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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Dez09

Discursos Sobre a Cidade, por José Carlos Barros

 

.

 

Uma Conversa Quase Surrealista no Taró

 

texto de José Carlos Barros

 

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

         -- Nem sempre cortávamos uma árvore

         -- Cortar uma árvore é sempre um crime.

         -- de raiz. Às vezes cortávamos a parte final de um ramo com a configuração de uma pequena árvore. Era, de qualquer modo,

         -- Isso vai dar ao mesmo.

         -- a nossa árvore de Natal. Este ano, depois de tantos anos,

         -- Vai dar ao mesmo. E

         -- vou cortar de novo uma árvore.

         -- é de uma irresponsabilidade cívica incrível. Podes comprar uma árvore ecológica, podes tu próprio construir uma árvore reciclável.

         -- O Natal vem logo após o solstício do Inverno. Esse momento mágico em que a sombra, enfim,

         -- Não acredito: lá vem de novo

-- cede ao domínio da luz. A luz em vez da treva. O dia, de novo, maior que a noite. Como num ritual

-- o discurso da ruralidade, da suposta supremacia das berças.

-- de passagem. De rapazes que querem ser homens. De homens que querem ser deuses para que possam apenas ser homens. Na amplitude dos montes,

-- Não acredito: este discurso retrógrado, cheio de lugares comuns, vindo de quem mais devia estar próximo da Natureza, da compreensão 

-- nas sucessivas cumeadas, nos vales profundos, no silêncio a atravessar encostas e colinas e valados. O dia maior que a noite. De novo. Como um archote aceso

-- dos fenómenos ambientais. E, mesmo, de um ponto de vista filosófico: comprar uma árvore de plástico, em vez de destruir uma árvore verdadeira, é um sinal

-- contra a adversidade. E então, nesta inesperada (e necessária) desordem, saímos à rua. No Natal, em Trás-os-Montes, saímos à rua. E portanto

-- de esperança num mundo condenado pelo dióxido de carbono,

-- é tão importante uma árvore. Uma árvore que nós próprios cortámos na floresta. Nos montes. Uma árvore verdadeira. Com as suas raízes e a sua seiva. Uma árvore que guarde a casa enquanto saímos à rua. E, na rua, é o fogo (de uma outra árvore) que se ergue na noite. Em redor do fogo nos reunimos. Na estrada. No Meio da Aldeia. Num largo. Em redor de um dos três únicos elementos de culto.

-- pela perda irreparável da biodiversidade, pelas alterações climáticas. É também uma questão de exemplo.

-- Porque em Trás-os-Montes os quatro elementos são três: o pão, a água e o fogo. E o momento, os momentos, os dias seguidos até aos Reis, são mágicos. Porque uma distância, de súbito, parece diluir-se em redor do fogo: entre o que é possível tocar

-- Por isso não faz sentido cortar uma árvore. Até do ponto de vista

-- e o que pressentimos. Entre a pedra e o intangível. Entre o milagre e a memória de uma árvore cortada na serra. E é nesse intervalo, nessa fronteira,

-- da educação ambiental. Repito: do exemplo que damos

-- nessa membrana fina de silêncio que o milagre acaba por impor-se. E é por isso, depois de tantos anos, que vou eu mesmo cortar uma árvore. De novo. E deixá-la em casa. A guardar a casa.

-- a uma geração que precisa de tomar consciência do grave problema ambiental que atravessamos.

-- E sair à rua. Como no tempo antigo. Para que o encontro (a comunhão, ó ímpios!) seja a primeira e renovada Palavra do mundo.

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