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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Set10

Mosaico da Freguesia de Vilela Seca

 

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Vilela Seca já por aqui tinha passado e como é a única aldeia da freguesia, teria agora direito ao respectivo mosaico, mas desde sempre prometi que Vilela Seca teria aqui outro post, além daquele primeiro que há muito foi publicado, pois esse tal post ficou (em imagem) muito aquém da realidade de Vilela Seca.

 

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Espero com este post fazer justiça à aldeia e freguesia de Vilela Seca, trazendo aqui mais um pouco da sua história e sobretudo imagens da aldeia actual.

 

Mas vamos recordar aquilo que foi dito no primeiro post, ou seja, tomemos este post como uma segunda edição do primeiro, mas aumentado e corrigido.

 

Vamos então para a grande reportagem, que nunca é grande, pois no que toca a falar de um povo, ficamo-nos sempre aquém daquilo que é real e daquilo que merecem.

 

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A informação nem sempre está acessível e por isso a abordagem a uma aldeia é sempre superficial, breve e vista pelo olhar apaixonado do “repórter”, pois todas as nossas aldeias têm muito para contar e para dar, mas para isso é preciso vivê-las, estar lá no dia-a-dia, falar com as pessoas, sobretudo com as de mais idade que são as que têm muitas e mais histórias e estórias para contar. Vilela Seca, pela sua localização geográfica, pela certa que tem muita coisa para contar, mas vamos ficar pela brevidade do possível e pelas imagens do meu olhar. Claro que haveria muito mais para mostrar, mas temos que nos limitar à brevidade de um post e de um blog.

 

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Localização:


Vilela Seca é sede de freguesia e única aldeia da mesma. Fica a 12 quilómetros de Chaves

 

Quanto à sua localização, fica na transição do vale de Chaves com o inicio das montanhas barrosas, mas é mais do vale do que da montanha e com a Galiza ali quase ao lado, por isso também não lhe devem ser estranhas as histórias do contrabando do tempo da existência de fronteira controlada.

 

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Confrontações:


Confronta com as freguesias de Vilarelho da Raia, Outeiro Seco, Bustelo e Ervededo.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja Nova)


41º 49´ 31.86”N

7º 28´ 04.36”W

 

Altitude:


Entre os 380 e  475m

 

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Orago da freguesia:


Nossa Senhora da Assunção

 

Área:


13,29 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):


O principal acesso continua a ser via Outeiro Seco pela E.M. 506, mas tudo é relativo e depende do local onde se encontre em Chaves, pois se estiver por redondezas da Fonte do Leite, do Seara ou do Casino, o melhor mesmo (enquanto não houver portagens) é apanhar a A24 no nó de Chaves e em direcção a Espanha sair no nó de Outeiro Seco. A partir de aí, volta-se à E.M. 206, depois é seguir em frente que uns quilómetros à frente lá há-de aparecer Vilela Seca. Para quem vem de fora pela A24, é seguir a segunda alternativa, ou seja, deixam o nó de Chaves para trás e saem no seguinte.

 

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Aldeias da freguesia:


Vilela Seca é a única aldeia da freguesia.

 

 

População Residente:


Em 1900 – 640 hab.

Em 1920 – 640 hab.

Em 1940 – 726 hab.

Em 1960 – 876 hab.

Em 1981 – 489 hab.

Em 2001 – 323 hab.

 

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Os números em nada surpreendem, pois é a constante dos números da grande maioria das freguesias e aldeias do concelho. Como sabemos Vilela Seca é a única aldeia da freguesia, e no presente ano (os censos do próximo ano dirão se é verdade ou não) estou em crer que a população diminuiu, se calha abaixo dos 300 habitantes. Uma vez que me parece não haver vontade política ou nada se faz para contrariar o despovoamento rural, seria talvez altura de haver coragem para uma reforma administrativa, com menos freguesias mas com mais força e independência

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económica. Sei que irá ser um assunto polémico, principalmente aqui no Norte e na nossa região, pois é de sobra conhecida a rivalidade e quezílias que existem entre muitas freguesias e aldeias. Também é um assunto que entra em contradição com alguns princípios, pois para mim o ideal seria que as actuais freguesias se mantivessem, mas com um estatuto em que não dependessem dos dinheiros e obras de caridade do seu município, mas já sabemos que economicamente e até administrativamente tal não é possível, pelo menos com a tendência actual de diminuição da população rural, mas, a bem das próprias aldeias e freguesias, querem-se Juntas de Freguesia mais fortes, com mais poder e mais dinheiro e tal só será possível com uma reforma administrativa séria e isenta de compadrios e politiquices partidárias, pois começa a ser ridículo que a população de uma freguesia caiba inteirinha num dos prédios de betão da cidade, ou seja, se a moda pega ou alguém se lembra, cada prédio da cidade (pela sua população) dará direito a uma freguesia.

 

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Não entendo que as políticas dos últimos tempos em Portugal sejam as de criar mais freguesias, cidades e vilas, que embora em alguns casos até se justifiquem, na maioria foi pura diversão política. Temos bons exemplos por cá, com a nova da cidade de Valpaços e Vila de Santo Estêvão e a nova freguesia de Santa Cruz/Trindade, em que na prática, tudo continuou igual e apenas as localidades ganharam um novo estatuto, apenas isso, pois nem elas nem a região ganharam o que quer que fosse com essa promoção. Mas isto são assuntos e contas de outro rosário que deveriam ser debatidas seriamente pelos pavões de Lisboa, os de lá e os que daqui vão para lá, mas também não sei se será boa ideia, pois com os actuais pavões que temos a comandar

 

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os destinos do país, e quando falo em pavões falo em todos, os que estão no poder e na oposição, qualquer reforma que levem a efeito só poderá ser mesmo uma reforma de merda. Talvez os nossos sábios, universidades, pensadores, investigadores, cientistas e gente bem formada pudesse fazer alguma coisinha por este país, mas da maneira que as coisas vão, duvido que ainda haja gente por cá com valor (com esses valores), e os que há, pela certa estão comprometidos. Em suma, e como dizia a canção do 25 de Abril “pra melhor está bem, está bem, pra pior já basta assim…).

 

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Principal actividade:


- A agricultura que se desenvolve ao longo das terras férteis de terras de vale, agora com regadio a partir da barragem do “Rego do Milho”. Também aqui a barragem chegou tarde, pois apenas chegou quando deixou de ter gente para tratar dos campos. Mas nunca se sabe se num futuro próximo não será preciosa.

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

 

Vilela Seca é uma freguesia essencialmente agrícola. Tem como produções mais notórias o centeio e a batata mas com potencialidades para outras culturas e riquezas desde que, claro, se inverta a tendência do despovoamento e a agricultura deixe de ser um modo de subsistência para passar a um modo de vida digno e dignamente renumerado, mas para que tal aconteça, têm também de acontecer as tais políticas agrícolas, pois não será com a actual população envelhecida e jovens que são obrigados a trocar a aldeia por trabalho na cidade ou no estrangeiro, que a riqueza agrícola da freguesia se poderá impor.

 

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Diz quem sabe que Vilela é um topónimo que significa vila pequena, cuja origem remonta à romanização. O povo atribui-lhe a designação de Seca, pela escassez de água, que aparentemente, pelo menos pelo verde do pequeno vale, a escassez não seja assim tanta, principalmente agora com a barragem.

 

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Quanto a arquitectura das suas construções, no núcleo, temos de tudo, desde o tradicional das construções típicas de pedra à vista e habitações rudimentares (maioritariamente em ruínas ou desabitadas), construção também típicas de pedra e madeira a um outro pequeno conjunto de casas mais aristocráticas, mas também moribundas e desabitadas. Algumas delas situadas dentro de quintas com belas espécies florais.

 

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Claro que na periferia nasceram e crescem algumas habitações novas, o típico também em todas as aldeias, pois continua a ser mais fácil e barato, construir de novo a recuperar. Infelizmente, tal como na cidade, é assim que se vai perdendo a vida e o núcleo tradicional, pois geralmente as novas moradias são isoladas, vedadas onde se perde o espírito do convívio de vizinhança. Novos tempos e novas vidas ditam assim também o fim do salutar convívio e vida dos núcleos das aldeias, que tal como esta, viviam à volta de um largo onde se concentravam o tanque e a fonte e a igreja.

 

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Quanto a belezas e obras de arte, saliento a da entrada do cemitério onde se ergue um artístico cruzeiro barroco datado de 1779, cuja cruz mostra numa face Cristo Crucificado e na outra a Senhora da Piedade. Diz-se que o escultor foi o mesmo que esculpiu o bonito cruzeiro de Tamaguelos, aldeia espanhola vizinha e acredito que sim, pois o cruzeiro segue todas as características dos cruzeiros galegos.

 

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Possui uma Igreja antiga de devoção à Senhora da Assunção, encravada entre o casario e abandonada, também a meter dó. Disse-me uma simpática senhora que antigamente a igreja era pequena para os fiéis e o padre empenhou-se na construção de uma maior.

 

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Agora que têm uma igreja grande, não têm gente para a encher. Embora a nova igreja não seja de desprezar e a sua torre até marca presença, é pena que a antiga igreja fosse abandonada e desprezada, pois poderia perfeitamente ter mantido a sua dignidade, pois é bem interessante, tirando uma intervenção menos feliz na torre sineira, mas continua a ostentar um lindo relógio, que (claro) já há muito deixou de conhecer as voltas dos ponteiros, mas que segundo apurei, ainda insiste em bater as horas. Temos pena que em vez de uma interessante igreja mesmo no centro da aldeia se tenha um casebre (pois não passa disso) abandonado e com mau aspecto, mas também quanto apurei, não por vontade da aldeia (que até gostava dela recuperada) mas por vontade da própria igreja, pois sendo sua propriedade, a mantém desprezada, tal como assim, despreza o sue passado e história.

 

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Quanto a gente ilustre, dizem-me ser a terra do major Luís Borges Júnior, personagem que eu já referi no Blog Cambedo Maquis e que aquando dos acontecimentos do Cambedo, Luís Borges Júnior era Presidente da Câmara de Chaves, um homem do sistema salazarista e que segundo consta, levava o sistema a peito e também muito contribuiu para o desenrolar dos vergonhosos acontecimentos da aldeia vizinha do Cambedo… Luís Borges Junior que é pai também de um ilustre historiador José Guilherme Calvão Borges, há pouco falecido e autor do «Tombo Heráldico do Noroeste Transmontano» onde se descrevem as famílias e castas flavienses e da região a partir das respectivas pedras de armas. Autor e livro ao qual este blog recorre sempre que traz aqui famílias e pedras de armas.

 

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Quanto à história mais remota, vários historiadores apontam para a existência de habitantes proto-históricos. O próprio topónimo “Vilela” (diminutivo de “vila”) está pela certa relacionado com uma propriedade rústica de origem tardo-romana ou alti-romana também pela certa resultante do processo de romanização do local e da região.

 

Certezas tem-se quanto à sua integração no concelho de Ervededo, um couto de origens pré-nacionais e apenas passando a integrar o actual concelho de Chaves no ano de 1853.

 

A Paróquia de Santa Maria(depois de N.Srª da Assunção) de Vilela Seca já aparece  no conhecido arrolamento de 1320, incluindo-se então na chamada “Terra da Frieira” que curiosamente, a designação parece ter desaparecido sem deixar descendentes toponímicos.

 

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Eclesiasticamente  falando esteve ligada à mitra de Braga, sendo nos finais de XVII um curato daquela. Nos meados da centúria seguinte seria já uma vigaria da apresentação do abade de Vilarelho (aldeia e freguesia vizinha).

 

Se a história também contribui para a riqueza e interesse da aldeia e freguesia, o seu principal património actual é sem duvida o seu casario tradicional (embora muito degradado) mas sobretudo as suas potencialidades naturais e paisagísticas que merecem sempre um olhar, privilegiando um o olhar a nascente de Vale de Asnos e o Campo das Folecras. Se possuir um todo o terreno, não deixe de apreciar a aldeia e o seu vale desde a o local onde construíram a barragem do Regos do Milho. Daí, além da aldeia e a frescura do verde que quase parece servir-lhe de tapete, pode-se ao longe observar a imponência da Serra do Brunheiro e o Castelo de Monforte.

 

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E por hoje vai sendo tudo, muito mais tarde que o habitual, mas a cumprir mais uma aldeia e freguesia, que, em imagem, ainda poderá passar novamente por aqui.

 

Mais logo, pela manhã, cá teremos a já habitual crónica de João Madureira com “Quem conta um ponto…”

 

Para ver o último post dedicado a Vilela Seca, poderá seguir o link:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/223015.html , embora tal como lhe disse atrás, este seja uma segunda edição desse post, corrigido e aumentado com a função também, de servir como mosaico da freguesia.

 

 

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