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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

20.04.11 | Fer.Ribeiro

 

 

 

Ao passar recentemente pela travessa da Trindade vi afixado um cartaz que anunciava a realização de um Auto da Paixão em Vilarandelo. De imediato veio-me à memória várias freguesias do concelho de Chaves, onde este evento se efectuava, com apreciável afluência de público que se deslocava de grandes distâncias e até de notáveis personalidades das letras que vinham presenciar in loco a representação da Paixão de Cristo, por simples aldeãos, a maior parte sem “grandes luzes”, no entanto pela tradição, alguns dos personagens eram representados há dezenas ou centenas de anos por pessoas da mesma família, assim como se transmitia por gerações e na mesma família o ensaiador que conservava religiosamente umas folhas de papel nos quais se registavam os diálogos do auto, também conhecido por Auto da Primavera.

 

               

Desconheço se as pessoas conhecem que um dos mais famosos cineastas do País, e patriarca do cinema em Portugal, refiro-me a Manuel de Oliveira, teve o primeiro reconhecimento internacional com um prémio no Festival de Veneza, precisamente com a filmagem do Auto da Primavera, feito em Curalha e representado por alguns dos seus habitantes.

 

Perdoem a referência, e sem qualquer ânimo de publicidade, mas as vestimentas pertenciam à Agência Esteves e não figuram nos créditos ou genérico do filme.

 

 

 

Tive muito gosto, já adolescente, de ajudar a vestir alguns personagens femininos, como a Verónica, escolhida  naturalmente pela qualidade de voz e que na maior parte das vezes coincidia com a minha idade e com uma beleza campestre, a que era difícil resistir, tanto mais que eram elas a solicitar mais uma prega em locais extremamente sensíveis … na maior parte das vezes aproveitava-me das dificuldades de fixar o alfinete, para efectuar várias tentativas, a que elas nunca reclamaram e pareciam deliciadas, o que me valeu alguns esgares dos namorados, também personagens, como a prometerem que no final do auto o crucificado seria eu … mas felizmente nunca tive problemas!

 

Falar dos autos é falar das procissões que antes se organizavam, à semelhança de outras localidades.

No meu tempo creio que usei todas as fardas, desde anjo até Cristo, com uma cabeleira que me provocou tamanha exacerbação, que estive a ponto de pendurá-la na cruz e seguir de cabelo descoberto.

 

Melhor sorte teve o meu irmão que, pelos vistos, apenas servia para soldado romano!

 

Também, pela única vez, na festa de Vila Verde, que fez de São João, não só deixou fugir o cordeiro, como por pouco fica com o cu ao léu, na tentativa de recuperar o ovino rebelde!

 

Mário Esteves

 

 

 

 

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