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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Jun10

Aldeia e Freguesia de Paradela de Monforte - Os Fidalgos

E porque hoje é Sábado, vamos até mais um mosaico de freguesia, excepcionalmente, diferente dos anteriores e também dos próximos e, como tudo tem uma explicação, também aqui fica, ou seja, vamos até Paradela de Monforte que já por aqui passou uma vez, nos antigos posts resumidos, teria portanto direito ao seu post alargado, mas como também é freguesia, teria também direito ao respectivo mosaico. Acontece que Paradela de Monforte é a única aldeia da freguesia e daí, resolvi juntar o post alargado ao mosaico de freguesia, um dois em um para pagar a minha dívida com mais uma aldeia e freguesia.


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Seguindo a metodologia dos mosaicos (embora com muita fotografia pelo meio), teremos:


 

Localização:


A 15 km da cidade de Chaves, a Nordeste desta, situa-se numa faixa de território que é conhecido por terras de Monforte, que, como o próprio nome indica, ficam nas proximidades e área dos antigos domínios do Castelo de Monforte.

 

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Confrontações:


Confronta com as freguesias de Mairos, Travancas, Cimo de Vila da Castanheira (num único ponto), Tronco (num único ponto), Águas Frias e Stº António de Monforte, todas do concelho de Chaves.

 

Coordenadas: (No Adro da igreja)


41º 48’ 31.25”N

7º 20’ 13.63”W

 

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Altitude:


Variável – acima dos 630m e abaixo dos 730m

 

Orago da freguesia:


Nossa Senhora das Neves

 

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Área:


8,53 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):


Poderemos dizer que para Paradela de Monforte existem 2 +1 alterantivas.

 

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Vamos à primeira:


– Estrada Nacional 103 (até ao Lameirão), E.N. 103-5 até Vila Verde da Raia, E.M.502 via Curral de Vacas e por último a E.M.503 até Paradela de Monforte.

 


Segunda alternativa:


– Estrada Nacional 103 até ao cruzamento de Casas de Monforte, mas antes terá que passar por Faiões, as 3 Assureiras (De Baixo, do Meio e de Cima) e Águas Frias. Abandona-se a E.N.103 em direcção a Casas de Monforte via C.M.1062. No início de Casas, a placa indica o caminho para Paradela de Monforte.

 

 

Ambas as alternativas são feitas por estradas e caminhos pavimentados.

 

Uma terceira alternativa para quem de fora se dirija pela A24, não precisa de sair em Chaves, pois deverá seguir até ao nó de Vila Verde da Raia e a partir daí seguir pela primeira alternativa.

 

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Aldeias da freguesia:

- Paradela de Monforte

 

 

População Residente:


Em 1900 – 353 hab.

Em 1920 – 345 hab.

Em 1940 – 450 hab.

Em 1960 – 547 hab.

Em 1981 – 395 hab.

Em 1991 – 290 hab.

Em 2001 – 318 hab.

 

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Em termos de população residente e a sua evolução, nota-se ligeiras diferenças em relação à evolução e comportamento tipo das restantes freguesias rurais, principalmente no que diz respeito aos Censos de 1920 e aos Censos de 2001, ou seja, em 1920 não é significativa a perda de população (tal como acontece nas outras freguesias) e nos Censos de 2001 inverte a tendência da descida acentuada de população que se vinha a verificar desde 1960, subindo mesmo a população em relação aos Censo de 1991. Vamos esperar pelos próximos Censos para ver como os números da população se comportam. Em resumo, o pico mais alto de população foi atingido em 1960 com 547 habitantes residentes e o pico mais baixo é de 1991 com 290 habitantes.

 

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Principal actividade:

- A agricultura e alguma pecuária.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:


Na minha primeira passagem por Paradela iniciava assim o post: “E porque hoje é Sábado vamos até mais uma freguesia Paradela de Monforte, a terra dos Fidalgos”

 

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É de facto a terra dos Fidagos ou pelo menos assim são conhecidos e tudo, ao que a história ou lendas contam, graças à fidalguia ligada ao Castelo de Monforte e ao Fidalgos que estiveram na origem do topónimo de Paradela. Mais à frente vem a explicação.


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Além de Paradela, tem também Monforte no topónimo e quanto a este não há qualquer dúvida quanto à sua origem, que tem a ver com o Castelo de Monforte e daí, também, por Paradela até 31 de Dezembro de 1853, ter pertencido ao concelho de Monforte de Rio Livre.

Eclesiasticamente, esteve incluída na diocese de Miranda do Douro, depois na de Bragança e só em 1922 passou a pertencer à então criada diocese de Vila Real.

 

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Então quanto ao topónimo Paradela,  pode referir-se a um tributo ou um foro, a que se dava o nome de Parada, foro esse que o povo pagava aos senhores da terra quando nela apareciam e que consistia em certa quantidade de mantimentos ou dinheiro, para mantença ou aposentadoria deles e da comitiva. Era um dos foros pagos entre os séculos XII a XV, pelo que a aldeia, a ter aí a origem do seu topónimo, terá também no mínimo essa antiguidade.

 

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Sem por de parte a teoria da origem do topónimo atrás apresentada, pessoalmente gosto mais das teorias populares, principalmente aquela que reza que  " Dois irmãos cavaleiros à maneira de exploradores ou fugitivos da sociedade, toparam um alto donde se lhe deparou um vale:

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- Que linda e ampla veiga aqui se encontra!


- Pára nela, disse-lhe o outro num gesto de desdém...


- Pois hei-de parar.... e como disseste “pára nela”, há-de ser esse o nome do nosso acampamento.



E daqui veio - dizem os naturais - por mudança do N em D, o nome de Paradela. E daí também os naturais de Paradela se auto-intitularem, Fidalgos de Paradela.

 

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Acredita-se também popularmente que esses mesmos Fidalgos que estão na origem do topónimo, têm os seus rostos esculpidos em pedra na sacristia da igreja.


De facto Paradela ocupa um pequeno vale banhado pelo ribeiro do Torneiro que é atravessado pela Ponte de S. Martinho e daí também as suas terras serem férteis onde o verde é rei e senhor.

 

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Na núcleo da aldeia e também mais antigo está situada uma interessante capela da Senhora do Rosário dotada de uma galilé. Tem como remate uma artística cruz latina e na sua base está inscrita a data de 1730.

 

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No centro da aldeia ergue-se a Igreja Paroquial, em estilo barroco, bem simples, com uma bela pia baptismal manuelina; tem por padroeira a Senhora das Neves cuja festividade se celebra em 5 de Agosto e é conhecida pela festa dos casados. É tradição, cada casal cuidar um ano da manutenção da Igreja, o homem servindo de sacristão e a mulher zelando a limpeza e asseio das instalações. Decorrido o ano, o casal organiza uma festa que inclui a elaboração de um ramo enfeitado com variados produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da Igreja. Realizam se algumas cerimónias religiosas, e este ramo é entregue ao casal destinado a desempenhar as funções de mordomo no ano seguinte. A festa termina com um baile, à porta do novo casal.


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Junto à Igreja existe ou existiu (pois hoje está abandonada) uma grande e boa casa senhorial agrícola que pertence à família Morais Sarmento. Na citada casa nasceu o ilustre transmontano, Professor Doutor António Luís Morais Sarmento, Reitor da Universidade de Coimbra e médico insigne da medicina portuguesa e durante anos director clínico das águas de Vidago. Nasceu em 23 de Dezembro de 1885, vindo a falecer em Vidago, em 11.8.1941. Em 1907 matriculou-se na Universidade de Coimbra, concluindo a formatura em Medicina, em 1913. Em 3 de Agosto de 1917 é nomeado professor ordinário daquela Faculdade, mas de 1924 a 1926 afasta-se do ensino. Em 1928 empreende uma viagem de estudo a Londres, em

 

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representação da Universidade de Coimbra. Em 1936 ocupa a cadeira de Clínica Médica. Em 1932 assume a Direcção do Sanatório de Celas. Em 8 de Junho de 1939 assume a Reitoria da Universidade de Coimbra. Maximino Correia que lhe sucedeu na Reitoria escreveu que Morais Sarmento foi um dos maiores servidores da Universidade de Coimbra, quer como reitor, quer como docente, pelo que com a sua morte perdeu a Nação um dos elementos de maior relevo do escol moral, social e científico. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública. .Foi autor de várias obras de carácter científico na área da medicina. Em suma, um verdadeiro Fidalgo de Paradela.

 

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Ainda em património religioso, existe uma pequeníssima capela localizada num alto de onde se avista toda a aldeia e vale da freguesia. Um autêntico miradouro com vistas que se prolongam até ao vale de Chaves e se perdem num longínquo mar de serras e montanhas. Suponho chamar-se a Srª da Penha, com direito a festa e a um espaço envolvente bem interessante que ficou a ganhar com a nova ligação da aldeia a Mairos. Local de visita obrigatória, pois embora a capela seja pequena impõe-se pela sua localização e simplicidade e depois, as vistas que dali se alcançam, são um pequeno paraíso visual que fará as delicias a qualquer fotógrafo. Por mim, irei lá mais vezes e nem preciso de promessa.

 

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E no final do meu primeiro post dedicado à aldeia dizia eu “e muito mais haveria para contar de Paradela, como estórias, muitas estórias como as de rixas antigas com a aldeia vizinha de Mairos, aliás rixas que eram bem comuns entre aldeias vizinhas um pouco por todo o concelho”. Pois novamente termino com o mesmo sentimento, ou seja, que muito mais há para dizer sobre esta aldeia e sobre os seus usos e costumes que felizmente se vão mantendo e muito, graças aos mais jovens que insistem em manter to a tradição de pé.

 

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Mas deixo também aqui a aldeia e freguesia e se o espírito não é de missão cumprida na totalidade, não vou deixar de dormir por isso e tudo, porque sei que a aldeia na Net está entregue em boas mãos, num blog que se recomenda e onde se conta toda a história e estórias da aldeia, das famílias, dos acontecimentos e notícias e, para finalizar é para lá que vos remeto com visita obrigatória, pois o que eu vos deixei por aqui, comparado com aquilo que lá podem encontrar,  foi uma simples introdução a Paradela de Monforte a terra dos Fidalgos.

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Não perca então, e siga o link:



Fidalgos de Paradela

 

 

Da minha parte, deixo a reportagem fotográfica possível recolhida ao longo destes últimos 6 anos. Sei que haveria muito mais para mostrar, mas para já ficam estas e, pela certa, que continuarei a fazer breves passagens em imagem por esta aldeia e freguesia.

 

Até amanhã com mais concelho rural.

 

 

 

 

 

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