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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Ago20

Crónicas de assim dizer

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Poderá ser…

 

 

 

A questão talvez seja a do talvez. Do que é que nos protegemos, do que é que nos defendemos e porque é que somos fracos?! Pode ser ainda outra, de quem é que nos protegemos, de quem é que nos defendemos e quando é que somos fracos?! Se a resposta for “dos outros”, é pacífico, acontece a todos, mas se a resposta for “de nós”, a coisa complica-se! Como é que alguém se pode defender e proteger de si próprio, se ainda por cima for fraco? Sim, também pode, eventualmente, ser através dos outros, mas nesse caso é preciso escolher muito bem as pessoas e o jogo está viciado desde o início! O que os outros sabem de nós, somos nós que lho damos a conhecer! Nós é que temos o filtro, nós é que decidimos o que deixamos ou não passar, se formos suficientemente fortes para isso! Talvez seja então o terceiro elemento, a fraqueza, que nos vai salvar! Mas até isto está viciado! Quem é que decide quando é que somos fracos? Em que circunstâncias? Obviamente, nas que nos convêm! E fecha-se novamente o círculo!

 

Resta, então, o quê? Encontrar alguém de confiança a quem nos possamos entregar e que decida isso por nós! Falha completamente, o que é mais do que previsível, inevitável! As pessoas são egoístas, até nem é preciso tanto, as pessoas são inteligentes e é claro que tendo uma vida disponível, outra para além da sua, vão subvertê-la aos seus interesses. Nem sequer lhes podemos levar a mal, faríamos ou não o mesmo, se estivéssemos no seu lugar? Aqui há duas hipóteses: ou o interesse dessas vidas é o mesmo e as coisas caminham para um bem-estar comum ou o interesse é diferente e há conflito. O mais frequente é que de início o interesse se pareça e que depois desapareça!

Quem é que depois disto se mete noutra? Há sempre quem se esqueça! Também há sempre quem se lembre disto tempo suficiente para segurar a sua vida nas mãos sozinho, custe o que custar, doa o que doer!

 

Surgem depois nestas pessoas de forma mais visível, acentuada e, às vezes, exuberante, atitudes ou comportamentos que nem sempre são explicáveis ou entendíveis! E que desatam a dizer, sem ninguém lhes ter perguntado nada, a vida é minha! E dizem aquilo como se nos estivessem a dar uma notícia em primeira-mão! Mais, dizem aquilo como se reclamassem por um direito que lhes é devido e que lhes foi tirado!

 

E nós ficamos a olhar para elas sem perceber nada, elaboramos um raciocínio, mais ou menos lógico, de acordo com a inteligência que temos, que em alguns casos reconheço que é brilhante, para adequar aquela situação, no mínimo, desajustada. E a palavra aqui faz sentido, des ajustada, sinónimo de o que não é justo, pois que o prefixo des, desfaz o sentido da palavra seguinte.

 

E os sentimentos, ou os efeitos de causalidade querendo ser mais racionais, não param aqui! Esta necessidade vital de readquirir a vida, não é apenas um salvamento do futuro, sinónimo de o que está para vir ou por vir, mas a tentativa, obviamente perdida, da ressurreição do que já se perdeu.

 

É claro que isto só faria algum sentido se a vida fosse uma nossa construção, mas a vida foi-nos dada sem nós termos pedido nada e isto que parece não ter importância nenhuma, é a razão de muita coisa. Tal como nos foi dada, também nós temos de a dar -e voltamos ao Gajo lá de cima que andou este tempo todo a dizer que nos tinha dado a vida quando afinal Ele só nos emprestou uma vida! E é por isso que o Gajo não aparece em parte nenhuma, com o cagaço de ser linchado em praça pública- e por isso, isto não passa de uma transmissão de bens! Ora aí está, temos de a transmitir e bem! Para além de não ser nossa, ainda é suposto que a melhoremos o mais que pudermos e soubermos, para depois a entregar de bandeja! Faz parte da convenção, também nos foi entregue assim.

 

Não é nada fácil conviver com a consciência disto, entendendo por consciência o conjunto de conhecimentos, sentimentos e emoções que temos aprendido, apreendido e adquirido ao longo dos anos e que nos mudam, transformam, moldam, desgastam, desesperam, moem, delapidam, cansam, cansam, cansam e quantas vezes matam!

 

Surgem depois nestas pessoas, de forma mais visível, acentuada e, às vezes, exuberante, atitudes ou comportamentos que nem sempre são explicáveis ou entendíveis! E que desatam a dizer, sem ninguém lhes ter perguntado nada, a vida é minha! E dizem aquilo como se nos estivessem a dar uma notícia em primeira-mão! Mais, dizem aquilo como se reclamassem por um direito que lhes é devido e que lhes foi tirado!

 

Onde é que já se viu!

 

Cristina Pizarro

 

04
Ago20

Chaves D´Aurora

Romance - Últimos Capítulos

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  1. CHAVES DA ILUSÃO.

 

A última escada, o último apito, a última esperança já lá se foram. A rapariga se agarra firme à amurada, para não cair, enquanto se põe a contemplar a terra que mais e mais se distancia. Nela ficará, para sempre e tão distante, um certo gajo com luvas cor de morcela. Aquele pelo qual tanto ansiava e que a fizera conjugar, ao mesmo tempo, os verbos amar e desamar. Aurora prosseguirá, no entanto, a carregar consigo a tentativa de esquecê-lo, como a um indesejável inquilino de algum sótão em sua memória, ou, mais apropriadamente, de um porão cada vez mais sombrio.

 

Em vão.

 

Posto que entregasse a esse rapaz muito mais do que havia de si mesma, pressente que jamais o deixará de trazer dentro de si, no mais recôndito de suas esferas pessoais. Pelo menos até que, finalmente, a imagem de Hernando Camacho se venha a definhar, diluir-se, evadir-se da sua mente insana; porque também terá chegado o tempo de seu corpo insano apagar-se, diluir-se, inexistir. Ao cabo de tudo, agora ela percebe afinal quem é o homem a quem entregara muito mais do que amor, esse alvo tão perseguido e o mais complicado de todos os sentimentos humanos, mas que, não obstante, os próprios amantes o transformam, tantas vezes, em algo efémero, banal, fugaz.

 

Um choro de criança miúda, proveniente da terceira classe do navio, alcança-lhe os ouvidos e ela percebe, então, o inteiro teor das palavras de Totonha, a velha sibila. Sílaba por sílaba, Aurora as guardara de cor, ou seja, ao coração. Lá no camarote, a dormir junto aos avós, está aquela que será sua constante companhia por todos os anos do resto de sua vida. Um serzinho em botão que a ela caberá regar com o seu desvelo e ajudar a florescer, com todo o seu amor.

 

Aos dias seguintes, no navio e nas terras do seu destino, muitos homens como o tripulante alemão, ou mesmo esse jovem que ali estivera perto dela, com sua luva cor de morcela, olharão para si, então no esplendor de sua beleza e juventude e, sem saberem dos insucessos da rapariga, estarão a lhe transmitir educados, gentis e cavalheirescos sinais de interesse amoroso. O que se haverá de saber, no entanto, por todos os que com ela vierem a conviver, é que jamais voltará a se entregar a homem nenhum.

 

 

  1. CHAVES D’ AURORA.

 

O dia, finalmente, alvorece. As chaves dessa alba, Aurora há de guardá-las consigo, para sempre. A radiosa manhã, ainda que fria, favorece a que ela veja se distanciarem, cada vez mais, os últimos recantos desse Portugal que ela tanto ama e nunca deixará de amar. Terras que serão, agora, inversamente d’além-mar (e às quais ela não sabe, mas já prenuncia, ninguém de seu clã original irá volver, jamais).

 

Murmura então a si mesma – Ah, Hernando, eu te amei entre flores de giesta, mas nem mil pontas de tojo me fariam tanto magoar! – e a olhar para as águas do mar, alcança-lhe à lembrança o canto das lavadeiras, às margens do Tâmega:

 

 

“Olhos pretos roubadores

porque vós não confessais

dos débitos que fazeis vós

dos corações que matais?”

 

F I M

 

 

 

Chaves, Portugal, 22 de março a 27 de maio de 2010.

Rio de Janeiro, Brasil: revisão final em junho de 2015.

 

 

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Lavadeira no Rio Tâmega. Chaves antiga (PT).

Postal público. Foto Alves.

 

 

FEITURA (OU “MAKING OFF”):

 

Os dados essenciais, sobre os factos que inspiraram este romance, foram-me fornecidos pela verdadeira Maria de Fátima, em Belém do Pará, pouco antes de ela vir a falecer. Era apenas um novelinho que conseguira amealhar, sobre a sua origem flaviense. Constituía, porém, o bastante para servir de fio condutor à narrativa desta saga familiar.

 

Procurei envolver os Bernardes com as tradições locais e os eventos históricos e quotidianos que eram noticiados nos jornais da região, entre 1912 e 1926, os quais se encontram disponíveis na Biblioteca Municipal de Chaves. Presumo que muitos desses episódios guardem, de uma forma ou de outra, alguma semelhança com os vividos de facto pelos protagonistas. Quanto à Belém do século XIX, os dados foram recolhidos na imprensa e na bibliografia local. Pesquisei também, outros temas, como os ciganos e suas tradições.

 

Foram numerosos os dados importados daqueles periódicos, que incorporei à história de Aurita, como se dela fizessem parte. Curioso notar que o anúncio sobre a “venda de mobiliário” foi publicado em uma data bem próxima à da partida dos Bernardes para o Brasil. Era deles, possivelmente.

 

Pessoas reais da época, citadas nos jornais, como o dentista, a pianista etc., misturam-se a personagens históricas, como António Granjo e Maria do Rasgão, e às lendário-urbanas, como a Moura da Ponte, Maria Mantela e outras. Quanto à Zefa, à Adelaide, ao primo Rodrigo e tantas criaturas mais, inclusive as que existiram de facto, como os Camacho, os Sidónio (o filho, foi o único do qual localizei o túmulo, no cemitério de Chaves), o Cazarré e Alice, foram todos desenvolvidos pela imaginação do autor, tal como a maior parte das ações e situações em que eles se envolvem, no romance. Já os Bernardes, com os quais, exceto o patriarca, cheguei a conviver, são híbridos de realidade e ficção. Fictícia, também, é Sant’Aninha de Monforte, uma síntese de várias aldeias trasmontanas.

 

No que se refere à Quinta Grão Pará, julgo tê-la reconhecido em um casarão ainda remanescente à Rua do Raio X, nº 135, ao comparar com um croqui trazido pelos Bernardes para o Brasil. Os interiores, todavia, são descritos de forma inteiramente imaginária.

 

Foram da maior importância os meses em que convivi com os habitantes da cidade, a recolher dados, linguagens e tradições locais, como a Festa de N. S. das Brotas, a Procissão do Senhor Morto, até ao Horto, em Santo Amaro, ou as viagens a aldeias próximas, à Pedra Bolideira e ao Castelo de Monforte

 

Interessante notar que as descrições do Carnaval em Chaves, conforme colhi aos jornais da época, assemelham-se às de escritores cariocas dos séculos XIX e XX, sobre o Entrudo no Rio de Janeiro. Da mesma forma, os folguedos portugueses de São João, parecem até resgatados da minha infância, em algumas cidades da Amazónia.

 

O texto sobre a lápide mortuária, que aparece no sonho de Aurora, foi tomado de empréstimo ao seu autor, Mário Fernandes Nazareth. Está esculpido no túmulo da família Bernardes, ao Cemitério de Santa Izabel, em Belém do Pará.

Por fim, um registo pessoal: certa ocasião, por volta dos anos 60, a verdadeira Florinda Bernardes, em uma casinha simples de um subúrbio belenense, ao manifestar sua imensa nostalgia de Portugal, que só a palavra saudade pode definir, olhou para mim e disse – “Quem sabe se tu, ó rapaz, que tanto aprecias viajar, não vais ter algum dia lá em Chaves?” – ao que Aldenora, ao seu lado, acrescentou – “E quem sabe se não serás tu, que tanto gostas de escrever, a contares, um dia, a nossa história?!”.

 

Rio de Janeiro, junho de 2010.

Raimundo Alberto.

 

 

POSSÍVEL LOCAL DA QUINTA GRÃO PARÁ, À RUA DO RAIO X, N° 135,

CF. CROQUIS EM PODER DO AUTOR.(Fotos comparativas):

 

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Frente e lateral direita.

 

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Lateral direita.

 

 

FONTES:

 

Ainda que se trate de uma obra de ficção, relacionarei, dentre as fontes consultadas, as que me foram de suma importância para a feitura do romance, listadas em formato livre, ou seja, fora dos padrões académico-bibliográficos:

 

  • Site / blog www.chaves.blogs.sapo.pt, de Fernando Ribeiro.

 

  • Jornais “O FLAVIENSE” e “A REGIÃO FLAVIENSE” – exemplares esparsos do período 1910-1926, na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

  • “ETNOGRAFIA TRANSMONTANA, VOL. I – CRENÇAS E TRADIÇÕES DO BARROSO e VOLUME II – O COMUNITARISMO DE BARROSO”, de António Lourenço Fontes, editados pelo autor, o primeiro em Braga, 1979 (2ª edição) e o outro em Vila Real, 1977.

 

  • “A IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR DE CHAVES”, de Francisco Gonçalves Carneiro, edição do autor, Braga, 1979.

 

  • “ESTUDOS FLAVIENSES – 1 – O CICLO DO NATAL NA REGIÃO FLAVIENSE”, com ilustrações de Nadir Afonso e textos de Francisco Gonçalves Carneiro, João da Ribeira, António Granjo, Heitor Moraes da Silva e outros, editado pela Associação Cultural dos Amigos de Chaves, em 1963.

 

  • “CIGANOS – ROM – UM POVO SEM FRONTEIRAS”, de Nelson Pires Filho, Madras Editora Ltda., São Paulo (SP), Brasil, 2005.

 

  • “A TRAJETÓRIA CIGANA”, artigo de Patrícia Terra e a reportagem “MINORIA”, publicados na revista Terceiro Mundo, Brasil, em datas não registadas pelo Autor.

 

  • “MAGIA CIGANA”, artigo de Anastácia Benvinda, no jornal O Povo Cigano, Rio de Janeiro, novembro de 2007.

 

  • “HISTÓRIA DA LOCOMOÇÃO TERRESTRE”, da coleção “A Ciência Ilustrada”, de Erik Nistche, Livraria Morais Editora, 1966.

 

  • “PARÁ, CAPITAL: BELÉM – MEMÓRIA & PESSOAS & COISAS & LOISAS DA CIDADE”, de Haroldo Maranhão, editado pela FUMBEL-Fundação Cultural do Município de Belém, Gráfica Supercores, Belém do Pará, 2000.

 

  • Reportagens sobre BELÉM ANTIGA, publicadas (em datas diversas) nos jornais belenenses O LIBERAL e A PROVÍNCIA DO PARÁ.

 

  • “GUIA VISUAL DE PORTUGAL, MADEIRA E AÇORES”, publicado pela Folha de São Paulo, Brasil (apud Dorling Kindersley Limited, Londres), em 1999.

 

  • “DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA”, versão on-line.

 

  • “DICIONÁRIO PRÁTICO ILUSTRADO LUSO-BRASILEIRO”, publicado por Lello & Irmão – Editores, Porto, 1995.

 

  • “DICIONÁRIO DE PORTUGUÊS - SCHIFAIZFAVOIRE- CRÓNICAS LUSITANAS”, de Mário Prata, Editora Globo, 1993.

 

  • Artigo sobre a “IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES EM PORTUGAL”, do sociólogo Carlos Nunes, publicado no jornal A VOZ DE CHAVES, março de 2010.

 

  • Dados sobre PORTUGAL e outros temas do romance, colhidos à ENCICLOPEDIA BRITÂNICA, Editora Encyclopediae Britannica do Brasil Publicações Ltda., 1981.

 

  • Artigos de autores diversos sobre a Pneumónica, Primeira Guerra Mundial, aparições em Fátima, os Ciganos em Portugal e outros temas abordados na obra, colhidos na Internet, via GOOGLE, WILKIPÉDIA e outros sites de busca e informação.

 

  • Pesquisas de linguagem em obras de autores clássicos e modernos – Eça de Queiroz, Miguel Torga, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Fernando Pessoa, Ferreira de Castro, José Saramago, Inês Pedrosa, Miguel Sousa Tavares, o flaviense Rogério Ribeiro Gomes e outros.

 

 

 

AGRADECIMENTOS:

 

  • Ao primo Mário Fernandes Nazareth e, em memória, à saudosa M. L., por seus informes essenciais sobre a saga dos Bernardes.

 

  • Ao poeta, escritor, ator e diretor luso-português Jorge Carlos Amaral de Oliveira (Mané do Café) pela inestimável cooperação na revisão desta obra.

 

  • A Fernando D.C. Ribeiro, pelos dados colhidos em seu blog www.chaves.blogs.sapo.pt.
  • e por me fazer conhecer, in loco, várias aldeias ao entorno de Chaves, a Pedra Bolideira e o que resta do Castelo de Monforte;

 

  • À senhora Maria Isabel Viçoso, da Galeria Antígona, em Chaves, que me cedeu os livros do admirável escritor Padre Lourenço Fontes, sobre o Barroso; ao Dr. Alfredo Carneiro, pela amável cessão das obras de seu pai Francisco Gonçalves Carneiro; ao Sr. Rogério Ribeiro Gomes, pela oferta de livros de sua autoria; e a Nazareno Tourinho, pelas obras sobre Belém antiga com as quais me obsequiou.

 

  • A todos os gentis e eficientes funcionários da Biblioteca Municipal de Chaves, nos anos de 2006 e 2010.

 

  • À Sra. Carla Sofia Simões Fernandes, do Arquivo da Universidade de Coimbra, pelos informes sobre exames de admissão à Universidade.

 

  • À Fraulein Angelika Arlander, pela foto que fez de mim, junto à estátua de Fernando Pessoa, no Chiado, em março de 2010; e ao fotógrafo Sr. Carlos, de Chaves, pela recuperação de algumas fotos de Portugal que eu julgava deletadas.

 

  • Aos senhores Ilídio, dona Ana, dona Alda e Patrícia, do Hotel Residencial 4 Estações, em Chaves, pelo apoio inestimável durante todo o processo de criação do romance; ao senhor Dinis Ponteira, que me ensinou a distinção entre urzes, giestas, tojos e outras plantas de Trás-os-Montes; ao senhor Amável (que faz jus ao nome) e família, pela acolhida em sua casa, na aldeia de São Lourenço; à dona Maria da Luz e senhor António Miranda Chaves, pelo contacto com outras aldeias do Concelho; à dona Miquelina e aos seus familiares, do Café e Restaurante Rampa; a Hugo Marceneiro e Paulinha Chaves, em seu Bar Bago, próximo à Ponte Romana, bem como a todos os demais participantes das leituras de poesias no Bago, às noites de quartas-feiras (primavera de 2010), pela boa acolhida e incentivos ao projeto do autor; a Eliana de Castela e a Fátima Guabiraba, por algumas observações revisionais.

 

  • A todos os mais, enfim, cuja valiosa colaboração, por lapsos de memória alheios à minha vontade, deixei de registar.

 

Raimundo Alberto

 

 

Nota Final do Blog Chaves

 

Termina aqui esta longa caminhada de trazer todas as terças-feiras um ou mais capítulos do romance “Chaves D`Aurora”. Sim, já lá vão 4 anos, quando no dia 12 de julho de 2016 publicámos aqui o primeiro capítulo dos 241 capítulos do romance “Chaves D`Aurora”, pouco tempo após ter lido o romance pela primeira vez. Tempo apenas para obter autorização do autor, Raimundo Alberto, para o começar a publicar. Senti então que o deveria partilhar no blog, não só porque o romance se passa em Chaves e envolve a família flaviense “Bernardes” que mesmo com alguma ficção não deixa de ser uma família e uma estória real, mas também porque com ele se faz a História da cidade de Chaves do primeiro quartel do século XX, por sinal rico em acontecimentos, desde a queda da monarquia e a implantação da República, tentativas de derrube da jovem República com a última invasão monárquica de Paiva Couceiro em Chaves, abordagem a António Granjo, a pandemia da Gripe Espanhola tão idêntica à do corona vírus que hoje atravessámos, etc, etc, etc, tudo isso e muito mais do viver em Chaves nos início do século passado. É um romance que fala de nós flavienses e em particular de uma família flaviense regressada do Brasil que aqui vivia bem e feliz,  até que um acontecimento transformou as suas vidas e a fez voltar ao Brasil, para nunca mais voltar, a não ser o autor do romance, Raimundo Alberto, descendente dessa família, que já nasceu no Brasil,  mas que veio a Chaves para sentir na primeira pessoa a cidade e os locais que os seus antepassados aqui viveram.

 

E agora é o nosso tempo de agradecer a Raimundo Alberto a gentiliza de nos permitir a publicação total do romance neste blog, mas mais ainda, por ter aceitado o nosso convite para dar continuidade a esta crónica “Chaves D’Aurora”, não com o romance, mas agora com crónicas suas sobre as suas vivências em Chaves e outras temáticas, assim o

 

Chaves D’Aurora continua na próxima terça-feira,

 

com o mesmo autor, apenas lhe mudamos o cabeçalho para marcar a diferença sobre o romance, em que deixamos a Aurora mulher, para temos as auroras dos dias de Chaves, e não só, Raimundo Alberto é que sabe, as palavras serão suas. Fica o novo cabeçalho desta crónica, precisamente com uma aurora dos dias de Chaves, com uma imagem tomada desde o alto da serra de Soutelo, com a cidade de Chaves mergulhada no nosso habitual nevoeiro, presença de tantas auroras de Chaves:

 

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Até à próxima aurora, a acontecer aqui na próxima terça-feira.

 

 

 

 

03
Ago20

Quem conta um ponto...

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502 - Pérolas e Diamantes: Os eleitos

 

Estamos sempre em estado de excitação devota relativamente aos nossos eleitos resplandecentes. Sempre gostámos de teatro. E cinema. Cada um de nós conhece, pelo menos, um eleito de prestígio. Ele costuma sorrir quando passa por nós. Em algumas circunstâncias, para por momentos e até nos dirige a palavra. A sua experiência na ribalta serve sempre para alguma coisa. A sua solidariedade é perduravelmente exclamativa. A verdade é que nos faz bem relacionarmo-nos com gente assim. Depois entregamo-nos aos nossos sonhos que começámos a sonhar logo na primeira vez que o ouvimos falar do seu programa político. Por vezes, devido a alguma falha na aplicação da suas ideias, passamos da excitação ao desapontamento. Mas é uma reação temporária, limitada no espaço e no tempo. Quando o voltamos a ouvir falar, concluímos que a sua conversa sobre o futuro ainda tem muito futuro à sua frente. O seu fato azul (ou o seu vestido lilás, no caso de ser uma senhora) evidencia sensibilidade e decoro. Até parece uma pessoa comum, com um discreto toque charmoso. No fundo, todos sabemos que são os pormenores que fazem a diferença entre ele (ou ela) e nós. No nosso fugaz relacionamento, tentamos não ceder à tentação de falarmos daquilo que não sabemos, que é quase tudo, e ouvirmos atentamente aquilo que ele (ou ela) nos diz de forma assertiva. Por vezes lá se nos escapa uma pequena tolice, mas ele (ou ela) procede como se tivesse escutado algo de relevante e põe aquela sua expressão de tolerância solidária que tanto nos seduz. Depois de gostarmos dele (ou dela), passámos ao estádio seguinte: à adoração. Quando regressamos a casa sentimo-nos mais fortes e corajosos. Sentimos até o orgulho a crescer dentro de nós como uma flor que mais tarde iremos ostentar na lapela. A verdade é que o nosso eleito (ou eleita, não vá o Diabo tecê-las) sabe sempre onde colocar, e descansar, as mãos, sabe como inclinar ligeiramente o corpo na procura da melhor pose, sabe entrar em cena e sair em bicos de pés, sempre de forma semelhante, como se o teatro sempre tivesse feito parte da sua maneira de ser. Por isso o (a) reconhecemos em qualquer lado. Em determinados contextos, o seu olhar fica um pouco turvo, perde momentaneamente o brilho, mas estamos em crer que tudo isso resulta do violento esforço da sua exposição mediática. Por vezes parece imitar, e bem, personagens de romance, ligeiramente sorridentes, mas docemente magoados. E também escreve coisas pequeninas, mas delicadas: despachos, itens, lembretes, notas e sumários. Anda sempre à procura da verdade. Por vezes é atacado por súbitas aflições. Mas rapidamente volta ao seu estado de serenidade habitual. O que não tem resolução, resolvido está. Alguns têm gases. Sim, também sofrem com isso. É do estresse. E também padecem do estômago. A verdade é que a vida de um eleito é uma confusão. Sempre a labutar, a decidir e a despachar. E a falar. E a reunir. A ir. E a vir. A verdade é que os eleitores, na maioria das circunstâncias, dizem coisas que não fazem muito sentido. A verdade é que as coisas não estão a correr bem. Bem vistas, as coisas nunca correm bem. A política é ingrata. Sempre o foi e sempre o será. Mas os eleitos (ou eleitas) são realmente gente sincera. Algumas vezes parecem pessoas esquisitas, rígidas, rabugentas e caladas, mas isso acontece porque sabem muito. E isso atormenta-os. À medida que o tempo passa, os eleitos começam a ficar melancólicos e a sua esperança, que também foi a nossa, atinge o grau de tristeza. Agora ninguém descansa. Acumulam-se as dúvidas e as perplexidades. Como Picasso teve o seu período azul, também o nosso eleito (ou eleita) desenvolve o seu período de carência. Começa a pensar na vida para além do seu serviço público. Tudo exige trabalho e dedicação, até a poesia. Apesar das adversidades e das más línguas, é sempre necessário manter a coragem e a cabeça erguida. A política manda avançar. Nela não existe segurança. Por mais corretos que eles (ou elas) sejam, o futuro nunca é inocente. E nós, já um pouco hesitantes, lá vamos andando atrás deles (ou delas) como os cegos arrastando os pés atrás da bengala vacilante. A verdade é que tanto os cegos como aqueles que veem continuam a sorrir com a mesma ternura.

 

João Madureira

 

02
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Côvelo do Monte (totalmente despovoada)

Aldeia do Barroso - Concelho de Boticas

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Sempre que partimos para o Barroso desconhecido, fazemos previamente o trabalho de casa, principalmente estudamos bem o nosso itinerário, tomamos anotações de pontos de referência e de passagem obrigatória, anotamos possíveis atalhos e fazemos contas ao tempo que necessitamos para percorrer distâncias e paragens nos locais.

 

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Mas como sempre uma coisa são os mapas e outra é a realidade,  e se para alguns locais partimos mais despreocupados, pois há sempre uma aldeia por perto e pessoas a quem perguntar no caso de estarmos enrascados com a orientação, para outros destinos mais ermos, temos mesmo de estudar bem a lição antes de sairmos de casa,  que foi o caso de Côvelo do Monte.

 

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 Na partida para Côvelo do Monte, tínhamos como referência a central do parque eólico de Casas da Serra. Sabíamos que no entroncamento onde se encontra a central, no encontro de estradas, uma delas nos levava até Alturas do Barroso e na direção contrária para Coimbró e a terceira estrada, perpendicular à primeira, nos levava até Cerdedo. Seria nesta última que bem próximo do entroncamento, deveria existir um caminho em terra batida, e ele lá estava. Fácil, bastava seguir o caminho e Côvelo do Monte lá haveria de aparecer. Fica o nosso mapa que também serve para melhor localizar a aldeia

 

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Mas o que parecia fácil depressa se complicou, pois percorridos poucos metros o caminho bifurca e passamos a ter dois caminhos. Nos nossos apontamentos apenas tínhamos um caminho, mas a escolha foi fácil, tomámos o que estava em melhores condições, pois só poderia ser esse, e lá fomos, montanha adentro, quase sempre a subir, passámos por uma eólica, depois outra, mais uma, outra ainda e finalmente a última, pois o caminho terminava aí, bem lá no alto, mas olhando em redor, nada de aparecer Côvelo do Monte, mas sabíamos que não deveria estar longe.

 

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Desde essa última eólica, 100 metros abaixo em direção a poente, passava o outro caminho pelo qual não tínhamos optado. Embora bem próximo de nós, era impossível passar para ele, pois esses 100 metros eram de uma ribanceira bem acentuada e pejada de rochas, mas agora visto dali, não havia dúvidas que seria esse o caminho para Côvelo do Monte. Seguimos-lhe visualmente o traçado até o perder de vista, mas nada de Côvelo, com ajuda da teleobjetiva da câmara fotográfica, que também nos vais servindo de monóculo, tentamos perceber o que era uma pequena mancha, de cor ligeiramente diferente que havia ao fundo no encontro das duas montanhas, et voilá, eram telhados, os telhados das casas de Côvelo do Monte. Tal como no jogo do monopólio, depois de termos caído na casa da última eólica, tivemos de voltar à casa de partida percorrer todo o outro caminho que inicialmente tínhamos desprezado.

 

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Mas felizes e contentes por finalmente termos descoberto a aldeia, e lá fomos andando e indo, devagar, devagarinho, pois o piso do caminho a isso recomendava e umas cambalhotas pela encosta da montanha abaixo, pela certa que não seriam muito agradáveis, e num de repente, o mundo caiu-nos aos pés, a nossa felicidade terminou ali, já avistávamos a aldeia quando o caminho nos foi interrompido por uma cancela fechada.

 

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Sabíamos que a aldeia estava abandonada e que casa a casa e prédio a prédio, alguém a tinha comprado para fazer dela um empreendimento turístico, que com o tempo, talvez pelos custos, ou falta de “subsílios” acabou por abandonar, e era mesmo este o verbo que ali, pasmados a olhar para a cancela, íamos conjugando. Aldeia abandonada, projeto abandonado e nós também abandonados ao destino da nossa má sorte do dia. Ainda pusemos a hipótese de saltar a vedação e fazer o que restava do trajeto a pé, mas eram 13H00, daquele dia 6 de outubro de 2017, num dia ainda quente, mesmo estando na croa da montanha e as nossas barriguinhas já pediam assistência e com uns bons quilómetros para fazer até ao restaurante mais próximo, desistimos…

 

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A paisagem por ali é do mais agreste que há, aquele agreste que eu conhecia do Barroso desde criança, muito antes de conhecer o Barroso verde genericamente conhecido no Baixo Barroso, mas lá de cima, dava para notar que lá no fundo, onde estava o que restava de Côvelo do Monte, existia uma pequeníssima veiga, verde, com algumas árvores igualmente verdes, mas em tons mais escuros. Mas a descoberta teria que ficar para mais tarde, nem que fosse a última aldeia a ir e mesmo que tivéssemos de fazer o percurso todo a pé, era aldeia à qual tínhamos de ir, era obrigatório, pois era a primeira aldeia da era atual a estar completamente abandonada, mas teria de ser noutro dia.

 

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E não demorou muito tempo a fazermos a segunda tentativa, sete meses depois, em 24 de abril de 2018, aí já com uma viatura de todo o terreno, por volta das 11h30 lá estávamos nós em frente à cancela do caminho. Desta vez acertámos no caminho à primeira tentativa e a cancela embora ainda lá estivesse, estava aberta, e desta vez é que foi… fomos até à aldeia

 

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Desde a cancela até a aldeia são cerca de 800 metros, sempre a descer na mesma terra agreste, isto,  até chegarmos a uma pequena linha de água que dava origem a uma pequena veiga, a grosso modo aí com uns 700 metros de comprimento por 100 metros de largura, e no limite, por um lado ao longo da linha de água e do outro ao longo do caminho que atravessa a aldeia, algum arvoredo que transformam o local num pequeno, lindíssimo e apetecível oásis, só que em vez de ser no meio da areia do deserto, está no meio da aridez das encostas da montanha e quase a 1000 metros de altitude.

 

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Mas de pouco vale esse oásis, pois a aldeia está totalmente despovoada, abandonada e com metade do seu casario metade em ruínas e o restante para lá caminha, mas não nos surpreendeu, pois previamente já sabíamos que a aldeia estava assim. Não fomos surpreendidos, mas começou aí aquela mescla de sentimentos que sentimos quando vemos assim as aldeias, mas até essa altura, apenas aldeias que caminham para o despovoamento total, como a aldeia vizinha de Casas da Serra, mas esta era a primeira que víamos completamente abandonada, sem vida, apenas com o casario da antiga aldeia.

 

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E lá fomos entrando na aldeia, com o tal misto de sentimentos a invadirmos, às vezes mesmo contraditórios, como o de não compreendermos como a aldeia chegou ao despovoamento total, mas por outro lado a compreender perfeitamente que tal tivesse acontecido, pois é uma aldeia quase no meio do nada, apenas com a sua pequena veiga, que quando muito poderia dar para subsistir, como deu quando tinha pessoas para habitar as casas.

 

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Os tempos hoje são outros, e também muito mais exigentes, em que só a terra, já não chega para viver, e depois, viver a 1000 metros de altitude, isolados, sem estrada e distantes do que hoje se quer por perto, como a saúde e a educação, e já deixo de parte o tempo de lazer e a cultura, ao qual todos temos direito, mas que só é para uns tantos…

 

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Contudo Côvelo do Monte é uma aldeia, que pelas suas características, localização, isolamento e ambiente natural que a rodeia, também poderia ser bem interessante, desde que fosse para viver lá por opção, sem ser obrigado a. Bem poderia ser um pequeno paraíso e desfrutar do seu pequeno oásis. Aliás é uma aldeia interessante, mesmo em ruinas e despovoada, continua a mostrar o seu encanto, e bastaria ter um bom acesso à R311, com 2 km de boa estrada, e a música seria outra.

 

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Quanto às nossas pesquisas sobre a aldeia, vai aparecendo no mapa, e pouco mais, apenas vimos uma referência à capela, que diz estar fora de culto, mas ter sido de devoção a Santa Bárbara. Já é alguma coisa, pois quanto à capela, dela, hoje só existem as 4 paredes, e uma delas também ameaça ruir.

 

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As outras referência que encontrámos, até como notícia de TV nacional, é a de que a aldeia está à venda, toda ela, pois hoje é de um único proprietário. Segundo a notícia, está à venda por 4 milhões de euros, que feitas bem as contas, e somando o investimento necessário para fazer da aldeia alguma coisa, dá para perceber que a aldeia vai continuar abandonada, e temos pena…

 

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Assim, sem mais para contar sobre a aldeia, está na altura de nos despedirmos e de deixar aqui o vídeo com todas as fotografias do post. Espero que gostem.

 

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Mas antes do vídeo, apenas uma nota quanto à forma como grafei a aldeia, como Côvelo. Vá-se lá saber porquê, pois as referências que há à aldeia, em mapas e outros documentos em que diz que a aldeia pertence à freguesia de Cerdedo, aparece grafada de 3 maneiras, como Covelo, sem qualquer acento, Covêlo com acento no “e” e Côvelo com acento no “o”. Eu optei pelo último, e está a justificação dada para que achar estranho vê-la assim.

 

E agora sim, o vídeo:

 

 

Quanto a aldeias do Barroso, teremos aqui na próxima sexta-feira mais uma Barroso de Montalegre. A próxima aldeia de Boticas, virá por aqui no próximo domingo.

 

 

 

 

01
Ago20

Mairos - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves - Com vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Mairos.

 

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Aproveitamos também esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções para posts que publicámos sobre a aldeia de Mairos. Posts esses que se quiser ver ou rever, têm link no final.

 

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Imagens de mais alguns trechos de Mairos, mas também pormenores e artes que já não se usam, como a arte do pedreiro e do canteiro, tal como acontece no  emblema da antiga guarda fiscal, que tinha posto em Mairos ou pormenores da arte de bem construir  do assentar da pedra, que na última fotografia que ficou atrás, tem pormenores preciosos como as palas por cima de uma porta e uma janela, ou da padieira da porta carral que para ser liberta do peso da parede de pedra que tem por cima, tem assente sobre si a estrutura que absorve todo esse peso, composta por três pedras, sendo a do meio e mais pequena, uma cunha, tal como se utiliza nos arcos. Pormenores que os mestres pedreiros conheciam sem nunca terem estudado estruturas nas universidades.

 

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Mas hoje além da aldeia, trazemos também aqui o incêndio que assolou tudo que havia para arder à volta de várias aldeias e não só, pois segundo se constou ontem na cidade, o incendio teria mesmo destruído algumas construções.

 

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Um incêndio que ao que consta começou em Vila Verde da Raia, subiu a Curral de Vacas, continuou para a Cota de Mairos e aldeia de Mairos. Até aqui, temos algumas imagens, pois tínhamos programado ir a Mairos no fim da tarde, precisamente para recolher algumas imagens em vídeo para intercalar com as fotografias do nosso vídeo. Como nos disseram que o acesso via Vila Verde e Curral de Vacas estava fechado, abordámos a aldeia por S. Cornélio.

 

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Logo desde S. Cornélio deu para perceber que a coisa estava complicada, com o fogo a rodear Mairos e a progredir desde a Cota de Mairos em direção a Travancas e mesmo S. Cornélio. Ainda conseguimos entrar em Mairos mas demorámos por lá pouco, pois tudo indicava que o fogo iria rodear a aldeia e corríamos o risco de lá ficar. Segundo as notícias de ontem, o fogo avançou mesmo sobre S. Cornélio e Travancas, tendo chegado a Argemil e Urjais, por um lado e às Nogueirinhas e Vila Frade noutras frentes. Mas isso era o que se dizia ontem na cidade, mas não tenho qualquer confirmação.

 

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Um extra que preferíamos não ter de noticiar e mostrar imagens, que devastou as poucas manchas de floresta que ainda restava, para além dos danos materiais com algumas construções e, segundo constou, uma delas era uma vacaria, mas felizmente, penso não haver registos de feridos ou mortes entre a população e bombeiros. Mas hoje, tal como já estava agendado, estamos aqui pelo vídeo, que fica já a seguir, tendo no final algumas imagens do referido incêndio.

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Mairos:

https://chaves.blogs.sapo.pt/mairos-chaves-portugal-1648719

https://chaves.blogs.sapo.pt/cha-de-urze-com-flores-de-torga-111-1322496

https://chaves.blogs.sapo.pt/cha-de-urze-com-flores-de-torga-92-1265409

https://chaves.blogs.sapo.pt/mairos-chaves-portugal-1177872

https://chaves.blogs.sapo.pt/mairos-com-passagens-e-paragens-1076178

https://chaves.blogs.sapo.pt/920981.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/681889.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/571382.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/563290.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/371432.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/292270.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/77679.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/79536.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até a próxima quarta-feira em que teremos aqui a aldeia de Matosinhos.

 

 

 

31
Jul20

O Barroso aqui tão perto - Lamas

Aldeias de Barroso - Com Vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Lamas.

 

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Mas uma vez que aqui estamos, aproveitamos a oportunidade para deixar mais algumas imagens da aldeia que escaparam à anterior seleção.

 

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Imagens com pormenores com que alguns poderão matar saudades e recuar ao tempo de criança, aquando aprenderam as primeiras letras e números, mas principalmente um regresso às brincadeiras e traquinices do recreio da escola.

 

 

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Imagens também cada vez mais raras, mesmo em vias de extinção, tal como uma cobertura em colmo que tem resistido ao tempo da modernidade. Um dos poucos exemplares que ainda resta no Barroso, e é pena que se acabem, pois cada aldeia, para memória futura, poderia manter uma construção com cobertura de colmo, mesmo que para isso tivesse de ser “nacionalizada” pelo município, pois um dia destes, ou aliás,  já é complicado explicar a uma criança como era uma cobertura de colmo.

 

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Mas hoje estamos aqui para falar da aldeia ou tecermos opiniões ao respeito do que quer que seja. Estamos aqui pelo vídeo que faltou ao post da aldeia, post esse para o qual fica um link no final. Vamos então ao vídeo, que espero que seja do vosso agrado.

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Lamas:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lamas-1668129

 

E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta –feira, quando teremos aqui a aldeia de Lapela, mas domingo, estaremos aqui com mais uma aldeia do Barros, mas do concelho de Boticas.

 

 

29
Jul20

Crónicas de assim dizer

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No azul Celeste

 

De corpo e alma, andavas à procura de um caminho e a cada passo que davas a linha bifurcava-se. E tu tinhas de fazer uma escolha, sempre por qual seguir, sem saber aonde te levava uma e outra. Se havia, ou não, propósito nisso e qual. E o fardo pesava cada vez mais e o teu corpo estava frágil. O que fará uma alma, forte, num corpo frágil? Dobra-o, mortifica-o, mas tu não querias caminhar para a morte. O que tu querias era caminhar para a vida, mesmo que ela não estivesse ali à tua frente! Bastava que caminhasse ao teu lado, mas ela andava sempre atrás de ti, como uma sombra, a perseguir-te. E tu a insistires com ela e ela a empurrar-te, como se a isso não tivesses direito! E tu tinhas direito a tudo! Lembraste, quando me disseste isso a mim? Sim, foram as tuas últimas palavras: que eu tinha direito a tudo, e eu sem perceber que eu era o prolongamento do teu espelho, que projetavas em mim o que não pudeste ser e ter. E eu a achar que tu eras complacente com tudo e com todos, sem perceber que o que dizias era um grito da alma, forte, num corpo frágil! E querias-me despertar para isso, porque achavas que eu ainda ia a tempo! Mas não vou, agora sem ti isso já não é possível!

 

Por alguma razão deves ter morrido.  Porque nunca nada do que fizeste foi em vão. Os médicos disseram: “Choque séptico!” Dizem sempre coisas destas quando não sabem o que dizer e, quando as coisas são graves, normalmente não sabem o que dizer. A medicina é como o código dos piratas: não é obrigatório, são linhas de orientação. No teu caso foi ainda ou talvez pior, porque há diagnósticos que são linhas de desorientação. Não valorizaram a dor… pensaram que era uma invenção tua, para chamares a atenção… quanta idiotice! A sua mãe só vai melhor quando for para casa! É preciso, de facto, tirar um curso superior e uma especialidade para se chegar a uma conclusão destas! Acontece, errar é humano, dizem! O pior é quando é desumano, o pior é quando morre gente por causa disso! É a vida, dizem de novo, e é também a morte!

 

Tu sofreste por tantas razões na vida e nunca entraste em choque, porquê agora, sem nada ter acontecido?! Lembraste daquela vez em que eu te disse que tinha uma coisa para te dizer, mas que era grave e que precisavas de tomar primeiro um calmante? E to coloquei na mesa e tu empurraste o comprimido na minha direção e disseste: não preciso disso para nada, vá, diz! E eu a dizer muito devagar, porque quem estava em choque era eu e tu percebeste e tiraste toda a gravidade ao que eu dizia só para que, ao tranquilizares-me, eu pudesse raciocinar e tomar decisões depois, que era exactamente o que eu não estava a conseguir e não me lembro de mais nada...

 

O que eu não percebo no meio disto tudo é porque não me disseste nada! Só percebo que o tenhas feito se também o não soubesses, mas era impossível que não tivesses dado conta. Toda a gente pressente, ao que dizem, como é que a ti te podia ter escapado uma coisa dessas, se a ti nada te escapava? Até o que não dizias! Se calhar foi isso, não nos querias assustar! Agora, a este propósito, lembrei-me daquela vez em que o teu neto com 4 ou 5 anos me disse: Oh mãe eu tenho medo de me sentar ao pé da avó! Que disparate, tens medo de quê? Eu tenho medo que ela me adivinhe os pensamentos! E eu, sem perceber nada do que ele me estava a dizer, a rir-me à gargalhada!

 

Sim, é entre o sonho e a realidade que há o tempo e o espaço em que tudo pode acontecer, até o que não existe ou, mais consciente será dizer, o que apenas existe. E o que apenas existe não é de todo um "só", pode ser uma imensidão de coisas. E é surpreendente como nada disto é relativo! Tudo isto é, incansavelmente, objetivo. Não há ambiguidades aqui, há certezas! Podem parecer frágeis, mas são seguras.

 

Há, de facto, pessoas que têm uma estrelinha na testa! A primeira vez que me disseram isto, não percebi, mas retive. Existem sim, mas só aqueles que a isso estão atentos é que conseguem vê-la, porque têm também uma e o par de estrelas estabelece uma ligação invisível, só perceptível! Não é bem um instinto, nem um dom, é uma coisa que se tem e que se sente. E o que se sente não tem obrigatoriamente de ter uma razão ou ser explicável para ser verdade. Quando essas duas estrelas se encontram, faz-se luz. Uma luz ténue que aquece mais do que ilumina! É uma chama verdadeira, de dia e de noite e move objetos, propósitos, transpõe obstáculos, encurta distâncias, rompe caminhos, abre portas, escancara janelas!

 

É preciso acreditar, dizem, como se fosse simples olhar e ver, como se para ver não fosse necessário acreditar primeiro! E é aqui que reside o meu problema, é aqui a casa dele, com as paredes grafitadas, com desenhos sobrepostos de memórias, com informações arquivadas e contraditórias, com pareceres a sobreporem-se às contrárias verdades e eu, míope, a tentar desesperadamente ler o que há por baixo delas! Imagens invertidas sem espelho, reflectidas sem vidros, decompostas sem prismas.

 

É preciso acreditar, dizem de novo.

 

Pudesses tu ler isto, mãe, e do nada os teus lindos olhos abrir-se-iam como se aguardassem o sinal divino que, em surdina, te proferiria ao ouvido: acorda! E tu acordavas.

 

Ontem, no azul Celeste, vi uma estrela nova. Acho que já lá estava, mas só ontem reparei nela! Alguma coisa isto quererá dizer, não? É preciso acreditar…

 

 

Cristina Pizarro

 

 

29
Jul20

Maços - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves - Com vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Maços.

 

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Mas para além do vídeo, aproveitamos também para trazer mais algumas imagens que escaparam à seleção anterior.

 

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São imagens de arquivo, já com alguns anos (2006 e 2008), isto porque Maços e a freguesia de Nogueira da Montanha foram das primeiras aldeias a passar aqui pelo blog, e claro que a partir de aí, fui andando por outras andanças.

 

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E vão ficando aos molhos de três, porque hoje a prioridade é mesmo para o vídeo que estava em falta, pois quanto ao que tinha a dizer sobre a aldeia, já o fui dizendo nos posts que lhe dediquei, cujo link para os mesmo fica no final deste post.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Maços que foram publicadas até hoje neste blog e pelo meio, também imagens de um vídeo de uma passagem pela aldeia, este bem mais recente que as fotografias.. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

Posts do blog Chaves dedicados à aldeia de Maços:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/macos-chaves-portugal-1645756

https://chaves.blogs.sapo.pt/868622.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/237521.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Mairos.

 

 

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