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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Dez09

Em dia de feijoada, Chaves e o Outro.

PRIMEIRA PARTE

Não tarda muito e este blog irá fazer 5 anos que está na NET. Voluntariamente venho aqui todos os dias deixar um bocadinho de Chaves e das nossas aldeias, em imagens e a falar um pouco do passado ou do presente, do que está bem ou está mal, falar dos nossos ilustres, dos erros do passado e do presente, às vezes questionar o futuro, contar estórias da cidade, falar da nossa importância histórica desde a cidade romana, à vila medieval passando pela vila e cidade da raia até aos nossos dias, em suma, por aqui, todos os dias se fala um pouco de Chaves e dos flavienses, ou seja, de nós. Mas que importa isso!? Que importância tem este blog!? Quem liga aquilo que por aqui se diz!?... a não ser  pelo contador de visitas e um ou outro comentário que aqui vai ficando, eu acreditaria mesmo que ninguém visita este blog, como também sei, que se este blog terminasse hoje, pouca gente se iria incomodar com isso, talvez alguns ficassem até felizes, ainda digo mais, poderia, com licença, desatar para aqui às caralhadas, a mandar badamerda a toda a gente,  chamar nomes a todos os flavienses, que tudo continuaria na mesma… num deixa andar diário, num não me incomodes nem me comprometas, num alheamento total à, e da cidade, numa falta de amor de meter dó, num seguidismo cego do pastor e sempre debaixo dos olhares atentos dos lobos que lhe cobiçam a condição.

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Pois é, embora tudo isto não seja mentira, também não é verdade, principalmente no que diz respeito ao amor à cidade e ao orgulho flaviense, porque sei que ele existe e que o há, às vezes até em demasia e, o problema está, em gastá-lo no diz-que-diz de cada esquina, o problema está em medos do passado que ainda são presentes, o problema está no clubismo partidário e cego de seguidores e ajoelhadores à passagem da procissão que dizem ámen!, mas também, (como diria Torga) nas “castas” de Chaves.

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Enfim, como sei que ninguém me liga, continuarei a fazer este blog para mim, com os meus devaneios, a dar as minhas voltinhas pelas aldeias, a fotografar o velho casario e a sonhar com uma cidade melhor, enquanto, claro, amargamente me vou rindo das anedotas e das cabeças pensantes onde, por ausência de ideias, se vão repetindo as palhaçadas na arena do circo.

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INTERVALO

Esta coisa das anedotas é engraçado. Fazem-nos rir com coisas sérias e, embora isso não resolva os nossos problemas, ridiculariza-os, ao ponto, de por momentos nos sentirmos aliviados, bem-dispostos e alegres. Talvez por isso, Portugal seja o país das anedotas, onde com tudo se brinca. O problema é que com tanta anedota que se ouve durante o dia, ao chegar à noite, quanto tentamos arrumar as coisas no nosso disco rígido, já nem sabemos se determinado ficheiro ou documento, é anedota ou verdadeiro, se foi sonhado ou é real.

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SEGUNDA PARTE

Aliados aos mais variados factores, as nossas aldeias foram sendo despovoadas num êxodo constante para as cidades e outros países. O mesmo fenómeno se passa nas pequenas cidades e vilas do interior, pois embora estas tenham aumentado de população, não é um aumento real, mas antes, população das suas aldeias que se deslocou para a cidade, pois a população do concelho, desde os anos 50, continua a decrescer.  Tal como nas questões do ambiente em que já não há retrocesso ao mal que foi feito, também por cá será difícil de contrariar a actual situação, tanto mais que as políticas actuais são centralistas e tudo concentram nos grandes centros e capitais de distrito, principalmente naquilo que é essencial  e diz respeito à saúde, educação, cultura, serviços públicos, etc.,  que tudo arrasta atrás deles, enquanto nós, vamos ficando por cá, apenas com aquilo que é nosso. Há que saber tirar proveito daquilo que nos resta.

 

E o que é nos resta!?

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Resta-nos aquilo que sempre tivemos e que sempre foi nosso. A nossa veiga, montanhas e planaltos, a nossa história, a nossa cultura, as nossas termas, a nossa gente, a nossa localização, a nossa gastronomia, os nossos produtos e o nosso comércio.

 

Se é certo que a nossa história sempre esteve ligada à fronteira, à cidade militar e ao comércio, se é certo que perdemos o contrabando e a importância militar, não perdemos a nossa condição de raia e comercial, que aliada às nossas coisas e produtos, podem fazer o futuro da cidade, livre das miragens dos futebóis e outros ensaios de futuros sem qualquer sustentabilidade. Sejamos nós próprios, com aquilo que é nosso, protegendo, promovendo e vendendo  aquilo que é nosso.

 

E o que é que podemos vender!?

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Tudo, desde que seja nosso.  Podemos vender a saúde nas termas aliadas ao lazer que lhes falta, podemos vender muito turismo aliado as nossas montanhas e planaltos, à nossa história, às nossas tradições, e riqueza de usos e costumes, à caça, à pesca, à gastronomia, ao divertimento, ao desporto, à noite e ao comércio dos produtos da terra, fazendo com que em Chaves, fosse dia de feira todos os dias.

 

Em vez de se andar a copiar feiras que em alguns locais até se fazem com algum sucesso porque têm e fizeram a tradição. Em vez de se levar à praça os sabores e saberes de Chaves com produtos e artesãos que nada têm a ver com o nosso concelho, nem sequer com a nossa região. Em vez de fazer por fazer para marcar pontos na realização de eventos, faça-se qualquer coisa que possa ser útil e dar algum sustento à nossa população, como por exemplo feiras francas semanais, com produtos nossos, genuínos e com a nossa gente da veiga, das aldeias e freguesias, onde possam vender tudo que a terra dá ou que a ela lhe está associada, produtos da época, produtos frescos, secos e conservas, fumeiro, o folar na Páscoa, a castanha no S.Martinho, os nabos e nabiças, os grelos, as couves, as batatas, a lenha, as cebolas, os pimentos, as nozes, o presunto, os pasteis, os niscaros e cogumelos, os medronhos, o pão centeio do forno, a azeitona com ou sem carabunha, a lenha,  as velharias, os barros de Vilar, os cestos, eu sei lá… desde que sejam produtos nossos, genuínos e com a nossa gente, à moda de uma verdadeira feira franca medieval, um pouco espalhada pelas praças do centro da cidade, poderíamos ter aqui uma grande feira franca,  todas as semanas, aos Sábados, por exemplo, que é quando gentes de fora nos visita e nós locais estamos mais disponíveis para comprar. Bastavam os nossos produtos (e só os nossos), alguma animação de rua,  alguma publicidade  inicial e tinha-mos enchente comercial todos os fins-de-semana, uma feira sem dúvida sustentável e que poderia dar também algum sustento aos resistentes das nossas aldeias.

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E ao contrário de outros, não vendo a ideia, ofereço-a. Se quiserem saber como é que se lança uma feira destas (se não houver ideias) sempre podem perguntar ao Padre Fontes, que é vizinho e amigo, pois numa terra onde nunca houve tradições de bruxarias (os nosso(a)s são bem mais afamado(a)s), conseguiu fazer do Congresso da Bruxaria de Vilar de Perdizes e das Sextas-Feiras 13, um acontecimento nacional e que tem sempre honras da imprensa nacional, televisão e enchentes nesses dias, com parque hoteleiro esgotado e restaurantes à pinha e só com reserva.

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FIM DO JOGO

Chaves 1 – o Outro, outro.

 

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