Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Abr19

Momentos de poesia, ou talvez não!

1600-(29980)

 

A ponte é apenas uma passagem

      Para a outra margem

                      Não interessa quem são

De onde vêm

                         Para onde vão

Indiferentes

                   Passam

                                               E

                                                             Passarão…

 

 

- Pois, bom passarão tu me saíste, ó poeta! Mas eu prefiro ter os pés bem assentes em terra, levantar voo e ir com as aves…

 

- Pra quê? Pra onde? Vais ter sempre que poisar…

 

- Se me apetecer poiso, se não, não!

 

- Se não, não, o quê!?

 

- Se não me apetecer!

 

- Ah!

 

 

 

11
Abr19

A Pertinácia da Informação

a pertinacia.png

 

Quando era criança houve um tempo em que tinha tempo para observar e aprender.

 

Sempre gostei de observar as formigas. A sua completa indiferença à minha presença não me impediam de imaginar vidas privadas intensas, lá dentro, no formigueiro. Pois, na verdade as formigas só não me ligavam nenhuma a mim como também não se importunavam umas às outras. Raras vezes me lembro de ver duas formigas juntas, de ferente uma para a outra, como quem parou para uma amena cavaqueira. Nunca as vi chocar de frente, nem nenhuma no caminho da outra. Nunca as vi aos pares, assim como quem de mãos dadas dá um passeio ou usufrui do seu tempo de ócio. 

 

Eu ficava ali… enternecida a ver as formigas.

 

Por mais que as observasse e por muito que delas viesse a entender, de nada me valeu. Nem as consegui salvar a elas nem ao homem que tentava vezes sem fim incendiar o formigueiro. As formigas jamais irão sair das suas definidas rotas, como subjugadas a um destino inalterável. O homem aguarda, teme ou anseia uma morte inadiável.

 

Medo.

 

O medo é uma coisa estupida que nos ensinaram para não perder a vida e que nos impede de viver. As formigas não têm medo mas também não percebem os perigos. Não têm se quer uma noção de valor próprio e vive agarradas aos seus cereais como umas fanáticas… um dia há-de chegar o apocalipse e elas nas tintas para isso.

 

“A senhora está muito metálica!” Foi a primeira vez que eu ouvi isto. Não se referia à roupa, era a voz. E por falar em voz, há vozes que são mesmo assim bonitas e roufenhas, eu já sabia disso, mas foi uma questão de amor e preocupação.

 

Acreditam que não acerto uma? Às vezes acho que era melhor continuar a observar as formigas…  é o que faço, uma vez que à semelhança do formigueiro aqui tudo está tão bem estruturado que qualquer intromissão será indiferente.

 

Ou talvez não.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

 

 

 

 

10
Abr19

Ocasionais

ocasionais

 

A banalidade da política

 

 “De tanto ver triunfar as nulidades;

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar-se da virtude,

a rir-se da honra

e a ter vergonha de ser honesto.”
                                                           (Rui Barbosa)

 

 

A tragédia do fracasso do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento civilizacional e cultural de CHAVES, da NOSSA TERRA, tem a sua causa mais na resignação dos flavienses do que na incompetência, na mediocridade, na cretinice e na maldade de quem a tem governado.

 

Os flavienses ainda não atingiram o ponto de indignação que os leve à revolta contra aqueles que os têm ludibriado com promessas não cumpridas, sejam eles administradores municipais, regionais ou nacionais: continuam a deixar-se amansar por sebentos elogios e falsas esperanças!

 

Encharcados pelos meios de comunicação com constantes caudais de notícias e imagens de catástrofes, de violência, de miséria, de morte, e distraídos com caleidoscópios de telenovelas alcoviteiras, festins de curiosidades sádicas, de «voyeurismo», e de circo futebolístico, os flavienses (Ai! E os «tugas», carago!) são bem levados a considerar o seu modo de vida um privilégio que os faz sentir envergonhados!

 

E, porque ciclicamente são chamados a pôr uma cruzinha num Boletim de voto, com a qual julgam afirmar e confirmar a sua soberania, continuam na ilusão de serem senhores do seu destino.

O povo “tuga” ainda não entendeu e aceita que as campanhas eleitorais são a dourada oportunidade de impostores, oportunistas, medíocres e macanjos a badalarem fantasias com que o que querem governar governando-se!

 

Depois, em nome da «democrática tolerância», alimentam fanatismos partidários!

 

 “Um homem não é menos escravo porque lhe é permitido eleger um novo amo” de quatro em quatro (ou cinco) anos!

 

Entre esses ciclos eleiçoeiros, gemem e lamentam o seu descontentamento com a pouca sorte que lhes calha, com tantas esperanças perdidas!

 

Mais de quarenta anos depois do seu alvor, a distância entre o sonho e a realidade da «jovem (?!) Democracia Portuguesa», em vez de diminuir, tem vindo a aumentar!

 

O princípio, para mim, mais fundamental da Democracia   -   a Justiça   -   que expressão de universalidade e de nobreza se lhe está a reconhecer?! Pouco falta para vê-la «pelas ruas da amargura»!

 

E até parece que a palavra «prosperidade» foi banida da nossa Língua … e do propósito de quem tem o dever de governar e a obrigação de saber governar   -   uma Freguesia, um Município, um País   -   Portugal!

 

Diverte-me contemplar o triste espectáculo de pretensos democratas, soberbos falsos arautos de bons ventos e bem-aventuranças políticas para a NOSSA TERRA a empenharem-se, cretinamente, em dissimular   -    com jactância de isenção, de honestidade, e de independência, e com uma pirotecnia de falsos propósitos, de aldrabices, de disparates, de palavreado oco   -      o compromisso da sua submissão aos mais altos, secretos, discretos e indiscretos interesses pessoais e partidários!

 

Mal entram no Paço do Duque, os «faroleiros» políticos de CHAVES ficam logo mais inspirados e apressados para destruir do que para criar. (Bem, nem políticos são, embora pretendam ser admitidos e admirados como tal: apenas conseguem tomar de outros uns «tiques» e uns «toques» pantomineiros!).

 

Esses pingentes aprenderam a falar sem que alguém os perceba e aperfeiçoaram-se no hábito de não servirem para nada!

 

Gosto da NOSSA TERRA!

 

Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como CHAVES, a NOSSA TERRA sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.

 

E custa-me a ingratidão, o desleixo e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.

 

O grande obstáculo ao desenvolvimento de CHAVES, da NOSSA CIDADE, reside muito menos nos seus recursos naturais e muito mais nos vícios e caprichos ideológicos de quem a tem administrado! Por aí, anda espalhado demasiado dinheiro tão mal acompanhado e tão mal aplicado por tão poucas e tão pobres ideias!

 

Na verdade, nas décadas mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.

 

E a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) é uma treta: é a Universidade de Vila Real (Parabéns aos da «Bila»! Que têm sabido muito bem aproveitar esse mimo, e desfrutar de uma Instituição de crescente prestígio que os deixa cada vez mais babadinhos!...)!

 

E para que se note ainda mais a usurpação que tem sido feita, e continua a fazer-se, aos legítimos merecimentos da NOSSA TERRA,  aponto-vos a desfaçatez, porque constante, de um autarca metropolitano a reclamar tudo e mais alguma coisa para a sua autarquia, como se só ela fosse o Norte de Portugal!

 

E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de solertes traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.

 

Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam    -   e dão cobertura   -    o jogo.

 

Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí um punhado de «resistentes» e os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar   - idosos, jovenzitos e crianças.

 

Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.

 

Como se tem verificado ao longo dos anos, a gente gentalha que tem sido eleita tem governado mesmo de acordo com os interesses dos eleitores?

 

Aquilo que a maioria dos flavienses, e dos portugueses, tem feito com o seu voto é contribuir para a eleição de pronósticos impostores, que, na realidade, vão representar os que lhes financiaram as boémias eleiçoeiras e lhes facilitam e concedem as maiores mordomias.

 

E os governos   - nacional, regionais e autárquicos   -     com o que é que se mostram mais preocupados?

 

Está à vista, não está?!

 

Para onde caminha a nossa Democracia, quando nela se notam assustadores sintomas ora de oligarquia, ora de plutocracia, ora de cleptocracia, mentitocracia, e que outros, menos suaves nas palavras, classificam como «bandidocracia»?!

 

Por mim, encontro melhor propriedade em chamar-lhe “mediocrecracia”!

 

Veja-se a quantidade de dirigentes e dirigentezinhos políticos que, na realidade, nunca exerceram uma profissão (ou se a exerceram, nela nunca passaram da cepa-torta e ou se o fizeram foi por um período que mal deu para aquecer o lugar!) e que encontraram na politiquice o mais importante modo de vida! 

 

Infelizmente, cá nesta terra do “Jardim das Berlengas”, não é exigido «exame de aptidão» para se entrar na política!

 

A falta de competência, de estudo, de talento é disfarçada com o chavão de «progressistas»!

 

A subida na vida, para eles, não está no «pulso», mas, sim, no obedecer e aplaudir o «chefe» …de «gabinete», da «concelhia», da «distrital», da «nacional», e na colheita de vantagens e benefícios que a impunidade consente!

 

Os flavienses, os portugueses, têm de se tornar mais conscientes do ambiente político e histórico que os envolve, darem-se conta da carga e do bombardeio de manipulação a que estão submetidos, e fugir do delírio com que são infectados!

 

Aos flavienses, aos portugueses, urge acabar com a indiferença à verdade e com o aplauso aos pantomineiros vestidos, ou travestidos, de políticos!

 

Quantas vezes me vem à lembrança, por laivos de comparação, ditados pela decadência da nossa cidade, a fraqueza dos «Judenrats»!

 

E, tal como a minha amiga Johanna Arendt, também eu me espanto: “Os nossos inimigos sabemos de sobra quem são; surpreende-nos a reacção dos nossos conterrâneos (amigos)”!

 

Por que há tanta gente a quem lhe custa mudar o seu voto, e tente aceitar os erros do seu Partido político ainda que tenha estado e continue vítima das suas injustiças e asneiras?!

 

Também eu, suspirando e lutando “por um mundo melhor”, tenho por convicção não devermos «esperar por uma deusa da História ou por uma deusa da Revolução para introduzir melhores condições nos assuntos humanos»: devemos, sim, “produzir e experimentar, de modo crítico, as nossas ideias quanto ao que podemos e devemos fazer agora   -   e fazê-lo agora”!

 

Aos mais descuidados, esclareço não estar empenhado no restauro do Passado, mas, sim, comprometido com o respeito ao Passado e em contribuir para um Futuro diferente!

 

Este, o Futuro, nunca é a continuidade, tampouco uma versão alargada do Presente.

 

Não abdico, não renuncio, não denuncio o meu compromisso com a História.

 

Não sou Sócrates nem Aristipo, mas flaviense de todo o coração, para poder insurgir-me contra os desmandos e desleixos de quem administra, e tem administrado, a “cidade”!

 

Sou um português, um normando-tamegano e um flaviense que deseja conservar do Passado aquilo que me parece bem!

 

A minha agenda cultural e social não coincide com a agenda política de Partidos políticos decadentes, com cheiro a mofo, cartelizados.

 

Deixo-vos com Hanna Arendt: - “O mal pode destruir o mundo, porém, profundo e radical só pode ser o bem”!

 

M., quatro de Abril de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

10
Abr19

Cidade de Chaves, com um olhar além do rio e da ponte...

1600-(29771)

 

As imagens falam por si mas também podem despertar estórias que temos guardadas num cantinho qualquer da memória. Ao ver esta imagem, claro que os meus olhos passeiam pelo rio, pela nossa top model Ponte Romana, pelas cores do entardecer, etc., mas lá ao fundo, um pequeno monte na subida para a croa da Cota de Mairos, traz-me à lembrança o Manolo. E perguntarão — Quem é o Manolo!? — e eu respondo-vos, o Manolo é um amigo galego que conheci há uns bons anos atrás, que foi criado com o avô numa aldeia galega que dá pelo nome de Vilarello, precisamente localizada a umas centenas de metros atrás daquele pequeno monte na subida para a croa da Cota de Mairos, e fixei esse pormenor, porque, dizia-me o Manolo, que quando era puto, nas redondezas, o único local que tinha eletricidade era a cidade de Chaves, então à noite escapulia-se de casa do avô e subia a esse pequeno monte para ver o brilho das luzes da cidade de Chaves. Diz que ficava por lá horas em maré de espanto e apreciação, imaginando toda uma vida de cidade que teria de haver por baixo daquelas luzes. Chaves era o mundo! Já mais rapazote, contava o Manolo, vinha às feiras de Chaves com o avô que,  depois de uma volta pela feira, recolhiam aos tascos da Rua das Longras até se fazerem horas de regressar a Vilarello. Já homem feito e professor em Orense, o Manolo sempre que podia vinha a Chaves num dia de feira e ia recordando os passos que dava com o avô, agora sozinho de tasco em tasco na Rua das Longras. Uma vez disse-me: Já viajei muito, já corri muito mundo, todos os continentes, conheço muitas cidades, mas de todas, as mais bonitas que conheci, foram o Porto e XAVES. Sim, tudo em galego, com letras maiúsculas e realçado,  que ele quando dizia CHAVES, também era em maiúsculas que as dizia e com realce na voz e em galego, claro!…

Os tascos das Longras, ao longo dos anos foram fechando, penso que o último resistente (O Sequeira) também já fechou, quanto ao Manolo, sem sítios para poisar, também deixei de o ver, mas ficou o registo das suas estórias que recordo sempre que vejo aquele montinho lá ao fundo, onde a terra toca o céu.

 

Um bom dia de feira!

 

 

09
Abr19

Cidade de Chaves de(s)GOSTOS

1600-(44181)

 

Às vezes chego a duvidar de mim, é uma questão de sentir que me deixa na dúvida de estar a ser muito retrógrado ou estar muito à frente, sem o meio termo do estar confortável no ser conformado, como quem diz – acomodado. De qualquer das formas incompreendido (coitadinho de mim!), o que vale, é que já estou habituado e depois há o am… (ia dizer amar, mas é um termo e/ou verbo difícil de conjugar em português, isto tendo em conta o seu pretenso significado. Prefiro o verbo GOSTAR, é muito mais abrangente e fiel no seu significado, vai muito para além do amar e do fazer amor. No gostar, gosta-se sempre e quando não se gosta, também tem o seu contrário no DESGOSTO.) Pois, interrompi  quando ia dizendo — o que vale, é que já estou habituado e depois há o gostar das coisas, das pessoas, dos lugares, do viver, da alegria. Tudo isto para dizer o como gosto desta Praça do Duque à qual também lhe chamam de Camões, aliás são estas duas, três ou mesmo quatro praças que se interligam para constituir um todo do melhor que Chaves tem, em beleza, monumentalidade e história. Praças que mereciam estar cheias de alegria, movimento, de pessoas, de vida e aqui sim, de amor. Refiro-me à Praça da República, à Praça do Duque, ao Largo Caetano Ferreira e Praça do Município/Rua/Largo de Infantaria 19. No entanto é um gostar cheio de desgostos, senão vejamos qual a vida e companhias destas praças, para além das igrejas, temos a casa do poder, onde se pagam taxas e licenças, se reclama e protesta e onde os políticos têm uma câmara onde decidem por nós com a legitimidade que o voto lhes deu, coisas aborrecidas para a alegria das praças, quando muito dá-lhes algum movimento, mas continua com um Museu de Arqueologia e aqui está tudo dito, com interesse histórico, sim senhor, mas para quem gosta, logo a seguir uma Igreja que comummente se transforma em casa mortuária, depois um armazém de idosos e de caridade, a seguir casario abandonado, mais uma igreja, a seguir a praça da república que nun lado de 4 comércios, 2 são agências funerárias, no outro lado um casarão belíssimo mas abandonado e do outro lado da praça um “club”, sociedade de velhotes a fazerem tempo para enganar o tempo, para além disso, um largo sempre a abarrotar de popós num local onde até é proibido estacionar. Vira-se a esquina e há todo um casario que se prolonga Rua do Sal adentro. Talvez, de memória, conto 16 a 17 prédios de habitação e uma capela, onde há dois cafés que abrem de sol a sol (desde que nasce até que se põe) e uma relojoaria e é tudo, pois viver, mesmo viver, penso que só dois dos prédios terão gente dentro, e pouca. A única praça que ainda vai tendo vida durante o dia (de sol a sol) é a Praça do Município e a Rua/largo de Infantaria 19, com a frutaria da Amélia, os Pastéis da Maria, o Café da Catarina e agora a casa das tapas do Pépe, e mais nada… então à noite, como agora está na moda dizer, o silêncio é ensurdecedor…

 

 

 

09
Abr19

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

 

  1. MISTÉRIO.

 

 

Que raios de mistério está a acontecer lá na quinta Grão Pará? – assim comentaram entre si os colegas de Afonso, aqueles que estudavam consigo para os exames preparatórios à admissão em Coimbra. É que o rapaz, sem boas ou más alvíssaras, acabava de lhes pedir que concertassem outro sítio para continuar os estudos em equipa – E tu nos abandonas? – Não, também lá estou! – e como já conhecessem de Afonso o seu pouco falar, trataram de atender ao seu rogo, não sem antes confessarem que ficariam com muita saudade dos bolos de laranja e dos sumos de limão da boa dona Florinda.

 

A essa altura, começava-se a espalhar o boato de que uma das filhas de Reis estava a se finar em casa, com uma doença incurável. Tísica, talvez. No entanto, não lhe poderiam enviar flores, como à célebre Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, porque a rapariga era menina direita e, portanto, virgem. Outros mais aventavam a hipótese de que seria lepra e, ao passarem pela Quinta, punham-se ao largo do possível lazareto. Prendiam a respiração e se persignavam em mil e um sinais da cruz, para esconjurar o mal.

 

A notícia chegou logo até a alguns empregados, parentes e amigos mais chegados de Reis e ele, atarantado, teve que se desdobrar com firmeza em numerosos desmentidos. Asseverou a todos que, em sua casa, estava tudo a correr muito bem, na santa paz do Senhor. Para já, logo vieram algumas pessoas em socorro dos curiosos, a contarem que estavam sempre a ver as meninas da Quinta e estas pareciam bem viçosas. Também à janela, já tinham visto muitas vezes a menina Aurora, cujo feitio sempre fora mesmo de pouco sair à rua. Na verdade, Mamã e as irmãs aconselharam a prenha que, ao menos algumas vezes por dia, aparecesse à janela, cujas vidraças, agora, eram cobertas por cortinas de croché. Ela precisaria, apenas, de tomar os devidos cuidados, a modo que os de fora não lhe enxergassem o proeminente barrigão.

 

 

  1. GRALHAS DO DILÚVIO.

 

 

Os flavienses sempre foram conhecidos por terem uma virtude especial, a discrição. Como em toda parte do mundo, porém, sempre haveria afamadas criaturas como as irmãs Vila-Passos. Eram beatas de diária comunhão, mas dadas às más línguas, sempre a fossar a vida de quem pudessem extrair algum bom mexerico e depois espalhar a notícia pelos quatros cantos das pontes, ruas, ribeiros e veigas de Chaves. Norteavam-se as irmãs pelo dito popular “no melhor pano cai a nódoa”. Acabavam com frequência, como sói acontecer, por virem a prejudicar seriamente a vida dos outros, embora jurassem na igreja, de mãos postas, amar o próximo como a si mesmas.

 

Posto que morassem ao andar superior de uma casa na Rua do Caneiro, perto do ribeiro homónimo e, portanto, da Quinta Grão Pará, passaram a ter seus dias alegres e cheios, com as constantes incursões de bisbilhotice junto àqueles que, dos Bernardes, eram íntimos ou próximos. Insinuavam-se, portanto, ao Manuel, à Zefa, à Manuela e até a alguns vizinhos das cercanias, com perguntinhas amáveis, mas cheias de anzóis aos peixes e minhoquinhas nas pontas. Rebentavam de curiosidade para saber o que, realmente, estava a se passar atrás das cortinas de crochê da casa dos Bernardes, o que lhes valeram umas patadas verbais e gaguejantes do cocheiro, mais fortes do que um coice do Azeviche.

 

Tal-qualmente as águas do Caneiro que, a tanto baterem nas pedras duras, acabam por lhes deixar alguns porosos furinhos, é possível que as duas malignas irmãs tivessem acabado por conseguir o seu intento. Por uma improvável justiça que se lhes deva fazer, no entanto, pois tampouco fossem as Vila-Passos as únicas da vila a coscuvilhar a vida alheia, nunca se veio a saber, de plena certeza, que tenham sido elas as primeiras a colocar no éter as ondas de transmissão da verdade, sobre a infeliz rapariga dos cabelos cor de trigo e olhos cor do céu, uma das quatro filhas do senhor João Reis.

 

Pelo facto de ser bem grande o respeito que todos tinham aos Bernardes, muitas das tagarelices iniciais eram feitas apenas à meia voz, comiseradas, sem intenção de destruir. Logo uma extensa onda de coscuvilhice, todavia, como que provinda de uma inundação do Tâmega, tal a que veio causar sérios prejuízos à cidade em 22 de dezembro de 1909, espraiou-se por toda Chaves – Sabes a filha do Reis, a mais velha e aloirada? – motivo de assunto nos lares, tavernas, cafés, lojas, talhos, padarias... enfim, em todos os sítios da vila flaviense.

 

 

(continua na próxima terça-feira)

 

fim-de-post

 

 

08
Abr19

De regresso à cidade, com chuva

1600-(42582)

 

De regresso à cidade, com chuva e um poema de Torga, a fazer pandã!

 

 CHUVA

Chove uma grossa chuva inesperada,
Que a tarde não pediu mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
Duma vida que é chuva e não parece.

 

Chove, grossa e constante,
Uma paz que há-de ser
Uma gota invisível e distante
Na janela, a escorrer...

 

In Diário II - Miguel Torga

 

 

08
Abr19

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

 

437 - Pérolas e Diamantes: Os bichons e a parte sombria da economia

 

Confesso que gosto muito de mapear o território mental de Michel Houellebecq. Foi com ele que me convenci de que a filosofia marxista-leninista não é marxista, nem leninista e muito menos é filosofia.

 

Também foi com Houellebecq que me interessei pela origem dos bichons. Embora a origem destes cães remonte à Antiguidade – pois foram encontradas estátuas de bichons no túmulo do faraó Ramsés II –, a introdução dos bichons bolonheses na corte de Francisco I ficou a dever-se a um presente do duque de Ferrara. Dizem as crónicas da altura que a remessa, acompanhada de duas miniaturas do pintor Correggio, foi imensamente apreciada pelo rei francês, que considerou o animal “mais digno de ser amado que cem donzelas”. Em troca, concedeu ao duque uma ajuda militar decisiva para a conquista do principado de Mântua.

 

Tornou-se então o bichon no cão preferido dos diversos reis de França, principalmente de Henrique II. Depois foi destronado pelo pug carlin e mesmo pelo caniche.

 

Ao contrário de outros cães, como o shetland ou o terrier tibetano, só bem tarde é que ganhou o estatuto de “cão de companhia”, já que desde os primórdios tinha sido apenas um “cão de trabalho”.

 

Ou seja, o bichon, desde a sua origem, foi um cachorro cuja razão de ser nunca ultrapassou a tarefa de levar aos donos alegria e felicidade.

 

E é esta a sua atual função. Que cumpre com perseverança. É também paciente com as crianças e meigo com os velhos, desde há inúmeras gerações.

 

Sofre imenso quando está só, o que deve ser levado em conta quando se é levado a comprar um lá para casa.

 

O bichon encara qualquer ausência do dono como um abandono e todo o seu mundo, a sua estrutura e a sua essência se desmoronam num instante.

 

Está sempre sujeito a crises de depressão severa, o que o leva a recusar alimentar-se. Ou seja, é fortemente desaconselhável deixar um bichon sozinho, mesmo que seja apenas por umas horas.

 

Nos livros de Michel Houellebecq, além de bichons, também podemos encontrar muito sexo. É um escritor fascinado pela sexualidade, até porque considera, tanto o próprio como as suas personagens, que ela é a manifestação mais direta e mais evidente do mal. Desde os primórdios os crimes que não possuem por móbil o sexo, têm por causa o dinheiro. E vice-versa.

 

Parece que a Humanidade continua incapaz de imaginar outra coisa além disso, pelo menos em matéria criminal.

 

Parece também que os seus personagens, além de gostarem de bichons e de sexo, apreciam comer aipo com molho rémoulade. Que eu não sei bem o que é, mas preparo-me para o pesquisar na Internet com a firme intenção de o cozinhar.

 

No entanto, a maioria das personagens do escritor francês, sobretudo as femininas, desconfiam da Economia.

 

As teorias com que os especialistas tentam explicar os fenómenos económicos e prever as suas evoluções, parecem-lhes uniformemente inconsistentes, temerárias. Ou seja, não passam de puro charlatanismo. Sendo até surpreendente que atribuam um prémio Nobel da Economia, como se esta disciplina possa gabar-se da mesma seriedade metodológica e do mesmo rigor intelectual da Química ou da Física.

 

Como é que uma disciplina que nem sequer consegue fazer prognósticos que se confirmem há de poder ser considerada uma ciência?

 

Enquanto as mulheres fazem perguntas com esta pertinência, os homens, nos livros de Michel H., apenas se limitam a olhar para os seios delas, mas abstendo-se de interromper.

 

Ao que tudo indica, parece que elas não leram Popper. Eles, incapazes de responder, limitam-se a pousar as mãos nas coxas delas. Elas, escreve ele, limitam-se a sorrir e depois a dizer que o jantar não tarda a estar pronto.

 

Outra constatação das suas personagens: quase ninguém tem comportamentos de consumo inteiramente racionais. Provavelmente esta indeterminação fundamental das motivações dos produtores, assim como a dos consumidores, é a que torna as teorias económicas tão temerárias e, no fim de contas, tão falsas.

 

Ou seja, a existência de agentes económicos irracionais é definitivamente a “parte sombria”, a falha secreta, de qualquer teoria económica.

 

João Madureira

 

07
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Viva a neve!

1600-larouco (355)

Serra do Larouco

montalegre (549)

 

O mau tempo para este fim de semana estava anunciado para todo o país, alerta laranja aqui para os nossos lados, frio, muita chuva, vento e neve acima dos 800 metros de altitude, ou seja, para nós que “estamos habituados”, são dias normais de Inverno, pois já sabemos que por cá só há duas estações no ano, os tais 9 meses de Inverno e os 3 de Inferno (julho, agosto e setembro). Não quer isto dizer que temos todos os dias chuva, neve e tempestades, não senhor, mas acontece com frequência e nos dias em que não acontece até vai havendo sol mas o frio, esse, não aquece ao sol…

 

1600-montalegre (1720)

Montalegre - Pormenor do Castelo

1600-larouco (339)

Serra do Larouco vista desde Soutelinho da Raia

Pois devido ao mau tempo, à última hora, tive um compromisso cancelado o que me deixava a tarde livre. Como ainda não tinha saído de casa, abri um bocadinho a porta de saída para a rua, espreitei e deitei o nariz de fora, não para cheirar, mas antes para sentir o ar para saber como íamos de tempo (meteorológico).  O ar era de neve. Subi ao andar de cima e espreitei para o Brunheiro, estava limpo de neve, fui espreitar para Norte e a ponta da Cota de Mairos estava com neve, mas não o suficiente para chegar aqui ao vale o seu ar, para Sul não valia a pena espreitar, pois aí só há neve quando ela chega até ao vale de Chaves, só podia ser a Poente, ou seja, no Barroso, e lá estava ela a cobrir o Leiranco e um bocadinho ao lado, via-se a serra de Castelões também com neve, ou seja, pelo menos o Larouco e terras altas até Montalegre a neve era garantida.

 

1600-larouco (335)

Serra do Larouco

 

Há uns anos atrás, agarrava nos putos e dizia-lhes – Vamos ver a neve! Com os putos já crescidos e temporariamente fora de casa a estudar, agarrei nas máquinas fotográficas e disse-lhes na mesma — Vamos ver a neve! E lá fomos, felizes e contentes como se fosse a primeira vez…

 

1600-larouco (377)

Serra do Larouco

1600-montalegre (1790)

Montalegre - Rotunda da Corujeira

 

Claro que poderia inventar uma desculpa qualquer, mais séria e científica, como a de ir observar e registar se com esta coisa do aquecimento global a neve mantinha o seu grau reduzido de temperatura, se a sua brancura se mantinha, se continua sem ter sabor, etc. Mas não, a verdade é que eu sou mesmo um puto que gosta de ir para a neve, e prontos!

 

1600-montalegre (1752)

Vista geral de Montalegre (Vila)

1600-donoes (100)

Rio Cávado e Moinho - Donões

 

E havia neve, e nevou pelo caminho, e fez sol, e choveu, e nevou novamente, e de novo fez sol, sempre de pouca dura, uns minutos, apenas pequenas abertas, mas lá fomos indo, não era um daqueles nevões-nevões, mas havia neve, com a estrada limpa. Primeira paragem no sítio do costume de contemplação da Serra do Larouco. Segunda paragem no Miradouro Corujeira, pois das várias vezes que fui por Montalegre à neve, nunca tinha conseguido ir à Corujeira, mas desta vez cheguei lá. É um cliché dos dias de neve em Montalegre, faltava-me para a coleção. Outro cliché é o do moinho de Donões, ali sobre o Cávado com o Castelo de Montalegre de fundo, também ainda não o tinha com neve, que embora pouca (terras mais baixas) ainda havia uma amostra.

 

1600-montalegre (1680)

Vista geral de Montalegre (Portela)

Depois havia que fazer os outros clichés, o Larouco, Padornelos, ir ao lado à aldeia mais alta de Portugal (Sendim), etc. Eu fui a todos, ou quase, pelo menos até onde pude, pois no Larouco, mais uma vez fui enganado, embora lá tivesse ido, com a estrada limpinha, muitos pais a brincar (ainda naquela fase dos filhos putos), carros parados aqui e ali para fotos do pessoal na neve, incluindo selfies, etc., e eu lá ia galgando estrada até chegar ao cimo do Larouco e de repente, a seguir a uma curva, ZAZ! a estrada desapareceu, andaria ali pelo meio do Larouco, impossível continuar, mesmo para um tt.  

 

1600-larouco (370)

Serra do Larouco (o fim da estrada...)

 

Não me voltam a enganar… pois a solução num caso destes é mesmo só uma, meter o rabinho entre as pernas e voltar para trás desiludido…Mas já que andava por lá,  entrei na aldeia de Padornelos, fiz o mesmo em Sendim e ainda deu tempo para entrar na Galiza só para dizer que entrei, pois dei logo a volta, tomei um cafezinho nas bombas de gasolina da fronteira e comprei umas garrafas de vinho verde branco e, ala para Chaves que se faz tarde.

 

1600-padornelos ( (368)

Padornelos

1600-padornelos ( (353)

Padornelos

E tudo teria corrido bem se não fosse um palerma com umas 4 lata velhas todas Kitadas que ia dois carros à minha frente e que ao entrar no concelho de Chaves resolveu fazer todo o trajeto ao esses a desvia-se de todas as protuberâncias e pequenas depressões que a estrada tinha, sempre a 30 ou 40 km/h, primeiro ainda pensei que também tinha ido ao vinho nas bombas de gasolina, mas depois apercebi-me que era mesmo uma paixão assolapada pelas suas 4 latas kitadas. Pelo menos foi uma forma, embora obrigatória, de vir de vagar. Quando chegámos a Chaves, parecia uma procissão de carros a vir da neve, mas curiosamente ninguém tentou ultrapassar nem protestar, eu penso mesmo que o pessoal de trás estava a pensar que o mariola da frente ia com os copos!

 

1600-sendim (218)

Sendim - a aldeia mais alta de Portugal

E terminamos com uma imagem da aldeia mais alta de Portugal – Sendim. Hoje, calhou assim, em vez de uma aldeia trouxemos neve, fresquinha, de ontem à tarde, mas tivemos ainda tempo de ir a Padornelos, a Sendim e ao moinho de Donões, três aldeias que já aqui tiveram o seu devido post mas que, se quiserem rever, basta procurar na barra lateral do blog, estão lá todas as que por aqui passaram, por ordem alfabética.

 

E é tudo. Até amanhã!

 

 

 

06
Abr19

Santa Marinha - Chaves - Portugal

1600-sta marinha (9)

 

Depois de já termos passado pelas terras de todos os santos do concelho de Chaves, estamos agora a entrar na reta final das santas, hoje é a vez da Santa Marinha, sendo a santa que se segue,  a Santa Ovaia. Mas hoje ficamos por Santa Marinha, uma das aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, do planalto da Serra do Brunheiro, deste nosso concelho de Chaves.

 

1600-sta marinha (62)

 

Iniciemos por conhecer Santa Marinha, mesmo a santa que dá o seu nome a nossa aldeia de hoje e que por sinal até é um topónimo mais ou menos frequente em Portugal, sendo a mesma santa, por exemplo, que dá nome à freguesia de Vila Nova de Gaia onde se localizam as caves do Vinho de Porto.

 

1600-sta marinha (1)

 

Íamos e vamos então conhecer a Santa Marinha que tem uma história curiosa com muitos traços da nossa lenda flaviense da Maria Mantela, só que aqui a história faz-se com raparigas e não com rapazes, como acontece com a Maria Mantela (lenda) e também o fim delas, que acabaram todas martirizadas e santas foi diferente das dos nossos rapazes, que apenas se ficaram por padres, quando ao resto, vejam já a seguir.

 

1600-sta marinha (16)

 

Pois reza assim a história:

Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória.

 

1600-sta marinha (3)

 

A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.

 

1600-sta marinha (60)

 

E continua assim a história:

Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para ativarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas.

 

1600-sta marinha (2)

 

Seja como for, Santa Marinha acabou por ser o topónimo da nossa aldeia de hoje. Uma pequena aldeia do Planalto do Brunheiro, implantada junto a um cruzamento que com estradas/caminhos que a ligam às aldeias mais próximas de France, Sandomil, Amoinha Velha e Amoinha Nova, esta última já do concelho de Valpaços, terra da famosa Bruxa da Amoinha.

 

1600-sta marinha (52).jpg

 

A aldeia de Santa Marinha implanta-se ao longo da estrada em dois pequenos núcleos, um mais antigo à volta da capela e um de construções recentes, mas ao todo são apenas cerca de 30 construções, contando habitações, armazéns, anexos e a capela, a caber tudo num círculo de 150m. Mesmo assim, não é a aldeia mais pequena do concelho, aliás todas estas aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, são muitas (11 no total) mas todas pequenas aldeias, talvez a exceção vá mesmo para Carvela já com dimensões médias.

 

aerea de santa marinha.jpg

Imagem do Google Earth

Claro que não vou recomendar uma visita obrigatória e propositada a Santa Marinha, pois a aldeia vê-se em 5 minutos e pessoas também poucas há, pelo menos na rua, mas pode acontecer que haja e com quem até podemos conversar um bocadinho, mesmo assim, também não vamos ficar uma tarde ou uma manhã a conversar, mesmo porque as pessoas tem os seus afazeres e há que respeitar a vidinha deles. Sempre pode dar dois dedos de conversa com os gatos, pelo menos eu falo com eles e eles até parece que me ouvem, isto se acordarem...

 

1600-sta marinha (4)

1600-sta marinha (6)

 

E poderão perguntar: - Então esta aldeia não é para visitar!? Claro que é, mas para aproveitar o tempo, que é sempre precioso (pelo menos para mim é) programe logo uma manhã ou uma tarde, ou até ambas, para visitar a toda a freguesia, e ai já terá 11 aldeias para visitar, e esta (visita) sim, recomendo, pois a freguesia tem por lá algumas coisas interessantes, como a igreja de Nogueira da Montanha e o seu castanheiro milenar (dizem!) capelas, cruzeiros, alminhas e sobretudo paisagens e muito casario tipicamente transmontano. Claro que algum desse casario está abandonado, outro em ruínas mas também as há de pé. Quanto ao povoamento, a palavra evoluiu para despovoamento, sendo Nogueira da Montanha uma das freguesias onde mais se faz sentir.

 

1600-sta marinha (50).jpg

 

Despovoamento, sim, não pelas terras que até são cultiváveis e dão produtos de qualidade, tal como a batata, mas são terras difíceis de viver, principalmente os Invernos rigorosos não são muito convidativos para se permanecer por lá, pelo menos ao ar livre e o seu rigor tanto se faz nas noites frias de geadas, como debaixo de nevoeiros que para nós, cá de baixo desde o vale o vemos como nuvens que se abatem sobre a serra.

 

Consultas:

http://www.memoriaportuguesa.pt/santa-marinha em 06/04/2019

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Olhares de sempre

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • P. P.

      Maravilhosos olhares.

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado Pedro. Um forte abraço desde este Reino M...

    • Miluem

      Pois os gatinhos acham que tudo aquilo em que põem...

    • Pedro Neves

      Belíssimas fotos!

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado pela retificação, eu sabia que era grémio...