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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Abr13

Dom Afonso regressa a Chaves

Os restos mortais e túmulo de Dom Afonso regressam a Chaves após nos terem sido roubados há 71 anos atrás.



Todos os flavienses conhecem a estátua que está em frente ao edifício da Câmara Municipal de Dom Afonso, I Duque de Bragança e 8º Conde de Barcelos. Temos cá a estátua, mas não tínhamos os seus restos mortais e túmulo, mas vamos à história.

 

Reza a história que certo dia, D. João I, pai de D.Afonso, volta-se para D. Nuno Álvares Pereira, propondo que a sua filha D.Brites, casasse com seu filho D. Duarte, então, com oito anos apenas. Contrapõe D. Nuno que a sua filha era mais razoável casar com o seu filho mais velho, D. Afonso, então com 29 anos, com a condição de que este fosse perfilhado. Consentiu El Rey, tendo assinado a carta de perfilhação em 20-10-1401.


Por seu lado D. Nuno doou a sua filha todas as terras a Norte do rio Douro. O casamento efetuou-se em Lisboa em 8-11-1401, tendo assistido El-Rei e o condestável.


Terminados os festejos do casamento, o jovem casal escolheu para a sua residência a velha vila de Chaves, onde nasceram os seus três filhos: D. Isabel, D.Afonso e D. Fernando.


 D. Brites acabaria por falecer em 1412 e D. Afonso retirou-se para Barcelos, depois de já ter começado a construção dos seus Paços em Chaves em 1410 ficando concluídos em 1446.



 D. João I, receando uma invasão castelhana em 1419, já depois do tratado de paz com Castela, encarregou seu filho, o Conde D. Afonso, de ir para Bragança, a fim de impedir os invasores e defender o Reino.

Em 1442 é fundada a Casa de Bragança, cujo primeiro representante era D. Afonso, filho legitimado do Rei D. João I, 8.º Conde de Barcelos e, a partir deste momento, 1.º Duque de Bragança.

S. Teria sido por esta época, após 1442, que D. Afonso quis educar e disciplinar o povo, fundando a Confraria da Nobre Cavalaria de Santiago, em Bragança e Confraria da Nobre Cavalaria de S. João Baptista, em Chaves. Viveu D. Afonso as suas últimas décadas na vila de Chaves. A sua vida teve termo, em dia desconhecido do mês de Dezembro de 1461. Certamente que todas as igrejas do velho burgo, doridamente, tocaram a finados pelo desaparecimento daquele flaviense adotivo e protetor da Vila.


Viveo noventa e hum annos, foi fepultado em fepultura raza na Capella maior da Igreja Matriz da dita Villa, e dalli foi transladado para o noffo Convento da Veiga, fendo ainda de Clauftraes, e colocado em nobre maufoleo na Capella maior da Igreja á parte do Evangelho; e quando viemos para o fítio, onde hoje eftamos, trouxemos os feus offos com o mefmo maufoleo para o Convento novo (de N.ª S.ª do Rosário ou S. Francisco).


Santiago, Dr. Francisco de – Chr sa Santa Prov. Nª Sª da Soledade




Porém, os restos mortais de D. Afonso não ficaram por aqui. Passados que foram quase cinco séculos, no dia 26-9-1942, com um modesto acompanhamento eclesiástico, saiu de Chaves a veneranda relíquia histórica, sem outra homenagem que não fosse uma simples formatura em alas, realizada por soldados do Regimento de Cavalaria n.º 6, às ordens do Capitão Manuel da Assunção Figueiredo, e uma marcha de continência, em que os clarins sentidamente evocaram a memória dos cavaleiros da Idade Média. Desde então repousa o velho túmulo no Panteão dos Primeiros Duques de Bragança, na Igreja de Santo Agostinho, em Vila Viçosa.



à esquerda os Paços do Duque de Bragança, ao fundo (em frente à Câmara) a sua estátua


Engraçado que ainda ontem falava por aqui dos roubos que Chaves tem sido vítima, pois este, o dos restos mortais e do túmulo de D.Afonso, foi um dos grandes roubos, pela calada, pelo que se deduz num pequeno artigo de jornal publicado na imprensa local da época:

 

Mas eis que o tempo acaba por fazer justiça e vamos ter os restos mortais e o túmulo de D.Afonso de volta ao Forte de S.Francisco, prevendo-se que a transladação se faça durante o mês de junho para tudo estar a postos para no dia 8 de julho, por altura das festas da cidade, onde com cerimónia religiosa com a presença do Bispo de Vila Real se celebrará o regresso de D. Afonso ao local de onde nunca deveria ter saído. Ironia do destino, o Duque regressa a Chaves no dia em que Chaves celebra uma vitória da República sobre a Monarquia.

 

Igreja do Forte de S.Francisco para onde regressará o túmulo do Duque

 

A história deste regresso conta-se em meia dúzia de palavras.


Como sabem o Forte de S.Francisco Hotel mudou de mãos há uns tempo atrás. O novo proprietário, homem de negócios, conhecendo a história do túmulo do Duque viu logo com bons olhos de mais-valias o regresso do túmulo ao Forte de S.Francisco. É também sabido que em Chaves existe uma célula importante de adeptos da monarquia  (antigos descendentes de títulos monárquicos, sendo os mais conhecidos os da família Pizarro). Ora acontece que um desses descendentes da monarquia é amigo íntimo e há até quem diga ser o braço direito do Vice-Presidente da Câmara de Chaves. Ora segundo apurei este íntimo do autarca desde que desempenha funções na autarquia convenceu o Vice-Presidente a encetar  negociações para a transladação do túmulo do Duque para Chaves. Tarefa que, ao que soube, não foi fácil, mas com influências muito importantes subsidiadas pelo atual proprietário do Forte de S.Francisco Hotel e a mãozinha (consta) da Opus Dei, a Casa de Bragança em Vila Viçosa cedeu devolver os restos mortais e respetivo túmulo a Chaves, ficando em seu lugar uma réplica do túmulo verdadeiro em Vila Viçosa. É caso para dizer que a justiça tarda mas não falha.


Seja como for eu congratulo-me com a vida do nosso Duque e faço questão de no dia 8 de julho estar presente nas cerimónias.


Para saber mais sobre a história do I Duque de Bragança, siga este link: I Duque de Bragança


Ainda hoje vamos ter por aqui "Quem conta um ponto..." de João Madureira




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