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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

“CABOS”

 

“É um facto sabido que

do Cabo de Stª Maria para nascente

 a abundância

 é de atum,

e do Cabo para poente,

de sardinha”

*Raul Brandão-Pescadores)

 

 

Com as palhas compridas do milho ou do centeio fazem grossas tranças entrelaçadas a acertados espaços com os grelos das cebolas.

Assim se “encaba” o «Cabo das Cebolas»!

 

As vassouras eram feitas de giestas. Mas mal duravam.

Aproveitou-se a piaçaba. Acrescentou-se-lhe um pau, redondo e leve: o Cabo da vassoura!

 

Fardados, de espingarda ao ombro e baioneta à cinta, a Guarda Nacional Republicana era distribuída por vilórias e aldeias. O comandante desse Posto era um Cabo: O Cabo da Guarda!

 

Na guerra, portou-se bem. E mal. Mas sobreviveu. Junto dos seus continuou a sua valentia. «Subiu na carreira»: é chamado Cabo de Guerra!

 

A costa é plana ou fractal. Porém, à saliência mais atrevida, a entrar pelo mar dentro ou a este lhe resistir, chamam-lhe Cabo. E ao mais famoso, o «Cabo das Tormentas»!

 

Camões disse daquele lugar: - “onde a terra acaba e o mar começa”.

Nós chamamos-lhe “O Cabo da Roca”!

 

A vida é fácil. Surge uma contrariedade: é o cabo dos trabalhos!

 

Estragou-se! Deu «cabo de tudo»!

 

Chegou-lhe a mostarda ao nariz: foi às do cabo!

 

         O “DEPOR” não ganha: dá-nos cabo dos nervos!

 

O árbitro roubou-nos (salvo seja!): há que dar-lhe cabo do canastro (salvo seja!)!

 

CHAVES não sai da cepa torta: isto dá-nos cabo da paciência!

 

Ao fim e ao cabo, lá chegou ao cabo da vida!

 

M.. onze de Novembto de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

14
Nov18

Cidade de Chaves, uma praça e uma árvore

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Cá fica mais uma imagem com as cores de outono, esta bem no coração da cidade, na nossa praça monumental onde os estilos se misturam mas convivem amenamente e onde basta uma árvore (tília) apenas uma para fazer a diferença, pois na praça não há mais, e nem que fosse e só para sentir as estações do ano, esta árvore já cumpria a sua missão, mas tem também a nobre missão de dar sombra nos dias quentes de Verão a quem dela precisa e já andou muito ao sol, pena que as nossas praças em vez de se arborizarem se desarborizem, tal como aconteceu nesta, onde existiam árvores e até um enorme olmo, tão monumental como os edifício da praça.  

 

 

13
Nov18

Momentos da cidade de Chaves com o nosso nevoeiro...

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Ora diz o nosso povo que depois da tempestade, vem a bonança, e se o nosso povo o diz, é porque é verdade, porque ele é sábio, e tudo indica que sim, que depois de um invernoso fim de semana, o sol vem aí, e talvez traga consigo o verão de S. Martinho de que o nosso povo também nos fala, e eu acredito que assim seja, mas diz-me também a experiência de ser flaviense há tantos anos, que o sol virá, mas de mansinho, primeiro o nosso Tâmega e a nossa veiga vão brindar-nos com o seu nevoeiro, para mim é um brinde, eu penso mesmo que nasci numa manhã de nevoeiro e que ele também me corre nas veias, aliás nem imagino esta cidade sem os seus dias de nevoeiro, seria no mínimo esquisito nunca sentir a ponta do nariz frio, e depois ficaria sem a magia de ver o sol a romper por entre o nevoeiro para finalmente se dar em toda a sua resplandecência, com o seu calorzinho a saber tão bem.

 

Mas sobretudo, em imagem, o nevoeiro tem o dom de nos proporcionar, ou deixar ver, a essência das coisas. Vejam lá a imagem que vos deixo! Seria a mesma coisa se não tivesse nevoeiro!?

 

 

 

13
Nov18

Chaves D´Aurora

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  1. ANUNCIAÇÃO (3).

 

Mais uma vez o jantar foi de tal silêncio, que até João Reis, em geral não muito dado a conversar durante as refeições, estranhou que ninguém falasse nada, ao menos para comentar sobre o caldo verde da Mamã, sempre melhor que o de sempre.

 

À desditosa menina Aurora, indisposta no leito, Zefa levaria uma canja. Os rapazes, assim como a mais nova, ainda de nada sabiam. Aldenora remoía seus angustiados pensamentos. Alice, esta já optara em comer junto com as criadas, cheia de vergonha diante do futuro sogro. Somente Aurélia esboçava dizer alguma coisa, vez por outra e se calava, diante do olhar severo da mãe. A essa altura, Flor percebera que Nonô já se antecipara em passar à irmã a lastimável notícia.

 

Florinda esperou que o marido fosse para a salinha íntima e, como de hábito, ficasse a tomar o seu Porto, fumasse um havano e folheasse os jornais. Dirigiu-se à porta oval, encimada por vitrais coloridos e, por uns segundos, hesitou. Sentiu que havia alguém atrás de si, virou-se. Era Aldenora, que lhe tomou das mãos, beijou-as e fez, com a cabeça, um gesto de – Vá! – e foi esse, talvez, o mais crucial momento na vida de Florinda de Morais Dias Bernardes. Adentrou o aconchegante ambiente, fechou a porta atrás de si e parou, com as mãos unidas como a rezar, imóvel qual a Santa Maria em seu nicho, à Igreja Matriz.

 

Reis mirou-a por algum tempo e já lá se pôs a plenos cuidados com a esposa. – Que tens, Menina Flor, estás doente? Mesmo ao jantar, reparei que não estavas boa. Oh, minha Florzinha, andaste a chorar? – e ela se lhe atirou aos braços – A chorar por nossa filhinha, meu querido Reis, nossa filha Aurora, nossa tão encantadora e amada Aurita… – e o Papá, já nervoso – Que foi, minha Flor? Fala, diz, que foi que aconteceu com a nossa menina? Ela está enferma, eu sei, disseste que por isso não vinha à mesa, mas o que se passa com ela, de facto? O que foi que disse o doutor Fagundes, alguma doença muito grave?

 

Ela afastou-se do marido, foi até à janela envidraçada e se pôs a olhar para a estrada que vai dar à Espanha. Em verdade, não se pusera a olhar para nada.

 

 – Está prenha.

 

Papá levantou-se quase a pular, o sangue a lhe subir às têmporas – Mas como?! Como é que pode ter acontecido uma tontice dessas?! Diria até que estás a fazer troça comigo, se isso fosse motivo de se brincar, ou fossem tais coisas do teu feitio! Grávida, a nossa menina?! – e logo adveio a odiosa pergunta – Mas de quem?! – Ela não me diz quem foi, apenas se põe o tempo todo a chorar.

 

Reis ficou por vários minutos a remoer as ideias e a misturar vários sentimentos, em seu redemoinho cerebral. – Mas as nossas filhas, elas nunca estão a sair sozinhas de casa, tu sempre cuidaste bem delas… Será que dormiste demais o sono dos imprudentes e deixaste a nossa menina ir ao Beco do Desvio, aquele que sempre acaba na Rua da Amargura? – lá isso feriu Mamã e ele – Não, não chores, bem sei que não tens culpa de nada… Mas quem será esse filho de uma marafona, que atirou aos porcos uma pérola tão preciosa como a nossa Aurita? Algum desses colegas do Afonso ou do Alfredinho, que nos vêm a casa e, ao invés de apenas desfrutarem de teus bolinhos e biscoitos...? Ou será que o Manuel não passa de um grande sonso e traiu a nossa...? Oh, não, minha Flor, que estou a dizer? Nem o de Fiães!

 

(continua)

fim-de-post

 

 

 

12
Nov18

O Barroso aqui tão perto - Sanguinhedo

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Como já sabemos que os finais de outono, todo o inverno e inícios de primavera, meteorologicamente falando, o tempo não é muito certo, em geral agendamos as nossas descobertas do Barroso para quando temos garantias de haver bom tempo e mais luz. Pois então, com alguma antecedência, marcámos o dia 12 de maio de 2017 para a descoberta de mais um pouco do Barroso, na qual tínhamos também incluído no nosso itinerário a aldeia de Sanguinhedo.

 

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Mas os dias do mês de maio também não são muito certos, é conforme lhes dá, e quando lhes dá para o torto, é mesmo para o torto o dia todo. Foi assim, bem torto, chuvoso e até com algum frio que nasceu aquele 12 de maio de 2017. Os parceiros de viagem ainda interrogaram se mantínhamos o dia para a fotografia e descoberta de mais algumas aldeias do Barroso. Claro que sim, em maio não podia chover todo o dia, algumas abertas haveríamos de ter… mas não tivemos, no entanto,  já que andávamos por lá, fizemos frente à chuva, ao frio e ao vento e embora as máquinas fotográficas até nem gostem de chuva, as fotografias adoram, ficam mais brilhantes, mais misteriosas, diferentes. Cumprimos a nossa missão e isso é o que interessa.

 

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Quanto a Sanguinhedo, já nos tinham falado da aldeia, como sendo uma das aldeias, a primeira completamente despovoada no concelho de Montalegre. Mal deixámos a EN103 para tomar a rampa de acesso à aldeia, com o temporal a cair sobre nós e as primeiras casas a surgirem no nosso horizonte, quase tivemos a sensação de  não estranhar o despovoamento. Parámos o carro para descansar da subida, olhámos para trás e eis o primeiro impacto, agradável, mesmo  debaixo de um céu ameaçador, a paisagem impressionava, ninguém podia ficar indiferente ao que se via. Olhando melhor para as primeiras casas, um pouco estranhas e fora do habitual no Barroso, acabavam também por fazer um conjunto simpático e igualmente interessante.

 

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A aldeia parecia começar e terminar ali, logo após aquilo que se via. Avançámos a pé mais um pouco e deparámos com um placa pousada em cima de umas pedras, encostada às paredes de uma das casas “Horse & Move – B&C Equitação”.  O Azul elétrico da placa atraía o nosso olhar e o lettering despertava-nos a curiosidade, para além disso demos conta de que a rua e a aldeia continuavam por ali acima. Os companheiros de viajem avançaram na direção que a placa indicava e eu, entrei no carro e avancei até ao final da rua que era também o final da aldeia e mal parei, fui recebido por um cão, amigável e simpático, troquei umas impressões com ele para ficarmos à-vontade, já sei que nunca me respondem, mas entendem-me sempre.

 

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E estava eu ainda de conversa com o cão, enquanto ia tirando a máquina fotográfica do carro e o guarda-chuva, o que provoca um certo embaraço andar e manejar as duas coisas, quando surge um homem vindo de uma das casas. Claro que vi logo que não era o fantasma da aldeia abandonada, pois via-se bem que era bem real, mesmo que viesse de cabeça coberta e o rosto naquele dia escuro ficasse à sombra do carapuço. E as minhas primeiras palavras dirigidas ao aparecido, ainda antes de o cumprimentar, foram de espanto: “Pensei que já não vivia aqui ninguém!?”. Que não!  Disse-me o aparecido, que vivia ele, a mulher o(s) filho(s), 10 cavalos e alguns cães, os que iam aparecendo e ficando por lá. Pela resposta deu logo para entender que o aparecido não era barrosão, embora falasse português, era um português esquisito, que deu mote para a próxima pergunta: — O senhor não é de cá, pois não!?. Pois não, não era, tinha vindo da Holanda à procura de uma propriedade para se poder dedicar aos cavalos. Era veterinário, gostava dos animais e da natureza e embora a intenção dele fosse outra região do país, calhou conhecer aquele cantinho do Barroso e apaixonar-se por ele, onde tinha tudo para aquilo que queria, e por ali ficaram.

 

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No entretanto,  os meus parceiros de viagem chegaram e ficaram tão espantados quanto eu fiquei quando viram o aparecido, que viemos depois a saber chamar-se Casper,  que vivia com a mulher, Brigitte, que entretanto também apareceu, ela professora de equitação. Bem, para o levantamento fotográfico da aldeia bastariam uns 20 minutos, mas a conversa foi rendendo, os anfitriões eram simpáticos, mostraram-nos as instalações, apresentaram-nos os cavalos que estavam lá mais à mão, um deles o halibute (fixei o nome por ser curioso) e acabámos por ficar por lá cerca de duas horas, se bem recordo.

 

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Um ano e uns meses já é muito tempo para recordar pormenores da conversa que tivemos, mas recordo ainda terem-nos falado de uma atividade com barcos de recreio na barragem da Venda Nova, que fica a penas 120m da aldeia, ou seja, entre a aldeia e a barragem, praticamente apenas temos a EN103. Recordo ainda terem falado em turismo rural, que tinham algumas das casas preparadas para este fim. Fui à net, pesquisei e lá está, pelo menos no “Booking.com” onde encontrei uma descrição sobre as instalações, que suponho ser da responsabilidade dos proprietários (holandeses), pelo menos a julgar por um pormenor do texto que deve estar relacionado com o ainda não dominarem convenientemente o português, refiro-me a este pormenor que irão ver no texto que a seguir vou transcrever: “existem estábulos para cavalos nos quartos”.  

 

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Pois aqui fica a transcrição daquilo que está no “Booking.com”

 

Quinta da Riba

Situada em Sanguinhedo, a Quinta da Riba é uma propriedade que providencia passeios a cavalo, com um total de 10 cavalos lusitano. Existem estábulos para cavalos nos quartos e um dos proprietários é um instrutor de equitação.

Entre as várias comodidades desta propriedade estão um jardim e um terraço. Está disponível acesso Wi-Fi gratuito. Os quartos deste alojamento de turismo rural estão equipados com um guarda-roupa. Os quartos estão completos com uma casa de banho partilhada, enquanto algumas unidades da Quinta da Riba também possuem uma área de estar.

Todas as manhãs é servido um pequeno-almoço continental na propriedade.

Uma variedade de actividades populares estão disponíveis na área em redor do alojamento, incluindo caminhadas. A propriedade também é um abrigo para cães.

Braga fica a 41 km da Quinta da Riba. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a 76 km deste alojamento de turismo rural. 

Esta propriedade também tem uma das localizações melhor pontuadas em Sanguinhedo! Os hóspedes estão mais satisfeitos com ela do que com outras propriedades da mesma área.

Este alojamento é recomendado pela boa relação preço/qualidade em Sanguinhedo! Os hóspedes têm mais por menos dinheiro em comparação a outros alojamentos nesta cidade.

Falamos o seu idioma!

 

Para saber mais sobre esta unidade, nem há como consultar os seus sítios na net:

 

Páginas da Horse & Move – Sanguinhedo - Portugal

Internet: http://horseandmove.123website.nl/

Facebook: https://www.facebook.com/horseandmove/

 

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No texto que atrás foi ficando, já fica um pouco ou quase tudo a respeito da localização de Sanguinhedo. Já dissemos que fica junto à Barragem da Venda Nova, junto à EN103, a 41 Km de Braga e a 76 Km do aeroporto Sá Carneiro. Falta dizer que fica a 500 metros da Venda Nova e a 61,8 km de Chaves, mas a seguir deixamos o melhor caminho para lá chegar a partir de Chaves, logo seguido do nosso habitual mapa.

 

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Pois embora Sanguinhedo fique junto à EN103 e bastaria tomar esta estrada em Chaves, seguir sempre por ela até à Venda Nova (Barragem) e logo a seguir quatrocentos e tal metros) virar à esquerda para a nossa aldeia de hoje, não é este o itinerário que vou recomendar, pois esse será o da N311, por ser mais curto e para mim o mais interessante, no  entanto já sabem que eu recomendo sempre um caminho para ir e outro para vir, e o regresso, esse sim, recomendo a EN103. Mas que decide não sou eu e vocês tomarão aquele que entenderem. Falta só referir que a N311 é a estrada que liga Boticas a Salto, ou seja, caso seja este o itinerário escolhido, terão de tomas a EN103 em Chaves até Sapiãos, aí abandonam a EN103 e viram para Boticas, atravessam esta vila e seguem em direção a Salto, mesmo antes de chegar a Salto terão de virar à direita em direção à Venda Nova. Há sempre placas informativas, não há nada que enganar. Por este itinerário são 61.8 Km pela EN103 são 68.7 Km. Fica o nosso mapa.

 

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Vamos agora ao que encontrámos nas nossas pesquisas, onde como sempre o livro “Montalegre” é de consulta obrigatória. Pois no referido livro só encontrei duas referências a Sanguinhedo, uma quando se refere o roteiro das barragens e outra em relação ao Padre Domingos Barroso, que transcrevemos:

 

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Padre Domingos Barroso (séc. XIX) nasceu na quase erma povoação de Sanguinhedo, em 1889. Assinalado praticante das actividades cinegéticas, devemos-lhe o apuramento da raça canina dita “perdigueira”. Devido a tal escreveu “O Perdigueiro Português,” obra publicada em duas edições e muito elogiada. Escrevia muito bem, em estilo desempenado e limpo e colaborou em diversos órgãos de comunicação social escrita.

 

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Achámos estranho não aparecer nenhuma referência quanto à freguesia a que pertence, que deduzimos ser a Freguesia da Venda Nova. Fomos até essa parte do livro e lá aparece a aldeia grafada como Sangunhedo (sem o i). Mais por curiosidade do que por dúvida, fomos consultar o site do Município de Montalegre, que na pesquisa nos remete para o livro “Montalegre”, ou seja, voltámos ao mesmo, mas há sempre a “Toponímia de Barroso” para tirar dúvidas, e aí esclarecemos aquilo que já sabíamos, que Sanguinhedo é mesmo Sanguinhedo, só não sabíamos é que era do Arco, ou seja, Sanguinhedo do Arco, mas vamos à “Toponímia de Barroso” ver o que por lá se diz ao respeito.

 

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Sanguinhedo do Arco

Este topónimo tem percorrido o mesmo caminho de Sabuzedo, mas a partir do nome comum SANGUINHO + EDO – SANGUINHEDO. Apesar disso o povo pronuncia muitas vezes Sangunhedo  e refere o topónimo ao nome de um santinho: São Gunhedo, o que é um acto de crença inexplicável! E a tal santinho dedicaram as alminhas  do lugar que estão junto à Estrada Nacional 103.

 

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Ora com mais esta do São Gunhedo lá tive de ir à procura das alminhas para deixar aqui e que tinha arquivadas com as da aldeia de Padrões, mas como não quero que aqui falte nada, aqui estão as referidas alminhas:  

 

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Ainda integrado na “Toponímia de Barroso” está a “Toponímia Alegre” onde aparece uma quadra dedicada a Sanguinhedo:

 

Adeus, adeus, Sanguinhedo

És de ladeiras ao fundo;

Quem lá vai tomar amores

Vai-se despedir do mundo.

 

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No Dicionário do mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses, encontrámos mais uma referência a Sanguinhedo:

 

MONUMENTOS, ACHADOS HISTÓRICOS E LOCAIS DE INTERESSE

De entre os monumentos destacamos: os diversos dólmenes e antas, já assinalados. Estes monumentos tumulares de pedra foram construídos, entre nós, no período que se situa nos fins do Neolítico, com prolongamento pela Idade do Bronze; os castros são povoações fortificadas, localizadas em colinas de difícil acesso e, de preferência, junto a cursos de água, onde os povos viviam em relativa tranquilidade e se poderiam defender de outras tribos. A cultura castreja teve larga difusão no Barroso, como já vimos; as estradas romanas que atravessavam a região do Barroso, fazem a ligação entre Braga e Chaves e Astorga com variantes e itinerários diferentes; os marcos miliários, monolitos que se fixavam ao longo das vias romanas, por vezes, com indicação de nomes e títulos honoríficos. assinalavam as distâncias de 1.000 em 1.000 passos. Dos muitos existentes ainda se conservam os que se encontraram em Vilarinho dos Padrões, Sanguinhedo.

 

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E vamos iniciando as despedidas, mas antes ainda há tempo para referir que na Internet encontrei a referência a uma  “Associação Recreativa e de Revitalização da Aldeia de Sanguinhedo”, mas apenas isso e ainda uma Dissertação de Mestrado de Arquitetura, data de 2013 e intitulada “Impacto da arquitetura na minimização do despovoamento local : Sanguinhedo, um caso de estudo”, ao qual só tivemos acesso ao resumo, que diz assim:

 

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O presente trabalho de investigação aborda a implementação de um restaurante apoiado por edifícios dirigidos ao Turismo de Habitação Rural, em Sanguinhedo, lugar de Venda Nova, um lugar quase abandonado no concelho de Montalegre. Representa a última etapa do 2º Ciclo, Mestrado Integrado em Arquitetura, a apresentar na Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão. “Impacto da Arquitetura na Minimização do Despovoamento Local – Sanguinhedo: Um caso de estudo” foi o título produzido, após se analisar o estudo desenvolvido e se estabelecerem os objetivos pretendidos. A escolha deste trabalho foi motivada pelo conhecimento prévio da propriedade e região onde se pretende implementar o restaurante. Este trabalho explora o Turismo, em particular o Turismo em Espaço Rural e a forma como este pode dinamizar uma região e diminuir o seu despovoamento. A ideia surge depois do contato com a região do Barroso e suas gentes, aqui caracterizados, bem como da constatação do êxodo rural que esta região tem vivido em tempos recentes. Caracteriza-se a povoação de Venda Nova e seu enquadramento natural e geográfico fundamentando assim, a necessidade de implementação de um espaço que apoie o Turismo e sirva como âncora para não só atrair turistas, mas cativar as gerações mais novas a ficarem na sua terra natal. Cria-se, assim, um pólo dinamizador para um reinventar do espaço rural de Sanguinhedo, Venda Nova.

 

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Pois, todas as ideias são válidas e preciosas para combater despovoamento rural, o problema é que se trata de um problema estrutural, que não depende de nós e da nossa vontade, mas sim do poder central, se é que existe, pois também ele está hipotecado a quem realmente detém, e o problema maior, é que, parece-me, já não se saber que o detém. Entretanto, vamos ficando sem hospitais públicos, sem escolas, sem comércio local, sem agricultura, sem o regresso dos nossos filhos, sem os nossos saberes, sem os nossos sabores, sem as nossas tradições, enfim, sem a nossa cultura, para por fim ficarmos sem a nossa identidade.

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

DA FONTE, Barroso, Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, Guimarães.

 

WEBGRAFIA

https://www.booking.com/hotel/pt/quinta-da-riba.pt-pt.html, consultado às 18H50 de 11/11/2018.

http://repositorio.ulusiada.pt/handle/11067/2996, consultado às 19H30 de 11/11/2018.

 

12
Nov18

Quem conta um ponto...

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417 - Pérolas e Diamantes: Abaissez le plus bas possible Le Pen...

 

 

O movimento eurocético nunca foi tão intenso e forte como na atualidade.

 

O Brexit inglês deu o pontapé de saída para um situação política que todos sabemos como começou mas ninguém consegue prever como vai acabar.

 

Depois do “Não” inglês à União Europeia, outra hecatombe lhe sucedeu: a eleição de Trump como 45º presidente dos EUA. Seguiram-se ainda uma série de eleições europeias em que os partidos eurocéticos conseguiram uma popularidade e um sucesso nunca vistos nas democracias do velho continente.

 

Roger Scruton – um dos pais ideológicos do Brexit – foi ao coração do problema, quando questionou uma das bases da ordem mundial pós-Guerra-Fria: a redução do político ao económico e a avaliação meramente sociológica e quantitativa das reações e motivações populares.

 

Scruton pensa que a rutura inglesa foi fortemente influenciada pela emigração, pelo défice democrático e pelos efeitos dos tribunais europeus na lei e nos costumes do povo britânico.

 

Para ele, as elites e a classe política revelaram-se incapazes de responder às inquietações da gente comum em relação à imigração, desqualificando-as como “racismo e xenofobia”, sentimentos politicamente incorretos, logo, merecedores de veemente repulsa e indignos de serem sequer considerados.

 

A hegemonia dos progressistas na Europa, nomeadamente após a Segunda Guerra Mundial, sempre assentou numa denominada superioridade política, social e moral das forças de esquerda “resistentes” em relação às organizações de direita “colaboracionistas”.

 

A esquerda francesa, que sempre gostou de glorificar Sartre, Aragon, Cohn-Bendit e Bernard-Henry Levy, fez sempre questão em divulgar essa mítica superioridade histórica e moral, isto apesar de a História desmentir a autenticidade desse mito, pois, como todos sabemos, também houve esquerda colaboracionista e direita resistente.

 

É bom recordar que, em junho de 1940, no início da Ocupação, os comunistas receberam bem os Alemães, seus aliados desde o Pacto Germano-Soviético (assinado por Hitler e Estaline em agosto de 1939), passando a integrar a resistência (que teve início em Londres com os militares e os católicos leais a De Gaulle) no ano seguinte, só depois da invasão da União Soviética pela Wehrmacht.

 

A 5 de Maio de 1981, Mitterrand foi eleito Presidente da República, numa eleição concorridíssima. A esquerda unida chegou ao poder num governo liderado por Pierre Mauroy, onde figuravam vedetas do PS tais como Defferre, Chevènement, Rocard, Jobert, Badinter e, na cultura, Jack Lang. O elenco era tão hodierno e de esquerda que incluía mesmo um Ministério dos Tempos Livres.

 

A chegada da esquerda ao Governo, unida no Programa Comum, coincidiu, “para mal dos pecados de todos nós”, com a revisão doutrinária e ideológica na direita, liderada pela política anticomunista ativa de Reagan e Thatcher e a renovação da Igreja Católica feita por João Paulo II. Para a direita, o triunvirato indiciava “uma nova atitude de reação do Ocidente relativamente aos perigos que o ameaçavam”.

 

Depois foi aquilo que se viu. A esquerda deu lugar ao centro-direita. Seguidamente os socialistas ganharam de novo. E houve um jogo de ping-pong que acabou com Macron no Eliseu. Os socialistas, esses, desapareceram. No meio disto tudo quem se afirmou foi Marine Le Pen.

 

Os media foram demolidores com os Le Pen, pai ou filha. Escreveram que se eles ganhassem “os rios iam deixar de correr, o Sol não voltaria a levantar-se e seria o princípio da era glaciar” em que a França se transformaria num gigantesco “campo de reeducação psicológica”.

 

A argumentação da esquerda foi avassaladora: “Mettez des gants si vous voulez, des pinces ou ce que vous voulez, mais votez. Abaissez le plus bas possible Le Pen... votez escroc, pas facho.”

 

Mas se este tipo de argumentação resultou em França, nos EUA o tiro saiu pela culatra a Hillary Clinton e a Bernie Sanders. Temos de reconhecer que o movimento que levou Trump à presidência é complexo.

 

O seu movimento, segundo Jaime Nogueira Pinto, “contou com americanos religiosos do Midwest, sulistas zangados, blue collars do Nordeste Industrial e uma classe média farta de ver os seus valores ridicularizados e marginalizados pelas minorias sexuais e pelos intelectuais sofisticados.”

 

Apesar da retórica argumentativa tradicional dos democratas de o seu governo ser simples e acessível, o facto é que o poder político americano se ancora nas oligarquias do dinheiro, pois, como é tradição, geralmente apenas costuma favorecer os ricos.

 

Mas, afinal, porque razão “o bárbaro, o básico, o narcisista, o grunho” venceu as eleições?

 

Em Trump votaram os descendentes de plantadores do Sul, os militantes do Tea Party, os católicos antiaborto, os evangélicos bibliocratas, os mineiros da Carolina do Norte, os desempregados de Appalachia e os poucos intelectuais conservadores que o apoiaram.

 

E fizeram-no porquê? Jaime Nogueira Pinto responde: “Talvez tivesse sido pela recusa da alternativa, de um mundo globalizado, sem nações, sem identidades, sem famílias, sem regras, misto de utopia libertina e de pseudo-paraíso de consumo, com pequenos prazeres imaginados por administradores anónimos de fortunas mal geridas, políticos cínicos e militantes da globalização e dos direitos das minorias. Talvez tenha sido só para impedir a marcha desse mundo, dessa utopia encarnada por um arqui-símbolo do sistema, que jogaram tudo na única alternativa. E a única alternativa chamava-se Donald Trump.”

 

E, como se tudo isto ainda fosse pouco, aí está Bolsonaro em todo o seu esplendor “fascista”.

 

João Madureira

 

11
Nov18

Pergaminho dobrado em dois

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Um dia prometi-te um poema ao nosso amor: ei-lo.

 

 

Perdoem-me a insensatez a avulso, mas esta crónica tem a importância de um diamante em bruto encontrado por um sem-abrigo em Manhattan. São raras as vezes que me predisponho a falar de felicidade, porque tal como a doença, o sofrimento e a juventude são ocorrências efémeras, a felicidade é um termostato em declínio.

 

Perdoem-me também pela desfaçatez em abdicar de assuntos tão mais interessantes para vocês como a novela de Tancos, ou as unhas da Isabel Moreira ou até a minha pequena aposta no mercado negro como o Alexandre Frota vai ser o novo ministro da Cultura do Brasil. Permitam-me deixar isso para outra altura. Está na hora de homenagear a mulher que me salvou. Escrevo-lhe um dia depois do seu aniversário. Por falta de vocabulário para expressar exatamente o que sinto, conto com todos os colaboradores de quiosques, livrarias, etc., para que jamais se atrevam a vender o jornal desta semana à Ana Margarida Ferreira. Para quem não sabe quem é, deixo aqui alguns detalhes físicos: a mulher mais bonita do mundo.

 

Então foi assim: um dia depois de ter chegado a Chaves, observei-a de longe, sempre com o cuidado de nunca a perder de vista. Descia os degraus lá da escola. Demorei dois anos até me atrever a manifestar o meu interesse. Eu sabia que se me respondesse “eu também”, seria minha para sempre. Decidi esperar pacientemente. Vou avançar, porque há coisas mais importantes a serem ditas.

 

Estava tão bonita na noite em que a fui buscar a casa. Fomos a Verin, Espanha. O país que tem o privilégio de ter assistido ao amor entre Saramago e Pilar e agora o meu e da Margarida. Beijamo-nos na ponte enquanto chovia rios de água. Pedi-lhe em namoro como numa vénia a Deus, com os joelhos a esmagar o cordão umbilical de centenas de himenópteros e a insegurança a despoletar em foguetes amargos. Como consequência disso: salvou-me a vida. Ela viu as minhas lágrimas a cair desavergonhadamente sobre o casaco de couro desbotoado e o sorriso de cético de quem nunca acreditou em nada senão na possibilidade daquele momento se eternizar como um quadro do Da Vinci, e sorriu, como amparando um bebé de outra mãe. Foi o único momento em que tremi de verdade, porque estava frio, porque estava a chover, porque realmente nunca me tinha debruçado no ombro de alguém com a ilusão de querer ficar para sempre. E isso meteu-me medo. Uma vertigem infinita para qualquer lado que olhasse. Não tinha qualquer ambição de ir e não sabia que ela estaria disposta a continuar esse desassossego ainda desmembrado. Ainda hoje, passado quase três anos, ainda acordo contemplando o meu lado direito da cama para ter a certeza absoluta que ainda não se foi embora. O amor é querer muito ficar, seja os dois perdidos no glacial Ártico seja num salão das pessoas mais bonitas do mundo.

 

Desde então, foi sempre um jogo bonito. Eu oferecia-lhe cartas, ela deixava papeis usados com declarações de três palavras na mesinha de cabeceira, eu garantia-lhe segurança, ela continuava linda, eu segredava-lhe que queria muito um charuto Cohiba, ela comprava-mo, eu jurava ser-lhe fiel, ela ficava cada vez mais linda, eu entregava-lhe a minha vida, ela oferecia-me livros – desde de Saramago a Camus –  com pequenos escritos no seu interior: “O homem a quem ofereci este livro é o homem da minha vida”, variavas, “Que o nosso amor nunca se perca”. Coisas tão simples que dava para sentir o universo a corar de inveja. Ela sabia melhor que ninguém que tudo o que eu mais queria eram livros para poder sonhar e uma mulher para aprender a viver.

 

Isto a que as pessoas comuns chamam de amor é a coisa mais difícil do mundo, sempre foi, por isso é que só foi feita para alguns, só para aqueles que no meio da azáfama de futilidades acreditam que a existência de uma gripe alheia é o seu fim do mundo.

 

Enquanto escrevo, tu danças, tu brincas, tu cantas, tu gritas, tu, tu, tu e mais tu, eu continuo a escrever, ou a tentar, porque falar de nós é como se me atirassem para a boca de um poço.  

 

Um dia, meu amor, a corda de prata quebrar-se-á, mas antes disso não me quero despedir. Quero ir sossegado na companhia do silêncio mais próximo, e ficar lá à tua espera. Quero dizer que te amo. Quero agradecer-te por me teres salvado a vida. Mais dois segundos e eu morria. Obrigado, amor.

 

Parabéns.

Herman JC

 

 

 

10
Nov18

Ribeira do Pinheiro - Chaves - Portugal

1600-ribeira do pinh (86)

 

E porque hoje é sábado, vamos até mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves, ainda nas Ribeiras, hoje a terceira e última com este topónimo, pois depois da Ribeira das Avelãs e da Ribeira de Sampaio, apenas nos falta deixar aqui, mais uma vez, a Ribeira do Pinheiro, que fica precisamente entre as outras duas Ribeiras e igualmente junto à Ribeira do Caneiro.

 

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A introdução embora um pouco confusa com tanta Ribeira já esta resolvida, agora quanto ao restante texto já é mais complicado, tudo porque nunca consegui chegar ou perceber qual é o coração da Ribeira do Pinheiro, tudo porque é um lugar atípico, foram do comum para caber na definição de uma aldeia como costumam ser.  Ou seja, vamos ser sinceros, pouco conheço da Ribeira, mesmo porque é de difíceis acessos e só a fui registando a uma certa distância, exceção para algumas fotos junto a Ribeira do Caneiro, a ribeira mesmo ribeira com água a correr bem apressada em leito acidentado.

 

1600-ribeira do pinh (19)

 

Mas conheço e sei algumas coisas sobre a Ribeira do Pinheiro e das suas proximidades, como por exemplo ter vários locais de onde se conseguem fotografias de exceção, principalmente em algumas horas do dia e em algumas épocas do ano, como no Inverno e no Outono. Conheço e conheci também algumas pessoas que tiveram lá o seu berço e que com o tempo desceram um pouco até à veiga para se instalarem, daí ficar também a saber que a Ribeira do Pinheiro não é só de acessos complicados mas também onde era, talvez ainda seja, complicado viver, quer pelo acidentado do terreno quer por se encontrar numa garganta um pouco profunda no encontro de duas encostas da Serra do Brunheiro, o que lhe confere um certo ar exótico e até de mistério, principalmente quando se anda na base dessa garganta onde corre a ribeira da água.

 

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Exotismo e mistério que tanto lhe aumenta o interesse como nos deixa um pouco desconfortáveis, isto quando estamos por lá, na sua base, mas mesmo assim o interesse é superior ao desconforto. Isto são apenas palavras que, por mais que tente, nunca conseguirão chegar a sensação estar lá, junto à ribeira com água. Também o acesso até esta zona, é complicado, há que perguntar a quem sabe qual a melhor forma de lá chegar, mas pela minha experiência, aborde a ribeira a partir da Ribeira das Avelãs, pois a partir da Ribeira de Sampaio, cheira-me a aventura que não estará ao alcance de todos, e também um conselho que se deve ter sempre em conta quando vamos para terrenos complicados, nunca vá sozinho e se for, antes de ir, diga sempre a alguém para onde vai. Experiência própria, pois, nestas coisas de andar a descobrir coisas sozinho, já em tempos cometi algumas imprudências que só depois de sair delas, a frio, é que fiquei ciente de que as coisas poderiam ter corrido para o torto, e depois, ir acompanhado, é sempre mais agradável, pois sempre temos com quem partilhar estas experiências.

 

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Das imagens que hoje vos deixo, as possíveis que até hoje tomei, é natural que algumas até saiam do território da Ribeira do Pinheiro, como por exemplo a imagem do Miradouro de S. Lourenço, desde onde se avista toda a cidade e vale de Chaves, ou outras imagens que são vistas tomadas desde a Ribeira do Pinheiro, pois tal como disse no início não sei muito bem onde começa e acaba o território de cada uma das três Ribeiras, mas seja como for, de certeza que estamos numa Ribeira.

 

1600-ribeira-avelas (311)

 

E é tudo, o possível, pois a partir de aqui só mesmo inventando conteúdos. Espero que goste do que por aqui deixo, imagens também elas já com uns anitos, exceção para a última imagem da Ribeira do Caneiro, mais recente, mesmo assim já tomada há dois anos.

 

Até amanhã, se possível com mais uma aldeia do Barroso, ainda o Barroso de Montalegre.

 

 

 

09
Nov18

Cidade de Chaves e as coisas do tempo!

1600-santos-2018 (113)

 

Ainda ontem falávamos aqui do tempo das coisas e das coisas do tempo, mas mais em modas de imagem. Hoje vamos ao mesmo, às coisas, e ao tempo, que por um lado está de frio e de chuva com dias acinzentados e por outro é tempo de coisas da época que também vão fazendo parte das iguarias e festas de época, ou seja, do tempo.

 

1600-santos-2018 (562)

 

Uma das coisas boas do tempo, é a fruta. A castanha é rainha e senhora, já em tempos foi pão nosso de cada dia (enquanto durava), bastava um golpe macio em cada uma, despejá-las num pote com água ao lume (lareira), esperar que cozessem e depois era só descascar e comer, quentes ou frias. Para prato mais rico, acrescentava-se batata cortada a meio, com casca, a cozer juntamente com as castanhas, no final a mesma receita para as castanhas, já as batatas eram temperadas com um bocadinho de alho e um fio de azeite, uns copitos de vinho por cima para abafar e ajudar a digestão e bota regaladinhos para o quentinho da cama, sem televisão. A exceção era para o dia de S. Martinho, tradição que felizmente ainda se vai mantendo por cá, com os magustos, agora com uns acrescentos, mas onde o obrigatório é a castanha assada, a prova do vinho novo e a jeropiga. Atualmente a festa é mais rica e acrescenta-se-lhes umas fevras, a sardinha assada, pão centeio, às vezes umas saladas e pimentos assados, muito vinho branco e tinto, finalizado com a jeropiga para a assossega e mais tarde um caldinho verde para formatar os estômagos.

 

1600-santos-2018 (113)-cut

 

Voltemos à cidade e à primeira imagem que agora é a terceira, ou seja, a primeira foi para demostrar o tempo de chuva, frio e cinzento, daí ficar a p&b. Mas agora fica a versão do P&B com os vermelhos a escapar à seleção, e porquê!? — Ora para realçar algumas coisas boas do tempo, desde logo a fruta à porta da loja , mas em especial aquela varanda vermelha que é um encanto para o olhar. A única com estas características em Chaves, que resistiu a modernidade e vai continuar a resistir, pois o prédio está a ser reconstruído e a varanda vai manter-se. Mas agrada também ver que aos poucos o casario das ruas principais da cidade histórica está a ser reconstruído, mantendo-se a traça inicial (ou próxima), o que abre a esperança de que nos próximos anos, o Centro Histórico volte a ter vida, com gente dentro das casas e a dar movimento às ruas, com momentos como os que se veem na imagem, com os vizinhos a conversar de um para o outro lado da rua equanto os passantes passam. 

 

1600-santos-2018 (563)

 

Por último o resto da fruta e coisas da época. Coisas boas, não só para quem as consome, mas também para quem as produz, e principalmente estas duas que deixo em imagem, acrescentando um pouco de azeitona e o vinho, que ainda vão mantendo algumas famílias no mundo rural, principalmente a castanha, isto onde a há, pois é fruta de terras altas. A acrescentar à fruta, temos agora o que nos vem da horta – nabiças, grelos e as couves,  que fazem o acompanhamento de qualquer prato, só falta mesmo o fumeiro que está quase a chegar, depois sim, com estas coisas do tempo (época) que deixo aqui descritas, cozinhadas com os saberes e sabores aprendidos com as nossas avós, é também tempo de dizer – E TÃO BOM VIVER EM CHAVES!

 

 

 

 

 

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