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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Jun19

Sesmil - Chaves - Portugal

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Enquanto que na cidade e arredores vai acontecer magia, o Rali Alto Tâmega, o Mercado da Madalena e a festa de Vilar de Nantes, entre outros eventos, aqui no blog, vamos até mais uma aldeia, aqui também bem próxima, uma aldeia que dá pelo nome ou topónimo de Sesmil.

 

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Uma aldeia bem próxima de Chaves, a apenas cerca de 6 km, nas faldas da Serra do Brunheiro, com acesso a partir de Chaves via EM314 (Estrada de Carrazedo de Montenegro), podendo depois optar por dois caminhos, o primeiro, logo a seguir ao aeródromo municipal, deixa a EM314 e segue em direção à Nossa Senhora da Saúde até Paradela de Veiga, e aí apanhar o desvio para Sesmil.

 

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A outra opção é continuar pela EM314, passar ao lado de Vilar de Nantes (hoje em festa), continuar até Izei e logo a seguir, 500m, aparece a placa a indicar Sesmil. Por aqui o caminho é em terra batida, mas com bom piso,  isto se entretanto não foi pavimentado, pois já há algum tempo que não passo (desço)  por lá.

 

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Embora uma aldeia da periferia da cidade, segue todas as características das aldeias mais distantes, inclusive no despovoamento e envelhecimento da sua população, mas também no modo de vida, embora aqui, dada a proximidade da cidade, seja em parte também aldeia dormitório.

 

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Sesmil não é uma aldeia pequena que se vai desenvolvendo ao longo da sua rua principal, mas formando pequenos núcleos, pelo menos três, que são separados por terras de cultivo que aqui, ainda se vão cultivando por entre algumas oliveiras, vinha e outras árvores de fruto. Um pouco daquilo que vai sendo habitual nas nossas aldeias, com as culturas também habituais, dependendo, claro, da altitude que nesta aldeia anda entre os 420 e os 510m.

 

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Quanto ao casario, há um pouco de tudo, construções tipicamente rurais, de pedra de granito à vista, algumas reconstruções, construções novas, mas também algumas abandonadas e/ou em ruínas.

 

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Alguns pormenores interessantes, como tanques e fontes de mergulho, a capela, algumas fachadas mais dignas de realce com belos pormenores de cantaria e uma construção muito singular, com capela e construção anexa, pequena mas com um alçado muito bonito e interessante, embora sempre a tenha conhecido abandonada. Parece um solar, dos pequeninos, tão pequeno que segundo as minhas contas não chega a atingir os 80m² de construção.

 

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Quanto a festividades da aldeia, festeja-se a Santa Ana, no mês de Julho, ou festejava-se, pois não vos posso garantir se a festa ainda se realiza. Sei que numa das vezes que fui por lá, vi o cartaz com o programa da festa, mas como isto já foi há uns anos, hoje não sei. Digo isto porque realizar uma festa de aldeia não é barato e com as aldeias cada vez com menos população, os donativos são cada vez menos, e sem dinheiro não há festa. Tem acontecido isso em muitas aldeias, daí a minha incerteza.

 

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E vai sendo tudo. Como já vai sendo habitual, fica um pequeno vídeo com as fotos da aldeia que fui recolhendo e publicando aqui no blog ao longo destes últimos anos, incluindo uma com neve, que segundo o meu arquivo é de uma nevada de 16 de dezembro de 2009.

 

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Fica então o vídeo e este link para o caso de o quererem vê-lo diretamente no youtube ou eventualmente partilhá-lo. Espero que gostem.

 

Vídeo:  https://youtu.be/fB39atvYjt0

 

 

 

07
Jun19

Uma Proposta para Sábado, em Santa Maria Madalena

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Foto de arquivo - 2015

 

Hoje ficamos na margem esquerda do Rio Tâmega, em São Roque junto ou de fronte à sua capela, pois é para aí que vai a nossa proposta para amanhã, sábado, com o “Mercado da Madalena”

 

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Foto de arquivo – 2011

Ficam estas duas fotos daquele que suponho vai ser o espaço do mercado. Embora as fotografias tentem apanhar todo o espaço e fossem tiradas em ambas as direções do largo, guiem-se mais pela primeira foto, pois é a mais atual. Não pelo espaço ser diferente, mas sim pelo arvoredo que entretanto cresceu e que nos dias quentes de sol intenso faz a diferença. Tempo que está meio chocho mas que promete melhorar para sábado.

 

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Há dias disse por aqui que a freguesia de Santa Maria Madalena[1] tinha excelentes condições para receber eventos de vária natureza. Desconhecia este “Mercado da Madalena” que já estava na calha, por pura distração minha, pois quando afirmei o que afirmei já este mercado estava anunciado, aliás, logo a seguir, realizou-se o primeiro mercado. Claro que só me posso congratular com a (dupla) ideia, feliz, de levar a efeito este mercado, e o “dupla” que atrás deixei, vai para o local escolhido e para os produtos que são anunciados em cartaz “produtos da região a preservar tradições do nosso povo!”. Sim senhor, aplaudo e só espero que assim seja. Sábado (amanhã) vou lá ver e depois conto como foi, fica combinado. É esta a nossa proposta para sábado.

 

 

 

 

[1] A respeito de Santa Maria Madalena, ver post https://chaves.blogs.sapo.pt/simplemente-madalena-1863826

 

 

 

06
Jun19

Um pensamento poético sobre Chaves...

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Um pensamento poético sobre Chaves!?

 

Às vezes, há palavras que sugerem imagens, outras vezes, é ao contrário, isto é, as imagens sugerem palavras, como no caso de hoje em que uma imagem atual me fez recuar 100 anos atrás para a rever nas palavras de Mário de Sá Carneiro:

 

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro.

 

 

Mas o que eles não sabem, é que as imagens também se constroem…

 

 

 

06
Jun19

A pertinácia da informação

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Á minha frente o dia ficou escuro. Sob uma faixa de verde, bonita, há uma enorme desarrumação. Sempre abominei a desarrumação, não tanto aquela doméstica e quase inevitável. A arrumação é quase como uma espécie de decência e decoro, não tolero que não haja um mínimo. O meu mínimo é aquilo que acho exigível e fundamentalmente necessário.

Hoje chego à constatação que tenho vivido restrita a uma estreita faixa onde há uma espécie de dialética externa onde o meu valor me faz puxar para cima e a vontade dos outros me empurra para baixo. Nem mesmo quando o que faço seja para benefício dos outros, é de tal forma enorme o temor que eu saia dessa faixa e que consiga fazer algo mais por todos e todas…

É um sentir duro do que tem sido a vida. Ás vezes apetece-me perguntar aleatoriamente se a das outras pessoas, daquelas que desconheço, é diferente. Mas, normalmente chego à conclusão que viver nesta dialética é a norma, e, certamente a responsabilidade dela sair é apenas minha. É uma questão de maior esforço. O resto são circunstâncias. Não me agrada desculpar-me com circunstâncias. Cada vez que te atiras contra um muro para saíres podes sempre ir apanhando maior balanço, construir engenho para subir ou voar… mas também terás que ver até que ponto as circunstâncias são injustiças. Há sempre o bom senso.

Na vida ser-se ótimo, bom ou excelente só importa se o que fizermos com isso nos importa. O que importa aos outros poucas vezes importa muito… para os outros só importa o que estes perceberem que lhes possa oferecer benefício. Ás vezes há excelentes pessoas com ótimas qualidades que podem fazer coisas muito boas pelos outros… mas se os outros não perceberem que isso lhes seja benéfico… serão apenas excelentes coisas, com excelente qualidade sem qualquer utilidade. Refiro isto como algo factual, não que eu concorde.

O dia continua escuro, mas há céu de vários tons daqui até ao horizonte, e para lá do horizonte ainda há muito céu.

Chegou com aquela pose e ativou-se em mim aquele pensamento: mais do mesmo. Não, não é preconceito… sei lá, se calhar é… Mas como posso explicar? É todo um conjunto de aspetos: o tipo de carro em que chega, a conversa que faz à porta antes de entrar ou a forma exibicionista (ou acanhada) com que se termina (ou prolonga… ou se desembaraça) de uma chamada… e por fim, o tom pejado de tantas coisas quase inomináveis e que me recuso a enumerar com que solta num enorme sorriso branco: “Menina, muito bom dia!”

Cada vez me sinto menos apta para engolir sapos… sim, eu sou uma rapariga que nunca gostou de engolir sapos e que andou a fingir que comia sapos… mas inevitavelmente vomitei-os. Mas começa-me a preocupar duplamente esta situação, por um lado não me sinto confortável no papel de quem se sentou numa escrivaninha numa atenta análise cujos resultados não têm efetivamente qualquer efeito avaliativo. Um posto de seleção em nenhures que não seleciona para coisa nenhuma, é só um posto de passagem onde as pessoas vazias vão passando e eu me espero a não lhes abrir portas e obrigo-as a circular. Não, não é agradável, mas também não é culpa minha. Não tenho pachorra para engolir sapos ou nem eu mesma ser uma pessoa que passe na escrivaninha de outro minucioso pseudo-avaliador de coisas nenhuma, também não passo no filtro que retém a vulgaridade a futilidade. E é assim que se cria a solidão, uma solidão confortável, agradável, quase macia, o Paraíso do Silêncio. Se era bom que não houvesse silêncio? Era, certamente, mas apenas se o vazio fosse pejado de música e luz.

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

05
Jun19

Momentos da Cidade de Chaves

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De vez em quando apetece-me e é bom viver estes momentos silenciosos da noite, parece que tudo para para nos pertencer por inteiro.

 

Pois é, embora eu até seja a favor do novo acordo ortográfico, penso que precisa de uns pequenos ajustes ou então exceções para não acontecer o que atrás aconteceu, quando  o para do verbo parar se junta a proposição para.

 

Então, para não haver confusão, reescrevo o primeiro parágrafo com uma exceção assumida por este blog, ou melhor, por mim, pois temos colaboradores que não aderiram ao novo acordo ortográfico. Assim sendo, o primeiro parágrafo passa a ter a seguinte grafia:

 

De vez em quando apetece-me e é bom viver estes momentos silenciosos da noite, parece que tudo pára para nos pertencer por inteiro.

 

04
Jun19

Da Nascente do Rio Tâmega até aos Lagos de Stº Estêvão

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É aqui nesta paisagem que ele nasce, aparentemente seca, mas é terra alagadiça, lá na croa da serra, tão alagadiça é que dá origem a três rios, seguindo cada um a sua vertente da montanha, o nosso Tâmega, o Rio Lima e o Rio Arnoia.

 

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Durante umas largas centenas de metros é apenas um carreiro de água, pouco mais que um rego.

 

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Nos primeiros passos, conhece também as suas pequenas, mas primeiras grandes aventuras. Acontece a sua primeira cascata. Cabe na palma de umas mãos, mas não interessa, dá para lhe agitar a jovem adrenalina sem perder a compostura.

 

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Mais à frente espraia-se, e à sua escala forma um grande lago, talvez com três metros de largura, afinal o Rio Tâmega é apenas uma criança acabada de nascer,  e quando ainda se é bebé, há coisas pequenas que parecem enormes.

 

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Depois lá vai seguindo a sua marcha, sempre a descer, às vezes mais rápido outras vezes mais lento, depende, não dele, mas das terras floridas que atravessa e que o vão perfumando, com um perfume selvagem, certo, flores que misturadas com as suas águas cristalinas podem ser remédios para muitas maleitas, é assim que o povo vai curando as suas, e por fim, sempre por entre paisagens mais ou menos floridas, mais ou menos verdes, atinge o vale, de Laza.

 

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Mas deixa também para trás outras paisagens, à primeira vista até se poderia pensar ser uma pintura de arte contemporânea, mas infelizmente é apenas o que resta de um incêndio que em vez da verdura do pinhal que outrora teve, deixa a nu o ziguezaguear de caminhos por entre terra queimada.

 

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E finalmente o Tâmega encontra a companhia de catraios mais crescidos mas que não lhe roubam o seu nome. O que manda é o que vem de mais longe, mesmo que mais pequenino em tamanho. Em Tamicelas no mesmo ponto, é entalado entre dois afluentes que depois de misturados dão lugar a um Tâmega já mais bem compostinho.

 

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E como se dois não bastassem, mais à frente recebe outro bem maior, mas igualmente nascido ali por perto, mas tudo bem, passará a ser água da sua água, agora já um Tâmega ainda jovem mas muito mais adulto, ainda transparente e cristalino. É aqui que o deixamos para trás, perdemo-lo de vista para mais tarde o atravessarmos em Verin, mas com olhares a darem prioridade à estrada sem reparamos nele.

 

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Chegados já a Portugal, ali pelo cruzamento de Stº Estêvão, saímos da estrada em direção aos seus grandes lagos, aqui já é o Sr. Rio Tâmega, bem adulto. Espreitámos para o grande lago, mas depois de o termos visto e acompanhado tão límpido, puro,  transparente e cristalino, a objetiva da máquina recusou-se a fotografá-lo mais e  focou-se apenas nas papoilas e malmequeres da sua margem. Para não estragar a prosa, não a contrariei!

 

Até amanhã!

 

 

04
Jun19

Chaves D´Aurora

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  1. MORAL E SOCIEDADE.

 

 

Geralmente, as pessoas menos favorecidas de bens pecuniários, como as que então constituíam a classe nomeada pelo primo Rodrigo de “proletariado”, também obedeciam a princípios bastante conservadores, no capítulo da Moral e Bons Costumes. No quotidiano, todavia, se lhes acontecesse algo semelhante ao de Aurora, passados alguns dias da ira doméstica, logo o feito já fora, feito estivera e desfeito se faria. A rapariga, mesmo prenha, era possuidora de mais dois braços para o trabalho na leira, a quem não se podia dar ao luxo de maltratar ou exilar. Melhor: ainda que a criança viesse a ser uma boca a mais para dar sustento, logo em breve iria significar, também, outros braços para a economia da família.

 

De sorte que a menina pobre de uma vila ou aldeia do Concelho, embora não mais donzela, permanecia integrada à comunidade. Findo o tempo de comentários nas feiras, tavernas e outros locais de reunião, logo se passaria um sabão em todo o ocorrido. O que se veria ao sol, doravante, seria roupa lavada e posta para secar. Já então se poriam os linguarudos a falar sobre uma costureira de Mexide que matou o marido a tesouradas ou de um velho viúvo em Faiões, que fora pego ao manter, como suas concubinas, as três cachopas, jovens, mas já postas, que a falecida lhe deixara como enteadas.

 

Daí o facto de as pessoas do povo pobre de Chaves nunca deixarem de demonstrar, perante Aurita e os seus, uma compaixão solidária, advinda de corações dos quais, até então, nem se pudera pensar em receber tamanho apreço. Uma significativa parcela dos que eram da classe alta ou média da Vila, no entanto, sem que jogassem pedras à rapariga ou gritassem impropérios à passagem dos Bernardes, pareciam estar sempre a garatujar por toda parte, aos muros de Aquae Flavia, com um carvão invisível, uma só palavra: DESONRA. Ou a marcar, igualmente, com apenas um “D” obscuro, mas indelével, os muros e os portões da Quinta Grão Pará.

 

 

  1. CILÍCIO E SAMBENITO.

 

Bem mais do que a Cerimónia do Chá, que Alfredo celebrara com a sua gueixa brasileira, atrás do biombo japonês, sua progressiva consciência era a de...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

fim-de-post

 

 

03
Jun19

Quem conta um ponto...

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445 - Pérolas e Diamantes: As boas almas e o socialismo

 

 

Já Balzac dizia que as boas almas raramente acreditam na maldade e na ingratidão. Para isso, necessitam de sofrer rudes lições antes de reconhecerem a extensão da corrupção humana.

 

É da ciência popular: os lobos não se comem uns aos outros. Nós é que demonstramos todos os dias a inocência dos cordeiros.

 

O que interessa é nunca mentirmos às nossas convicções. E desconfiar daqueles que defendem qualquer cruzada a favor da igualdade sem, no entanto, se julgarem iguais a ninguém.

 

Existem pessoas a quem tudo lhes é permitido e desculpado. Podem fazer os mais diversos disparates, mas nelas tudo fica bem. Tudo justifica as suas ações. Mas há outras que o mundo julga com extrema severidade. São aquelas que têm de fazer tudo bem, as que não podem errar, nem falhar, nem sequer deixar escapar uma qualquer tolice. As primeiras banalizam-se e triunfam. São as que chegam ao poder. As outras fazem o mundo sobrevier.

 

O padre espanhol que aparece no final do livro “Ilusões Perdidas”, de Balzac, abriu-me os olhos para o entendimento da sociedade que nos rodeia.

 

De facto, os grandes cometem quase tantos atos de cobardia quanto os miseráveis. Só que o fazem de maneira diferente: cometem-nos na sombra e ostentam as virtudes. Já os pequenos desenvolvem as virtudes na sombra e expõem as misérias à luz do dia, por isso são desprezados.

 

A discrição é a sigla dos ambiciosos.

 

O socialismo estagnou. A sua luta, e a sua força, em prol da justiça já foi chão que deu uvas. Por isso, a extrema-direita está a emergir de forma acelerada e a conquistar as almas dos descontentes, dos expostos, dos revoltados.

 

Falar hoje de socialismo é quase tão irrelevante como falar do tempo ou discorrer sobre o estado da arte contemporânea.

 

Sim, eu sei, possuo uma veia negativa. Mas sou capaz de fazer ligações. A maioria gosta de as negar. Eu costumo ficar atento. Só isso.

 

Depois dos pássaros, nos beirais, se chamarem uns aos outros nos dias de sol, chega sempre a altura do vento soprar forte. 

 

O socialismo dos socialistas atuais está imbuído da mesma tristeza trágica que trespassa os filmes de Woody Allen. Ou o sentido trágico de Tchékhov. Não perguntam nada, não se questionam em coisa nenhuma. Carregam apenas os aspetos. Mas a sua benignidade já deixou de fazer parte do nosso imaginário.

 

A ideologia deixou de estar centrada nas pessoas para se focar na natureza. Agora é mais o aquecimento global. Tudo o resto é secundário. Parece que estamos todos a correr para nos enfiarmos na boca do inferno, ao estilo de Bosch.

 

Houve tempo em que eles transportaram dentro de si a imagem do futuro, atravessando o ódio e o medo. Depois atropelaram-se, quando tentaram passar do escuro para a claridade. Já não conseguem alcançar o que diziam ser o seu destino.

 

Vivemos tempos infelizes e conturbados. Estamos a resvalar para a zona dos países de média pobreza. Os contemporâneos dão frequentemente mostras de indiferença. Alguns até se viciaram na crueldade.

 

Já não se presta a devida atenção aos sistemas económicos e políticos, já não se fazem juízos estéticos, já não se questionam as hierarquias sociais.

 

O socialismo pós-moderno é como o yoga: uma forma de imobilidade comercializada. Uma forma de autoatualização burguesa.

 

O socialismo pós-moderno é procrastinador. Os seus seguidores parecem canários alegres dentro da gaiola. Por isso os seus voos são curtos.

 

Apesar da benignidade do altruísmo, de pouco serve marrar contra as falhas humanas.

 

Pelos vistos, até a esquerda da esquerda renunciou às mais amplas liberdades proletárias em nome dos arreios da classe média. Daí a geringonça, que, apesar das suas mais-valias, não é um manancial de progresso.

 

O socialismo foi durante muito tempo uma espécie de ideal universal de beleza feminina. Mas, como é natural, envelheceu. Os seus cabelos são agora grisalhos, o seu traseiro engordou, o corpo criou estrias. E o seu rosto ficou cheio de rugas. Aprendeu mesmo a enfiar o dedo pela garganta abaixo para provocar o vómito. Agora anda nisto: entre a bulimia e a anorexia.

 

João Madureira

 

01
Jun19

Selhariz - Chaves - Portugal

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Cá estamos de novo com as nossas aldeias de Chaves, hoje, seguindo a ordem alfabética desta nova ronda, toca a vez a Selhariz.

 

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Selhariz é uma das aldeias que não calha nos nossos itinerários principais do concelho, quero dizer com isto, que não fica nas proximidades das estradas nacionais principais ou secundárias. Para sermos mais precisos, Selhariz fica localizada entre Chaves e Vidago, mais próxima de Vidago que de Chaves, numa das montanhas entre a Estrada Nacional 2 e a Estrada Municipal 311 entre o Peto de Lagarelhos e Vidago.

 

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Contudo o trajeto mais interessante a partir de Chaves, porque menos utilizado e mais selvagem, é pelo interior, entre montanhas, via Paradela de Veiga, Agostém, Ventuzelos, Vilas Boas, Fornos e finalmente Selhariz.  Se for por aqui, logo a seguir a Ventuzelos faça um pequeno desvio e suba até a Santa Bárbara que é um autêntico miradouro sobre (quase) todo o concelho. O quase é devido à Serra do Brunheiro cuja altura esconde todo o seu planalto.

 

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No regresso a Chaves, para não vir pelo mesmo caminho, depois de visitar Selhariz pode regressar via Vidago, descendo primeiro até à EM311 onde encontrará Vila Verde de Oura e logo a seguir temos Vidago.

 

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Vidago que é relativamente próxima de Selhariz, coisa de 4km de distância. Aliás, com a nova organização administrativa das freguesias em que Selhariz perde a sua freguesia para passar a fazer parte da Freguesia de Vidago (União das freguesias de Arcossó, Selhariz, Vidago, Vilas Boas e Vilarinho das Paranheiras) com sede em Vidago.

 

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Selhariz é uma aldeia que tem nitidamente um aglomerado mais antigo e concentrado que se desenvolveu à volta de uma casa senhorial mesmo ao lado da igreja, mas nesse pequeno núcleo central há vestígios de um núcleo medieval muito mais antigo que o atual. Este pequeno núcleo e igreja forma um quarteirão por onde passam as ruas principais da aldeia, desenvolvendo-se a restante aldeia a partir destas ruas, formando um núcleo de maior dimensões que terminam em dois largos, um o da antiga escola, com uma fonte no centro, tendo nos seus limites um campo polivalente anexo à antiga escola e do lado contrário um tanque e, se a memória não me falha, também o lavadouro público.

 

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O segundo largo onde penso que estava a antiga sede de freguesia, localiza-se à saída da aldeia em direção a Vila Verde de Oura/Vidago.  A partir deste núcleo perfeitamente consolidado, nasce uma outra aldeia, de construções mais recentes que foram sendo construídas ao longo das ruas que dispersam a partir do núcleo central, mas que acabam por convergir para um outro ponto importante da aldeia – o cemitério onde existe uma pequena capela.

 

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Foi precisamente neste trajeto entre a capela deste cemitério e a igreja do núcleo central que, por sorte, na minha última deslocação à aldeia apanhei a procissão do Corpo de Deus, mas isso já foi há 10 anos, mais precisamente no dia 11 de junho de 2009. A partir de aí, embora tenha passado algumas vezes pela aldeia, não tive oportunidade de fazer mais registos fotográficos.

 

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Como destaques da aldeia, destacaria todo o núcleo histórico, principalmente o que é composto pela tal casa senhorial, que foi convertida em turismo Rural ou de Habitação e conhecida como a “Casa de Selhariz” e a igreja paroquial. O Largo da antiga escola também é muito interessante, incluindo a própria escola que sai fora da típica escola cinquentenária, sendo esta em pedra à vista, com uma única sala de aula, mas com uma entrada precedida por um pequeno alpendre de com telhado de três águas suportado por duas colunas cilíndricas de granito, peça única com adornos na base e no topo.

 

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Destacaria também a envolvência da aldeia, circundada por um espaço de terras de cultivo, pastagens ou pequenos pomares, olivais e vinhas, formando uma macha que na primavera e verão se enche de matizes de verdes. A circundar esta mancha, temos montanha maioritariamente coberta de pinhais, mas onde aparecem alguns sobreiros.

 

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Em termos de população residente, Selhariz também não é exceção no que respeita a perda de habitantes, contundo os dados que tenho são da antiga freguesia, à qual pertenciam também as aldeias Fornos e Valverde, já não contando a pequena aldeia de Vila Rel há muito totalmente despovoada. Assim, penso, que a descida de população foi mais acentuada nas restantes aldeias do que propriamente em Selhariz, onde se nota ser ainda uma aldeia com muita vida. Mas ficam os números, que repito são dados da freguesia, apenas os números de 3 CENSO, os de 1950 em que atingiu o topo de população desde que á registos de CENSOS e que foi de 593 habitantes residentes, e os dos CENSOS de 2001 e 2011, que foram de, respetivamente, 311 e 244 habitantes. Se quiser saber mais sobre os dados da freguesia, nem há como dar uma vista de olhos ao post/mosaico que dediquei à freguesia, aqui: Selhariz

 

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E é tudo, por agora, mas como vem sendo hábito, deixo um vídeo com as imagens de hoje e outras que fui publicando ao longo destes últimos anos. Espero que goste e pode copiar ou partilhar o link para o ver diretamente no youtube, aqui: SELHARIZ  

 

 

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