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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Jan13

Semana do Arrabalde - 6


AS TERMAS ROMANAS

 

 

Em 11 de Agosto de 2006

 

 

No início desta semana do Largo do Arrabalde já deixámos um pouco da sua história ao longo dos anos. Durante toda a semana fomos deixando por aqui o Largo do Arrabalde ao longo dos últimos anos do século XIX e século XX. Deixámos imagens do Largo do Arrabalde quando foi conhecido por outros topónimos, como o de Praça Rui e Garcia Lopes(1915), Largo Dr. António Granjo (1923) e Largo Monsenhor Alves da Cunha (1947). Mas tal com Firmino Aires afirmava na Toponímia Flaviense, o povo quis que fosse Largo do Arrabalde e aasim o é hoje em dia.



Em 11 de Agosto de 2006


Pois hoje entramos nas imagens do Século XXI, precisamente com o que de mais importante se passou por lá e que viria a ditar um futuro bem diferente para este largo. A história deste acontecimento resume-se em poucas palavras.


Em 11 de Agosto de 2006


O anterior executivo camarário (socialista) tinha previsto um estacionamento subterrâneo para o então Jardim das Freiras. Fez-se o projecto, destrui-se o jardim, fizeram-se as escavações arqueológicas, adjudicou-se a obra e quando estava para iniciar as obras, o executivo socialista perdeu as eleições autárquicas (2001) a favor do PSD. Não sei porque razão, nem interessa para o caso, o novo executivo abandonou o estacionamento subterrâneo das Freiras e desloca-o para o Largo do Arrabalde, mais propriamente para a praça que se localizava em frente ao Palácio da Justiça.


Em 31 de Janeiro de 2007


Já se sabe que em Chaves quando se abre um buraco no Centro Histórico, graças ao nosso passado romano, são obrigatórias escavações arqueológicas, assim, sempre que há um projecto para o Centro Histórico são necessárias sondagens para saber o que há no subsolo e,  no caso de ser encontrar qualquer coisa de interesse arqueológico, ter-se-á de proceder a escavações arqueológicas antes de qualquer obra.  


Em 8 de Setembro de 2007


Já se tinha conhecimento que por tinha existido o Baluarte da Vedoria das muralhas seiscentistas, mas sendo Chaves uma cidade que foi povoada pelos romanos, era natural que por lá se encontrassem vestígios dessa época.


Em 26 de Setembro de 2007


Em 2004, com a finalidade de avaliar o impacte sobre o património arqueológico do projecto de construção do parque de estacionamento subterrâneo a Câmara Municipal procedeu à abertura de três sondagens arqueológicas. Na segunda das sondagens previstas foi encontrado um pavimento em lajeado granítico de aparelho muito perfeito e datação romana, que indiciava a presença no local de estruturas monumentais bem conservadas desta época. Dado que nascia água quente no canto da sondagem, pôs-se desde logo a hipótese de se tratarem das termas romanas da cidade. Estes vestígios, caso se confirmasse a existência das termas romanas, inviabilizariam a construção do parque de estacionamento previsto e, assim aconteceu, pois as escavações arqueológicas iniciadas em 2006 viriam a por a descoberto, primeiro parte do Baluarte da Vedoria e por baixo destas as tais termas romanas que por uma qualquer razão desconhecida ruíram um dia mantendo-se no entanto as ruínas quase na íntegra, incluindo a cobertura.


Em 11 de Abril de 2008


Removidos os derrubes da cobertura e as camadas de argamassas e areias de construção que lhe estavam associadas, a equipe de arqueologia da Câmara Municipal chefiada pelo Arqueólogo Dr. Sérgio Carneiro, que segundo o relatório de candidatura a Monumento Nacional das Termas Romanas  “verificou-se que as lamas subjacentes tinham conservado em ambiente húmido anaeróbico todos os metais e matéria orgânica em condições de conservação excepcionais, proporcionando um espólio de peças únicas de grande valor cientifico. De entre essas peças destaca-se um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landsmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto), um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior, vários pentes em madeira, uma turquês em ferro perfeitamente conservada, uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior, uma taça baixa em madeira, diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina, etc.”


Em 11 de abril de 2008


Quanto à termas romanas e edifício termal encontrado no Arrabalde, já em tempo oportuno deixámos aqui uma reportagem que pode ser vista aqui:

http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html


 

Em 6 de junho de 2008

 

No entanto o mencionado relatório acrescenta ainda:Tal como as restantes cidades romanas com o elemento Aquae no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania (VELASCO 2004), Aquae Flaviae era uma verdadeira estância termal no período romano, o balneário, que constituiria o núcleo definidor do aglomerado urbano, deveria ocupar uma grande parte da área total da cidade. Tratavam-se de termas de tipo terapêutico, muito diferentes tanto em forma como em função das termas higiénicas comuns a todas as cidades romanas. Eram vocacionadas para o tratamento de doenças e este facto, junto com o de estarem, seguramente, associadas a um centro de culto dedicado à divindade que se julgava propiciar os efeitos benéficos das suas águas, atraíam gente de diversos lugares, por vezes bem distantes.”


Em 31 de Agosto de 2008


E continua “Tendo em conta as informações de que, durante as obras de construção do Cine Teatro de Chaves, em 1964, distante cerca de 200 m. do local das presentes escavações, apareceram tanques e canalizações em tudo semelhantes às agora descobertas, bem como o número e capacidade das condutas de escoamento das águas, o complexo termal ocuparia cerca de um terço da área urbana da cidade romana, e teria uma volumetria só comparável, em contextos provinciais, à de Aquae Sulis, na Britania, (actual Bath, Inglaterra), classificada como Património da Humanidade pela UNESCO em 1987 (http://whc.unesco.org/en/list/428/documents/).”


Em 27 de setembro de 2008


Na área escavada até ao momento foi descoberta uma piscina de grandes dimensões (13,22 x 7,98 m.) com cinco degraus no seu topo Norte, uma outra apenas parcialmente escavada mas da qual um dos lados deverá ter cerca de 8 m., com seis degraus a toda a volta,  um tanque pequeno, possivelmente para banhos individuais.


Em 16 de Outubro de 2008


Toda a estrutura termal era composta complexo sistema de condutas de entrada e saída das águas que ainda correm com uma elevada temperatura e um caudal considerável que ainda continua a encher as piscinas. Segundo o mesmo relatório “A cobertura da área central, incluíndo a piscina A e a área de acesso a esta, era composta por uma grande abóbada de canhão em opus laetericium revestida a opus signinum. Algumas das condutas seriam também cobertas por telhados em tegulae e imbrex.O sistema de condutas de escoamento das águas sofreu alterações ao longo da utilização do balneário, tendo algumas condutas sido tapadas e novas derivações construídas.


Em 16 de Outubro de 2008


Quanto à cronologia do edifício, apenas podemos referir, de momento, que o seu abandono se terá dado, como indicam os materiais selados pelos derrubes associados ao colapso da abóbada de cobertura, no último quartel do séc. IV d.C. Não tendo ainda sido escavados os níveis correspondentes ao enchimento das valas de fundação de nenhuma das estruturas do complexo termal, não dispomos de elementos que nos permitam avançar para a datação da construção ou remodelações que este terá sofrido.


Em 16 de outubro de 2008


Ainda que existam indícios de outros balneários romanos de tipo terapêutico no actual território português (Termas da Fadagosa, Marvão; Caldas de Visela, Braga; Caldas de Canavezes, Marco de Canavezes; Caldas de Monchique; Nossa Senhora dos Banhos, Anadia, etc.) apenas subsistem as ruínas de dois: as Termas de S. Vicente, em Penafiel, em vias de classificação com despacho de abertura de 14 de Julho de 1999 e as de S. Pedro do Sul, Monumento Nacional pelo 28 536, DG 66, de 22-03-1938, sendo que nenhum dos dois se pode comparar em monumentalidade, estado de conservação e espólio com o conjunto em apreço.”


Em 15 de abril de 2009


Apreço que passados dois anos de ter sido feito o pedido de classificação das Termas Romanas como Monumento Nacional, o Governo aprovou por Decreto no passado 6 de dezembro de 2012, passando Chaves a ter mais um Monumento Nacional de origem romana, bem juntinho a um outro que nós conhecemos desde sempre – a Ponte Romana.


Em 4 de Março de 2010


Segundo notícias publicadas na “Voz de Chaves” (http://diarioatual.com/?p=78241) “Dentro de uma década, as Termas Romanas de Chaves poderão vir mesmo a ser classificadas Património Mundial da UNESCO, pois já há estudos preliminares a decorrer. “Possivelmente [o monumento] será integrado numa rede de balneários termais romanos de toda a Europa. Em Inglaterra já existe um que está classificado como património mundial e o caminho será talvez o alargamento dessa classificação a Chaves e demais balneários termais romanos”, confirmou o arqueólogo Sérgio Carneiro.”


Em 22 de março de 2010

 

As imagens que aqui fica foram sendo tomadas ao longo das escavações do Arrabalde e ficam por ordem cronológica com a respectiva data.


 

Em 11 de outubro de 2010

 


Amanhã concluímos esta semana do Arrabalde com mais imagens, apenas imagens, pois isto de deixar por aqui informação mais valiosa não pode acontecer todos os dias.


Em 21 de Abril de 2012


Até amanhã com o rematar da semana do Arrabalde, entretanto ainda viermos outra vez por aqui ainda hoje.



Em 29 de Abril de 2012


Para quem quiser ver a anterior reportagem sobre as “Termas Romanas”, deixo aqui de novo o link onde há mais informações sobre as mesmas:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html

 

 

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