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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Travessa Cândido dos Reis

03.07.06 | Fer.Ribeiro
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Depois da festa de ontem em tudo quanto é mundo português aqui fica mais um bocadinho deste pequeno mundo flaviense.

Hoje vamos de novo até à Travessa Cândido Reis e embora a bandeira não seja muito visível, ela está lá.

É uma travessa que liga a Rua de Stº António à Rua Bento Roma e Rua do Olival (Também conhecida por Rua Cândido Reis). É uma travessa sobre a qual há muito que falar e com muitas estórias para contar. Rua de entrada do Cine Teatro, do Hotel Trajano, do Joaquim das Molas, dos Coelhos, do sapateiro, dos Amigos, do velhinho Flávia (o primeiro a abrir que para muitos era o último a fechar) o cesteiro e a catedral do Faustino.

Qualquer um deles merecia aqui um post e tem muitas estórias para contar. Estórias do Cine Teatro que faz cada vez mais parte da história, do Joaquim das molas que deu lugar a uma “Biblioteca” onde se abrem muitos livros (sobretudo à noite) dos Coelhos e do "Toreta" que aderiram às novas tecnologias da informática e telecomunicações, do sapateiro que só já resta o cantinho e quanto aos “Amigos” Faustino e Flávia ainda lá estão acompanhados de outros lugares onde se pode “botar” um copo, sobretudo à noite, quando esta rua (ou travessa) é mais animada e concorrida, onde o livreiro do dia abre a tal “Biblioteca” à noite.

Vamos esperar e acreditar que na próxima quarta-feira à noite a rua (ou travessa) abra de novo as suas portas para servir muitos litrinhos de cerveja…

Mas estamos a falar da Travessa Cândido Reis, conhecida por todos os flavienses. Mas e quanto a Cândido Reis!? Quem foi afinal o homem que dá nome a rua (ou travessa).

Pois então vamos lá a um bocadinho de história:

“ Carlos Cândido dos Reis – Oficial da Marinha e Político, nasceu em Lisboa em 16-1-1852 e suicidou-se em 4-10-1910”. Vice-almirante reformado dedicou-se à carreira política e à luta pela República. Repare-se no dia do seu suicídio 4-10-1910, precisamente um dia ante da implantação da República em Portugal e suicidou-se, segundo reza a história, por estar convencido da impossibilidade da vitória dos Republicanos. Rezou também o destino que por apenas um dia não tivesse visto essa vitória.

Mas afinal o que é que Cândido Reis tem a ver com a cidade de Chaves? – Nada. Ou melhor, tem a ver com a amizade e o reconhecimento de um outro Republicano, esse sim flaviense e de nome Dr. António Granjo que curiosamente também morreu pela mesma República 11 anos depois, mas assassinado em Lisboa, reza a história que assassinado cobardemente à porta do Arsenal da Marinha para onde foi levado pela célebre “camioneta fantasma” quando era então Presidente do Ministério. Foi no entanto, ainda em Chaves e como Presidente da Câmara Municipal que, segundo consta na acta municipal de 13-10-1910, o próprio propôs que a então Rua do Primeiro Duque de Bragança adoptasse o nome de Rua Cândido dos Reis (a tal que sempre foi e será popularmente Rua do Olival) e consequentemente a travessa que lá ligava, adoptou o mesmo nome de Cândido dos Reis.

E depois da lição de história, está na hora de ir preparando a barriguinha para o galo de quarta-feira à noite, e lembrem-se que os galos das capoeiras flavienses só são comidos em ocasiões muito especiais.

Eu acredito numa boa refeição com galo e já sabem, para a digerir, passem depois pela Travessa Cândido dos Reis ou, se a refeição foi bem regada, o melhor é mesmo irem directamente para as Caldas!

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