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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Mar19

A pertinácia da Informação

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Este sistema não presta!

 

Contava alguém, como quem diz: Era uma vez…

 

«O nosso avô gostava imenso de nós, como de resto a grande parte dos avós, fazia-nos sempre uma festa quando nos via – o que também era raro. Todos os avós, em geral, mimam os netos como se estes fossem umas criaturas fofas até qualquer idade. Mas, um dia, o meu falecido avô disse algo que me deixou, no mínimo, baralhada. Em conversa com o meu pai, acerca das tarefas agrícolas, mais concretamente sobre a falta de ajuda e como recorria a nós, as suas duas filhas, para colmatar essa falta, o meu avô disse: - As raparigas não prestam!

 

Naquele instante, julguei que o nosso amável avô estava apenas a tentar aliviar-nos da carga de tarefas que nos impediam de estudar e brincar como crianças. Enganava-me, pois na verdade o que o nosso amável e doce avô pretendia explanar era que do seu ponto de vista achava mesmo que “as raparigas não prestavam”, pois as raparigas tinham uma “utilidade limitada” a tarefas que não faziam a fortuna da casa, isto claro, se não dessem para o torto e “aparecessem em casa de barrigada[1]”! Pois, porque as raparigas eram isso mesmo, uma espécie de investimento de fundo perdido.

 

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Fotografia de Lúcia Pereira da Cunha

 

Obviamente, conservava a sua opinião em simultâneo com as “festas enormes” que nos fazia, como de resto qualquer avô que gosta das suas netas. Para que fique claro ao leitor: o avô gostava de nós, mesmo que fossemos raparigas.

 

- Até podem ser trabalhadoras, sim é verdade!- admitia ele. Mas nunca levariam para frente nem o nome nem a casa de família. Ele, ao menos tinha tido sorte, teve muitos rapazes, a não ser a minha mãe e minha tia.

 

Claro que o meu pai não concordou completamente com ele! Prova disso foi que continuou a levar-nos para fazer todas as inumeráveis tarefas no campo, na construção… contudo sempre a pedir-nos que escondêssemos a porcaria do cabelo dentro do boné e para assim termos um aspeto menos feminino.»

 

Ironia à mistura, este era um relato qualquer, em qualquer sítio.

 

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Fotografia de Lúcia Pereira da Cunha

 

Com estas e outras experiências aprende-se, mesmo que não se queira, aprende-se com a observação com a imitação, como explicam Brandura e posteriormente Miller & Dollard, todo o contexto e interação social determinam a aprendizagem.

 

“Uma vergonha!” - Dizia Bruno Vitorino acerca das sessões de esclarecimento para sensibilizar alunos de 11 anos sobre diferentes orientações sexuais. Dizia ele e diria o nosso avô! Claro que é uma vergonha e um perigo iminente, correndo-se o risco de se educar mesmo para a igualdade e para a não descriminação, ou ainda e muito pior: para uma vivência saudável da sexualidade!

 

Conseguimos construir a sociedade que queremos através da educação. Para educarmos precisamos saber que sociedade pretendemos construir. Nós sabemos que queremos uma sociedade em que se possa viver em liberdade, em paz, em solidariedade e unidos na diferença. Mas será que o regime patriarcal em que vivemos quer isso?

 

Quantas vezes ainda vamos ouvir: “As raparigas não prestam para isso.”, “Se fosses menina ias fazer ballet…”, “Aqui é melhor não contratarmos mulheres!”, “Para este posto de trabalho fica bem uma menina”… ? São estas coisas pequenas e sem importância e tantas outras que vamos repetindo todos os dias que vão construindo a sociedade.

 

Há cabeças que pensam de uma forma assustadora que sempre me faz duvidar se estão a falar a serio. Tenho sempre esta reação com racistas e o mesmo ar chocado com os e as machistas. Mas a sociedade continua a contribuir para essa reprodução de estereótipos através das escolas, através dos programas televisivos, através da própria justiça!

 

Este sistema não presta!

 

Lúcia Cunha Pereira

 

[1] Barrigada: Ficar gravida.

 

13
Mar19

Rua Luís de Viacos - Chaves - Portugal

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Nunca resisto em realçar o colorido de uma roupinha pendurada numa corda a secar, principalmente nos tempos de hoje em que as casas das nossas aldeias e do centro histórico da cidade estão cada vez mais despovoadas de pessoas. Roupinha pendurada na corda significa que há pessoas dentro das casas para a utilizar. Há quem ache uma parolice, pois eu acho castiço, dá colorido às fachadas das casas, vida, movimento. Gosto! E o resto são tretas…

 

 

12
Mar19

Cidade de Chaves - Um olhar sobre um cantinho

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Hoje fica a imagem de um cantinho da nossa cidade que dá pelo nome de Largo Caetano Ferreira, ali onde se entra para a Rua da Ordem Terceira tendo a um lado a Igreja Matriz (Igreja Grande ou de Santa Maria Maior)  e o  Museu de Arte Sacra, e do outro lado da rua,  algum casario abandonado ou em ruinas e ao fundo da rua, o edifício que foi sede da Ordem Terceira dos Franciscanos Leigos que dá origem ao topónimo. Curiosidades deste cantinho/largo, uma, a do próprio Caetano Ferreira que não se sabe bem quem foi a não ser ter vindo do Brasil, ter adquirido algumas casas então ali existentes e tê-las demolido para dar lugar a este pequeno largo, mas segundo consta, era um homem de bem, de grandes virtudes e muito dado a obras de caridade, diz-se ter morrido em cheiro de santidade. A outra curiosidade é a do Museu de Arte Sacra, que pouca arte tem, coitadinho. mas se for por lá enganado, não dê o tempo como perdido, pois no mesmo edifício, no seu interior, ou atravessando o largo, num outro edifício,  tem muita arte sacra com que se deliciar, refiro-me, claro, à Igreja Matriz e à Igreja da Misericórdia, que sem serem museus, têm muita arte, começando pelos próprios edifícios.

 

12
Mar19

Chaves D´Aurora

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  1. BODAS.

 

Ao dia das bodas de Alfredo e Alice, tudo bem simples, como Reis mandara arranjar com o padrinho da rapariga e, mais ainda, como agora tinha que ser, face aos recentes maus sucessos, o noivo, com um ar de puto choramingas, estava a parecer um miúdo que fora posto de castigo a um canto da sala. As irmãs, essas choravam mesmo, ainda que baixinho e Mamã se esforçava por esconder o pranto em seu lenço bordado que, em uma das mãos cerradas, mantinha a um canto da boca.

 

À hora em que o padre perguntou se haveria alguém a impedir o contrato sacramental, quase lhe veio a João Reis uma vontade de gritar – Pare, senhor Cura, pare! O menino Alfredo ainda é menor e não estou mais a querer emancipá-lo. – Conteve-se, porém, consciente de que, ainda que fosse Reis e não um rei, à palavra dada, não podia voltar atrás. Isto viria, por certo, converter-se em um escândalo que não seria desejável, mormente àquela altura dos acontecimentos, ainda que fossem relativamente poucos os convidados a renderem seus cumprimentos na sacristia.

 

Sem copo d’água, as poucas pessoas ali presentes limitavam-se a comentar – O Alfredinho e a noivinha, eles ainda são tão jovens! – E ora, pois, então não sabes que estão a casar assim por já terem “aberto as duches antes dos banhos eclesiais”?

 

 

Os noivos voltaram à Quinta Grão Pará apenas com os da casa e os familiares de Alice, ou seja, o padrinho Gomes, sua amásia e alguns parentes de Vidago. À casa dos Bernardes, estava a aguardá-los um almoço digno, mas sem o tradicional galo de capoeira, como era costume nas comemorações solenes. Enfim, embora um repasto bem recheado, não era mais especial dos que os servidos em qualquer domingo. Sobre isso o Gomes, apesar de atafulhado, a ponto de quase lhe estourarem os botões da braguilha da calça, teceria depois alguns maus comentários com a sua não menos obesa companheira. Soubesse ele do que antes, às secretas, João Reis ordenara a Florinda, sobre o cardápio a servir (ordens que esta não as cumpriu de todo) – Só o trivial! Para o que é, pelo que é e para quem é, bacalhau basta!

 

Quanto à Carmela, a amásia do Gomes, também lhe causou muita estranheza que, apesar de pedir, até mesmo com uma inconveniente insistência, não a deixassem nem ao menos dizer – “Como vais?” – à menina Aurora, da qual ela própria vivia a comentar – É uma cachopinha tão bela, que eu... ai, Jesus, com todo o respeito, bem pode ser comparada à Virgem de Fátima!”

 

Enfim, ao entardecer, após uma merenda com folares, queijos do Alentejo e muito vinho, os de Vidago partiram e os nubentes se recolheram a um quartinho nos fundos da Quinta, junto ao estábulo, que Florinda mandara arranjar para o casal com todo conforto, ao que não faltaram monogramas bordados nas fronhas dos travesseiros e vasos com rosas de várias cores, doadas por tia Hortênsia.

 

 Só então Mamã reparou nos amores-perfeitos que Aurita estava a plantar, no jardim.

 

Roxos, como na Quaresma.

 

 

  1. SEGREDOS D’ AURORA.

 

A ausência de Aurita, no casório do irmão, foi muito marcada pelos parentes e, em especial, pelos três únicos convidados do noivo, os mesmos que a ela ...

 

(continua)

 

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11
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Viade

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Geralmente às segundas-feiras fazemos o regresso à cidade, mas hoje, para ser diferente, apenas vamos passar pela cidade, seguimos em direção ao São Caetano, paramos lá, não para cumprir promessa, rezar ou meditar, mas para encher a garrafa de água fresca para o resto da viagem, depois seguimos em direção a Soutelinho da Raia sem entrar na aldeia, pois logo no início vamos virar à esquerda e, umas centenas de metros à frente,  entramos no concelho de Montalegre, mas antes, imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, paramos no alto,  junto ao grande penedo, para deitar um olhar sobre a Serra do Larouco, é dali, que a serra mostra toda a sua imponência e se transforma no Deus Larouco, daí, ser paragem obrigatória.

 

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Bem, poderia continuar a descrever o resto da viagem e o que iria acontecer, mas na realidade esta viagem já foi feita, e o que vai ficar por aqui é aquilo que vimos na aldeia barrosã convidada de hoje, Antigo de Viade, a última da trilogia de aldeias com o topónimo de Viade. Se calha, esta, Antigo de Viade, até deveria ter sido a primeira, mas calhou para o fim, pois primeiro fomos até Viade de Baixo, depois a Viade de Cima e hoje, sim, fica Antigo de Viade.

 

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Pois regressemos ao trajeto que fizemos até lá, um dos nossos preferidos para entrar no Barroso, e recordemos que o nosso ponte de partida é sempre a cidade de Chaves. Pois preferencialmente vamos via São Caetano, passamos por Soutelinho da Raia, entramos no concelho de Montalegre e logo na primeira aldeia, Meixide, deixamos a estrada principal que nos levaria até Montalegre, via Vilar de Perdizes, e viramos em direção a Pedrário e logo a seguir entramos em Sarraquinhos onde de novo abandonamos a estrada que também nos levaria até Montalegre para apanharmos uma outra que nos levará até Zebral, Vidoeiro e o Barracão, onde apanhamos a EN103 em direção a Braga, logo a seguir vai-nos aparecer a barragem dos Pisões (à esquerda) e depois de passarmos pela Aldeia Nova do Barroso, São Vicente, Travassos da Chã, Penedones e Parafita, ainda tendo a barragem dos Pisões por companhia, saímos da EN103 (à direita) para finalmente entrarmos em Antigo de Viade.

 

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Viramos à direita mas também à esquerda, entre a EN103 e a Barragem já há casario que pertence à aldeia, mas trata-se de casario mais recente e de certeza que não me engano, trata-se de casario que só foi construído depois da construção da barragem em meados do século passado. Mas o nosso destino é mesmo a antiga aldeia de Antigo de Viade, embora depois de a termos visitado também fomos deitar uns olhares à barragem e ao viveiro das trutas. Para melhor esclarecer este trajeto, fica o nosso habitual mapa.

 

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Quanto ao regresso a Chaves, como de costume, propomos um itinerário diferente e que poderá ser a EN103, ou seja, voltamos para trás e no Barracão em vez de tomarmos o trajeto de ida, continuamos pela EN103 até Chaves.

 

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Entremos em Antigo de Viade, que sem ter qualquer documento (para já) em que me apoiar, suponho que será a mais antiga das três aldeias que adotaram o topónimo de Viade. Pois, em geral, costumámos surpreende-nos pela positiva quando entramos pela primeira vez numa aldeia, mas desta vez, tal não aconteceu, tudo porque depois de termos passado por Viade de Baixo e Viade de Cima, só ficaríamos surpreendidos se Antigo de Viade, no que respeita a aldeia típica barrosã,  ao casaria e à envolvência não estivesse a par ou à altura das outras duas. Claro que tem as suas singularidades e é diferente das outras, mas igualmente interessante, pelo que recomendamos e merece ser visitada.

 

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Do que mais gostámos de ver em Antigo de Viade, para além do conjunto como aldeia, da verdura da sua envolvência e do espaço junto à barragem, podemos destacar a sua igreja com a torre sineira separada do edifício e localizada em frente à entrada principal, tal como vai acontecendo em outras igrejas do Barroso. Gostámos também de ter visto algumas recuperações de casario respeitando a traça original e do conjunto escola/recreio e a sua localização, já não gostámos tanto de a ver abandonada.

 

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Claro que para além do abandono da escola, também há outros pormenores que gostámos menos, tal como algumas ruínas, algumas casas abandonadas, o envelhecimento da população e, claro, a tendência ao despovoamento, ou seja, o costume nas aldeias mais pequenas e mais distantes da sede de concelho.

 

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Quanto às nossas pesquisas, no livro “Montalegre” ficámos um pouco baralhados, pois há muitas referências a Viade, simplesmente Viade, sem referir se é Viade de Cima, Viade de Baixo ou antigo de Viade. Aliás o Antigo de Viade não é referido nenhuma vez, pois a aldeia apenas aparece como Antigo, a única referência e apenas para dizer que faz parte da freguesia de Viade de Baixo, atualmente Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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No resto das pesquisas também pouco mais encontrámos. Há no entanto no Facebook dos sítios com referências da Antigo de Viade, uma página e um grupo, ficam os links:

 

https://www.facebook.com/antigo.deviade

https://www.facebook.com/groups/156309271139920/

 

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Quanto a “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

Antigo de Viade

 

Nasce do adjectivo latino ANTIQUU > ANTICO > ANTIGO, mas com idêntica significação. Sendo adjectivo há que subentender o substantivo perdido. É natural que fosse algum casal, vilar ou construção arqueológica que se desconhece qual fosse. Mantém-se o topónimo que recorda o facto.

 

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Ora assim sendo, vamos ao topónimo de Viade, que Antigo de Viade também tem:

 

VIADE

 

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

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Quanto à “Toponimia Alegre” integrada na “Toponímia de Barroso” temos em relação a Antigo de Viade:

 

Justiça do céu te caia,

De Deus te venha o castigo,

Porque te foste casar

No deserto do Antigo.

 

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 E mais esta:

 

Adeus lugar do Antigo

Tens um chafariz no meio

Onde os homens vão beber

Com a cabeçada e freio.

 

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A mais esta ainda:

 

Dizem os do Antigo:

Ao clérigo-frade

Nem por amigo

Nem por compadre

 

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Também aqui:

 

Cávado – Regavão:

 

Leirões de Lamas,

Lagartos de Fervidelas,

Conhadeiros de Bustelo,

Boleteiros de Friães,

Ladrugães, esfola-gatos mata-cães,

Manta-moura de Reigoso,

Chinos de Currais,

Porcos de Sacoselo,

Ovelhas de Pondras,

Fanhos de Travaços de Chã,

Penedos de Penedones,

Tomba-malgas de Parafita

Ó derrim pó-pó

Cabra velha arroz pró pote!

Corta-matos do Antigo,

Esfola-cabras de Viade

Arribadas de Viade de Cima,

Machuchos da Vila

Cambados de Cambeses

(…)

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade ou mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

 

11
Mar19

Quem conta um ponto...

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433 - Pérolas e Diamantes: A realidade e vice-versa

 

Há um provérbio árabe que diz: “Aquele que corre sozinho tem a certeza de chegar em primeiro.”

 

Eu costumo andar sozinho ou acompanhado por um ou outro amigo e, muitas vezes, por um livro. Costumo aprender muito com os livros. E com os amigos. E também com a cultura árabe.

 

Mas não pensem que as obras de ficção são fruto do acaso. Isso é que era bom.

 

Sabemos que “Vermelho e Negro” se inspirou no caso Antoine Berthet; que existiu uma Madame Bovary real chamada Delphine Coutier; que o Edmond Dantès verdadeiro se chamava François Picaud.

 

A ficção tende a assemelhar-se ao falso para parecer mais verdadeiro. E vice-versa. A realidade está cheia de sinais sem importância. Não se deve procurar a alegria sem aceitar o sofrimento.

 

As personagens dos livros têm, como escreveu Paul Smail, solas de vento, podem ir onde o acaso as leva.

 

A moralidade transformou-se em espetáculo em vez de ser uma virtude que se exerce. A moralidade tornou-se amoral.

 

Vivemos num mundo sem referências, onde os pais já não são pais, onde o bem e o mal estão fundidos num magma e a democracia é uma salada russa onde não se reconhece a verdade, onde todas as opiniões são válidas, onde tudo é subjetivo, onde de nada serve indignar-nos, onde ou somos todos culpados, ou todos inocentes.

 

Se reparamos bem, podemos ver que os que detêm o poder não o adquiriram pela sua coragem e muito menos pela sua virtude ou subtileza, mas antes pela sua falta de força moral, pela sua falta de cultura, pela sua desumanidade, pela sua histrionia, pela sua histeria, pela sua descarada demagogia, pelo desprezo pelos humildes e pelos longos anos de servilismo para com os grandes a quem acabaram por conquistar as suas cadeiras, as suas patifarias e as canalhices sem fim. Dir-me-ão que há exceções. Pois, até poderá haver, mas são elas as que confirmam a regra.

 

Parecem os fantasmas que povoam as paisagens de Gogol ou de Bulgakov, pois transportam consigo não a esperança, mas um espelho, e a promessa atraente da absolvição de responsabilidades.

 

Uma coisa sabemos, como escreveu László Krasznahorkai: “Quando julgamos que nos vamos libertar, na verdade estamos apenas a mudar as cadeias”.

 

Tenho de começar a fazer como John Steinbeck e testar o que escrevo com os cães. Mas primeiro vou ter de os comprar ou esperar que alguém mos ofereça. Ele tinha um chamado Angel que ficava sentado a ouvir, transmitindo ao escritor a sensação de que compreendia tudo o que havia para compreender. Já o Charley dava a entender que tentava sempre acrescentar qualquer coisa. Um dia, o seu setter ruivo roeu o manuscrito de “Ratos e Homens”. Nessa altura Steinbeck deu-se conta de que o cão devia ser um crítico literário excelente.

 

É claro que já não há escritores tão sortudos, nem cães tão amantes da literatura. Os tempos mudam. E nem sempre para melhor. Antigamente é que era.

 

O escritor americano sabia que ser alguma coisa pura requer uma arrogância que não está ao alcance de qualquer um.

 

Por vezes também a mim a escrita me parece estranha e mística. A minha poesia ressente-se disso. Já a prosa liberta-me das minhas dores verbais.

 

Claro que faço o melhor que sei e posso, mas sem me levar muito a sério. Há por aí escritores ditos importantes que passam a vida a lançar o arpão à imortalidade. Pensam-se o Capitão Ahab lutando contra Moby Dick. O mar engole-nos a todos. Coitados dos peixes.

 

A santíssima trindade da escrita assenta numa pessoa interior que especula, numa outra que critica e numa terceira que procura a síntese. Também é necessário alguma dose de pecado.

 

Steinbeck, depois de uma conversa com dois editores e um revisor, concluiu que o leitor é estúpido e incapaz de compreender ideia nenhuma; que também é tão inteligente que descobrirá qualquer tipo de erro; que não compra livros breves; que não compra livros longos; que é em parte imbecil, em parte génio e também possui uma parte de ogre; que não se tem a certeza de que sabe ler.

 

Também todos sabemos que os escritores são cruéis, conflituosos, cheios de opiniões, mal-humorados, pouco razoáveis, nervosos, depressivos, irrefletidos, tristes e irresponsáveis. E também irascíveis, mal-educados e insuportáveis. E egomaníacos. E grande parte deles nem sequer possui a decência de terem sucesso.

 

Afinal, para que raio servem?

 

João Madureira

 

 

09
Mar19

São Vicente da Raia - Chaves - Portugal

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Diz-me a experiência que não é preciso ser conhecedor de nenhuma ciência para entrarmos por terras desconhecidas para as ficar a conhecer, mas nem sempre entramos nelas e as descobrimos. Se as queremos descobrir, temos de ir com esse propósito, demorar o tempo que for necessário, não deixar escapar nenhum pormenor, por mais simples que seja e, se realmente queremos descobrir as maravilhas deste reino, mas sobretudo, nunca esquecer as palavras sábias de Torga para ver este ou qualquer outro reino maravilhoso:  “ (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. (…)”.

 

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De facto assim é. Fui pela primeira vez a terras de São Vicente da Raia há coisa de trinta e tal anos, em trabalho, num dia escuro de inverno e muita chuva, com os últimos quilómetros de estrada ainda em terra batida. No desespero de poder cumprir a minha missão fui galgando esses últimos quilómetros com a preocupação de conseguir chegar ao destino. Chuva, pavimento de terra, lama e piso escorregadio,  descidas bem inclinadas e curvas bem apertadas,  aumentavam a preocupação, que terras estas…

 

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À preocupação de lá chegar ia-me afrontando por antecipação, preocupação maior com o caminho de regresso. Se assim era a descer, a subir as coisas complicar-se-iam muito mais, mas como na altura o sangue na guelra ainda fervilhava por e numa boa aventura, que fosse o que Deus quisesse e se os outros desciam e subiam, eu também haveria de conseguir… sem mesmo reparar que ninguém tinha passado por mim, mas como bem podem reparar agora, fui e regressei, e dessa viagem apenas recordo aqueles últimos quilómetros de estrada.

 

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Durante uns anos fui por lá mais algumas vezes, não muitas, mas algumas, talvez 3, 4 vezes, sempre em trabalho, sempre à pressa, sempre com uma preocupação extra, ora do tempo dos relógios, ou falta dele, ora com a viatura que levava e que nunca era de confiança, ou outra coisa qualquer, ou seja, continuei a ir por lá com um olhar afetado, adulterado, infiel, traiçoeiro, em suma, cego, sem a tal virgindade original perante a realidade e o coração.

 

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Foram precisos passarem-se 20 anos para numa tarde de setembro,  abandonar o vale de Chaves, subir a montanha, alcançar o planalto, sem relógio, sem preocupações, apenas eu, a máquina fotográfica, um carro de confiança e a virgindade no olhar como se fosse a primeira vez, e lá fui. Primeiro desvio na estrada e passagem pela Bolideira, depois Travancas, mais um pouco e passei Argemil, terras já minhas conhecidas, e a partir de aí começo a surpreender-me, primeiro com o mar de montanhas com vistas lançadas, por um lado para terras de Vinhais e mais além, para o outro as terras da Galiza.

 

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Antes de começar a descer aquela que então era estrada de terra batidas, parei num alto, um autêntico miradouro natural. Pela primeira vez reparei como a partir de Argemil a terra era outra, mudava na cor, mudava nas formas, até o penedio era diferente, menos azul, mais sépia, era o granito a dar lugar ao xisto e tudo isto delimitado por uma muralha natural que sobe e desce encostas, mais percetível numas encostas, menos noutras, mas que o olhar virginal viam como se tivessem a grandeza das muralhas da China, e lá do alto, aos meus pés, desenhava-se uma linda estrada cheia de curvas e pequenas retas, que ora se viam ora desapareciam do olhar encobertas pelas encostas da montanha, como se de um rio se tratasse, desaguava lá ao fundo numa povoação, imediatamente antes de uma encosta descer de novo para o desconhecido, talvez, quem sabe, para outras povoações.

 

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Pasmei por ali não sei quanto tempo, deliciei-me, embriaguei-me de tanto olhar e descobrir e imaginar, mas também reflexionar em como este reino maravilhoso tão pequeno e tão igual, é tão grande e tão diferente dentro da sua identidade diferenciada. Tinha abandonado o Vale de Chaves há tão pouco tempo e estava perante outra realidade, mas, continuava eu reflexionando em como se desde o vale de Chaves tivesse tomado a direção oposta, mais ou menos à mesma distância, sentiria o mesmo, mas de uma forma distinta, porque a realidade seria outra, tão diferente do vale e tão diferente desta que tinha à minha frente, mas igualmente interessante, fascinante até, estaríamos em terras de Barroso e não aqui, perante terras de Vinhais, mas ainda com os pés assentes no concelho de Chaves.

 

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Mas vamos lá. Já sóbrios, deixemos o miradouro e desçamos a estrada até um pequeno rio que foi batizado como Rio Mousse e a partir deste, de novo começamos a subir para só parar lá no alto naquela que é a nossa aldeia de hoje, a última desta série de povoações com nome de santo, este, o São Vicente que dá nome à aldeia e sede de freguesia de São Vicente da Raia, cujo apelido bem poderia ser “das Raias”, porque são várias as raias desta freguesia, primeiro da raia com a Galiza, depois da raia com Vinhais, mas também da Raia com o Parque Natural de Montesinho e se levarmos em conta aquilo que pra trás deixei escrito, faz também raia com a tal muralha natural (que existe mesmo) a partir de onde tudo começa a ser diferente.

 

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E estamos, entramos, finalmente na aldeia de  São Vicente da Raia, que embora da raia, para além dela ainda há mais três povoações a compor a freguesia e que, igualmente fazem parte do concelho de Chaves. Refiro-me a Orjais, Aveleda e Segirei, sem esquecer o São Gonçalo,  todas elas aldeias e lugares de xisto, com ares de Vinhais e da Galiza, mas também bem próximas dos limites dos três reinos (Portugal-Galiza- Castela e Leão) a apenas 20 km, mas isto são estórias de outra História, pois hoje ficamo-nos por São Vicente da Raia, que por sinal, o santo, é mais um santo mártir e era do Sul de Espanha (Huesca).

 

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O Curioso é que nesta nova entrada na aldeia, que já aconteceu em 2006, foi mesmo como se fosse a primeira vez que ia por lá, pois a não ser o largo de entrada que também é o largo do cemitério, mais nada recordava. Foi assim uma verdadeira descoberta, iniciada pelo pequeno núcleo junto à igreja,  para depois descer e passar a estrada de acesso a Orjais, Aveleda e Segirei e entrar no outro núcleo da aldeiam que notoriamente é muito mais antigo.

 

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Diz-me também a experiência que numa primeira visita nunca vemos tudo e deixamos sempre escapar pormenores de interesse, além de haver sempre uma ou outra imagem que pede e merece um novo enquadramento, para além de outras que saem desfocadas, queimadas ou outro acidente qualquer. Assim,  só uma visita não basta para termos uma recolha de imagens que faça justiça ao todo da aldeia, daí já ter por lá passado mais vezes, não tão exaustivamente como da primeira vez, mas recolhendo sempre um ou outro pormenor, isto dentro da aldeia, pois ao nível geral, vista geral da aldeia e paisagens que a rodeiam, são sempre diferentes, conforme a época do ano, em que a luz e as cores da vegetação variam tanto, que às vezes quase parece que estamos perante paisagens completamente diferentes.

 

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Tenho alguns desses registos tomados em épocas diferentes do ano, penso que só me falta mesmo um com a paisagem vestida de branco e quase a consegui, mas dessa vez, com viatura imprópria para a neve,  sabia mesmo que se descesse, já não subiria. Deixei para outra oportunidade que espero vir a acontecer.

 

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E que dizer de São Vicente da Raia!? Pois é uma aldeia interessante em que o xisto utilizado nas construções faz a diferença em relação à maioria das aldeias do concelho de Chaves. Notoriamente construções muito antigas, hoje maioritariamente abandonadas e/ou em ruínas, algumas com inscrições curiosas,  possivelmente ligadas a uma comunidade judaica que viveu na freguesia.

 

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É uma aldeia que sofre também da maleita do despovoamento e do envelhecimento da sua população, embora exista por lá um caso de sucesso em que o processo foi invertido. Trata-se de um jovem casal em que um deles tinha origens na aldeia e que abandonou o trabalho e a sua vida do grande Porto para se fixar em São Vicente da Raia, primeiro explorando um bar da aldeia, onde serviam excelentes refeições com coisas boas da terra. Posteriormente montaram uma cozinha regional com fabrico de fumeiro,  cuja matéria prima, o porco bísaro, é de exploração própria. Sou testemunha que o que lá se fabrica é de primeira qualidade e nem vos quero descrever o requinte de um cozido à portuguesa com todos os ingredientes made in São Vicente da Raia, carnes, fumeiro, batatas, couves e vinho, penso que só mesmo o azeite é que não é de lá… ou seja, tudo do “bô e do milhor”.

 

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Aproxima-se a primavera e o verão e como o dinheiro ainda está caro para férias noutras paragens, se não conhece a freguesia de São Vicente da Raia, proponho-lhe que reserve 4 dias para conhecer a freguesia, que poderão e deverão ser alternados, pois de seguida vai ser muito cansativo. Tanto faz ser dia de semana como fim de semana, por lá não se nota muita diferença.

 

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Então os 4 dias seriam para:

 

1º dia – Conhecer as 4 aldeias da freguesia, primeiro São Vicente da Raia, depois Orjais, de seguida Aveleda e por fim Segirei. Só as aldeias, não se entusiasme com outros apelos.

2º dia – Fazer a rota do contrabando de Segirei. O trilho está indicado e inicia-se na parte galega com descida sempre junto ao riacho, com passagem pelas cascatas e a terminar ou com passagem por Segirei, pois pode continuar a caminhada até à Praia Fluvial de Segirei. Claro que este dia para andar a pé, mas se eu que não sou de caminhadas já fiz o percurso, qualquer um o faz.

3º dia – O dia completo para passar na praia fluvial de Segirei onde tem bar de apoio e grelhadores. As águas do rio junto à praia fluvial são pouco profundas e o espaço ótimo para crianças e também para pescadores.

4º dia – Descida ao São Gonçalo onde também existe um parque de lazer e pode ir a banhos, com águas também pouco profundas e ótimas para pescar.

 

Claro que para todos estes dias a máquina fotográfica é imprescindível.

 

 

08
Mar19

Vivências - Serralves

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Serralves

 

As fotografias que ilustram esta crónica são enganadoras. Não estamos no campo nem em nenhuma quinta de turismo rural. Estamos no centro do Porto, mais concretamente na Fundação de Serralves, a não mais do que uns 200 ou 300 metros da Avenida da Boavista, um espaço que eu já conheço desde os meus tempos de estudante na Invicta, no início dos anos 90, e que agora, em família, revisitamos mais uma vez.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

A Fundação de Serralves foi criada em 1989, mas a origem deste espaço remonta a 1923 quando Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, herdou a Quinta do Lordelo, uma propriedade de veraneio da família situada, na altura, nos arredores da cidade e que foi sendo ampliada com a aquisição de terrenos adjacentes, atingindo nos anos seguintes uma área de 18 hectares. Hoje, aquilo que genericamente designamos por Fundação de Serralves integra, na verdade, vários espaços distintos: a Casa de Serralves, um exemplar único da arquitetura Art Déco dos anos 30 do século passado; o Museu de Serralves, o mais importante museu de arte contemporânea em Portugal, autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira, inaugurado em 1999; e o Parque propriamente dito, com uma grande diversidade de plantas e árvores, tanto de origem autóctone como exótica, que proporciona uma oportunidade privilegiada para, em pleno centro da cidade, estar com contacto com a natureza.

 

Serralves 2.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

Optamos por comprar bilhetes apenas para a visita ao Parque, deixando o Museu para uma próxima oportunidade. Seguimos por um dos muitos caminhos possíveis, percorremos magníficos jardins harmoniosamente interligados entre si, passamos pelo lago e pela mata, até que chegamos ao grande prado, onde encontramos vários animais em liberdade e, finalmente, à horta pedagógica. Desfrutamos da beleza do local, do silêncio, da harmonia com a natureza. Pelo caminho, observamos ainda várias esculturas da Coleção da Fundação de Serralves expostas em permanência no exterior numa espécie de museu ao ar livre. É, sem dúvida, um espaço que merece ser visitado!

 

A tarde avança e ainda nos restam duas horas de viagem até casa. Iniciamos o caminho de regresso ao carro e esperamos voltar em breve.

 

Luís dos Anjos

 

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