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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Jan20

Quem conta um ponto...

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476 - Pérolas e Diamantes: Rei-Presidente Sidónio Pais

 

Os líderes míticos portugueses são personagens de romance. Todos eles. É também esse o caso do Rei-Presidente Sidónio Pais.

 

Em abril de 1928 foi eleito Presidente da República por sufrágio universal, na altura unicamente masculino. Enormes massas de povo juntaram-se a Sidónio, aclamando-o como um salvador.

 

A verdade é que ascendeu à chefia do Estado de forma discreta a partir do exercício da sua função de professor universitário. De facto, Sidónio Pais, ao contrário daquilo que muita gente pensa, não era líder militar, nem chefe de partido. O que faz deste episódio um dos mais estranhos da história política portuguesa do século XX.

 

A verdade é que a sua vida tinha girado muito em volta do jogo a dinheiro, em que se viciou, e também dos namoros extraconjugais. Em 1906, escandalizou a sociedade ao abandonar a sua legítima esposa e os cinco filhos para ir viver com uma amante, que, por acaso, também era casada.

 

Foi só em 1910, com a implantação da República, que Sidónio Pais alcançou a sua oportuna iniciação maçónica. Começou a acumular cargos: vice-reitor da universidade, presidente da Comissão Administrativa Municipal de Coimbra, administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911), ministro do Fomento e das Finanças dos primeiros governos constitucionais (1911-1912) e finalmente embaixador na Alemanha (1912-1916).

 

O célebre escritor e político republicano João Chagas encontrou Sidónio em Paris, quando ele regressava a Portugal depois da declaração de guerra da Alemanha (março de 1916) e ficou mal impressionado pela sua magreza, pelo seu mau francês e pelos rumores sobre a sua movimentada vida sexual. Não teve dúvida em o considerar uma “personalidade insignificante”.

 

Dizem que foi o modo como era subestimado o que o ajudou na conjura em que acabou por se envolver em Lisboa, no verão do ano seguinte.

 

Os pormenores da conspiração de Sidónio Pais nunca foram claros.

 

Foi com o apoio de um amigo agricultor, António Miguel de Sousa Fernandes, que, seguindo a receita tradicional para sublevar a guarnição de Lisboa, contactou oficiais de baixa patente, sargentos e voluntários civis. A polícia, informada dos seus movimentos, não o prendeu porque nunca lhe deu importância.

 

No meio da bagunça que se instalou em Lisboa, nos primeiros dias de dezembro de 1917, mal se soube da rendição do governo de Afonso Costa, o povo assaltou e destruiu as casas e os escritórios dos ministros e de todas as sedes, centros escolares, cantinas e jornais do PRP,  na capital. Multidões bailaram e cantaram à volta das fogueiras onde ardia o recheio dos edifícios saqueados: “Tudo dança, tudo dança, \ Tudo dança, tudo gosta, \ Já caiu o Ministério \ Já morreu Afonso Costa.”

 

Foi então quando Sidónio se pôs ao comando das tropas revoltadas no Parque Eduardo VII, ao princípio nervoso, depois com determinação implacável, competência técnica e bom humor, sempre a fumar e a comer chocolates. A 11 de dezembro, de presidente da Junta Revolucionária passou a chefe do Governo.

 

Avisou que “iria vinte vezes ao parque Eduardo VII para combater a demagogia”. O povo começou a admirá-lo como um “teso”, um “valente”. A oligarquia política acreditou finalmente que ele falava a sério quando afirmou: “não sirvo para ser o guarda temporário do país”. De homem discreto passou a herói providencial.

 

Sidónio aumentou os prés, melhorou o rancho e multiplicou as paradas militares, onde o exército pode exibir um novo aprumo e o recente material de guerra.

 

Resolveu então romper com os partidos republicanos. “À revolução feita com os tiros dos canhões, teria de se seguir outra, mais difícil, com base numa reviravolta de espíritos”.

 

A 9 de maio de 1918, numa cidade em festa, em cima do cavalo e de espada desembainhada, assistiu a uma enorme parada da guarnição militar da capital, enquanto dois aviões sobrevoavam a cidade. Nos dias seguintes, o Presidente teve sucessivos banhos de multidão. A imprensa notou a “excitação do público feminino”.

 

A 14 de dezembro foi alvejado no peito com um tiro, em plena gare do Rossio. Há duas versões das suas últimas palavras. Para uns terá dito: “Não me apertem, rapazes”. Para outros, despediu-se com uma deixa mais teatral: “Morro bem, salvem a Pátria”.

 

Segundo Fernando Pessoa, o sidonismo salvaguardara o que de fundamental os republicanos tinham feito: a expulsão da dinastia e a negação de um papel político ao clero católico. E, sobretudo, tentara dar um passo fundamental na eliminação do tipo de políticos profissionais, bacharéis e caciques que governavam a república como já antes tinham governado a monarquia constitucional.

 

João Madureira

 

12
Jan20

O Barroso aqui tão perto - Lama da Missa

Montalegre - Barroso

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Lama da Missa, é este o nome da aldeia barrosã que hoje vamos ter aqui e que tantas vezes calha nos nossos itinerários do Barroso.

 

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Localizada na margem esquerda do rio Rabagão, juntinha ao paredão da barragem do Alto Rabagão, comummente conhecida por barragem dos Pisões, esta localidade um pouco dispersa, situa-se já em plena serra do Barroso, a 900 metros de altitude, ali como quem sobe para os famosos cornos do Barroso e a umas centenas de metros do limite do concelho de Montalegre, confrontante com o concelho de Boticas.

 

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Já que iniciámos com a localização, vamos agora ao nosso itinerário recomendado, que por sinal não é o mais curto, mas que para uma primeira vez recomendamos este, que desde a cidade de Chaves, tem início na EN103 (estrada de Braga), passa pelo nó da A24, Sapiãos até ao Barracão. Aqui recomendamos sair da EN103, virar à esquerda para a M525 em direção a Criande/Morgade, onde encontramos a barragem dos Pisões (margem esquerda). Depois é seguir sempre junto à barragem, passando por Negrões e Vilarinho de Negrões, e logo a seguir é a Lama da Missa, mesmo junto ao paredão da barragem. Ao todo, entre Chaves e a Lama da Missa , são 56,20Km. Mas fica o nosso mapa com as indicações necessárias.

 

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Tal como referimos não é o itinerário mais curto (via Boticas), mas recomendamos este, porque o troço entre Morgade e a Lama da Missa é de passagem obrigatória, com um convite constante a paragens para apreciar a paisagem e fotografar, sempre com a barragem em primeiro plano e as suas aldeias ribeirinhas a entrar pela barragem a dentro, principalmente quando esta está cheia em que a água chega mesmo a tocar em algumas casas.

 

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Há ainda uma terceira opção para chegar à Lama da Missa, que é continuar sempre pela EN103 até aos Pisões e aí, atravessar via paredão da barragem para a outra margem. No final do paredão já é Lama da Missa.

 

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Lama da Missa, que além de calhar em passagem nos nossos itinerários, também é um dos pontos onde com frequência fazemos paragens para repor forças, principalmente depois de uma longa manhã de trabalho na recolha de imagens das aldeias barrosãs, onde há sempre uma mesa cheia de coisas boas, da época de inverno, que se “colhem” nos lareiros, nas salgadeiras e terrenos anexos.

 

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Nesta imagem que atrás fica e na próxima, podemos ver aquilo que, depois de “maduro”, se pode colher nos lareiros, para depois de irem ao pote, à panela e ao lume, sem esquecer à ida à horta, às couves, e ao armazém às batatas, que pode ser na hora. Depois é esperar que o pote fumegue tudo que tem a fumegar, junta-se tudo numa travessa e vai à mesa, acompanhado de bom azeite para quem quiser, mas que até se dispensa e de bom vinho, este não se pode dispensar, pois é como um medicamento que vai ajudar a combater alguma gordura em excesso e a fazer a digestão. Depois disto, convém descansar um bocado, assossegar, mais o corpo do que a alma, antes de se fazer de novo ao caminho.

 

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Quanto à origem deste topónimo, ainda sem consultarmos o que diz a Toponímia de Barroso e outros escritos, mas com aquilo que os seus habitantes e populares nos contaram, dizem ter origem em tempos mais antigos, em que os habitantes da margem esquerda do rio Rabagão, muito antes de existir a barragem dos Pisões, nos invernos mais chuvosos, o rio impedia-os de atravessarem para a outra margem. Aos domingos, quando queriam ir à missa da igreja mais próxima e da freguesia, a de Viade de Baixo, deslocavam-se até ao local mais próximo da igreja que lhes era permitido ir, ou seja uma lama[i] próxima do rio, e desde aí ficavam a “assistir” à missa de Viade de Baixo, mais metro, menos metro, segundo os meus cálculos, a cerca de 1km de distância.

 

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Claro que este “assistir “ à missa, e agora sou eu a supor, seguiria com as rezas habituais das missas, mais ou menos, em simultâneo com o que suporiam estar a acontecer do outro lado do rio, na igreja de Viade de Baixo, pois na altura, não me consta que houvesse altifalantes para reprodução de som, skypes, facebooks com ligações em direto, etc., aliás, nem eletricidade havia. Bem, esta foi a estória que me “venderam”  e não me custa nada, mesmo nada, acreditar nela.

 

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Ainda antes de passarmos ao que encontrámos nas nossas pesquisas, ficam mais algumas impressões pessoais sobre a Lama da Missa, cuja recolha de imagens e de informações não fizemos de uma só vez, mas antes, fomos fazendo ao longo dos anos em que andamos nestas andanças de descobrir o Barroso, que para nós também foi uma lição de como se descobre. Pois de início, ia passando por lá e dizia para com os meus botões – “isto não tem nada para além do restaurante”, mas com o tempo, fomos dando conta que não era bem assim, pois a Lama da Missa não se pode entender como uma povoação tradicional, com um aglomerado histórico e campos à sua volta, nada disso, a Lama da Missa é um conjunto de casario disperso, mais antigo e atualmente abandonado, mais parecendo quintas com os seus conjuntos de casa de habitação e anexos, mas também aqui bem diferentes das quintas tradicionais, em geral abastadas, esta são “quintas” de montanha, mais humildes e mais abrigos do que propriamente quintas.

 

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Hoje em dia, logo a seguir ao restaurante Albufeira, existe sim um pequeno núcleo de casas recentes, mas sem chegar à dúzia. Contudo não deixa de ser interessante, basta deixar as estradas, ou até mesmo nestas, e subir as encostas e adentrar-mos os seus caminhos, para descobrir-mos pormenores e paisagens únicas, quase virgens (às vezes) mas cheias de vida selvagem ou semisselvagem, tal como acontece com o gado doméstico, cavalos, cabras, vacas e burros a viver felizes (suponho) sem ninguém por guarda, embora em campos vedados, à exceção das cabras que essas andam mesmo a monte. Seria uma pena termos ficado pelas primeiras impressões de “isto não tem nada” e termos perdido estes lugares, estas paisagens, este viver a terra no que ela permite ser vivida.

 

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Mas adiantemos e vamos até aquilo que nos dizem os documentos e outras publicações que consultamos, que antevemos ser pouca coisa, tal como acontece na monografia de Montalegre, onde apenas aparecem duas referências, uma no espaço dedicado à freguesia onde se menciona a Lama da Missa como um dos seus lugares e outra, indireta, por calhar na rota das barragens.

 

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Eis a referência que faz a monografia de Montalegre:

 

A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

 

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E continua a monografia de Montalegre:

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”. Lamachã e Vilarinho Seco são aldeias pequenas de rosto antigo, sorridentes nas expressões populares e rodeadas de pastos, campos de milho e centeio. Na descida para Lama da Missa pare e admire o vasto panorama da albufeira da barragem do Alto Rabagão.

 

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Sinceramente mais nada encontrámos nas nossas pesquisas, mesmo na internet, que embora apareçam algumas referências à Lama da Missa, sem interesse para este post, tal como coordenadas, código postal, etc, a única que se repete, e que já indiretamente abordámos, é a do Restaurante Albufeira, a esse sim, há muitas referências. Assim sendo, passemos para o que nos diz a Toponímia de Barroso.

 

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Na Toponímia de Barroso, encontrámos o seguinte (as notas de rodapé são nossas):

 

Lama da Missa

É um lugar muito recente. A lama já lá estaria há muito tempo mas a missa ainda hoje lá não chegou. (veja o topónimo Lamas).[ii]

Conta-se que os habitantes do Telhado, durante os meses de Inverno, visto que não havia ponte sobre o Regavão[iii] para irem à missa a Viade, desciam de suas casas até à lama, ajoelhavam-se, descobriam-se venerantemente e ali esperavam que alguém lhes acenasse com um lençol… Era o sinal da missa em Viade. Daí a Lama da Missa.[iv]

 

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E mais não diz, e mais nada temos para contar, só resta para terminar, sem qualquer intenção de fazer publicidade, agradecer a forma como sempre fomos recebidos no Restaurante Albufeira, inclusive quando aparecemos fora de horas ou quando está à pinha, nunca saímos de lá sem comer e satisfeitos. Um obrigado ao Paulo Pinto, à mãe e às empregadas lá do sítio (do Restaurante e da Lama da Missa e redondezas). 

 

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E agora o vídeo com todas as imagens publicadas. Não deixamos referência para posts anteriores, porque este é o primeiro que dedicamos à Lama da Missa.

 

 

 As nossas consultas:

 

BIBLIOGRAFIA:

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://toponimialusitana.blogspot.pt

https://dicionario.priberam.org/lama - "lama", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020,  [consultado em 12-01-2020].

 

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[i] Conjunto de matérias soltas do solo ensopadas em água

[ii]  Que nós fomos ver, mas como apenas se refere ao significado e origem da palavra “Lamas”, não tem interesse para este post, além de o significado já o termos deixado neste post.

[iii] Em geral é grafado como Rio Rabagão

[iv] “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, como veem os ditados populares têm sempre razão. A estória que me contaram é ligeiramente diferente e como nunca foi grafada em qualquer documento, a não ser os atuais em que começa sempre por “conta-se”, “disseram-nos”, “diz o povo”, ou seja, é feita a história à maneira cigana, vai passando de geração em geração oralmente, daí, embora todas as estórias andem à volta do mesmo, todas elas são diferentes e igualmente válidas. Aqui temos duas…

 

 

11
Jan20

Aldeia de Tronco

Chaves - Portugal

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TRONCO

A nossa aldeia de hoje é Tronco, pois é assim que manda a ordem alfabética desta nova ronda pelas aldeias. Nova ronda que já não é recente, pois a uma aldeia por semana, chegar até ao fim da letras T (neste caso de Tronco), foi uma longa caminhada.

 

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Engraçado que no início desta ronda, a intenção era a de trazer aqui apenas três fotografias que tivessem escapado a anteriores seleções em publicações sobre a aldeia, que seriam uma foto a cores, uma a p&b e outra com cutout, mas com o tempo fomo-nos entusiasmando e fomos acrescentando outras que achávamos que eram merecedoras de estar aqui, depois, mais tarde, introduzimos e acrescentámos o vídeo com todas as fotografias publicadas no blog até à data presente.

 

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Pois é nessa que estamos, acabando por ser mais um post sobre as aldeias a quem calha a sorte de calhar na ordem alfabética, sem contudo, lembramos, não termos (em geral) ido a estas aldeias ultimamente, ou mesmo há anos. Fica esta informação apenas para dizer que as fotos são de arquivo, fotos que fomos reunindo ao longo da existência deste blog, ou seja desde há 15 anos, com as fotos mais antiga que hoje fica por cá a estarem datas de 2006 e as mais recentes de 2012, ou seja, mesmo as mais recentes já foram tomadas há 7 anos, assim, é normal que nem tudo, hoje, esteja tal qual está retratado nas fotografias, o que até tem o seu interesse.

 

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É mesmo assim, aliás um dos motivos que torna as fotografias interessantes, é o tempo que já passou por elas, e quanto mais antigas mais interessantes, mesmo que o motivo, composição, pormenor ou a qualidade da fotografia não tenham grande interesse, ganham-no como documento, embora não seja o caso para nós que há 15 anos já eramos adultos, mas já o pode ser para aqueles que hoje têm entre os 15 e 20 anos de idade.

 

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Isto leva-nos também a um registo constante de aldeias e motivos por onde já passámos, mas também é conveniente dar um certo tempo entre visitas, pois aí, as diferenças acentuam-se. Quero com isto dizer que um ano destes que hão de vir, se a vida mo permitir, haverá uma nova ronda pelas nossas aldeias, sem com isso desprezar ocasionais passagens por elas, onde há sempre um ou outro motivo que atraem a atenção do nosso olhar, e como agora se anda sempre com câmara fotográfica, nem que seja a de um telemóvel.     

 

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Estamos cientes que nestas abordagens nunca conseguimos dar o todo da aldeia, por muito que se tente, e depois há motivos que nem por isso nos atraem, gostamos mais de imagens que nos podem contar coisas, que têm montes de estórias a elas ligadas, imagens que até podem ser desconhecidas para nós, mas que nelas podemos imaginar estórias e que nos levam a outras recordações.

 

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E depois há sempre os pormenores, sempre tentadores a um registo, podem não mostrar nada se neles nada quisermos ver, podem ser apenas atrativos  pela cor ou pelas formas, mas podem mostrar se realmente olharmos para eles com atenção, como a fé em algo que se crê numas alminhas, a arte e saberes tradicionais espelhados nos cortinados de uma janela, ver obras de arte que por serem populares dizem já não ser arte a sério, daí  apelidá-la de artesanato e ao artista de artesão, ou simplesmente ter a sorte de assistir a refeição de um ninho de passarinhos.

 

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E estamos a concluir esta passagem por Tronco, a finalizar com o vídeo com todas as imagens publicadas até hoje aqui no blog. Espero que gostem.

 

 

Links para anteriores abordagens a aldeia de Tronco:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/tronco-chaves-portugal-1309608

https://chaves.blogs.sapo.pt/786514.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/365647.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/22292.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/391854.html

 

 

 

 

11
Jan20

Pedra de Toque

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Onde?

 

Onde é tu andas?

Onde pára o teu sorriso?

Não te vi de noite,

Nem te vi de dia!...

 

Procurei-te no caudal do rio,

E nas flores que restam.

Nem o teu sorriso murchou com as flores

Nem se desfez com a força do caudal.

Depois da chuva, chegou o frio que penetra.

Ontem a muita música que ouvi,

Inundou-me a alma, com a emoção que se espalhou em mim.

 

O meu país, vai caminhando seguro e sereno.

Entretanto, eu queria que me aquecesses,

Com os teus olhos, com as tuas mãos, com a tua boca.

 

A minha entrada no novo ano,

Seria mais feliz!...

Mas é melhor viver sem felicidade,

Do que sem amor.

 

Amar-te-ei para sempre!

  

António Roque

 ( chaves,6/1/2020)

10
Jan20

O Barroso aqui tão perto - Carvalhais (vídeo)

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Carvalhais - Montalegre

 

Esta promessa antiga de trazer aqui as aldeias do Barroso que não tiveram o vídeo resumo no post completo da aldeia, foi até aqui cumprida aos domingos, mas agora passa a ser todas as sextas-feiras, isto, porque aos domingos vão estar aqui as aldeias que ainda não abordámos, aliás ainda não completámos as aldeias de Montalegre, faltando ainda todas as aldeias de Boticas e uma freguesia de Vieira do Minho e outra de Ribeira de Pena que também pertencem ao Barroso. Daí, agora o blog Chaves dedicar dois dias ao Barroso, as sextas-feiras e os domingos.

 

Hoje como já perceberam, temos aqui a aldeia de Carvalhais, do concelho de Montalegre. Aqui está o seu vídeo:

 

 

Link para partilha ou ver diretamente no youtube:

https://youtu.be/TNJBrWACbno

 

Post do blog Chaves anteriormente dedicado à aldeia de Carvalhais:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

 

E ainda um aviso que já várias vezes deixámos por aqui, mas que nunca é demais repeti-lo:

Para ver as aldeias de Barroso que já tiveram aqui o seu post, basta ir ao menu que está no topo deste blog, onde diz “BARROSO” ou então e mais rápido, ir à barra lateral do blog onde estão todas as aldeias listadas por ordem alfabética. Se a aldeia que pretende ver não está lá, é porque ainda não teve aqui o seu post, mas em breve terá.

 

 

10
Jan20

Vivências

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2020

 

Os que nascemos na década de 70 estamos agora a chegar aos 50, mais ano menos ano. Já temos cabelos brancos e num ou noutro momento já nos queixamos de uma dor aqui ou ali e, em jeito de brincadeira, vamos dizendo uns para os outros que é da idade (e é mesmo…).

 

Os nossos filhos mais velhos estão a terminar o secundário ou entraram já na Universidade. Vemo-los cada vez mais crescidos, autónomos, e a quererem seguir (e ainda bem) o seu próprio caminho. E, então, finalmente compreendemos algumas coisas (ou quase tudo, mesmo) que os nossos pais nos diziam quando tínhamos a idade deles e por que razão eram tão chatos connosco. O “conflito de gerações”, um conceito que desapareceu subitamente das nossas vidas quando nos tornamos adultos, e que pensávamos que já não nos voltaria a apanhar, apanhou-nos afinal, novamente, mas agora connosco do outro lado. Felizmente, a meu ver, temos hoje melhor preparação e ferramentas diferentes daquelas que tiveram os nossos pais para lidarem connosco.

 

A vida social, que outrora queríamos sempre intensa e agitada, ganha agora um tom mais calmo. Valorizamos coisas diferentes, mais simples e tranquilas: uma boa conversa numa esplanada, um jantar com amigos, um bom livro, um fim-de-semana em família…

 

Nas conversas com os amigos tanto falamos do mau tempo que fez na semana anterior como da situação económica que o país atravessa ou das preocupações com a saúde ou educação dos nossos filhos. Por vezes, recordamos também vivências anteriores, histórias e peripécias com as quais na altura rimos ou chorámos e acabamos, quase inevitavelmente, por estabelecer uma comparação entre os tempos de agora e os de antigamente (seriam melhores?).

 

Nas redes sociais reencontramos velhos amigos, quase sempre com alguns quilos a mais e ainda mais cabelos brancos do que nós. Pedimos-lhes amizade, metemos conversa e vamos sabendo por onde andam e o que fazem.

 

  1. Não estamos velhos, estamos apenas mais vividos, e o que nos preocupa agora é, sobretudo, o futuro dos nossos filhos. Onde estaremos todos em 2050?

 

Luís dos Anjos

 

 

08
Jan20

Crónicas de assim dizer

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Do outro lado da rua

 

Uma das maiores capacidades que temos é vermo-nos como se fôssemos um outro, observarmo-nos de fora, vermo-nos, por exemplo, a atravessar a rua e do lado de cá, olhos nos olhos, descrever o perfil psicológico do outro que de nós se separou e que agora está, atravessada a passadeira, do outro lado da rua!

 

Seriamos capazes de lhe ver as qualidades e os defeitos, manter umas e corrigir ou melhorar as outras!? Estabelecer diálogos, usar argumentos que servem nos dois sentidos: na concordância e na oposição; e assistir, sem interferir, ao desfecho da conversa!? Ver como reagiríamos no caso de ela ser controversa ou, em oposição, assistir simplesmente ao debate de ideias, mais do que ao embate? De que lado ficaríamos? Com qual nos identificaríamos mais? Seriamos mesmo capazes de comunicar, fazer amizade?

 

É possível isto? Sairmos do corpo mantendo a alma incólume e subdividindo-a, sem a fraccionar? Levar de tudo a parte que seria precisa para reconstruir uma nova personalidade… Seriam gémeas? Falsas ou verdadeiras? Verdadeiros irmãos, digo geneticamente, filhos do mesmo pai e da mesma mãe?! Ou talvez nos surpreendessem as personagens que então se formariam e, a partir daí, se desenvolveriam! Seriam compatíveis!? Viveriam numa luta constante ou, ao contrário, partilhariam a parte que lhes fosse comum, respeitando as diferenças entre si!?

 

Assim me vi, de fora, do outro lado da rua e persegui a imagem tentando espiar ou perceber o que faria ela sem parte de mim! Deambularia, por certo, pela cidade à procura de um canto, de um recanto, onde se ou me encontrasse! Onde esconderia os medos incapacitantes, os desejos não fazíveis, os sonhos não realizáveis, as vontades não expressas, os sentimentos não assumidos, as emoções irreprimíveis e os pensamentos livres, sem dono nem mentor!? O que seria eu longe de mim? Sentiria alguma ausência, algum espaço por preencher, algum vazio no espírito que, agora, parecia livre e se arriscava em voos intangíveis, inacessíveis, como se de repente tivessem, no corpo ausente, surgido umas asas que permitiam à alma planar sem esforço, sobrevoando a terra, o mar e as sombras no imensurável céu, por cima das nuvens, onde sobeja o sol?! E o outro como se sentiria, o que não atravessou a rua e ficou do lado de cá da passadeira? Ou de lá, que eu não quero tomar partido nisto!

 

Se se perdessem nas ruas da cidade, deixando um de perseguir a curta distância o outro, conseguiriam encontrar-se, reconhecer-se, identificar-se!? Teriam, nesse momento, presente que se tratava de um reencontro ou teriam necessidade de se apresentarem como se de dois estranhos se tratasse!? Qual ou quem o faria?

 

Teria o acaso o poder de isso determinar, sem estar antes escrito? Pois como o poderia estar se a decisão, a ser tomada, teria partido de uma parte deles que o outro desconhecia? Desconhecia a decisão, mas conhecia a parte que, em parte, isso decidiu. É possível, pelas circunstâncias, reconhecer-se o interior das coisas, fora delas?

 

Parece arriscado o exercício! E arriscado dizê-lo sem se conhecer do que dele resultaria. Mas temos o quê a perder, objectivamente qual é o risco que corremos? Pois não sabemos e quando não sabemos, o ser irrequieto que há em nós experimenta, quase sempre, porque tem a expectativa de vir daí alguma coisa mais.

 

Assim fiz, deixei que o outro atravessasse a rua e, de propósito, enquanto ele escolhia a direcção que iria tomar, virei-me de costas. Quando retomei a direcção do anterior olhar, ele já lá não estava!

 

Percorro hoje as ruas da cidade sem propósito consciente, consciente de não precisar que haja um, embora tenha a lucidez de perguntar constantemente: o que procuro eu? E não sei, como tudo o que há em mim para ser: não faço nenhuma ideia do que seja!

 

É importante isto? Talvez não seja, mas cresce em mim a convicção de que nunca o encontrarei, embora tenha ao mesmo tempo a certeza de que se, por um acaso ou sem ele, nos cruzarmos um dia, ah sim, eu vou reconhecê-lo no primeiro olhar. Sei também que vou sorrir, mas já não tenho a certeza se o vou abraçar!

 

Pensando bem, o que é sempre difícil de fazer, talvez seja melhor ideia não o perder de vista. É ao menos mais seguro e o não saber é sempre um desconforto para a alma e para o corpo.

 

Estava exactamente a tirar esta conclusão quando, por escassos segundos, o olhar se desviou irrefletidamente no empenho do pensamento e quando retomou o lado de lá da passadeira, ele, já lá não estava. Aconteceu o que já tinha acontecido, primeiro sem pensar, depois com a consciência disso!

 

Confesso aqui, porque não me permito mentir-me, que a distracção não foi de propósito, embora eu faça muitas vezes isso. Desta vez não. Foi sem querer que perdi o outro de vista, das duas vezes! E vem talvez daí este sentimento ou sensação de que anda sempre alguém atrás de mim ou comigo e vem daqui o inconformismo, este não aceitar, esta quase culpa de ter perdido uma parte de mim por não me levar, o quanto devia, a sério.

 

Mas lido bem com isso, nesta fase há poucas coisas com que não lido bem. Fica, no entanto, o alerta de que pode ser perigoso experimentar isto em casa!

 

Cristina Pizarro

 

08
Jan20

Bóbeda - Chaves - Portugal

1600-BOBEDA (25)-video.jpg

 

Bóbeda

 

Até hoje o Blog Chaves dedicava os fins-de-semana às nossas aldeias, e vai continuar a fazê-lo, com um post completo, mas a partir de hoje, teremos também aqui as aldeias do concelho de Chaves neste dia, quarta-feira, com um post onde publicamos um pequeno vídeo com todas as fotografias da aldeia publicadas no blog até à presente data, isto para aquelas aldeias que não tiveram vídeo quando publicámos o seu post completo.

 

1600-BOBEDA (33)-video.jpg

 

Um vídeo mas também algumas fotografias que temos em arquivo e que escaparam nas anteriores seleções.

 

1600-BOBEDA (37).jpg

 

Fica então o vídeo de hoje, dedicado à aldeia de Bóbeda, ou seja, continuamos a seguir a ordem alfabética, tal como já vinha sendo habitual aos sábados.

 

 

Link para partilha ou ver diretamente o vídeo no youtube:

 

https://youtu.be/JTeiQQNDz3U

 

1600-BOBEDA (105)-video.jpg

 

Posts anteriores publicados no blog Chaves, dedicados à aldeia de Bóbeda:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/bobeda-chaves-portugal-1542483

https://chaves.blogs.sapo.pt/444426.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/197932.html

 

 

 

 

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