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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Jun10

«Amarelo - sabão»


 

.

 

Há cinquenta anos.


A «Praça», principalmente às 4ªs fªs e aos sábados, era muito frequentada.


Estava localizada entre o Rua do Olival e a das Longras.


Daquela, desciam umas escadinhas e subiam outras ou umas escadinhas subiam e outras desciam.


No patamar, a  meio delas, lá estava um pobre, ou uma pobre, a pedir esmola; ou um mais pobre a vender uns pentes de cor amarelo-sabão.


No fundo da descida das escadas, ou princípio da subida das mesmas, tinha lugar marcado um contrabandista famoso, a vender uma dúzia de facas de vários tamanhos e para “todos os resultados”; a recomendar o tecido para umas calças no «M. dos fatos»; e a marcar data para a entrega das pedras de isqueiro.


O peixe, chegado de Espanha, naquela madrugada, transportado ao lombo de machos e mulas, era, nesse tempo, bem mais fresquinho do que o congelado que se encontra, hoje, em qualquer canto e esquina comerciais.


As “Regateiras” eram mesmo regateiras, pois sabiam, e tinham de, fazer frente ao regateio das donas de casa, preocupadas em poupar alguns tostões - (1 tostão«=»a 2mil avos de 1€).


Algumas destas até tinham de fazer o milagre de lhe sobrar para a compra de um maço de «Provisórios» ou «Três vintes», que iria posto logo no cimo da seira (O «génio» do seu «home» ficaria acalmado) onde seguia o almoço, mal o comboio apitasse em Santo Amaro ou na Fonte Nova.


Há cinquenta anos, a criação de capoeira era abundante.


E, faz anos, por esta altura, as ninhadas de frangos e coelhos estavam a começar a ficar no ponto de serem … vendidas na Praça, por bom preço.

 

Descidas as escadas, ao fundo, à direita, ficavam as peixeiras; ao fundo, à esquerda, as padeiras.  À saída para as Longras, de cada lado de um portão largo, posicionavam-se as Regateiras dos ovos, dos frangos e dos coelhos.


A Emigração para França estava na moda (pudera!).


E, há cinquenta anos, faz, este Verão, anos, os «Emigrantes» já chegavam em bonito número.


As donas de casa residentes, lá iam, como de costume, às compras ao “Mercado”. Mas, a partir de Junho e até princípios de Setembro, ficavam cheias de dores:


- Ó tia Quinhas, quanto custa este coelho?


-Qual? Este?


-Não! Aquele!


-Ah! Vinte mil réis!


- Credo, em cruz, Tia Quinhas !  Atão inda a semana passada lhe levei um por «sete e quinhentos » e, agora, quer Vinte escudos?!


- Olhe, menina, e é se o quiser levar já. Daqui a nada vêm os «EMIGRANTES» e nem refilam!


Tupamaro

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