da Cidade, principalmente na freguesia de Valdanta, Outeiro Seco (desta até já saiu uma freguesia urbana – Stª Cruz/Trindade), Vilar de Nantes, Samaiões, entre outras. Todas elas transformadas em dormitórios e bairros de periferia da cidade de Chaves e algumas, com um crescimento desmesurado, atabalhoado e sem qualquer cuidado em termos de planeamento, que aniquilaram de todo as aldeias que invadiram.

 

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Se por um lado a localização físico-geográfica de Sanjurge poderia induzir ao seu crescimento sem regras, penso eu de que foi essa mesma localização que a salvou da selvajaria da invasão da modernidade. Eu explico: Na realidade Sanjurge faz parte do vale alto da cidade, aquele que nasce em terras de Bustelo e se prolonga até terras da Pastoria, passando por terras de Valdanta e por terras de Soutelo. Um vale que embora sem regadio, tem água e é fértil, em que a terra, como solo agrícola, é precisosa. Mas além da fertilidade deste vale alto, Sanjurge fica “escondida” dos olhares da modernidade que são lançados de passagem desde a estrada municipal, que por sinal até é inter-municipal, pois é a principal ligação entre Chaves e Montalegre, e que além disso, é também estrada de acesso à freguesias de Calvão e Ervededo, além de acesso ao São Caetano, mas que sempre foi tratada como uma parente pobre da rede viária flaviense e, embora tenha nome e classificação de estrada, pouco mais é do que um caminho municipal pavimentado. Em suma, também a estrada de acesso a Sanjurge desmotivou alguns interesses imobiliários.

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Mas vamos lá saber mais um pouco de Sanjurge, que é sede de freguesia onde para além da povoação de Sanjurge também tem a povoação de Seara, esta, desde que tenho memória, ligada à moagem de cereais onde no passado pouco mais existiam que duas ou três casas. Hoje, no entanto, com o crescimento na periferia de Sanjurge e também de Bustelo, Seara já é composta por um pequeno núcleo que já forma uma verdadeira povoação de encruzilhada.

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Sanjurge, freguesia, possui uma área de 12.95Km2 e a sua população não atinge os 400 habitantes. A principal actividade da aldeia está ligada à sua veiga, fértil em batata, centeio, milho, as mais variadas frutas da região e alguma vinha, aliás a vinha e o vinho de Chaves tem sede em Sanjurge ou Made in Sanjurge, com um Blog de autoria de Ernesto Penedones que se dedica às coisas da vinha e do vinho. Embora o verde do cultivo ainda se faça notar na freguesia, não há grandes explorações agrícolas e a fertilidade da sua veiga não foi suficiente para prender a juventude, que aqui sim, Sanjurge não é excepção às restantes aldeias e a maioria dos seus jovens, também seguiu o exemplo da restante juventude que estudou e não encontrou nas suas aldeias de origem ou nascença, um meio de vida sustentável que os pudesse segurar como seus habitantes, salvo raras excepções, que por trabalharem na cidade, ainda fazem da aldeia o seu dormitório. Mas não só os jovens que estudaram, partiram, pois também outros menos felizes nos estudos se viram obrigados a partir, pois infelizmente a agricultura já não é meio de vida e raramente serve de (único) sustento de uma família.

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Quando ao topónimo da aldeia, dizem os historiados cá do sítio, ser proveniente de uma família ilustre espanhola que em tempos, teria sido proprietária do seu termo. Até melhor proveniência, esta serve, mas com os historiadores que temos cá no burgo, não me admira nada que a origem do topónimo seja outra qualquer… mas adiante, pois a mim também não me surge nenhuma ideia disparatada para além da de São Surge (ou Jurge), mas como estes santos nem sequer existem e os Santos de Sanjurge são outros, ficamos com a família espanhola.

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E já que falamos de Santos, vamos até às capelas, igrejas e santos de Sanjurge, começando pela igreja paroquial que é de origem românica, possivelmente dos séculos XIII ou XIV e cuja padroeira é Santa Clara.

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Um pouco mais abaixo, no largo da aldeia, encontra-se a capela de S.Miguel, um belíssimo exemplar renascentista, infelizmente abandonada e degradada em estado de meter dó. Propriedade particular, esta capela estava associada a um solar construído na dinastia filipina, da família dos Cunhas, Machados, Garcias, Sousa Mourão e Macedos. Felizmente, penso eu, pois é só a julgar pelo que se vê do largo da aldeia, o solar tem tido melhor sorte que a capela e, pelo menos,  exteriormente ainda está apresentável e até se recomenda. Neste caso, a estória altera-se para “o belo e a monstra” embora a monstra até seja bela, só que está muito mal tratada, e temos pena.

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Segundo com as capelas e os santos, temos ainda a Capela da Senhora do Rosário que se situa numa das extremidades da aldeia onde uma pintura a fresco representa a Senhora do Rosário, com imagem também no pequeno altar. Há ainda um pequeno oratório com uma imagem da Senhora da Conceição talhada a granito.

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Aldeia que se preze tem pelo menos uma lenda a si associada e a de Sanjurge tem a ver com as suas santas, pois diz a mesma que de noite, de vez em quando,  há uma luz que vem da Senhora da Aparecida até junto da Senhora da Conceição. Por sua vez há outra lenda que conta que, se alguém tirar da aldeia a Senhora da Conceição, ela volta, sem se saber como, para o seu oratório.

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Resumindo estas coisas de capelas, igrejas e santidades, com santas, Sanjurge parece dar-se bem. Senhora da Conceição, Senhora do Rosário, Senhora da Aparecida, com imagens, frescos, templos e lendas. Quanto a santos… o São Surge ou Jurge nem existem e o S.Miguel, sem imagem, tem a sua capela entregue ao Deus-dará.

 

Quanto à história remota, dizem que na envolvente da aldeia há diversos penedos com insculturas rupestres. Dizem, pois eu não as conheço mas não duvido que existam, pois todo este vale alto é rico neste tipo de insculturas.

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De achados arqueológicos, em Sanjurge, pessoalmente só encontrei um. Não muito antigo, pois penso ser do século passado, quando muito terá dois séculos. Dá pelo nome de “palhinhas” e a sua extinção começou com o aparecimento da modernidade que, claro, tinha de ser em plástico.

 

Quanto a aldeias, volto no próximo fim-de-semana. Amanhã, ou já a seguir, estamos de volta à cidade, com mais uma novidade no blog.

 

 

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