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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Set18

Praia de Vidago, era uma vez...

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Já tínhamos anunciado no último sábado que o nosso lugar de hoje seria a Praia de Vidago, mais uma exceção a entrar nesta rubrica das aldeias de Chaves, pois a Praia de Vidago também não é uma aldeia, apenas um lugar, na margem direita do rio Tâmega, junto a uma das 4 pontes do concelho de Chaves construídas totalmente em granito sobre o rio Tâmega, sendo as restantes a nossa Top Model Ponte Romana e a Ponte Nova em Chaves e a ponte ferroviária de Curalha.

 

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E já que atrás abordámos as pontes de pedra sobre rio Tâmega, ficam, a título de curiosidade, outras travessias do rio, igualmente em pedra, mas sem alcançarem a categoria de ponte, como são os pontões entre Souto Velho e Vilarinho das Paranheiras (apenas a umas centenas de metros da ponte da Praia da Vidago e o pontão dos moinhos de Curalha (apenas a umas dezenas de metros da ponte ferroviária de Curalha) e por último as poldras de Chaves, estas entre as outras duas pontes de Pedra de Chaves (Romana e Nova). Penso não haver mais, embora haja ainda outros lugares em pedra onde o rio se pode atravessar, tal como as represas dos moinhos do Tâmega, mas estas travessias apenas utilizáveis quando o rio vai com um caudal baixo.

 

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Quanto à Praia de Vidago, embora assuma o topónimo da Vila de Vidago, a aldeia que tem mais próxima é a de Souto Velho. Um lugar que tem aqui espaço por ser um dos que também nos servia de praia no tempo em que a qualidade da água do rio Tâmega ainda se podia utilizar para banhos.  Era sobretudo um lugar de convívio entre jovens de Vidago e Chaves, pelo menos para mim, assim foi. Isto quanto ao espaço balnear fluvial, que se localizava na margem esquerda do rio.

 

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Mas na Praia de Vidago, desde que me lembro, sempre existiu aquela construção junto ao rio, na margem direita que tem adossada a numa das suas paredes exteriores a inscrição de “PRAIA DE VIDAGO”, que cheguei a conhecer como bar e restaurante, sem dúvida um dos lugares mais agradáveis da altura, romântico q.b., onde se estava bem, principalmente de verão à sombra das frondosas árvores, entre as quais alguns sobreiros.

 

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A fraca qualidade da água entre outras modernidades e ofertas fizeram com que a Paria de Vidago deixasse de o ser.

 

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A última vez que fui por lá foi em março de 2010, recolher imagens para memória futura, isto porque se anunciava a morte de um troço do Rio Tâmega, talvez o troço mais bonito e por ser de difícil acesso, segredo bem guardado deste rio. Refiro ao troço entre Vidago e Ribeira de Pena a ser engolido por uma barragem, incluindo tudo isto que hoje fica em imagem, que a ser construída a barragem, ficará totalmente submerso. Para mim mais um atentado a este nosso rio, mas diga-se a verdade que não sei em que ponto está esta situação da barragem, pois cheguei a uma altura que, em prol da minha saúde mental desliguei do assunto, sobretudo quando contra lobismos, poder económico e político à mistura, nada há a fazer, principalmente se a população local vive em fase de conformismo.      

 

 

 

15
Set18

Pedra de Toque

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A MULHER DE PRETO

 

 

De preto vestida, assim aparece, plantada no verde da natureza.

 

Por vezes surge no meio das gentes, nas ruas da cidade.

 

Sempre só, mas com muito dentro dela, que eu já vi nas palavras que escreve, nas ideias que expressa.

 

Quando se pronuncia, revela lucidez, sensibilidade funda.

 

Sente o murmúrio dos riachos, a quietude das águas que correm pelos rios, a história que os monumentos narram.

 

Guarda muitos segredos, a sua imagem os indicia, mas não os partilha.

 

Por isso fascina e estimula a descoberta.

 

Quem é esta mulher? Quem foi esta mulher? O que lhe aconteceu para ser assim, impressionantemente só?

 

Gostaria que o luar chegasse e que com ela reinventasse o amor ou o suscitasse.

 

Porque com ela, certamente o amor cruzou-se um dia e deixou-lhe a magia das coisas possíveis.

 

Nunca consegui ver-lhe o olhar que procuro sempre no mar.

 

Um dia, e ele chegará, quero com as minhas mãos abraçar seu coração.

 

 

António Roque

 

 

 

14
Set18

Cidade de Chaves, um soneto espelhado e outras coisas...

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O Soneto dos Pasmados

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

O que outrora foram arrabaldes

Hoje são centros de cidades

 

Nele acaba por ficar tudo ao contrário

Desenterra-se o que é milenário

Para o cobrir com um monstroario

 

Coisas de pavões que se entusiasmam

Com estas loucuras de chanfrados

Só não mudam os pasmados

Que pasmados por lá pasmam

 

E depois dá nisto, destes versos aqui armados

Com palavras que também rimam

De quadras por baixo e tercetos que o encimam

Como se fossem sonetos espelhados  

 

 

Quase uma quadra de despedida

 

Pois, e com este me bou

Que poeta já não sou

Até roubei um verso ao Camões

E agora falta-me uma rima para terminar… só me vem à cabeça Faiões…

 

E melhor ficar por aqui!

                                                           FR

 

Mas, não, ainda falta outra (eu bem disse que o jindungo que meti na feijoada me ia deixar excitado), pois parece que está na moda terminar as crónicas com sugestões, propostas, independentes, então temos:

 

Livros: Do Gil Santos, um qualquer dos que publicou, e não é por o Gil escrever para este blog. Em alternativa podem comprar o nosso, o do blog, está à venda na Rua do Olival.

Música: Slit, Psycho Tropics, é de rapaziada cá de Chaves, bons músicos, por acaso um é meu cunhado, que é um gajo porreiro!

Exposições: De Fotografia, na Adega do Faustino, “Pateira” de Horácio Graça, organização do Blog Chaves. O melhor fotografo da Pateira.

Restaurantes: “O Cândido”, e não é por lá comer todos os dias, ele até nem me faz descontos, mas tem jindungo na varanda.

 

Blogs: http://chaves.blogs.sapo.pt

 

Agora sim, bou-me! E que conste que a minha bebida da noite é sempre chá frio com gelo, de limonete, sem açúcar. Colheita própria (biológico) . Aceito encomendas!

 

 

 

14
Set18

Vivências em Paris

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Vivências em Paris

 

Amadeo de Souza-Cardoso foi um reconhecido pintor modernista português que viveu parte da sua curta vida em Paris, onde contactou com os principais nomes da pintura do início do século XX. E é também o nome do Airbus da TAP que está estacionado junto à porta de embarque e que nos vai levar até Paris para umas mini-férias de Páscoa.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

 

Começamos com uma visita à Torre Eiffel, projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel e construída para ser a porta de entrada da Exposição Universal de 1889. Quando preparámos a viagem (há umas semanas atrás) já não havia bilhetes online para uma subida de elevador até ao terceiro piso, mas arriscamo-nos pelas escadas até ao segundo, pelo meio de um verdadeiro emaranhado de vigas de ferro que quase nos tapa toda a luz do dia. Paramos no primeiro piso para uma volta de 360º e uns minutos de descanso. A vista sobre os Champs-de-Mars, de um lado, e o Rio Sena, do outro, é fantástica. Seguimos para o segundo piso e a vista sobre Paris é ainda mais deslumbrante… Prosseguimos depois numa das rotas do serviço de autocarros turísticos. Acompanhamos o Rio Sena durante algum tempo, com os famosos Bateaux-Mouches a deslizarem serenamente pelas suas águas, passamos pela Ópera, pelo Musée du Louvre e paramos na Catedral de Notre-Dame. Passamos ainda pela Place de La Concorde e subimos até ao Arc de Triomphe pela Avenue des Champs-Élysées, à qual os franceses chamam, envaidecidos, “La plus belle avenue du monde”, e onde estão instaladas as mais exclusivas marcas de moda e perfumaria de todo o mundo.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

 

Nos dois dias seguintes, alternando entre os autocarros turísticos, o metro e os transportes públicos, aventuramo-nos por outras paragens: Pigalle, Sacré Coeur, Place de la Bastille, Centre Georges Pompidou… Passamos ainda pelo Pont des Arts, a célebre ponte onde casais apaixonados de todo o mundo seguiam o ritual de colocar um cadeado nas grades e atirar a chave ao rio, com juras de amor eterno. Hoje, por razões de segurança, já não é possível fazê-lo na ponte, mas existem, bem próximos dali, outros locais onde os cadeados continuam a ser colocados.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

 

Na viagem de regresso a Portugal, e tal como já acontecera na ida, viajamos a bordo de um Airbus cujo nome também tem ligações com Paris: “Amália Rodrigues”, a diva do Fado que encantou esta cidade com as suas atuações no Olympia…

 

Luís dos Anjos

 

 

13
Set18

A Pertinácia da Informação

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“El aprendiz de Jinete, 1978”.

 

 

Vai adiantada a noite. E eu tenho sede... esgotei todos os bons reserva, não me resta nada que me entusiasme verdadeiramente, para ler.

 

O meu estado de agitação é-me muito bem merecido. Quem me mandou a mim voltar a fazer asneira? Quem me mandou rebolar em estrume convencida que era um manto de flores?

 

Errei. Errei e ponto final. Que mal há no erro? Apenas a estupidez de o repetir. É certo que às vezes escutamos verdadeiros pensamentos filosóficos e profundos da boca de alguns pastores, mas isso não significa que todos eles sejam versejadores natos! Sinto-me estúpida, como uma citadina, de visita ao campo, vê e analisa, do seu ponto de vista citadino, anunciando sofisticação onde não há e obras primas onde só há a simplicidade natural da utilidade de cada coisa: “Que coisa fantástica este recipiente que quase se assemelha a uma chávena de chá gigante... consigo fabular uma cena de gigantes e anões em torno deste objeto...” “Isto? Isto é um penico!”

 

 

É fantástico conhecer pessoas e mobilizá-las para a sua emancipação! Mas que raio de palavreado, que soa quase um martelar vazio!? Quem me manda a mim procurar almas nas rochas e sentimentos profundos nos legumes? Um pepino, é apenas um pepino, que serve apenas para pepinar. Uma vez pepinado, acabado. Que há de vulgar em comer um pepino insípido? Nada, absolutamente nada. Faz parte da dieta de verão, comer de vez enquanto uma salada de pepino. Não se esteja à espera que o pepino se torne agora em algo mais gourmet!

 

 

Preciso, urgentemente, tomar um banho em algo sofisticado... não sei, algo que me retire do lodo e das areias movediças. Continuo a rebuscar nas prateleiras e parece-me tudo visto, gasto, desinteressante… olho e faço uma radiografia instantânea: está tudo percebido.

 

Num catálogo, sobre O surrealismo em Portugal, aparece escarrapachado o título: o tempo devolve-nos memórias. Penso e repenso. A expressão não significa que recuperamos memórias com o tempo, é bem mais que isso. Entendo que o tempo nos devolve as memórias que prendeu, mas nessa devolução possivelmente o objeto já perdeu características originais... o tempo devolve um objeto nosso de que ele se apropriou, mas ao devolve-lo percebemos que provavelmente o lesou, modificou ou alterou alguns pormenores. As memórias são sempre construções e são por vezes desencandadoras de uma espécie de serendipidy aquando do seu retorno.

 

Por isso, às vezes faz falta emprestar os nossos pensamentos ao tempo para que ele faça o seu trabalho sobre eles. O tempo transforma a nossa dor de luto, a nossa ânsia de luta, a nossa espera de amor. O tempo não só deteriora como uma criança descuidada a quem emprestamos um brinquedo, o tempo também repara e remenda como as avós ou mães que se munem de habilidades e paciência e arranjam o fecho estragado, pregam um botão que caiu, acrescentando uma reda ou um remendo... e acabam por recriar a nossa peça em algo que até acabamos por achar piada e voltamos a endossar. O tempo faz redescobertas de sentimentos e sabores.

 

Eu preciso que o tempo trabalhe em pouco tempo. Eu escravizo o meu tempo e ponho-o todo o tempo a trabalhar para mim. O meu tempo tem que ser um assessor infinitamente talentoso e que me tenha uma enorme devoção. Preciso de um tempo que reconheça em mim todo o valor que justifique o seu esforço e empenho em me apoiar. Qual coaching seria capaz?!

 

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 Eugenio Granell – El Aprendiz de jinete

 

Folheio o catálogo. Sempre gostei dos trabalhos inseridos no surrealismo. As formas das gravuras têm aquele traço especial que eu, cá para nós, que ninguém nos ouve, só pode ser do efeito do ópio... se não, como é que todos desenham aquelas formas moles que escorrem entre as telas e as folhas de papel?! Formas fundidas de um universo onírico... eu gosto, sim senhor, mas aquilo era do ópio, quase de certeza!

 

O que está no catálogo, também vi no museu... há uma de António Pedro, sem título de 1940 que me volta a causar a mesma tristeza que antes. Olho e vejo um não sei quê de decadência, brutalidade carnal, frieza... explicitamente parecem dois corpos nus com todas as suas franquezas a nu, possivelmente um feminino e um masculino. No feminino deixa-me desconfortável o peito descaído e a postura de uma coluna curvada, característica de quem tem já alguma idade... o prego na língua e a destreza com que parece movimentar as peças num tabuleiro de damas, alheia ao que se passa atrás de si, onde se encosta um corpo grande, masculino, que parece menos decadente. Tudo isto num cenário semelhante a uma margem de um rio, onde, me parece surgir também, um enigmático túnel ao fundo.

 

Fujo dessa gravura e de tudo o que me representa.

 

Prendeu-nos a atenção uma aguarela de Risques Pereira, sem data e sem título. Recordo-me que ela me disse que era sobre o Principezinho. Realmente, se reparar bem, posso ver a raposa e principezinho... até parece que esticam os braços para se conseguirem tocar, mas nunca se tocam... possivelmente.

 

Sigo, folheio o catálogo e recordo Pedro Omo. Tanto antes, como agora, parecem-me evidentes os falos e não sei bem... mas talvez sejam ânus e não vaginas...    Seria isso que via um pastor? E ali, no Eugénio Granel, veria um cavalo? Sentir-se-ia cheio de razão depois de ler o título “El aprendiz de Ginete, 1978”. Eu vejo o cavalo, mas imagino naquela sobra do dorso um aprendiz encolhido e receoso e há uma figura mais clara em que vejo um mestre pomposo, onde lhe distingo um enorme nariz empinado... o único que se safa mesmo é o suposto cavalo, cheio de formas elegantes e cores bem escolhidas. Tem um padrão bonito.

 

Ora se os autores das obras estavam cheios de ópio quando as elaboraram eu estou cheia de mim quando as observo.

 

E, recordo, mais uma vez, uma frase: “Eu queria um livro que falasse sobre mim...”

 

Se esperamos encontrar ou estabelecer uma ligação com os outros através da descoberta de uma condição universal de consciência, estamos tramados. Temos que ir realmente devagar para ouvir, acompanhar e entender. Nem sempre as histórias falam de mim, nem contam aquilo que eu vejo nelas. Quanto menos cheia de mim mesma me dirijo às coisas, mais consigo ver nelas. Também tento ver através dos olhos dos outros, e por isso pergunto-me que veria o pastor? Mas, sem a presunção citadina que todo o pastor é um versejador e que em cada cavaleiro há um sussurrado de cavalos. Às vezes há mesmo só bosta e moscas.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

 

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