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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Mai12

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Quando se fala em flavienses que se destacaram no futebol, inevitavelmente, surge o nome de Pavão, Fernando Pascoal das Neves de baptismo. O apodo veio-lhe pela forma como fintava os adversários, de braços abertos.


A morte trágica, em pleno jogo, na jornada treze e aos treze minutos, no então Estádio das Antas, frente ao Vitória de Setúbal, orientado por José Maria Pedroto, o mesmo, que, apesar da sua juventude, o elevara à categoria de capitão da equipa de seniores do Futebol Clube do Porto, onde se estreou com dezoito anos, furta-lhe na maior parte das vezes, perante a magna comoção que o seu inesperado e dramático falecimento causou, o reconhecimento de uma carreira promissora, que já contava com várias internacionalizações, nas categorias de juniores, esperanças e na selecção A, e ainda uma vitória na Taça de Portugal, precisamente, perante o clube que defrontava no fatídico dia 16 de Dezembro de 1973.


Tive o privilégio de ver um dos seus últimos jogos, no Estádio Municipal de Coimbra, contra a Associação Académica de Coimbra.

 

 

(http://clubedecoleccionadoresdegaia.blogspot.pt)


Não era minha intenção evocar a figura de Pavão, no entanto, a sua dimensão no futebol nacional e no Futebol Clube do Porto, no qual chegou a ser incontestável ídolo, dificilmente poderia ser contornada.


A conquista do”bicampeonato” pelo FCP, impeliu-me a outras páginas da história, onde encontrei outro ilustre flaviense, que, aliás cheguei a conhecer pessoalmente, pois, a cunhada, Sarinha, e a esposa, eram amigas e da mesma geração da minha tia Estrelita.


Morou nos últimos tempos, na Travessa do Postigo, regressado de Moçambique.


Manuel do Anjos, mais conhecido por “Pocas”, nasceu em Chaves, no ano de 1914.

 

 

Aos vinte e um anos ingressou no Futebol Clube do Porto e pode-se dizer, que foi chegar e beijar o santo, por que venceu um Campeonato de Portugal (1936/1937).

 

 

Da esquerda para a direita, em cima: Manuel dos Anjos (Poças), Carlos Pereira, Francisco Ferreira, Ernesto Santos, Vianinha, Soares dos Reis e Gutkas (treinador); Em baixo: Lopes Carneiro, António Santos, Reboredo, Pinga e Carlos Nunes. (http://dragaopentacampeao.blogspot.pt)


E depois de alterada esta competição para Campeonato Nacional, foi campeão por duas vezes consecutivas (1938/1939 e 1939/1940).

 

 

Da esquerda para a direita de joelhos: Castro II, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Pinga e Carlos Nunes; De pé: Miguel Siska (treinador), Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Manuel dos Anjos (Pocas), Carlos Pereira, António Batista, Reboredo, rosado e o massagista Francisco Gonçalves.

 

 

Da esquerda para a direita de joelhos: António Santos, Pereira, Gomes da Costa, Andrasik e Pinga. De pé: Miguel Siska (treinador), Petrak, Carlos Pereira, Kordnya, Manuel dos Anjos (Pocas), António Batista, Guilhar e o massagista Francisco Gonçalves. (http://advalecambrense.blogspot.pt)

 

Chegou a internacional, num jogo disputado entre as selecções de Espanha e Portugal, em Bilbao, no ano de 1941, com resultado adverso às cores nacionais (1-5), sendo suplente utilizado.


A crítica desportiva da época assinalava-o como jogador de técnica “apuradíssima” e excelente no jogo “aéreo” e formando parte de um “brilhante trio centro-campista”, com grande contribuição na conquista do bicampeonato (1938/39 e 1939/40).


Homenageado pelo FCP, regressou posteriormente a Chaves, onde jogou no Flávia Sport Clube e após a fusão deste clube com o Clube Atlético Flaviense, dando origem ao actual Grupo Desportivo de Chaves, defendeu-se a sua inclusão como jogador ou técnico, nas suas primeiras equipas, como sucedeu com outro protagonista desta crónica mais à frente.



Manuel dos Anjos (Pocas) é o primeiro a contar da esquerda para a direita, no fundo da imagem.


 (Foto Bilus)



Como treinador, exerceu larga actividade na Beira, em Moçambique, para onde entretanto se deslocara, nomeadamente no Clube Ferroviário daquela cidade.


A Académica venceu a Taça de Portugal na época finda e conquistou pela segunda vez este troféu, de boas recordações para o Desportivo de Chaves.


Quando fui para Coimbra, algumas vezes assisti a treinos da Académica no Campo de futebol do Arnado, a paredes-meias com o Jardim da Sereia e próximo da Praça da República.


Desconheço se ainda existe, porém, logo na primeira vez que lá fui, chamou-me a atenção uma placa comemorativa na parede de frente dos balneários, onde entre os nomes dos jogadores da Académica que tinham vencido a primeira Taça de Portugal, figurava o nome de Peseta.

 

 

 

Peseta é o quinto a contar da esquerda para a direita e de pé. (http://casaacademicaemlx.blogspot.pt)


Ora eu conhecia um Peseta, que jogara futebol em Chaves, no Flávia S. C. e foi treinador do GDC, nas suas primeiras épocas de vida (1949/50 e 1950/51).


Seria o mesmo?


Perguntei ao meu pai e de facto era a mesma pessoa.



Peseta é o segundo da esquerda para a direita, de joelhos, entre o Flávio e o meu pai.


(Fotografia propriedade do autor)


A terminar um fragmento da última página do semanário: Ecos de Chaves, Ano II - N.º 87, Novembro 27-1949; artigo assinado por Zé do Peão, onde se fazem referências a Manuel do Anjos (Pocas) e ao Peseta, entre outros, sobre quem deveria fazer parte da equipa do Desportivo de Chaves, nos seus começos.


Com a devida vénia …


(Arquivo do autor)


E fico-me por aqui, de campeões estamos conversados… e de Chaves.

 

Mário Esteves

 

 

   

 

 

 

 

 

 

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