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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Nov09

Chaves de Ontem e de Hoje - A nóia das demolições das casas dos arcos

Em matéria de demolições, Chaves bem poderia entrar para a história dos disparates, pois quase tudo que historicamente tínhamos de melhor, ao longo dos anos e dos séculos, foi sendo demolido ou absorvido. Começando pelas muralhas medievais, passando pelas seiscentistas e terminando nos edifícios públicos e militares. Em nome da modernidade e de muitos interesses particulares, porque esta coisa dos interesses já não é de hoje, sempre encobertos pela capa da modernidade, foram-se cometendo os maiores crimes no nosso património arquitectónico e histórico.

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Rua Direita - Inícios do Séc. XX

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Nos disparates e ilegalidades particulares, nesses, nunca se entra e quanto a demolições, está quieto, pois têm dono, que têm amigos e familiares que são amigos de outros amigos e familiares de outros tantos e, não vale a pena estar para aí a criar ondas quando o mar está tão sereno… e depois,  os papalvos do povo, comem aquilo que lhes derem.

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Rua Direita - 29.Nov.2009

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Mas também é tudo uma questão de modas e das cabecinhas que estão no poder. Já se sabe que a moda actual tem sido o empedrar de praças, que por serem públicas, são de toda a gente e como tal, não são de ninguém, ou melhor, não têm dono, não têm amigos, familiares e essas coisas todas. Mas, diga-se a verdade, desde que foi criado e limitado o centro histórico tem havido também alguma preocupação em preservar a cidade antiga. Embora, claro, muitas vezes a preocupação não passe de boa intenção, pois por pura desobediência, também amizades, intempéries de fim-de-semana ou contorno das Leis, os proprietários, lá vão fazendo o que lhes dá na gana…

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Praça da República - Inícios do Séc. XX

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Mas ia eu na questão da moda. Pois se houve tempo em que as muralhas da cidade eram apenas um estorvo ao crescimento da mesma e, por isso se foram demolindo, tempos houve em que se aproveitaram para encostar (adossar) as casas, o mesmo aconteceu com a Ponte Romana e só não foi demolida ou não construíram em cima dela, porque ela era a única passagem para a outra margem do rio.

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Praça da República - 29.Nov.2009

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Depois veio o tempo de acabar com as ruas estreitas da cidade e, se para a nova cidade o conceito até era valioso, como o foi na Avenida Nun’Alvares, para o centro histórico seria um desastre que, ainda começou a ser ensaiado na Travessa das Caldas e na Rua de Santo António. Note-se no desalinhamento do Café Sport/Atique e nos edifícios do Antigo 5 Chaves, Sarmento e Telecom, precisamente para dar origem à tal avenida larga do centro da cidade.

 

Depois veio a moda de demolir tudo que era edifício militar, tal como aconteceu na envolvente do Castelo (Torre de Menagem), os edifícios do Jardim do Bacalhau encostados à muralha e ainda antes da demolição do edifício de Cavalaria, a própria muralha, etc. E se algumas dessas demolições até seriam de aplaudir, como as que estavam adossadas ao castelo, não só pelo castelo mas também pela falta de qualidade arquitectónicas das mesmas, já há outras que foi um autêntico disparate mandá-las abaixo, como o edifício militar do Terreiro de Cavalaria (Jardim do Bacalhau).

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Madalena - Inícios do Séc. XX

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Mas hoje, quero ir para o tempo em que foi moda demolir as casas dos arcos de Chaves, as mesmas das quais hoje deixo por aqui as suas imagens.  Felizmente que não eram muitas mas de entre demolições e alguns arcos tapados, Chaves, ficou sem casas com arcos.

 

Claro que em nome da modernidade, tudo isto é discutível e, aposto até, que haja por aí muita gentinha que veria com bons olhos que toda a cidade antiga, porque está velha, fosse demolida para no seu lugar nascerem bonitas torres de b€tão.

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Madalena - 29.Nov.2009

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Mas mais interessante ainda, seria virem à luz, as razões ou pretextos que levaram à demolição de todos esses edifícios antigos e, como com golpes de mestria, razões e pretextos deixaram de ter razão de ser.

 

Mas das três imagens que hoje vos deixo por aqui, penso mesmo que só no caso da Praça da República é que a cidade ficou a ganhar, pois no caso da Rua Direita hoje seria um mimo termos lá aquela casa dos arcos e no Caso da Madalena, a demolição da casa dos arcos , foi um autêntico atentado ao coração da Madalena, ainda para mais, para dar lugar à imagem actual.

 

Sonho que um dia a moda mude e, venha por aí gente com nóia pró poder e com poder, para demolir mamarrachos.

 

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