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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Jun19

De regresso à cidade...

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Esta semana fazemos o regresso à cidade um dia mais tarde, tudo porque ontem foi dia de Portugal, mas por cá. foi também o dia da Senhora da Saúde em São Pedro de Agostém, que,  no meio de tanta oferta que este fim-de-semana teve, passou despercebido, pelo menos àqueles que não lhe são tão fiéis. Festa que aliás começou domingo, no dia das sete festas como alguém me disse em Agostém, onde também foi festa.

 

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Por mim, aproveitei o Domingo e subi lá cima à croa da Serra do Brunheiro, ao seu ponto mais alto, pela primeira vez. Já tinha andado por perto, mas desta vez cismei que era mesmo lá que ia, e fui. Claro que aproveitei para fazer umas imagens, entre as quais estas que vos deixo, dão para ver como Chaves estava a meio da tarde de Domingo.

 

Resto de uma boa semana!

 

 

 

11
Jun19

Chaves D´Aurora

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  1. CILÍCIO E SAMBENITO.

 

 

Bem mais do que a Cerimónia do Chá, que Alfredo celebrara com a sua gueixa brasileira, atrás do biombo japonês, sua progressiva consciência era a de que a obediência filial veio conduzi-lo a uma outra cerimónia, aquela que, por definitiva e já sacramentada, parecia-lhe merecer, agora, uma única sensação: arrependimento. Tal compreensão dos factos conseguira fazer o rapazola mergulhar no banzo de uma perda irreparável. Não tanto a perda anatómica da esposa, mas a dele, o desperdício de sua juventude, esse lapso de vida que ele próprio, por impetuosidade hormonal, ajudara a interromper.

 

Abria-se lhe, ademais, uma outra perceção, mais recente, apesar de sua pouca idade e ele não ser dado a maiores voos filosóficos. Pelo facto de ser o único do clã que continuava a manter relações normais com todo mundo, Alfredo começava a considerar (ao seu modo mais simples de pensar, não o traduzido por este narrador) que, no mor das vezes, aquilo tudo que, agora, estava a fazer da Quinta Grão Pará um verdadeiro pórtico onde se lia – “Deixai toda esperança, vós que entrais!” – era bem mais, na verdade, um delírio dantesco de perseguições dentro da mente de seu pai e das irmãs, a entronizarem a culpa de algo pelo qual nenhum deles, nem mesmo Aurita, deveria ficar tanto tempo a se flagelar como estoicos penitentes.

 

 Para Alfredo, a partir de uma conversa com o primo Rodrigo, não era senão uma pequena parte da sociedade flaviense que se comprazia em entregar aos Bernardes o cilício ou o sambenito. Não seria melhor deixar esses poucos cães sarnentos a ladrar e a beber a baba de sua raiva, enquanto a caravana dos seus familiares continuasse a passar, altaneira, com um profundo desdém por essas matilhas de imbecis? Alfredinho, porém, não alcançava que, por menos numerosos que fossem esses convictos guardiões dos códigos da Moral pública e privada, promulgados e respeitados sob o poder da religião dominante, eram sempre os mais influentes.

 

Tudo isso, portanto, já estava a deixar profundas marcas de queimaduras do Santo Ofício, cicatrizes invisíveis, que desfiguravam as faces de cada um dos membros de seu clã, inclusive as dele próprio. De qualquer forma, o temor com que Reis a todos dominava, esse outro tipo de entronização das peias sociais na mente dos oprimidos, das quais os seres humanos não conseguem se libertar, fez com que Alfredo jamais pudesse externar a ninguém, exceto ao seu politizado primo, qualquer uma dessas considerações.

 

Por falta de maiores conhecimentos dos livros e da vida, não lhe alcançava a expressão contexto histórico, que pode abranger, ao mesmo tempo, cada subcontexto político, económico, social, bem como a vigência, em cada época ou região, ou até mesmo em um espaço global, de diferentes conceções, morais, religiosas e filosóficas, ainda que as éticas tendam a ser universais.

 

Tais normas podem até se traduzir, no presente, em leis e costumes rigorosos, cuja obediência é fanaticamente exigida e vigiada, mas, no futuro, essas imposições poderão vir a ser reformuladas ou desfeitas e até mesmo, no mor das vezes, consideradas ridículas ou absurdas pelas pósteras gerações.

 

Facto é que Alfredo, ainda que de modo intuitivo, começava a perceber que, muito além dos falhanços de Aurora, havia outros fatores intervenientes nesse cachão de lágrimas, que escorriam de brunheiros e barrosões sobre os Bernardes, fatores esses que ele não conseguia definir, mas que sabia estarem a contribuir para toda aquela hecatombe familiar.

 

 

  1. ANARQUISTA.

 

Rodrigo agora se entregara de vez às ideias do Anarquismo e estava de malas prontas para ... 

 

(continua na próxima terça-feira)

 

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10
Jun19

Quem conta um ponto...

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446 - Pérolas e Diamantes: Densas banalidades

 

 

O que mais me incomoda nos portugueses é a sua “tendência natural” para as meias tintas, para a conciliação ou mesmo para a subserviência.

 

Eu aprecio a insubmissão e todas aquelas pessoas que ostentam o orgulho de decidir. Viver apaticamente é frustrante. Aprecio quem vive de inquietação, abalado pela ironia e duvidando da inércia.

 

O problema nas nossas vidas costuma acontecer quando, como Macbeth, nos damos conta de que o bosque que pensávamos quieto se começa a mexer.

 

Bem sentidos, os espaços que nos são queridos podem ser, ao mesmo tempo, limitados e infinitos. Deles, podemos alcançar o mundo.

 

Não sei porquê, mas os membros das elites de agora possuem sorrisos indecisos, como se em vez de olharem para as pessoas se olhassem a um espelho permanentemente colocado à sua frente. Gostam muito de jogar, o que acaba por ser um derivativo para a agressividade dissimulada. Fingem recusar o luxo. Costumam utilizar um tom assumidamente entediante: o da hostilidade dos privilegiados para com os privilégios.

 

E lá se vai o mundo rural onde se costumavam viver as várias experiências de uma sabedoria diferente. Já poucos são os que sabem em que altura do ano canta o rouxinol ou chilreia a cotovia, como se faz o pão, como se secam os figos, como se cora o linho, como se ceifa o trigo ou o centeio, como se plantam e arrancam as batatas, como se munge uma vaca, como se alimenta um reco, como nascem os vitelos, como se junguem os bois ou se pisam as uvas no lagar.

 

Ao que dizem os livros dos deuses, foi sentado no seu trono no Olimpo que Zeus escolheu o deus do comércio. A escolha foi quase imediata, só podia ser Hermes. Ofereceu-lhe então um par de sandálias com pequenas asas de ouro e encarregou-o de promover o intercâmbio mercantil, a assinatura de contratos e, ainda, de salvaguardar a liberdade de comércio. Hermes foi escolhido por ser aquele que melhor mentia.

 

Ao que tudo indica, os políticos pós-modernos foram amaldiçoados pela Deusa Hera, mulher oficial de Zeus, que numa cena de ciúmes amaldiçoou a ninfa Eco, que tinha muita graça, pois as suas palavras pareciam nunca ter sido antes ditas por nenhuma boca. Eco sofreu o pior dos castigos, pois foi privada de voz própria. Desde essa altura é incapaz de dizer, apenas consegue repetir. Os tempos modernos transformaram essa maldição numa grande virtude.

 

Passei os meus anos de juventude empenhado na defesa da ideia de um mundo melhor. Depois reduzi-o à escala de uma região e de uma cidade. A seguir estreitou-se ainda mais. Agora esse ideal tem o tamanho de nada.

 

Para um jesuíta dizer meia mentira e já dizer meia verdade. Mas eu não vou por aí.

 

Agora penso como Aristófanes, um escritor conservador que defendia as tradições como se acreditasse nelas, que a única coisa sagrada é o direito ao riso.

 

Sinto-me a viver numa cidade onde nada acontece e por isso tudo é importante. Apesar disso, a sua beleza triste continua a seduzir-me.

 

Subo e desço as ruas velhas e já não vejo as crianças a brincar. Mas a velha melancolia ainda por lá anda. As ruas imobilizaram-se no tempo. E não foram só elas.

 

As pessoas parecem-me indiferentes e as árvores domesticadas.

 

Ao Tâmega sucedeu-lhe o mesmo que ao Douro, não encontrou cantores. Galarins desse género só os teve o Mondego e o Tejo. Como diria a Sibila: por aqui as epopeias foram raras e as musas mimosas, mas não ardentes. Em vez do tanger melodramático das guitarras, por cá apenas soaram o repique ou o dobrar dos sinos.

 

Ao que consta, Camilo Castelo Branco gostava de quem sabia chorar. E até se tornou um escritor especialista nesse tipo de romances. Eu não consigo apreciar os especialistas das lágrimas. Sempre desconfiei deles. Desses e dos que ostentam o riso fácil e chocalheiro. Desconfio que são vinho da mesma vasilha. É tudo pinga contrafeita.

 

Dizem por aí os apologistas do politicamente correto que vivemos num tempo de grandes verdades. A mentira já vem de longe e fez-me lembrar um desabafo da escritora Agustina Bessa-Luís: “Já disse numa dessas entrevista que as grandes verdades não me impressionam. Estamos a viver numa sociedade de verdades engarrafadas. Se as bebermos, não sei se não serão uma zurrapa.”

 

Para mim o cair da tarde em Chaves ainda continua a ser uma hora irreal. Mas as conversas não deixam de ser densas de banalidades.

 

Camilo costumava dizer que quem aniquila a velha nobreza é o ridículo da nova.

 

João Madureira

09
Jun19

Chaves - mercados, festas e corridas

 

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Ontem dizíamos por aqui que este fim de semana era rico em eventos a acontecer em Chaves e prometemos ir dar uma vista de olhos ao Mercado da Madalena, e cumprimos, fomos lá espreitar, mas também ainda passámos por mias dois eventos. Mas vamos por partes.

 

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MERCADO DA MADALENA

 

Confirma-se que o espaço é ótimo, agradável, convidativo, com a vantagem de ter estacionamentos para popós à escolha do freguês.

 

Pois do que vi gostei. Temia que sendo a Associação de Produtores Artesanais de Chaves uma das organizadoras deste evento a coisa se resumisse só a artesanato, mas não, felizmente é aberta aos produtos da terra e quando digo terra, são mesmo os produtos que a terra dá, e estavam lá alguns, os da época (cebola, couve, alface, cerejas). Aliás penso que nem poderia ser de outra maneira, isto tendo em conta que a Junta de Freguesia de Santa Maria Madalena também está associada ao evento e 99% do seu território está na veiga de Chaves, onde as hortas e produtos hortícolas abundam, daí seria um crime eles não estarem representados, mas estavam, pena serem tão poucos. E já agora, penso que será também do interesse de todos que as nossas freguesias rurais também façam parte da nossa feira. Aliás penso que já lá estavam algumas.

 

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Os insufláveis para os putos brincarem é uma boa ideia, a rulote bar também dá jeito e até podia ter esplanada, isso é que era. Claro que os pastéis de Chaves também lá podiam estar, e outras coisas boas que temos por cá, presunto por exemplo, vinhos, etc. Penso que esta feira tem pernas para andar e outros eventos se lhe podem associar e com o tempo, bem podia ser semanal e uma grande feira, a feira dos residentes e dos turistas, isto tendo em conta que a grande maioria dos flavienses residentes que trabalham não podem usufruir da  feira semanal das quartas-feiras.

 

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Também pode ser que esta feira sirva para que o espaço excelente que ocupa possa ser aberto ou dar ideias a outros eventos e que o Município de Chaves venha a ocupar ou reservar para equipamento municipal todos os terrenos livres de construções entre a capela e a ponte de São Roque, para um parque multiusos, por exemplo, isto tendo em conta que o de Santa Cruz virou a campos da bola e isto também,  antes que nasça lá mais um mamarracho qualquer ou mais uma grande superfície.

 

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FESTA DE VILAR DE NANTES – CORRIDA DE CARRINHOS DE ROLAMENTOS

Se não foi corrida de carrinhos de rolamentos, foi coisa parecida, pelo menos diversão foi, dos mais novos e mais velhos, e também não houve diferença de géneros na participação e até os animais participaram, senão como pilotos foi como penduras, não sei se foi para satisfazer o pessoal do PAN mas que vi lá um urso, lá isso vi. Está bem, eu sei que era um peluche, mas o que vale é a intenção!

 

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Por várias razões lamento não ter participado mais nesta festa, nem que fosse e só por ser a minha freguesia de residência, mas outros compromissos anteriormente assumidos levaram-me para outras paragens, mesmo assim tive tempo de fazer alguns registos e de reparar no profissionalismo posto na feitura dos carrinhos de rolamentos, no rigor do equipamento de alguns corredores e no staff de apoio à corrida.

 

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Mas para Vilar de Nantes, como está aqui à mão, outras oportunidades haverá, aliás em breve terá aqui no blog o seu post desta nova ronda pelas aldeias e aí prometo fazer um posta à altura da aldeia e freguesia.

 

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RALI ALTO TÂMEGA

Assisti à PE2 Chaves Sul, infelizmente não pudemos ver todas as máquinas e pilotos porque a prova foi interrompida devido a um acidente, mas deu para ver vinte e sete máquinas a acelerar em direção a ven-ven -Ventuzelos, desde o cruzamento de Agostém. Claro que uns aceleravam mais que outros, mas as máquinas também eram diferentes, desde o velhinho e clássico Ford Escort,  a deliciar-nos com as suas performances desde os anos setenta do século passado e a dizer que ainda está cá para as corridas aos Sr.s Porsches e outros que tais daqueles que não nos importávamos nada em tê-los a ocupar espaço nas nossas garagens.

 

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Embora não seja um seguidor assíduo deste desporto, gosto de ver estas máquinas a gemer e a dar o seu máximo nas mãos e perícia dos pilotos, digamos que sou um fã não assíduo, um fã do sempre que posso ou anda por perto, e claro, fã também de fazer um registos fotográficos, com todo o inconveniente de a fotografia congelar o movimento, mas também de o perpetuar um momento. Mesmo assim podemos fazer qualquer coisinha para lhe dar um movimento virtual, foi o que fizemos num pequeno vídeo que fica de seguida, com o qual aproveitamos para nos despedir com um até amanhã, que, por ser feriado não vamos fazer o nosso habitual regresso à cidade, mas se possível, trazer aqui mais uma aldeia do Barroso que deveria estar aqui hoje. Fica então o vídeo.

 

 

 

 

08
Jun19

Sesmil - Chaves - Portugal

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Enquanto que na cidade e arredores vai acontecer magia, o Rali Alto Tâmega, o Mercado da Madalena e a festa de Vilar de Nantes, entre outros eventos, aqui no blog, vamos até mais uma aldeia, aqui também bem próxima, uma aldeia que dá pelo nome ou topónimo de Sesmil.

 

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Uma aldeia bem próxima de Chaves, a apenas cerca de 6 km, nas faldas da Serra do Brunheiro, com acesso a partir de Chaves via EM314 (Estrada de Carrazedo de Montenegro), podendo depois optar por dois caminhos, o primeiro, logo a seguir ao aeródromo municipal, deixa a EM314 e segue em direção à Nossa Senhora da Saúde até Paradela de Veiga, e aí apanhar o desvio para Sesmil.

 

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A outra opção é continuar pela EM314, passar ao lado de Vilar de Nantes (hoje em festa), continuar até Izei e logo a seguir, 500m, aparece a placa a indicar Sesmil. Por aqui o caminho é em terra batida, mas com bom piso,  isto se entretanto não foi pavimentado, pois já há algum tempo que não passo (desço)  por lá.

 

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Embora uma aldeia da periferia da cidade, segue todas as características das aldeias mais distantes, inclusive no despovoamento e envelhecimento da sua população, mas também no modo de vida, embora aqui, dada a proximidade da cidade, seja em parte também aldeia dormitório.

 

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Sesmil não é uma aldeia pequena que se vai desenvolvendo ao longo da sua rua principal, mas formando pequenos núcleos, pelo menos três, que são separados por terras de cultivo que aqui, ainda se vão cultivando por entre algumas oliveiras, vinha e outras árvores de fruto. Um pouco daquilo que vai sendo habitual nas nossas aldeias, com as culturas também habituais, dependendo, claro, da altitude que nesta aldeia anda entre os 420 e os 510m.

 

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Quanto ao casario, há um pouco de tudo, construções tipicamente rurais, de pedra de granito à vista, algumas reconstruções, construções novas, mas também algumas abandonadas e/ou em ruínas.

 

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Alguns pormenores interessantes, como tanques e fontes de mergulho, a capela, algumas fachadas mais dignas de realce com belos pormenores de cantaria e uma construção muito singular, com capela e construção anexa, pequena mas com um alçado muito bonito e interessante, embora sempre a tenha conhecido abandonada. Parece um solar, dos pequeninos, tão pequeno que segundo as minhas contas não chega a atingir os 80m² de construção.

 

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Quanto a festividades da aldeia, festeja-se a Santa Ana, no mês de Julho, ou festejava-se, pois não vos posso garantir se a festa ainda se realiza. Sei que numa das vezes que fui por lá, vi o cartaz com o programa da festa, mas como isto já foi há uns anos, hoje não sei. Digo isto porque realizar uma festa de aldeia não é barato e com as aldeias cada vez com menos população, os donativos são cada vez menos, e sem dinheiro não há festa. Tem acontecido isso em muitas aldeias, daí a minha incerteza.

 

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E vai sendo tudo. Como já vai sendo habitual, fica um pequeno vídeo com as fotos da aldeia que fui recolhendo e publicando aqui no blog ao longo destes últimos anos, incluindo uma com neve, que segundo o meu arquivo é de uma nevada de 16 de dezembro de 2009.

 

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Fica então o vídeo e este link para o caso de o quererem vê-lo diretamente no youtube ou eventualmente partilhá-lo. Espero que gostem.

 

Vídeo:  https://youtu.be/fB39atvYjt0

 

 

 

07
Jun19

Uma Proposta para Sábado, em Santa Maria Madalena

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Foto de arquivo - 2015

 

Hoje ficamos na margem esquerda do Rio Tâmega, em São Roque junto ou de fronte à sua capela, pois é para aí que vai a nossa proposta para amanhã, sábado, com o “Mercado da Madalena”

 

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Foto de arquivo – 2011

Ficam estas duas fotos daquele que suponho vai ser o espaço do mercado. Embora as fotografias tentem apanhar todo o espaço e fossem tiradas em ambas as direções do largo, guiem-se mais pela primeira foto, pois é a mais atual. Não pelo espaço ser diferente, mas sim pelo arvoredo que entretanto cresceu e que nos dias quentes de sol intenso faz a diferença. Tempo que está meio chocho mas que promete melhorar para sábado.

 

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Há dias disse por aqui que a freguesia de Santa Maria Madalena[1] tinha excelentes condições para receber eventos de vária natureza. Desconhecia este “Mercado da Madalena” que já estava na calha, por pura distração minha, pois quando afirmei o que afirmei já este mercado estava anunciado, aliás, logo a seguir, realizou-se o primeiro mercado. Claro que só me posso congratular com a (dupla) ideia, feliz, de levar a efeito este mercado, e o “dupla” que atrás deixei, vai para o local escolhido e para os produtos que são anunciados em cartaz “produtos da região a preservar tradições do nosso povo!”. Sim senhor, aplaudo e só espero que assim seja. Sábado (amanhã) vou lá ver e depois conto como foi, fica combinado. É esta a nossa proposta para sábado.

 

 

 

 

[1] A respeito de Santa Maria Madalena, ver post https://chaves.blogs.sapo.pt/simplemente-madalena-1863826

 

 

 

06
Jun19

Um pensamento poético sobre Chaves...

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Um pensamento poético sobre Chaves!?

 

Às vezes, há palavras que sugerem imagens, outras vezes, é ao contrário, isto é, as imagens sugerem palavras, como no caso de hoje em que uma imagem atual me fez recuar 100 anos atrás para a rever nas palavras de Mário de Sá Carneiro:

 

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro.

 

 

Mas o que eles não sabem, é que as imagens também se constroem…

 

 

 

06
Jun19

A pertinácia da informação

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Á minha frente o dia ficou escuro. Sob uma faixa de verde, bonita, há uma enorme desarrumação. Sempre abominei a desarrumação, não tanto aquela doméstica e quase inevitável. A arrumação é quase como uma espécie de decência e decoro, não tolero que não haja um mínimo. O meu mínimo é aquilo que acho exigível e fundamentalmente necessário.

Hoje chego à constatação que tenho vivido restrita a uma estreita faixa onde há uma espécie de dialética externa onde o meu valor me faz puxar para cima e a vontade dos outros me empurra para baixo. Nem mesmo quando o que faço seja para benefício dos outros, é de tal forma enorme o temor que eu saia dessa faixa e que consiga fazer algo mais por todos e todas…

É um sentir duro do que tem sido a vida. Ás vezes apetece-me perguntar aleatoriamente se a das outras pessoas, daquelas que desconheço, é diferente. Mas, normalmente chego à conclusão que viver nesta dialética é a norma, e, certamente a responsabilidade dela sair é apenas minha. É uma questão de maior esforço. O resto são circunstâncias. Não me agrada desculpar-me com circunstâncias. Cada vez que te atiras contra um muro para saíres podes sempre ir apanhando maior balanço, construir engenho para subir ou voar… mas também terás que ver até que ponto as circunstâncias são injustiças. Há sempre o bom senso.

Na vida ser-se ótimo, bom ou excelente só importa se o que fizermos com isso nos importa. O que importa aos outros poucas vezes importa muito… para os outros só importa o que estes perceberem que lhes possa oferecer benefício. Ás vezes há excelentes pessoas com ótimas qualidades que podem fazer coisas muito boas pelos outros… mas se os outros não perceberem que isso lhes seja benéfico… serão apenas excelentes coisas, com excelente qualidade sem qualquer utilidade. Refiro isto como algo factual, não que eu concorde.

O dia continua escuro, mas há céu de vários tons daqui até ao horizonte, e para lá do horizonte ainda há muito céu.

Chegou com aquela pose e ativou-se em mim aquele pensamento: mais do mesmo. Não, não é preconceito… sei lá, se calhar é… Mas como posso explicar? É todo um conjunto de aspetos: o tipo de carro em que chega, a conversa que faz à porta antes de entrar ou a forma exibicionista (ou acanhada) com que se termina (ou prolonga… ou se desembaraça) de uma chamada… e por fim, o tom pejado de tantas coisas quase inomináveis e que me recuso a enumerar com que solta num enorme sorriso branco: “Menina, muito bom dia!”

Cada vez me sinto menos apta para engolir sapos… sim, eu sou uma rapariga que nunca gostou de engolir sapos e que andou a fingir que comia sapos… mas inevitavelmente vomitei-os. Mas começa-me a preocupar duplamente esta situação, por um lado não me sinto confortável no papel de quem se sentou numa escrivaninha numa atenta análise cujos resultados não têm efetivamente qualquer efeito avaliativo. Um posto de seleção em nenhures que não seleciona para coisa nenhuma, é só um posto de passagem onde as pessoas vazias vão passando e eu me espero a não lhes abrir portas e obrigo-as a circular. Não, não é agradável, mas também não é culpa minha. Não tenho pachorra para engolir sapos ou nem eu mesma ser uma pessoa que passe na escrivaninha de outro minucioso pseudo-avaliador de coisas nenhuma, também não passo no filtro que retém a vulgaridade a futilidade. E é assim que se cria a solidão, uma solidão confortável, agradável, quase macia, o Paraíso do Silêncio. Se era bom que não houvesse silêncio? Era, certamente, mas apenas se o vazio fosse pejado de música e luz.

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

05
Jun19

Momentos da Cidade de Chaves

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De vez em quando apetece-me e é bom viver estes momentos silenciosos da noite, parece que tudo para para nos pertencer por inteiro.

 

Pois é, embora eu até seja a favor do novo acordo ortográfico, penso que precisa de uns pequenos ajustes ou então exceções para não acontecer o que atrás aconteceu, quando  o para do verbo parar se junta a proposição para.

 

Então, para não haver confusão, reescrevo o primeiro parágrafo com uma exceção assumida por este blog, ou melhor, por mim, pois temos colaboradores que não aderiram ao novo acordo ortográfico. Assim sendo, o primeiro parágrafo passa a ter a seguinte grafia:

 

De vez em quando apetece-me e é bom viver estes momentos silenciosos da noite, parece que tudo pára para nos pertencer por inteiro.

 

04
Jun19

Da Nascente do Rio Tâmega até aos Lagos de Stº Estêvão

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É aqui nesta paisagem que ele nasce, aparentemente seca, mas é terra alagadiça, lá na croa da serra, tão alagadiça é que dá origem a três rios, seguindo cada um a sua vertente da montanha, o nosso Tâmega, o Rio Lima e o Rio Arnoia.

 

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Durante umas largas centenas de metros é apenas um carreiro de água, pouco mais que um rego.

 

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Nos primeiros passos, conhece também as suas pequenas, mas primeiras grandes aventuras. Acontece a sua primeira cascata. Cabe na palma de umas mãos, mas não interessa, dá para lhe agitar a jovem adrenalina sem perder a compostura.

 

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Mais à frente espraia-se, e à sua escala forma um grande lago, talvez com três metros de largura, afinal o Rio Tâmega é apenas uma criança acabada de nascer,  e quando ainda se é bebé, há coisas pequenas que parecem enormes.

 

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Depois lá vai seguindo a sua marcha, sempre a descer, às vezes mais rápido outras vezes mais lento, depende, não dele, mas das terras floridas que atravessa e que o vão perfumando, com um perfume selvagem, certo, flores que misturadas com as suas águas cristalinas podem ser remédios para muitas maleitas, é assim que o povo vai curando as suas, e por fim, sempre por entre paisagens mais ou menos floridas, mais ou menos verdes, atinge o vale, de Laza.

 

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Mas deixa também para trás outras paisagens, à primeira vista até se poderia pensar ser uma pintura de arte contemporânea, mas infelizmente é apenas o que resta de um incêndio que em vez da verdura do pinhal que outrora teve, deixa a nu o ziguezaguear de caminhos por entre terra queimada.

 

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E finalmente o Tâmega encontra a companhia de catraios mais crescidos mas que não lhe roubam o seu nome. O que manda é o que vem de mais longe, mesmo que mais pequenino em tamanho. Em Tamicelas no mesmo ponto, é entalado entre dois afluentes que depois de misturados dão lugar a um Tâmega já mais bem compostinho.

 

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E como se dois não bastassem, mais à frente recebe outro bem maior, mas igualmente nascido ali por perto, mas tudo bem, passará a ser água da sua água, agora já um Tâmega ainda jovem mas muito mais adulto, ainda transparente e cristalino. É aqui que o deixamos para trás, perdemo-lo de vista para mais tarde o atravessarmos em Verin, mas com olhares a darem prioridade à estrada sem reparamos nele.

 

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Chegados já a Portugal, ali pelo cruzamento de Stº Estêvão, saímos da estrada em direção aos seus grandes lagos, aqui já é o Sr. Rio Tâmega, bem adulto. Espreitámos para o grande lago, mas depois de o termos visto e acompanhado tão límpido, puro,  transparente e cristalino, a objetiva da máquina recusou-se a fotografá-lo mais e  focou-se apenas nas papoilas e malmequeres da sua margem. Para não estragar a prosa, não a contrariei!

 

Até amanhã!

 

 

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    • Fer.Ribeiro

      Penso que era o sonho de todos os miúdos e até gra...

    • Anónimo

      Quando era miúdo este Hotel tinha um elevador. Era...

    • Anónimo

      Também adorava lá ir e passar um bom bocado!!!