Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Castanheira da Chã, freguesia de Chã, concelho de Montalegre.
Ainda antes do vídeo, ficam também mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção que aconteceu aquando da feitura do post desta aldeia.
Imagens de Castanheira da Chã, da freguesia da Chã, que para quem não conhece, a chã, localiza-se na margem direita do rio Rabagão, mais precisamente na margem direita da barragem dos Pisões.
E agora sim, o vídeo com todas as imagens de Castanheira da Chã, publicadas até à presente data neste blog.
Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Castanheira da Chã:
Ontem, dia 20 de janeiro, como todos os anos, um pouco por todo o lado, mas principalmente no Barroso de Boticas e de Montalegre, festeja-se o São Sebastião com festas comunitárias. Este ano fomos a uma delas (Vila Grande de Dornelas), e passámos por outras duas (Cerdedo e Alturas do Barroso). Pois, muito resumido, mesmo muito, deixamos aqui a Festa da Mesinha de São Sebastião da Vila Grande, freguesia de Dornelas, concelho de Boticas, em cinco olhares da festa, mais um extra.
Como sempre a primeira imagem é a da chegada à aldeia e descida para a “casa dos potes”. Dependendo do ano, esse troço de rua logo pela manhãzinha, recebe-nos com chuva, com céus carregados, com geada e leves neblinas, com neve ou com sol radiante como foi o caso deste ano, mas com um frio de rachar, ou pelo menos com essa sensação, coisa que acontece sempre quando os ares vêm de norte, da Galiza. Claro que logo pela manhãzinha, poucos são os que andam por lá para além dos que estão (já há dias) a trabalhar para a festa e que na “casa dos potes”, têm sempre um pote cheio de sopa para servir aos mais madrugadores, como nós, que já somos fãs dela (da sopa, nem tanto do madrugar). Posso-vos dizer que é a melhor sopa do mundo… e se não for, para mim é a que melhor me sabe, até nos esquecemos do frio enquanto a comemos.
Depois da sopa, há que fazer a obrigatória visita à “casa dos potes” este ano contei 23, e não são potinhos, são “potões” tamanho XXL. Esta casa, para além dos potes, dá abrigo também ao pão, que durante duas semanas foi sendo cozido para ser servido na mesinha do santo ou para quem quiser levar para casa. É também nesta casa dos potes e do pão que tudo se faz (arroz e carne), para servir o almoço a todos os forasteiros, que ao meio dia já serão milhares ao longo da rua principal da aldeia, em frente à mesa mais comprida que conheço, com “apenas” uns 470 metros, mais metro, menos metro. Claro que toda esta comida, antes de ser servida, é benzida após a missa das 11 (horas), e só depois vai à mesa sobre toalha de linho.
Lá diz o povo “merenda comida, companhia desfeita”, e todos sabemos que o povo tem sempre razão. Aqui também não é exceção, após degustado o pão, o arroz e o naco de carne, a Vila Grande volta à normalidade dos dias, ou quase, pois é preciso levantar, encartar e guardar a mesa para o próximo ano, lavar os potes, arrumar a casa… enquanto isso, os forasteiros dirigem-se quase todos até à festa mais próxima, nas Alturas do Barroso, onde os espera um pão, um copo de vinho e uma feijoada, e esta festa, sim, entra pela noite dentro até não haver mais forasteiros na rua. Mas há ainda os que depois passam por Salto. Desta não vos posso dar informações, pois apenas sei que existe, mas nunca lá fui. Para que conste, a primeira destas festas comunitárias acontece em Cerdedo, a poucos quilómetros da Vila Grande e igualmente do concelho de Boticas. Passámos por lá na hora da missa, mas quase nem parámos, por isso, também não tenho pormenores, apenas sabemos que existe e aquilo que nos contaram, mas nós gostamos de deixar aqui o relato da nossa experiência ou viver da coisa. Talvez para o próximo ano fique por aqui Cerdedo.
Em geral regressamos a casa já bem de noite, mas como já conhecemos bem os cantos das festas da Vila Grande e das Alturas do Barroso, resolvemos regressar mais cedo, ao anoitecer, ainda com tempo para uma passagem e paragem em Montalegre e depois sim, o regresso a casa, que gostamos de fazer sempre via Pedrário, onde não resistimos a fazer uma paragem sempre que a mesma nos é solicitada por um olhar diferente. O de ontem, a coincidir com a última foto do dia, é um olhar sobre o anoitecer da Serra do Larouco.
E como as promessas são para cumprir, para o ano lá estaremos “se Deus quiser”, tal como diz o povo, e nunca esqueçam que o povo tem sempre razão...
Esta abordagem às aldeias do Barroso de Montalegre, foi sendo feita de forma aleatória, sem qualquer ordem previamente definida, no entanto houve algumas exceções, com aldeias que foram ficando para o fim propositadamente, tudo porque estava pensada para elas uma abordagem diferente, mais aprofundada, porque havia razões e conteúdos para isso. Peireses[i] foi uma dessas aldeias, tudo porque nela nasceu um dos mais ilustres barrosões de sempre – Bento da Cruz.
Tinha inicialmente pensado para Peireses fazer a abordagem habitual, tal como o faço com todas as aldeias, mas acrescido de um capítulo inteiramente dedicado a Bento da Cruz, no entanto mudei de ideias, e Bento da Cruz irá ter aqui um post apenas dedicado a ele, pois trazê-lo aqui conjuntamente com a aldeia daria um longo post, além de, confesso, não estar ainda preparado nem devidamente documentado para o fazer. Mas terá aqui o seu post futuro, tal como também terá aqui hoje uma abordagem mais superficial, como não poderia deixar de ser.
Vamos então até Peireses e para ir até lá, hoje recomendamos um dos itinerários que mais gostamos de fazer até Montalegre, que é via M507, ou seja via São Caetano e Soutelinho da Raia, para logo a seguir entrarmos no concelho de Montalegre, com passagem por Meixide, na tal aldeia que se tem de tomar a opção de ir até Montalegre via Vilar de Perdizes ou via Pedrário. Para Peireses, vamos optar por ir via Vilar de Perdizes até Meixedo, já às portas de Montalegre. Em Meixedo abandonamos a M508 contornando a aldeia e tomamos o CM1006, mas apenas numas centenas de metros, pois logo a seguir à saída da aldeia a estrada bifurca, onde devemos optar pela estrada da direita em direção a Codeçoso, onde logo na entrada, junto ao cemitério, devemos virar à direita, sem entrar na aldeia. Há uma placa no entroncamento (junto a umas alminhas), a indicar Peireses e Gorda, devemos seguir por aí até encontrarmos a M308, que virando à direita nos levará até Montalegre, mas o nosso destino é para a esquerda, até á Gorda, onde devemos abandonar a M308 e, finalmente, virar à direita em direção a Peireses, que fica a menos de 1km de distância. Mas fica o nosso mapa com as indicações necessárias.
Embora Peireses seja vulgarmente conhecida apenas por este topónimo, teríamos que lhe acrescentar Peireses da Chã, não só por pertencer a freguesia da Chã, mas também por se localizar numa chã, na grande chã ou planalto da Serra do Larouco.
Peireses é uma das aldeias do Alto Barroso, implantada numa cota que ronda os 930 metros de altitude, ligeiramente abaixo da cota de Montalegre, ou seja, terra fria com nevadas frequentes, onde a agricultura e o gado são a principal ocupação da aldeia, e onde se encontram alguns castanheiros, que a julgar pelo porte, são centenários, ou seja, poderia ser terra de castanha.
Ainda antes de deixar aqui aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas sobre a aldeia, façamos então a devida abordagem a Bento da Cruz, ainda um resumo da sua biografia, que por sinal é a que consta na Wikipédia.
Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010
Bento da Cruz (Bento Gonçalves da Cruz), filho de Manuel Gonçalves da Cruz e Maria Alves, pequenos proprietários rurais (chamados de «Os Marinheiros»), nasceu em Peireses (Peirezes, na grafia antiga), uma modesta aldeia pertencente à freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Desde cedo foi iniciado no trabalho do campo e na pastorícia, único sustento da família. A miséria e as dificuldades que então viu no povo do seu tempo irão marcar profundamente toda a sua obra. Segundo os seus contemporâneos, era desejo de seus pais ter um filho presbítero de tal modo que quase todos os filhos varões frequentaram o Seminário. O Povo recorda ainda hoje o sacrifício que os progenitores empreenderam para que eles pudessem estudar.
Ainda na Wikipédia:
Assim, depois de concluir os primeiros estudos, ingressou a 16 de Outubro de 1940, na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges Beneditinos, disposto a seguir a vida religiosa. Aí concluiu com distinção o antigo Curso dos Seminários e foi director literário das revistas estudantis «O Colégio» e «Claustrália». Leu os Grandes Clássicos da Antiguidade. Entrou no noviciado em 1945. Porém, terminado este, decidiu abandonar a ordem em 1946, curiosamente também no dia 16 de Outubro.
Ainda Hoje mantém cordiais relações com os Monges de Singeverga, onde participa regularmente em encontros de antigos alunos.
Conta sobre esse período: "fui cumpridor da regra e apontado como exemplo. A minha saída do seminário pode ter afectado alguns condiscípulos que me tomaram como referência. A maior pena que me ficou desse tempo foi não ter vivido essa extraordinária experiência de vida na aldeia entre os 15 e os 21 anos. Senti toda a vida a falta desse percurso de juventude." A sua primeira Obra « Hemoptise» dá-nos a conhecer esta etapa da sua caminhada.
Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010
Ainda na Wikipédia:
Dois anos depois matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Concluída a formatura, abriu consultório de clínica geral em Souselas, no concelho de Coimbra, em 1955. Pouco depois, em 1956, estabeleceu-se no Barroso, praticando clínica geral e estomatologia. Teve consultório na aldeia de Pisões, onde então se empreendia a construção de uma das maiores albufeiras do País, a Barragem do Alto Rabagão (concluída em 1964), hoje «Empreendimento Hidroélectrico do Alto Rabagão», onde prestou serviço aos muitos trabalhadores que a construíram.
Como Médico percorreu toda a região de Barroso. Fica conhecido pelo serviço aos pobres a quem não levava dinheiro e até oferecia os medicamentos. Existe um vasto leque de testemunhos de como, naquela terra isolada, curou e salvou inúmeras vidas.
Ainda na Wikipédia:
Em 1971 fixa-se no Porto, onde se manteve até ao final da vida, e onde exerceu medicina até se reformar. Depois do 25 de Abril de 1974, funda o jornal «Correio do Planalto». Bento da Cruz nunca se desligou da aldeia e do mundo rural em que nasceu. Visita-a regularmente e nela gozou sempre as férias e os tempos de descanso. Nela se inspira e escreve. Os muito famosos «Prolegómenos», crónicas que manteve no seu Jornal (das quais resultaram três obras com esse título), abordam na sua maioria temáticas rurais e histórias de antanho. É frequente encontrá-lo nos seus muitos passeios pelos campos e velhos caminhos da terra. Reconstruiu a casa de seu avô de forma rústica e tudo nela evoca o Barroso de antigamente.
Bento da Cruz - Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010
Ainda na Wikipédia:
Foi nomeado Patrono da Escola Secundária de Montalegre (Escola Secundária Dr. Bento da Cruz), onde nesta primeira década do terceiro milénio lhe foi dedicado um busto. Algumas ruas da vila foram também baptizadas com o seu nome. Na portaria da escola está, numa placa de mármore, uma das suas mais belas afirmações: «O Barroso é um Paraíso, o único ou um dos poucos que ainda existem à face da terra.»
Maçon, membro do Grande Oriente Lusitano e obreiro do Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo ascendido ao 33.º Grau.
Bento da Cruz é, sem dúvida, um dos maiores escritores Transmontanos de todos os tempos. Faleceu, na sua casa do Porto, a 25 de Agosto de 2015 e será sepultado na sua aldeia de Peirezes da Chã no dia 27.[1] [2] [3]
Bento da Cruz
Fotografia tomada no lançamento de “A Fárria” em Chaves, no dia 12 de março de 2010
Ainda na Wikipédia:
Obra
Romance e contos:
Hemoptise, sob o pseudónimo de Sabiel Truta, 1959; Planalto em Chamas, 1963; Ao Longo da Fronteira, 1964; Filhas de Loth, 1967; Contos de Gostofrio, 1973; O Lobo Guerrilheiro, 1980; Planalto do Gostofrio, 1982; Histórias da Vermelhinha, 1991; Planalto de Gostofrio, 1992; Histórias de Lana-Caprina, 1994; O Retábulo das Virgens Loucas, 1996; A Loba, 1999; A Lenda de Hiran e Belkiss, de 2005; A Fárria, de 2010 (comemoração dos 50 anos de vida Literária).
Biografia:
Victor Branco: Escritor Barrosão, Vida e Obra, 1995; Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os Montes, 2005; Camilo Castelo Branco: Por terras de Barroso e outros lugares, 2012.
Crónicas:
Prolegómenos, 2007; Prolegómenos II, 2009[4][5]; Prolegómenos III, 2013
Continuemos com as nossas pesquisas. Na monografia Montalegre encontrámos o seguinte:
BARROSO,
As tuas terras dão,
o mineral e o pão
viva Barroso!
Barroso,
Terra do pão,
Do minério e do carvão,
Viva Barroso! (Com música própria)
Com efeito daqui saíam enormes carroções de cereais (cevada, painço e centeio) e de minérios (sobretudo, estanho e oiro) que ajudaram os homens do Lácio a fazer de Roma o que ela é e a manter o império ao longo de meio milénio. Memórias dessas eras são o Pindo, o Vinhouro, as Calçadas de Currais e de Espindo, as reformadas pontes de Campos, de Peireses e do Cortiço, os achados de inúmeras moedas (…)
E continua:
Ainda ostenta evidentes vestígios da sua importância constante nos tempos medievais e clássicos. Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.
Vamos agora até a Toponímia de Barroso”
Peireses
Pelo occitano Peir ou Peire que corresponde a Pero, Pedro, Pier, Pierre, etc.
Já nas inquirições de D.Dinis N.A.492, f. 4-3 e Rolo 1030 F.114 v, declara-se textualmente:
-1290 “Item o logar que chamam Peires he herdamento de filhos dalgo he defendem no por onrra!”
Não restam daí dúvidas que o topónimo se referia a família ou famílias de “Pedros” cuja linhagem se desconhece em absoluto por não constar das crónicas. E também não aparece em 1258 INQ nem 1282 INQ sobre os herdamentos foreiros.
Continua a “Toponímia de Barroso”
É muito possível que se tratasse de gente vinda da Aquitânia ou Catalunha e se pusesse ao serviço de algum nobre para se eximir aos foros como sucedeu, mas agora documentalmente, com Currais.
Do que não há dúvidas é da sua origem do occitano Peire, que também aparece grafado Peiros, no Numeramento de 1530, e que é o plural que o Povo escolheria para o antropónimo Peire!
O Aqrquivo Histórico Português, de 1530, pela mão de Braamcamp Freire, chama-lhe Peiros.
Peire+enses = Peirenses, como Cambeses e Barreses – nome de imigrantes!
E na Toponímia Alegre temos o seguinte:
Chã - São Vicente
Ruim sítio, ruim gente
Coelheiros de Medeiros,
Ciganos de Peireses,
Pretinhos de Travaços da Chã,
Cruz-veigas de Gralhós,
Viajantes de Penedones,
Carvoeiros de Castanheira,
Torgueiros de Torgueda,
De Fírvidas são salta-pocinhas e
Arranca-torgos de Codeçoso da Chã.
Encontrámos também algumas referências à ponte romana, quer em sinalização de rua, quer na internet e outros documento. Não temos imagens porque não fomos ao local, mas segundo as descrições, mais ou menos idênticas, trata-se de uma pequena ponte sobre o rio Rabagão, de um arco só e faria parte da Via Romana XVII, entre Braga e Astorga. No entanto, algumas referências, afirmam que esta ponte não tem características suficientes para que se possa confirmar a sua romanidade, afirmando-se também, que tudo indica ter existido uma ponte romana no local, mas que não seria esta atual, podendo esta, ter resultado de uma reconstrução na época medieval, não seguindo as características da original. Mas tudo são suposições e valem o que valem, tal como tudo na história quando não há documentos que atestem de forma inequívoca a sua veracidade. Da minha parte, quer seja romana ou medieval, tanto faz, o que importa é que serve perfeitamente para os fins que foi construída de atravessar para a outra margem do rio.
E estamos chegados àquela parte em que entra o vídeo com todas as imagens publicadas aqui no blog sobre a aldeia de Peireses, que no caso, são as imagens do post de hoje. Espero que gostem.
Nas nossas pesquisas na internet, encontrámos um sítio no facebook dedicado à aldeia:
[i] Peireses que também aparece muitas vezes grafada como Peirezes (com z). Pelo que me apercebi a forma atual de a grafar é com S e a antiga com Z, no entanto os naturais da aldeia, parece-me, preferirem grafá-la com Z, pelo menos no sítio do facebook e blog da aldeia para os quais deixei link no post, assim acontece.
Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Carvalho, freguesia de Salto, Concelho de Montalegre.
Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Carvalho:
Lama da Missa, é este o nome da aldeia barrosã que hoje vamos ter aqui e que tantas vezes calha nos nossos itinerários do Barroso.
Localizada na margem esquerda do rio Rabagão, juntinha ao paredão da barragem do Alto Rabagão, comummente conhecida por barragem dos Pisões, esta localidade um pouco dispersa, situa-se já em plena serra do Barroso, a 900 metros de altitude, ali como quem sobe para os famosos cornos do Barroso e a umas centenas de metros do limite do concelho de Montalegre, confrontante com o concelho de Boticas.
Já que iniciámos com a localização, vamos agora ao nosso itinerário recomendado, que por sinal não é o mais curto, mas que para uma primeira vez recomendamos este, que desde a cidade de Chaves, tem início na EN103 (estrada de Braga), passa pelo nó da A24, Sapiãos até ao Barracão. Aqui recomendamos sair da EN103, virar à esquerda para a M525 em direção a Criande/Morgade, onde encontramos a barragem dos Pisões (margem esquerda). Depois é seguir sempre junto à barragem, passando por Negrões e Vilarinho de Negrões, e logo a seguir é a Lama da Missa, mesmo junto ao paredão da barragem. Ao todo, entre Chaves e a Lama da Missa , são 56,20Km. Mas fica o nosso mapa com as indicações necessárias.
Tal como referimos não é o itinerário mais curto (via Boticas), mas recomendamos este, porque o troço entre Morgade e a Lama da Missa é de passagem obrigatória, com um convite constante a paragens para apreciar a paisagem e fotografar, sempre com a barragem em primeiro plano e as suas aldeias ribeirinhas a entrar pela barragem a dentro, principalmente quando esta está cheia em que a água chega mesmo a tocar em algumas casas.
Há ainda uma terceira opção para chegar à Lama da Missa, que é continuar sempre pela EN103 até aos Pisões e aí, atravessar via paredão da barragem para a outra margem. No final do paredão já é Lama da Missa.
Lama da Missa, que além de calhar em passagem nos nossos itinerários, também é um dos pontos onde com frequência fazemos paragens para repor forças, principalmente depois de uma longa manhã de trabalho na recolha de imagens das aldeias barrosãs, onde há sempre uma mesa cheia de coisas boas, da época de inverno, que se “colhem” nos lareiros, nas salgadeiras e terrenos anexos.
Nesta imagem que atrás fica e na próxima, podemos ver aquilo que, depois de “maduro”, se pode colher nos lareiros, para depois de irem ao pote, à panela e ao lume, sem esquecer à ida à horta, às couves, e ao armazém às batatas, que pode ser na hora. Depois é esperar que o pote fumegue tudo que tem a fumegar, junta-se tudo numa travessa e vai à mesa, acompanhado de bom azeite para quem quiser, mas que até se dispensa e de bom vinho, este não se pode dispensar, pois é como um medicamento que vai ajudar a combater alguma gordura em excesso e a fazer a digestão. Depois disto, convém descansar um bocado, assossegar, mais o corpo do que a alma, antes de se fazer de novo ao caminho.
Quanto à origem deste topónimo, ainda sem consultarmos o que diz a Toponímia de Barroso e outros escritos, mas com aquilo que os seus habitantes e populares nos contaram, dizem ter origem em tempos mais antigos, em que os habitantes da margem esquerda do rio Rabagão, muito antes de existir a barragem dos Pisões, nos invernos mais chuvosos, o rio impedia-os de atravessarem para a outra margem. Aos domingos, quando queriam ir à missa da igreja mais próxima e da freguesia, a de Viade de Baixo, deslocavam-se até ao local mais próximo da igreja que lhes era permitido ir, ou seja uma lama[i] próxima do rio, e desde aí ficavam a “assistir” à missa de Viade de Baixo, mais metro, menos metro, segundo os meus cálculos, a cerca de 1km de distância.
Claro que este “assistir “ à missa, e agora sou eu a supor, seguiria com as rezas habituais das missas, mais ou menos, em simultâneo com o que suporiam estar a acontecer do outro lado do rio, na igreja de Viade de Baixo, pois na altura, não me consta que houvesse altifalantes para reprodução de som, skypes, facebooks com ligações em direto, etc., aliás, nem eletricidade havia. Bem, esta foi a estória que me “venderam” e não me custa nada, mesmo nada, acreditar nela.
Ainda antes de passarmos ao que encontrámos nas nossas pesquisas, ficam mais algumas impressões pessoais sobre a Lama da Missa, cuja recolha de imagens e de informações não fizemos de uma só vez, mas antes, fomos fazendo ao longo dos anos em que andamos nestas andanças de descobrir o Barroso, que para nós também foi uma lição de como se descobre. Pois de início, ia passando por lá e dizia para com os meus botões – “isto não tem nada para além do restaurante”, mas com o tempo, fomos dando conta que não era bem assim, pois a Lama da Missa não se pode entender como uma povoação tradicional, com um aglomerado histórico e campos à sua volta, nada disso, a Lama da Missa é um conjunto de casario disperso, mais antigo e atualmente abandonado, mais parecendo quintas com os seus conjuntos de casa de habitação e anexos, mas também aqui bem diferentes das quintas tradicionais, em geral abastadas, esta são “quintas” de montanha, mais humildes e mais abrigos do que propriamente quintas.
Hoje em dia, logo a seguir ao restaurante Albufeira, existe sim um pequeno núcleo de casas recentes, mas sem chegar à dúzia. Contudo não deixa de ser interessante, basta deixar as estradas, ou até mesmo nestas, e subir as encostas e adentrar-mos os seus caminhos, para descobrir-mos pormenores e paisagens únicas, quase virgens (às vezes) mas cheias de vida selvagem ou semisselvagem, tal como acontece com o gado doméstico, cavalos, cabras, vacas e burros a viver felizes (suponho) sem ninguém por guarda, embora em campos vedados, à exceção das cabras que essas andam mesmo a monte. Seria uma pena termos ficado pelas primeiras impressões de “isto não tem nada” e termos perdido estes lugares, estas paisagens, este viver a terra no que ela permite ser vivida.
Mas adiantemos e vamos até aquilo que nos dizem os documentos e outras publicações que consultamos, que antevemos ser pouca coisa, tal como acontece na monografia de Montalegre, onde apenas aparecem duas referências, uma no espaço dedicado à freguesia onde se menciona a Lama da Missa como um dos seus lugares e outra, indireta, por calhar na rota das barragens.
Eis a referência que faz a monografia de Montalegre:
A grande rota das barragens
Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf, do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito, das trutas e das carpas.
E continua a monografia de Montalegre:
Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”. Lamachã e Vilarinho Seco são aldeias pequenas de rosto antigo, sorridentes nas expressões populares e rodeadas de pastos, campos de milho e centeio. Na descida para Lama da Missa pare e admire o vasto panorama da albufeira da barragem do Alto Rabagão.
Sinceramente mais nada encontrámos nas nossas pesquisas, mesmo na internet, que embora apareçam algumas referências à Lama da Missa, sem interesse para este post, tal como coordenadas, código postal, etc, a única que se repete, e que já indiretamente abordámos, é a do Restaurante Albufeira, a esse sim, há muitas referências. Assim sendo, passemos para o que nos diz a Toponímia de Barroso.
Na Toponímia de Barroso, encontrámos o seguinte (as notas de rodapé são nossas):
Lama da Missa
É um lugar muito recente. A lama já lá estaria há muito tempo mas a missa ainda hoje lá não chegou. (veja o topónimo Lamas).[ii]
Conta-se que os habitantes do Telhado, durante os meses de Inverno, visto que não havia ponte sobre o Regavão[iii] para irem à missa a Viade, desciam de suas casas até à lama, ajoelhavam-se, descobriam-se venerantemente e ali esperavam que alguém lhes acenasse com um lençol… Era o sinal da missa em Viade. Daí a Lama da Missa.[iv]
E mais não diz, e mais nada temos para contar, só resta para terminar, sem qualquer intenção de fazer publicidade, agradecer a forma como sempre fomos recebidos no Restaurante Albufeira, inclusive quando aparecemos fora de horas ou quando está à pinha, nunca saímos de lá sem comer e satisfeitos. Um obrigado ao Paulo Pinto, à mãe e às empregadas lá do sítio (do Restaurante e da Lama da Missa e redondezas).
E agora o vídeo com todas as imagens publicadas. Não deixamos referência para posts anteriores, porque este é o primeiro que dedicamos à Lama da Missa.
As nossas consultas:
BIBLIOGRAFIA:
BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.
BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.
[i] Conjunto de matérias soltas do solo ensopadas em água
[ii] Que nós fomos ver, mas como apenas se refere ao significado e origem da palavra “Lamas”, não tem interesse para este post, além de o significado já o termos deixado neste post.
[iv] “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, como veem os ditados populares têm sempre razão. A estória que me contaram é ligeiramente diferente e como nunca foi grafada em qualquer documento, a não ser os atuais em que começa sempre por “conta-se”, “disseram-nos”, “diz o povo”, ou seja, é feita a história à maneira cigana, vai passando de geração em geração oralmente, daí, embora todas as estórias andem à volta do mesmo, todas elas são diferentes e igualmente válidas. Aqui temos duas…
Estas serão duas das imagens, de mais uma aldeia do Barroso, que hoje ficarão por aqui, mas só mais logo, lá para o fim da tarde, é que teremos aqui o post completo.
Esta promessa antiga de trazer aqui as aldeias do Barroso que não tiveram o vídeo resumo no post completo da aldeia, foi até aqui cumprida aos domingos, mas agora passa a ser todas as sextas-feiras, isto, porque aos domingos vão estar aqui as aldeias que ainda não abordámos, aliás ainda não completámos as aldeias de Montalegre, faltando ainda todas as aldeias de Boticas e uma freguesia de Vieira do Minho e outra de Ribeira de Pena que também pertencem ao Barroso. Daí, agora o blog Chaves dedicar dois dias ao Barroso, as sextas-feiras e os domingos.
Hoje como já perceberam, temos aqui a aldeia de Carvalhais, do concelho de Montalegre. Aqui está o seu vídeo:
E ainda um aviso que já várias vezes deixámos por aqui, mas que nunca é demais repeti-lo:
Para ver as aldeias de Barroso que já tiveram aqui o seu post, basta ir ao menu que está no topo deste blog, onde diz “BARROSO” ou então e mais rápido, ir à barra lateral do blog onde estão todas as aldeias listadas por ordem alfabética. Se a aldeia que pretende ver não está lá, é porque ainda não teve aqui o seu post, mas em breve terá.
Sinceramente que já estávamos com saudades de ir por terras do Barroso, embora hoje o façamos apenas virtualmente, mas é o suficiente para recordar alguns momentos que por lá fomos passando.
Pois estamos de regresso aos post completos sobre as localidades do Barroso, ainda no Barroso de Montalegre e no caso de hoje, no Barroso verde de Salto.
Já que estamos em maré de ser sinceros, posso dizer sem qualquer dúvida, que Salto e toda a sua freguesia, foi o que mais me surpreendeu no que me faltava por descobrir do Barroso, e a surpresa chama-se “verde exuberante” cor com que toda a freguesia é vestida. Basta ver as fotografias de todas as aldeias da freguesia de Salto que passaram por aqui para confirmar como é verdade, e não é apenas na primavera ou verão, é todo o ano. Só por isso, já valeu a pena a descoberta. Mas há muito mais, mas hoje, ficamos só por Salto, sede de freguesia.
Antes ainda de passarmos ao que encontrámos nas nossas pesquisas sobre a Vila de Salto, e para rematar, ficam as restantes impressões pessoais nesta descoberta. Já sabíamos que a seguir a Montalegre, sede de Concelho, Salto seria a segunda localidade mais importante, pois não seria por mero acaso que passou a ser classificada como vila desde 1995. Uma vila relativamente recente que está bem plasmada naquilo que hoje é, notoriamente com um pequeno núcleo antigo que seria a antiga aldeia de Salto, mas hoje com a maioria do aglomerado da vila ocupada por construções muito mais modernas e recentes, com alguns edifícios públicos e/ou associativos e de habitação coletivas a destacarem-se das restantes construções, maioritariamente constituídas por moradias.
Pena que a nossa praia sejam mais os núcleos antigos, os centros históricos, centenários, aqueles que estão carregadinhos de história e estórias para contar. Núcleos históricos qua acabaram por ser vítimas da modernidade, muito mais apetecível pelas melhores condições de uso e habitabilidade que oferecem.
Para finalizar da nossa parte, fica o nosso mapa com o itinerário que recomendamos, com partida da Nacional 103 até Sapiãos, onde abandonamos a 103 e rumamos em direção a Boticas, aí apanhamos a Nacional 311 e se não saímos dela, a 54,3 km (desde Chaves), estamos em Salto. Atenção à estrada, com bom pavimento e largura aceitável, mas com muita curva e algumas delas meias traiçoeiras. De vagar, pois assim também pode ir apreciando a paisagem e fazer algumas paragens, uma delas, recomendo, é junto à aldeia de Cerdedo, ainda no Concelho de Boticas, aldeia também barrosã que um destes dias também passará por aqui.
Fica o nosso mapa:
Agora sim, vamos passar ao que os documentos e demais literaturas dizem sobre Salto. Iniciemos pela página oficial da Junta de Freguesia, que tem alguma informação preciosa, aliás se todas fossem como esta, tínhamos metade do nosso trabalho feito (o Link fica no final do post, nas nossas consultas):
História da Freguesia de Salto
A freguesia de Salto é, quer em área, quer em população, a maior freguesia do concelho. Como espaço habitado e evangelizado, Salto é já referido no Paroquial Suévico como uma das trinta paróquias já existentes, no último terço do século VI e pertencentes à catedral de Braga. Ao longo da sua vida teve muitos momentos de glória, daí a riquíssima história desta freguesia. Enquanto os cruzados do norte da Europa atravessavam o Atlântico e o Mediterrâneo, para combater nos lugares santos, o povo portugalense trepava descalço os caminhos das suas peregrinações que atravessavam a freguesia. De tal modo que D. Afonso Henriques autorizou e apoiou a construção da Albergaria de São Bento das Gavieiras, ao monge Benedito, em 1136. Alguns nobres olharam com cobiça para esse território onde adquiriram casais ou mesmo povoações como Carvalho, Póvoa e Revoreda que eram do fidalgo-trovador D. João Soares Coelho e de suas irmãs. D. Pedro I, o tal que arrancou o coração pelo peito a Pero Coelho (bisneto do referido João Soares Coelho) e pelas costas a Álvaro Gonçalves por terem morto Inês de Castro, também cobiçou Salto. Por isso, depois de uma visita a Santa Senhorinha de Basto, de quem era devoto, cedeu-lhe fartos rendimentos da Igreja de Santa Maria de Salto.
E continua a pág. da Junta de Freguesia:
O território da freguesia actual 78,6 km2 era ocupado também pela freguesia de Novaíças que incluía vários casais e herdades em diferentes povoações entre- tanto desaparecidas: Pontido, Curros de Mouro, Ulveira, Gulpilheiras, etc. Os grandes mosteiros do norte Refojos, Pombeiro e Bouro – todos levantavam daí grossas rendas. A história desta freguesia dava matéria para dez livros como este. Aqui poderá visitar a antiga casa do Capitão, agora pólo do Ecomuseu de Barroso, onde encontrará uma apresentação dos ofícios tradicionais, do Pisão de Tabuadela e das Minas do Volfrâmio da Borralha.
Ainda na pág. da Junta de Freguesia:
A Freguesia de Salto com uma área de 78,54 km2 e com uma população presente a rondar as mil e quinhentas almas nas vinte povoações existentes, continua com dinamismo!
(…)
O comércio, sobretudo a restauração, está ativo e a feira semanal ao Domingo, contribui para o desenvolvimento da economia local.
E continua:
As Associações da terra criam dinâmica e movimento.:
O Grupo Desportivo com cinco equipas a competir nos Campeonatos Distritais, movimenta dezenas de atletas.
O Lar de Salto acolhe dezenas de idosos e leva o comer a muitos outros. Sendo o maior empregador local.
As Associações ligadas à lavoura: Centro de Gestão, Agro-Florestal e de Criadores, apoiam os agricultores e promovem cursos de formação para os mesmos.
Os Bombeiros fazem o apoio aos doentes e mantem a floresta protegida.
A Banda Filarmónica continua com dinamismo e tem em funcionamento uma Escola de Música.
As Associativas da Caça vão trazendo até Salto gente ou para caçar ou para os torneios que promovem.
Os Ecomuseus de Salto e das Minas da Borralha, acolhendo visitas e promovendo iniciativas de interesse para os visitantes.
A Junta de Freguesia, agora, instalada na Rua Central atende todo o povo da freguesia, com serviços próprios e dos correios.
E sobre a Igreja Matriz de Salto diz o seguinte:
Quem entra em Salto e segue até à zona central da vila, não fica indiferente à imponente imagem eclesial situada no topo da Rua Padre Manuel José Jorge, em paralelo granítico. Trata-se da antiga igreja matriz de salto, talvez o principal ícone desta vila. É um edifício de traça romântica, que foi sofrendo algumas remodelações estruturais ao longo do tempo. Nas paredes Norte e Sul da nave é possível ver troços da perfeição com que pedras foram sobrepostas na construção do edifício. Deslocados para a traseira da igreja, alinhados na bordadura do adro ajardinado e bem tratado, observam-se quatro arcas tumulares cobertas com tampas, presentando todas elas decoração e inscrições. Estes são importantes vestígios da necrópole dos tempos medievais, testemunhadores da antiga pratica de enterrar os paroquianos no adro envolvente da igreja. No interior, as estatuas de Nossa Senhora do Pranto (santa padroeira) e do Beato D. Nuno, o Condestável, que por estas terras terá treinado o seu exercito aquando das batalhas com reino de Castela.
E sobre o Ecomuseu:
Ecomuseu de Barroso - Casa do Capitão
Instalado numa antiga casa senhorial, que pertenceu ao Capitão da aldeia, representante da autoridade e do poder, a nível local, este polo do Ecomuseu de Barroso, em Salto, representa algumas das atividades tradicionais mais emblemáticas.
E continua sobre o Ecomuseu:
Neste espaço foram recolhidas, tratadas e inventariadas mais de mil peças. Estas, doadas pelos habitantes da freguesia, deram origem a um polo etnográfico, que permite uma visita ao que seria uma casa típica barrosã. Os temas tratados são muito variados: a raça barrosã, que é autóctone, as alfaias agrícolas manuais e de tração animal, o ciclo do pão, a cozinha de Barroso, o ciclo da lã e do linho, as minas de volfrâmio da Borralha e D. Nuno Álvares Pereira, Senhor das terras de Barroso. Este local disponibiliza uma ludoteca, uma biblioteca e uma loja de produtos locais.
Uma vista de olhos pela wikipedia para as festas populares:
FESTAS POPULARES
A festa Senhora do Pranto
O pároco da freguesia de santa Maria de salto em 1758, o reitor António Alves de Sousa, fornece a sua versão para a origem do nome de salto:” Este dito lugar é assim chamado para a tradição de uma imagem com o titulo Senhora do Pranto, padroeira desta freguesia chamada a “Senhora de Salto” pela dita tradução de que de distancia de quase meio quarto de légua saltara para um sítio em que hoje está, para a lagoa e carvalheira que esta se extingui e é o sítio deste lugar. A carvalheira secou e a lagoa enxugou de sorte de que no tempo do Estilo e parte do Outono faz a aprazível e de limitável a circunspecto deste lugar de salto”
E continua:
Perante o fenómeno milagroso persistentemente repetido, da misteriosa mudança de imagem de Senhora, do lugar de Oliveira para o sítio onde seria construída, há mais de mil anos, a igreja velha, o povo devoto achou que se a Senhora dava o “salto” para este lugar era porque desejava que lhe construíssem um espaço de culto ali e por isso foi decidido construir uma capela para acolher a Senhora, nascendo a nova aldeia em seu redor, a qual recebeu o nome de Nossa Senhora de Salto ou Santa Maria de Salto, em honra do “salto da Senhora” de Terras de Oliveira para este novo lugar.
Sendo pacificamente aceite que a etimologia de Salto remete para a designação latina as saltum com o significado “caminho entre os bosques”.
Nossa Senhora do Pranto é comemorado a 15 de Agosto, dia em que a “Senhora” sai em longa e florida procissão. A 13 de Agosto existe uma outra procissão a Nossa Senhora de Fátima.
Remetendo para 3 dias de grande euforia em Salto.
Agora quanto à Festa de São Sebastião na wikipedia encontrámos o seguinte:
A festa de São Sebastião
No dia 20 de Janeiro, a meio do Inverno, tem lugar a Festa de São Sebastião, numa época considerada como não coincidente com o tempo festivo.
Vinha o Santo em procissão dum único andor presidir à bênção do pão e do vinho que ficava assim diferente do pão normal. Tinha mezinha, podia-se guardar de um ano para o outro que não ganhava bolor.
O bobo comunitário de São Sebastião reconhece as graças concedidas, através do esconjuro de afastamento dos cavaleiros do Apocalipse, sendo as capelas de São Sebastião situadas na entrada dos povos donde sopram os maus ventos ou donde vêm as pragas às culturas. Sabemos que a origem desta fé é muitas vezes secular, atribuída por Leite Vasconcelos a uma grande peste que assolou o país em 1505.
E continua sobre o São Sebastião:
O medo da fome, da peste e da guerra de que o santo é advogado foi sempre uma espada de Damocles sobre a cabeça do povo, daí a devoção a este servo de Deus.
Em Salto, na “roda” de distribuição gratuita, são ofertados os “mordomos” benzidos, uma porção de pão e um copo de vinho. Os que assistem ao ritual levam para casa um “mordomo” a mais para cada filho, e muitas vezes outro por cada género de animais. A este pão ou carolo atribui-se poder curativo, não ganhando bolor ao longo do ano.
Festa de São Sebastião que é muito popular em todo o Barroso e que todos os anos leva milhares de pessoas até elas, pois além de Salto, na atrás referida aldeia de Cerdedo também é celebrado e logo ao lado, na aldeia de Couto de Dornelas, talvez a maior de todas a par da de Alturas de Barroso onde também se festeja. Vale a pena ir a todas elas, pois embora sejam no mesmo dia, ficam a uns quilómetros umas das outras e em timings diferentes, todas elas no Barroso, embora as três últimas sejam no concelho de Boticas.
Ainda na wikipedia:
O tempo da quaresma
A quaresma que se seguia este longo período festivo que abarca Dezembro, Janeiro e Fevereiro, impõe silêncio e jejum, com interdição do toque dos sinos, das festas, jogos ou espectáculos. É um período sagrado, centrado nos sermões e preces, cujos 40 dias culminaram na Semana Santa, e em particular na Sexta-Feira e no Domingo de Páscoa- o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia da Primavera.
O sexto domingo, que dá inicio a semana santa, é chamado “Domingo de Ramos”.
Os dois grandes períodos opostos do Inverno e do Verão são assinalados pela matança do porco, a qual se apresenta como uma inauguração caléndarica ritual e psicológica, uma espécie de antecipação do Carnaval. O porco é a despensa do ano, que permite uma grande variedade de preparações
Passemos agora à Monografia de Montalegre, onde há bastantes referências à Vila de Salto, mas a maior parte já foi abordada, mas há esta primeira que transcrevo que é curiosa e há ainda quem a defenda:
“A Questão de Salto” - anos de 1914 a 1916 Entre 1914 e 1916 ocorreu a Célebre Questão de Salto. Foi o caso de um algarvio, eleito pelos eleitores do Minho, chamado Augusto José Vieira decidir agitar os ânimos da boa gente nortenha. Assim, propôs (após a necessária campanha Caciquista no Minho) a anexação da freguesia de Salto ao concelho de Cabeceiras de Basto. A batalha durou três anos mas no fim tudo correu como devia: Salto foi, é e será de Montalegre.
As características da freguesia:
Salto
Área: 78.6 km³
Densidade Populacional: 23.8 hab/ km²
População Presente: 1853
Orago: Nossa Senhora do Pranto
Pontos Turísticos: Casa da Fonte (Corva); Sepulturas Antrmpomórficas (Seara) Igreja Velha e Arcas Tumulares (Salto); Monte da Maçã; Casas Diversas.
Lugares da Freguesia: Ameal, Amiar, Bagulhão, Beçós, Minas da Borralha, Caniçó, Carvalho, Cerdeira, Corva, Linharelhos, Lodeiro d’Arque, Paredes , Pereira, Pomar de Rainha, Póvoa, Reboreda, Salto, Seara e Tabuadela.
E agora é tempo da “Toponímia de Barroso”
Salto
Notável e antiquíssimo arcaísmo fonético: do latino Saltu > Salto!
A manutenção do L confirma a velhíssima constituição daquele topónimo que é referido como sede de paróquia suévica no Paroquial de 570. A Diocese Bracarense que se estendia desde Vila do Conde a Bragança e ao Minho tinha apenas trinta paróquias e entre elas Ad Saltum. Chegou a distribuir o seu território por três concelhos conquanto pertencesse sempre à Borba de Barroso. Apesar de regularmente desmembrada ainda atinge um domínio da origem dos oitenta quilómetros quadrados de área onde vigoram vinte agregados populacionais.
E na Toponímia Alegre, vamos lá aos Escorricha-odres de Salto:
(…)
Boa terra era Salto
Se não fora geadeiro
Vem a geada leva tudo:
Não colhe nem um graeiro.
Não vou mais ao São Miguel
De dia ou de madrugada
Por mor da ronda de Salto
Apanhamos a traulitada (1)
(1)– Alude-se às cenas de pancadaria entre trauliteiros e republicanos na monarquia do Norte – 1919.
E continua:
Ó moças da Venda Nova
Apertai esses coletes:
Olhai as moças de Salto,
Parecem uns ramalhetes.
(…)
Venho do Senhor São Bento,
Vou prá Senhora de Salto,
O que eu quero é dinheiro
Raparigas não me falto!
(…)
E para finalizar o vídeo com todas as imagens aqui publicadas:
Para ver o vídeo diretamente no YouTube ou partilhar, sirva-se deste link:
Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Caniçó, Concelho de Montalegre.
Antes do vídeo, ainda uma nota. Com o início do novo ano de 2020 o blog irá proceder a algumas alterações na sua grelha de publicações. Uma delas terá a ver com o Barroso e com estes pequenos vídeos em falta das aldeias, que passarão a ser publicados aos sábados, no entanto, mater-se-á a publicação sobre o Barroso dos domingos com um post completo das aldeias que ainda não tiveram aqui o seu espaço. Ou seja, o Barroso fica a ganhar com mais uma publicação semanal. Agora sim, o vídeo de Caniçó:
Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o resumo fotográfico em vídeo aquando do seu post, trazemos hoje aqui o vídeo da aldeia de Cambezes do Rio.
Ainda antes do vídeo, só mais um apontamento para esclarecer os mais atentos. Acontece que Camabezes (com z) do Rio também é às vezes grafado como Cambeses (com s) do Rio. Na altura dos post optei por grafar quase todo o texto com Cambeses (com s). Desta vez, naturalmente e sem reparar no post dedicado à aldeia, grafei tudo com Cambezes (com z). Eu sei que, por uma questão de coerência, deveria optar só por uma forma de escrever, mas aconteceu assim, sem coerência mas também sem erros. E agora sim, o vídeo: