Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas
Dos Santos santos
Querem espalhar-se pela cidade preencher os locais de passagem e fazer-se notar, nascem da algazarra numa mistura agridoce de nostálgico transbordar de flores aos vivos nas memórias e do impingir de géneros e sabores consumíveis aos adeptos de feirar em multidões animadas.
Regressam todos os anos com as tendas de rua e os visitantes que juntam e fazem reencontros entre raças e até oriundos de diferentes continentes juntam culturas de vendas a uns compradores pechincheiros, ávidos pela aquisição de utilidades a preços inúteis.
A musicalidade vem do eco da alegria contagiante da multidão, das farturas ,que com pouco enchem, das vozes dos altifalantes dos divertimentos ,da publicidade vocal aos preços da chuva que tornam o produto tão santo de pecador a ser vendido por força das circunstâncias às vezes agasalho outras mono. Há meias às resmas e tendinhas de sorteios para ajudar as associações a repor fundo maneios para despesas…
Há pedidos de clemência tanto a um S.Pedro compadecido não deixe chorar as nuvens, ou por outra aborrecido e nos seus arrufos as faça pingar de vez para se venderem os chuços.
E os abraços de amigos que não se viam há anos recordam vivências tiradas a copos. Raparigas e rapazes contentes calcorreiam com destreza as ruas cheias de gente sem lembrar os conselhos nem se cansam, e correm ao que anseiam os seus convívios intensos.
Ainda há alguns xailes e bengalas Pessoas que vêm lá da aldeia mais a monte a mais uma festa anual que faz jus a romaria onde todos os Santos dão sorte, é tradição.
Já os comércios da terra, aos Santos, pedem cooperação para se lembrarem deles, que não sendo visita gostam de ser visitados decorando os seus espaços e coleções à disposição de quem queira oferecer ou oferecer-se os santos, esperando que não lhes façam vista grossa na hora de comprar ávidos por vender para sobreviver .
Há os que sem ser santos vêm aos santos, os não digam que não sabiam, ou os eu bem que avisei,de modo que acautelem os rosários por se acaso, para ir aos santos sem aborrecimentos
Este ano mais uma vez se pede aos Santos mãos largas… Difícil em horizontes estreitos,mas Santos são santos …
Quem sabe não somos todos ,então vamos aos Santos?
Bons santos a todos
Isabel Seixas






