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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Ago10

A feijoada das quartas-feiras e a arte em Chaves


Capa do Catálogo da Bienal Arte de Chaves

 

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Alguém, em tom de gozo, me chamou a atenção para uma notícia do semanário transmontano: - “ tás a ber, afinal o festimage sempre traz os vencedores a Chaves”… Respondi instintivamente -  “ acho bem, ao menos isso,  sempre vão aprendendo…” mas afinal foi foguete lançado ao ar que não estoirou, pois quem veio a Chaves foi a mãe e dois irmãos do vencedor. Mas não deixa de ser curiosa a notícia e a necessidade que o semanário transmontano (organizador do festimage) tem em a anunciar esta visita a Chaves, como se tão importante fosse… afinal para divulgar Chaves real,  começa assim: “ O festimage não está apenas a promover a cidade de Chaves no mundo virtual. São cada vez mais os participantes no concurso que vêm conhecer ao vivo a cidade que organiza o evento. No passado fim-de-semana esteve em Chaves a família do vencedor deste ano, um jovem alemão” e a mesma notícia termina “ O ano passado, também visitou a cidade a família de um dos 50 finalistas, que veio expressamente de França para visitar a cidade berço do festimage”.

 

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Santiago Ydañes - S/título 2000 - Acrílico S/ tela - 150cm diâmetro

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Eia, eia lá como somos grandes, (acompanhe-se a leitura ao som de foguetes no ar e com a música das concertinas dos rapazes da Venda Nova), o Festimage traz a Chaves uma (1) família de vencedores, por ano, enquanto os prémios e as cerimónias, vão por correio (suponho). O evento, nem que seja só por “este trazer a Chaves” já está mais que justificado… então na Índia, toda a gentinha conhece Chaves (carroças e carroças deles). Mas adiante, pois presunção e água benta cada um toma a que quer e se acham que o Festimage promove Chaves, então há que tocar os bois para diante, mas metam-lhe as palas, não vão os bois distrair-se com a pastagem… e deixem a areia para as praias ou para o betão, que rende mais que nos olhos das pessoas…

 

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Imagem da exposição - Na imagem obras de Domingos Pinho - Óleos s/ tela

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Mas há cultura que acontece realmente em Chaves e, à Bienal deste ano rendo-me. Primeiro tivemos a oportunidade de conhecer em Chaves o ilustre pintor flaviense João Vieira. Tarde, mas teve a sua quase justa homenagem, agora Nadir Afonso na Biblioteca Municipal e «Sinais da Arte Ibérica no Século XX» onde nesta, estão 33 artistas ibéricos, a grande maioria sem precisar de apresentação. Picasso, Miró, Amadeo de Souza-Cardoso, Tàpies, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Nadir Afonso… bons artistas, sem qualquer dúvida, a mais até para receber de uma vez só e em espaço tão pequeno e mal iluminado, mas sem qualquer dúvida, um momento alto para a arte em Chaves, onde se pode ter a oportunidade de conhecer o melhor da arte ibérica (que é também mundial), com algumas faltas que eu gostaria de ver, por exemplo espanhol o Salvador Dali e do lado português, ou flaviense, o João Vieira, a quem a Bienal também é dedicada, este último, apenas porque o Nadir ( e muito bem) também faz parte desta mostra, pois sei perfeitamente que o João Vieira esteve exposto anteriormente no mesmo espaço tal como o Nadir está agora na Biblioteca Municipal. A questão é apenas de pormenor e de igualdade onde o João Vieira também cabia por direito nesta mostra.

 

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Pablo Picasso - S/ título - Lápis de cera s/ papel - 78x56 cm

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É uma mostra que recomendo ver, principalmente agora que já se cumprem os horários da exposição e onde até há catálogo disponível, à venda, mas está disponível para os verdadeiros interessados e, aplaudo, pois sempre é melhor que haver só catálogo para amigos que até se estão a borrifar para a arte, pois apenas gostam de ser os eternos pavões que aparecem nas inaugurações das exposições (a rima dos ões é para dar força ao pavonear da pevide e só não meti o fato e a gravata, porque não rimava).

 

Pois não me custa nada dar os parabéns à Câmara Municipal por esta mostra e da minha parte até agradeço a oportunidade de poder ver em Chaves tanta arte importante junta, não por ser um esperto na matéria, que não sou, mas apenas pela curiosidade de como leigo poder ter a oportunidade de ver arte a sério e consagrada. Claro que (mesmo leigo vou conhecendo alguma coisa) a representação de Miró e Picasso estão longe de mostrarem os grandes artistas que são, até podem ter um efeito negativo para quem os não conhece, pois tanto um como outro são muito mais que o que lá está exposto, mas também não podemos exigir muito, e ter cá Picasso e Miró, é uma honra.

 

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Isabel Muñoz - Fotografia - 120x120 cm

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Está pois de parabéns a Câmara Municipal com este evento e mais uma vez o profissionalismo da Cooperativa Árvore que, para finalizar me leva a uma questão para responder quem souber: Falo neste post de dois eventos realizados em Chaves, um anual, o Festimage cujo conceito está correcto à excepção da teimosia de não prever mais um prémio para fotografia com o tema Chaves e assim promover verdadeiramente a cidade, que é organizado pelo Semanário Transmontano e pago pela Câmara Municipal. Outro evento, pelo nome bienal, é a Bienal de Chaves que é organizado pela Cooperativa Árvore e também pago pela Câmara Municipal embora esta edição tenha o patrocínio do Turismo de Portugal. A questão é a seguinte – Qual a razão de existir da Associação Chaves Viva, que deveria promover e organizar estes eventos, se cada vez que se quer organizar qualquer coisa de jeito se tem de recorrer a entidades estranhas à Câmara Municipal? Só se for por causa dos contactos que tem com os rapazes das concertinas da Venda Nova ou então por, além de ser uma associação promotora para o ensino e divulgação das artes, ser uma associação de cariz social com a sua função de entidade empregadora…mas reconheço que para uma coisa têm jeito: põem sempre os outros a organizar e trabalhar, mas é o seu selo do apoio que sai sempre nas publicações, e os seus pavões, na fotografia dos jornais. Essa é que é essa, e com esta me vou, à feijoada, porque hoje há feijoada em Chaves…está calor, eu sei, mas a coitada da feijoada está lá com aqueles olhinhos a dizer “come-me” e eu, fraco de espírito, não resisto e como-a sempre…

 

 

 

 


28
Jul10

Hoje há feijoada, à transmontana...


Há dias num post entitulado  «Já nem sei que dizer» - onde eu referia que talvez estivesse errado em querer ver as aldeias com vida, com crianças, gente, animais… a um comentário desse post, de autoria da Joaninhas, prometi uma resposta alargada.

 

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Dizia-me a Joaninhas em comentário:

 

« (…) não entendo duas coisas. Se tantas saudades porque não vai o Fernando viver para essas aldeias lindíssimas .
Outra coisa, se todos nós fossemos morar para as aldeias que seria da cidade? Não ficava ela, também ao abandono, com esses encantos e recantos lindos lindos?
Acaba por também ela estar abandonada.

E todos nós somos cúmplices disso, não acha Fernando?

É bom tirar fotos, mas o melhor seria exigir melhores acessos a essas aldeias, e lutar sempre. (…)»

 

Pois aqui fica, como prometido, a resposta a essas questões, com um pouco de mim (em jeito de introdução) para melhor se entenderem os porquês mas também dando continuidade à discussão lançada por António Chaves na sua última Crónica Segundária.

 

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Em tempos, já não sei precisar, disse aqui neste blog que nasci em Chaves por mero acaso, pois poderia ter nascido numa vila ou numa aldeia. Numa vila, terra da minha mãe (Montalegre) ou numa aldeia, terra de meu pai (Parada de Aguiar – Vila Pouca), também poderia ter nascido em Vila Verde da Raia, ou noutra terra, aldeia, vila, ou numa cidade qualquer. Nasci em Chaves e como tal sou flaviense. Mas o ser flaviense não é tão simples assim e, não é por ter nascido em Chaves que o sou, pois nem sempre somos da terra onde nascemos, mas, isso sim, da terra onde aprendemos os primeiros passos, onde aprendemos a andar de bicicleta, onde aprendemos as primeiras letras, onde aprendemos a nadar, onde fizemos os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubamos a fruta madura da árvores, onde demos o primeiro beijo, onde lamentámos as primeiras ausências, onde levámos as primeiras negas, onde casamos, onde tivemos os nossos filhos, onde ao dobrar da esquina há sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optamos por viver e temos um lugar, uma casa que nos acolhe, com família lá dentro, onde regressamos sempre nem que seja num único dia do ano, aquele em que todos queremos estar juntos para consoar o Natal ou, no derradeiro momento que, com toda a nobreza de uma vida, se volta à terra para receber sepultura – Essa, é a nossa verdadeira terra.

 

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Pois eu, no meu ser flaviense, à excepção de ter cumprido a vida, tenho tudo isso, mas muito mais, pois também tenho a minha aldeia que herdei do meu pai e a minha vila que herdei da minha mãe e, não é apenas por eles terem nascido lá, mas porque também as vivi e continuo a viver pela simples razão de, tal como eu sou flaviense, o meu pai sempre foi da aldeia dele e a minha mãe da sua vila porque (infelizmente eles)  não tiveram a minha sorte de ter o todo ou tudo da terra onde nascemos e ter ainda um pedaço na aldeia e vila de onde descendemos, onde também se passaram natais e havia avós, tios, primos, amigos e as velhas casas que também eram nossas.

 

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Mas o ter nascido em Chaves não é tão simples como parece, pois os meus pais poderiam ter optado por fixar residência na aldeia ou na vila de onde eram naturais. Contrariando a vontade natural (estou em crer) de “puxar” para as sua terras, optaram pela cidade mais próxima das suas raízes, cidade pequena mas cidade, onde havia escolas, hospital, trabalho e as necessidades mínimas para uma vida mais ou menos digna que numa aldeia ou vila não poderiam dar no seu todo aos filhos… e aqui entramos no cerne de todas as questões ligadas ao despovoamento das aldeias, pois todas elas foram despovoadas para alcançar uma vida melhor, não só para os despovoadores mas sobretudo para os filhos.


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Parece ficar assim explicado o despovoamento das aldeias e do meio rural, mas não fica. Pois tudo poderia ser diferente desde que houvesse condições para as pessoas, os casais e os filhos, ficassem (por opção) nas terras onde nasceram, podendo ter nelas uma vida digna, com trabalho e um modo de ganhar a vida mas, com acesso fácil a tudo que existisse nas cidades, mas para isso, teria de ser necessário desmontar todas as políticas praticadas até hoje  e que actualmente são cada vez mais agressivas com a(s) modernidade(s) e o centralismos em que as pessoas, os valores e os lugares pouco interessam, pois tudo é visto sobre o prisma dos interesses, dos cifrões traduzidos em tabelas de Excel e gráficos comparativos de puras matemáticas… valores, saberes, sabores, culturas, povo, tradições, usos e costumes, não contabilizam nessas tabelas e gráficos…Eia, eia lá… a globalização centralizada é que é da modernidade, a identidade do povo  – para dizer bem e depressa – que se foda! O povo e o interior que aguente e, quantos menos forem, maior será o desprezo, pois apenas são contabilizadas cabeças que valem votos – as pessoas, a gente, os valores, sabores e saberes do povo de nada valem se não houver número suficiente de cabeças para fazer crescer os gráficos e eleger pavões para o poder… que lhes interessa a eles a terra ou a casa onde nascemos, os nossos amigos, a nossa família, onde passamos ou não o natal!. Que lhes interessam a eles os nossos sentimentos, os nossos gostos, as nossas opções… somos apenas números, um por cada cabeça, para eles, é esse apenas o nosso valor – uma unidade, ou seja – pouco ou nada valemos.

 

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Claro, Joaninhas, que tenho saudades das antigas aldeias lindíssimas, sobretudo porque tinham gente, crianças, animais e casas com gente dentro, que vivia nelas, faziam filhos e consoavam natais onde os filhos e parentes ausentes regressavam sempre e as vilas e cidades, mais pequenas é certo, também existiam, também com casas com gente lá dentro, que faziam filhos e natais e enchiam as ruas de vida com gente e crianças…

 

Custa e revolta ver as aldeias despovoadas, com as velhas casas sem gente, sem vida, sem crianças quando bastava, no tempo certo, proporcionar às populações rurais meios e condições para se manterem nas suas terras, tendo as cidades como apoio com os serviços, a saúde a educação a cultura o lazer e ponto de promoção e venda dos seus produtos. Mas tudo isto, para garantir a sua sustentabilidade, teria de ser trabalhado e ter apoio estatal e autárquico sério e responsável onde os apoios comunitários teriam caído como ouro sobre azul…mas não, olhou-se ao lucro rápido e fácil onde todos tentaram ganhar o seu, sem qualquer cuidado, sem pensar o futuro e a sua sustentabilidade.

 

Certo que o despovoamento das aldeias já não é de hoje, pois o grande boom do abandono começou a ocorrer nos anos sessenta do século passado, mas com uma diferença. Antes abandonavam as aldeias para um dia mais tarde regressar. Hoje, o abandono não tem regresso marcado e tudo porque não há motivos ou razões para se regressar, a não ser o tal sentimento do regresso à terra, mas até esse desfalece quando a terra dos filhos dos que partiram, passaram a ser outras terras nas longínquas cidades para onde os pais partiram.

 

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Mas continuo a insistir que tudo poderia ter acontecido de outra maneira se tivesse havido políticas certas para reter as populações rurais, modernizando (a sério) a agricultura, tirando partido da floresta, da pecuária e de tudo que estas actividades está associada, como é o caso do presunto que o António Chaves tão bem tem trazido à baila nas suas crónicas segundárias, e quem diz o presunto e tudo que está associado aos recos, diz a madeira da floresta e toda uma indústria transformadora, diz a agricultura com os nossos produtos de qualidade e toda uma gama de pequenas e médias indústrias que se poderiam desenvolver à sua volta, sem esquecer a riqueza da nossa gastronomia, as nossas paisagens e montanhas e um turismo temático e de qualidade que poderia estar ligado ao nosso ser interior, às nossas termas e às montanhas, onde, aí sim, com tudo isso a funcionar, resolveríamos os problemas de trabalho dos nossos jovens bem como garantiríamos o seu regresso às origens após estarem formados, pois com tudo a funcionar, iríamos precisar de técnicos e gente formada para dar apoio a toda uma população e eles próprios avançarem com os seus negócios e empresas, mas não, tal não acontece e nunca houve vontade, ou habilidade ou inteligência por parte dos nossos governantes para que tal acontecesse, e neste capítulo dos governantes, com muita culpa para os políticos locais que sempre lhes faltou visão, inteligência e falta de amor à terra e aos seus habitantes, que nunca souberam travar o despovoamento rural e promover (ou defender) os nossos produtos e as nossas coisas. Uma cambada de ignorantes que atingiu o poder e a partir daí, lá do alto e tal como os pavões, abriram as penas da cauda em leque e puseram-se a gerir e mal,  contas correntes, a imitar às vezes, sem inovar, apostando fraco e mal, sem a importante união com os concelhos vizinhos onde poderiam arranjar poder de reivindicação com o todo de uma região igual e com os mesmos problemas… mas não, cada um por si, com as suas incompetências e o resultado está à vista, aos poucos, vamos perdendo tudo. Começou pela população das aldeias, depois foi o comboio, que além da locomotiva, aos poucos, foi levando outras carruagens, sendo a última o hospital…mas tudo isto até poderia ser nada se houvessem oportunidades para os nossos jovens formados regressarem (por opção), por cá terem trabalho e futuro.


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Como eu dizia no post que deu origem a este - já nem sei que dizer – talvez eu esteja errado e este esvaziamento do interior seja natural e se caminhe a curto prazo para uma grande cidade chamada Lisboa, outra Chamada Porto e outra chamada Algarve para passar férias e tudo o resto seja paisagem com pequenos grupos de resistentes a viverem à margem como se de indígenas ou reservas se tratassem…

 

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Para rematar este post, vamos lá dar resposta às perguntas da Joaninhas – Porque não vai o Fernando viver para uma dessas aldeias lindíssimas e a de nós sermos todos cúmplices. Pois é assim, eu vivo numa aldeia que fica juntinha à cidade, é certo, mas a resposta correcta é, eu vivo na minha aldeia que dá pelo nome de Chaves e por isso, eu não sou cúmplice do despovoamento e a testemunhar isso, é o eu estar aqui, em Chaves, porque é a minha terra e porque optei viver nela e nela constitui família. Optei pela minha terra e é aqui que quero cumprir a minha vida e, por muitas faltas que Chaves tenha foi a terra onde nasci, onde aprendi os primeiros passos, onde aprendi a andar de bicicleta, onde aprendi as primeiras letras, onde aprendi a nadar, onde fiz os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubei a fruta madura da árvores, onde dei o primeiro beijo, onde lamentei as primeiras ausências, onde levei as primeiras negas, onde casei, onde tive os meus filhos, onde ao dobrar da esquina tenho sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optei por viver e tenho um lugar, uma casa que me acolhe, com família lá dentro, onde regresso sempre todos os dias e todos os dia é natal. Falta-me cumpri o resto da vida para nesta terra receber sepultura. Por tudo isso, vivo na minha aldeia, sou um resistente e não sou cúmplice de todos os disparates que têm feito connosco.  Eu cumpro a minha parte, falta aos que têm de cumprir, os do poder, cumprir com a sua parte em prol de Chaves, das suas freguesias mas também da região, com amor e inteligência,  porque afinal esta doença, não afecta só Chaves e o concelho, mas todo o interior, onde o interior Norte é e sempre foi mais castigado, não só em oportunidades mas também com todas a dificuldades geograficas das montanhas e dos 9 meses de inverno e 3 de inferno.

 

É nisto que dá um jejum de palavras!

 

 

28
Abr10

Hoje há feijoada no pântano


 

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Hoje quero-vos falar do Espaço Polis, junto ao nosso Tâmega, mas já lá vamos, antes, uns considerandos, desabafos ou devaneios, como queiram…

 

Quem acompanha este blog já me vai conhecendo, uns porque me conhecem pessoalmente, outros, embora não me conhecendo pessoalmente, vão-me conhecendo por aquilo que aqui trago e mostro, mas também pelas opiniões, confissões, desabafos  e defesas ou críticas que aqui vou deixando.


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Politicamente, uma vez que vesti a camisola de um partido, estarei ligado ou conotado a ele eternamente. Mesmo estando distanciado , desligado da militância e discordando das suas políticas.  Acredito na democracia e ainda no espírito de abril mas deixei de acreditar nos políticos e nos partidos atuais, despidos de ideais e ideologia, onde apenas o poder e o seu exercício importa, conquistado democraticamente nas urnas (é certo) mas nunca penalizado pelas mentiras e promessas que não cumprem, onde o valor da palavra já nada vale e os próprios valores estão hipotecados. É um pouco como o discurso de “abadia” – “Olha para o que digo e não olhes para o que eu faço”, um pouco assim à moda da Igreja Católica (e outras religiões) em que se tem de olhar e seguir a palavra e não os seus atos, e assim perdoar as matanças das cruzadas, a inquisição e um ror de repugnantes pecados que tem cometido ao longo da sua existência, como este mais recente da pedofilia no seu interior e que o bom católico lá terá que perdoar…

 

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Enfim, talvez defeito meu, não sei perdoar e muito menos esquecer, porque quem peca uma vez, pecará para todo o sempre, tal como um burro (os de 4 patas) por muito esperto que seja, nunca deixará de ser burro. Não sei perdoar, não sei esquecer mas também não consigo pôr-me de fora  e ficar indiferente. Sei que posso correr o risco de ficar só no caminho que escolher caminhar, mas será sempre a liberdade que me guia e será sempre a justiça que procurarei alcançar, mesmo que esse caminho me seja contrariado ou minado, apedrejado, é por ele que vou. Não consigo ficar impávido, sereno, conformado, apático às mentiras, traições, injustiças, incompetências, abusos e compadrios e muito menos ser colaboracionista de uma coisa, seja qual for, com a qual não concorde.

 

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Tal como vesti uma camisola política por ter acreditado nela, também vesti a camisola da cidade que me viu nascer, mas nesta cidade, ainda acredito e também acredito que há outros flavienses que tal como eu, também gostam dela, também lutam por ela e para ela defendem o melhor caminho, mas também, tal como na política, não perdoo nem esqueço o mal que lhe fazem.

 

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Também aqui, localmente, podemos e devemos contribuir para o bem da cidade. Elogiar o que está bem feito (porque quem faz gosta de ser elogiado) mas também denunciar e criticar (embora quem fez, não goste).

 

Mas para tudo são necessários exemplos e eles encontram-se tanto nas coisas mais importantes como nas mais insignificantes.

 

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Vamos para o espaço Polis, aquele que enriqueceu a cidade, que nos virou de frente para o rio, aquele no qual podemos ter orgulho porque é um espaço que nos fica bem e que além disso se usufrui e desfruta como ficaria bem corrigir os erros que tem.

 

É visível, ninguém o poderá negar (e não é coisa das cheias) que existem por lá espaços que deveriam ser verdes e relvados, que são pequenos pântanos. Erro de projeto, de execução, de fiscalização…não interessa de quem é ou quem o cometeu, se calha até erraram todos ou ninguém, mas o facto é que o erro está lá e pode, ou melhor deve ser corrigido, não só pelo mau aspeto de uma nódoa (ou algumas) em bom pano, mas porque ficava bem que tudo naquele espaço estivesse bem e depois as obras até têm garantia, só é preciso acioná-las ou então substituir-se a quem deve corrigir e, não vale a pena andar em tribunais (se for o caso) pois as tantas, os pântanos ainda ganham direito de usucapião do espaço que ocupam, tal como o carro da muralha.


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Também além da manutenção da relva (e muito bem) há o restante equipamento do espaço que por puro vandalismo, mau uso ou simples uso, se vai deteriorando, principalmente aquele que é essencial à higiene, limpeza e segurança do local, e já há muito material por lá estragado e outro que desapareceu (como os amortecedores do parque infantil) e nunca foram recolocados.

 

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Outra coisa que não consigo entender é como com tanta falta de locais públicos para se fazer chichi haja instalações sanitárias nesse espaço (tabolado) que nunca entraram em funcionamento, tendo servido até hoje apenas para os vândalos porem o seu vandalismo em prática.


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Claro que para tudo há desculpas, e são precisamente essas as que mais irritam, pois tal como nos pântanos, não interessa apontar culpados (se é a Câmara, a polícia, os vândalos, os putos ou a população)  interessa e só, que os problemas sejam resolvidos, quanto às culpas e políticas de fiscalização e prevenção, isso são assuntos e problemas paralelos que devem ser resolvidos dentro ou entre as respetivas instituições, para isso é que elas existem e todos nós contribuímos  com os nossos impostos.

07
Abr10

Hoje não há feijoada, saboreiam-se outros pratos...


 

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Hoje vamos deixar a feijoada em paz, pois cá pela terra, também há outros pratos bem interessantes onde “botar” o dente.

 

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Um pouco ao acaso, ao sabor dos passos, fui debitando click aqui, click ali, a coisas, rostos de pedra, empedrados e enlatados, ao rio que ainda sobra, ao envelhecer das folhas, da memória e das gentes.

 

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Sem qualquer pretensão para além de captar momentos, pode-se andar eternamente, dia e noite, no seio e íntimo da cidade e, os momentos, sucedem-se uns a seguir aos outros, juntos, apaixonados até, de fazer inveja a qualquer par de jovens namorados que com a velocidade dos sentimentos, não têm a manha de eternizar a paixão.


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Um olhar num rosto de pedra que me segue os passos no atravessar da praça é logo quebrado pelo perfilar da geometria dos vãos que sossegam o desassossegar do olhar, agora o meu, que felinamente fixou a presa, alheio a tudo e a todos não vá o momento quebrar-se.


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Pasmados, palulas e paneleiros, dizem respetivamente os das aldeias, os de Montalegre e os de Boticas. São invasões e incursões que não quebram o sossego do vale, milenar, como milenar é a dureza da pedra que faz a dureza do ser. Aconchegar a cabeça é que é preciso. O sol, esse sim é traiçoeiro e os pés quentes, isso é o que interessa… alcunhas, desde que não sejam rançosas, até fazem um bom mata-bicho, nada abala a inteligência e o sossego dos dias de quem lá de cima observa o barulho do silêncio.

 

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Não há relógios que meçam o tempo de contemplação. De pouco interessa que os ponteiros insistam em dar volta e mais volta se o tempo adotado for da luz do sol ou da escuridão da noite, mas é nos “entretantos”, no azul puro e frio que se dilui num amarelo branco da aurora, ou no amarelo quente que envermelhece com a despedida do sol, que estão os verdadeiros momentos de poesia pura e total.

 

Hoje não quero feijoada, pois acredito que por aí ainda há muito bom prato flaviense que a substitua…

 

24
Fev10

Hoje há feijoada ou peixeirada, já nem sei!


Hoje é quarta-feira e, em Chaves, é dia de feira e, dia de feira que se preze, tem feijoada, com todos os condimentos e para todos os gostos, pese embora, agora os tempos, até serem de peixeirada, não só pela quadra da Páscoa que nos leva para o jejum do peixe, mas a peixeira que está implantada neste Portugal de marinheiros. Deve ser influência do nosso território ter mais mar que terra.

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Fotomontagem de arquivo

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Aliás sempre foi a grandeza do mar que inspirou a grandeza de Portugal e sempre inspirou o poeta português. E falo do poeta, como representante de todos os poetas portugueses, o maior, o que canta a realidade de Portugal, que, para mim, há muito deixou de ser Camões.

 

DEUS QUER, o homem sonha, a obra nasce,

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

 

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir redonda do azul profundo.

 

Quem te sagrou, creou-te portuguez,

Do mar e nós em ti nos deu signal.

Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Fernando Pessoa, “ O Infante” In o Mar Portuguez/Mensagem

 

Assim sendo, já nem sei se isto hoje é feijoada ou peixeirada, reforçada a dúvida pelas palavras do poeta:

 

“ O MAR SALGADO, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal”

 

E o Tâmega, leva algumas lágrimas de Chaves, que também ajudam a salgar o mar.

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De Chaves ou de outra terra qualquer, pois o sentimento e a realidade é comum e uma lágrima nossa, não é menos salgada que uma lágrima de outro qualquer sítio ou terra de Portugal, mas por aqui, é de Chaves que se fala. Pois vamos às lágrimas de Chaves que contribuem para as lágrimas de Portugal e para o sal do mar.

 

Por cá nunca fomos ricos, sempre fomos mais ou menos esquecidos e se não fosse por termos uma boa horta e Espanha estar aqui a dois passos, permitindo-nos assim ter sido militares e contrabandistas, se calha Chaves nem existia. Somos pobres, mas nunca fomos invejosos, aliás a inveja nem se conjuga muito bem na pobreza. Inveja é um luxo que só os ricos, os poderosos ou bem remediados conseguem conjugar. Na pobreza cultiva-se mais a revolta e depois, o que é que se poderá invejar na pobreza!? Mas os pobres existem, e por cá, infelizmente, temos a pobreza total, ou seja, o pobre que é pobre porque não tem dinheiro para mandar cantar um cego, mas também a pobreza de ideias e da ambição de fazer sair Chaves do marasmo, ele mesmo pobreza.

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Nunca a sabedoria popular de “ Em casa onde não há pão, toda a gente ralha e ninguém tem razão” se aplicou tão bem como nos nossos dias atuais, e, ainda vamos tendo umas côdeas por casa. Basta ler os jornais, ouvir as notícias e os nossos atores, sejam eles políticos, da banca e grandes empresas, da justiça, dos Mass Media (convém refrescar a memória e saber o que são os Mass Media: - são sistemas organizados de produção, difusão e receção de informação. Estes sistemas são geridos, por empresas especializadas na comunicação de massas e exploradas nos regimes concorrenciais, monopolísticas ou mistos. As empresas podem ser privadas, públicas ou estatais.).

 

Pois a pobreza e o povo, porque a pobreza convive bem com o povo, dos poucos direitos que tem é a revolta, mesmo que seja muda e se fique pelos intestinos, mas revolta-se e com todo o direito, principalmente quando por todo o país se ouve falar de crise, de não haver dinheiro, de estamos de tanga no fundo do poço ou do pântano, de não haver dinheiro para aumento de vencimentos, de cada vez haver mais desempregados e empresas a falir e à nossa volta continuar-se a mal gastar dinheiros públicos, em puros devaneios, luxos, ambições, teimosias, politiquices, etc.

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Ainda ontem enquanto ouvia a entrevista de José Sócrates na televisão, não deixava de o admirar na facilidade em que ele tem em dar volta aos conteúdos e como na astúcia das palavras dava a volta à verdade. Ouvi coisas incríveis que nos tocam bem de perto. Falou-se das barragens que são o futuro de Portugal (imagine-se) e pelo meio, Miguel Sousa Tavares trouxe à baila uma das plataforma logísticas que Sócrates lançou com tanta pompa e circunstância e que, as autarquias caíram de queixos na sua construção. Pois por cá, temos ambas, as barragens e uma plataforma logística. Uma barragem em projeto com a qual só ficamos a perder, destruindo-se um rio que embora com algumas maleitas ainda poderia ser saudável, mas destruindo também toda uma economia de subsistência, de gente pobre, que sem as suas terras férteis de cultivo, vão ficar sem nada, e tudo em nome de Portugal e das energias renováveis que vão ser exploradas pelos monopólios da eletrecidade e que todos vamos pagar, para continuar a dar, como até aqui, chorudos lucros às empresas exploradoras, ou seja, destroem um rio, empobrecem ainda mais a região e ainda vamos ter de pagar por isso e ficar contentes.

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Não deixo de dar razão a José Sócrates quando diz que o futuro da energia está nas energias renováveis. Quem é que não sabe isso, mas o futuro não está nas barragens, mas sim em casa de cada um de nós, com a produção da energia que necessitamos, cedendo a produção que resta à rede pública. Coisa simples. Bastava que o dinheiro que se gasta em petróleo para produzir eletrecidade, o que se gasta na construção e manutenção de barragens, nos negócios e gestores a elas associados, se transferisse para o equipamento doméstico que cada um de nós necessitaria para produzir eletrecidade. Mas claro que isso não interessa às grandes empresas que detêm o monopólio da eletrecidade, não interessa ao poder dependente, não interessa ao poder internacional do petróleo. Energia sustentável, de borla, não poluente e renovável, não interessa ao grande capital e como tal, não interessa ao poder. Construam-se barragens, empobreça-se uma região já pobre, ponha-se-lhe o rótulo de amiga do ambiente, mesmo que o ambiente seja o primeiro sacrificado e todos os papalvos dirão ámen!

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Pois vamos às plataformas logísticas. Para quem não sabe e pelos vistos há muita gente que não sabe, em Chaves há uma plataforma Logística porque era um dos pontos estratégicos a nível nacional para a implantação de uma das poucas que existem. Em Chaves existe uma e até foi inaugurada por José Sócrates. E agora perguntarão vocês, afinal o que é uma  plataforma logística e onde está a de Chaves!?... pois não sei,  mas garanto-vos que existir, existe, e já há alguns anos, onde até se gastaram uns largos milhões de euros na sua construção, mas apenas isso, pois nunca funcionou, está fechada e a degradar-se, tal como toda a área envolvente onde deveria funcionar uma Mercado Abastecedor, que também existe e não funciona, e um parque de atividades que não tem atividade.

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Custa ver um poder a exibir-se e exigir-nos sacrifícios, a aumentar-nos os impostos,  a retirar-nos direitos fundamentais, a roubar-nos a saúde, a formar jovens para o desemprego e que ao lado de nós esbanja dinheiros públicos (milhões dele) para equipamentos que não funcionam, para desfazer e refazer sem nada melhorar (EN 213), para fechar escolas e construir outras, para esvaziar hospitais existentes para construir outros novos, para construir barragens que destroem rios quando a eletrecidade existe de borla nos nossos telhados, para enfim, gozar connosco. Já nem quero falar de TGV’s, Aeroportos, pontes megalómanas, mundiais de futebol, etc. entre outras realidades e projetos que pululam por aí…

 

E já que comecei com o Poeta, vamos acabar com palavras suas:

 

SENHOR, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, o silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

 

Fernando Pessoa, “ Prece”  In Mensagem

 

 

 

20
Jan10

Hoje há feijoada hospitalar


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«Uma vez estava de férias em Palma de Maiorca, a ver um espectáculo daqueles para turistas, e era o único que não batia palmas. O motorista do Porto, para meter conversa comigo, perguntou-me se não estava a gostar. Expliquei-lhe que não batia palmas porque era deputado e estava de férias. Muito do nosso trabalho é bater palmas. Um fala e os outros batem palmas…».

 

Modesto, este deputado, pois toda a gente sabe que o trabalho de um deputado não é só este, de vez em quando também têm que levantar o braço…

A contrariar o que atrás está escrito, o trabalho de um deputado não se resume só a bater palmas e levantar o braço, pois também fazem viagens e visitas. Uma prova disso mesmo foi a recente visita dos deputados socialistas eleitos por Vila Real ao Hospital de Chaves no desempenho da sua “actividade normal dos deputados , que se prende em acompanhar tudo aquilo que se vai fazendo, sobretudo ao nível da saúde e ao nível da satisfação dos utentes”.

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Pois da conclusão que tiro das conclusões dessa visita, cheguei à conclusão que nós flavienses (povo) somos uns queixinhas pois afinal, segundo os deputados, Chaves nunca esteve tão bem servido em termos de saúde como actualmente. Pois segundo a reportagem do jornal «A Voz de Chaves» a nossa (porque é flaviense) Deputada Paula Barros disse que a constituição do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto-Douro foi um passo importante para a cidade e para o distrito, dado que “há serviços que não tínhamos e aos quais agora temos acesso” e acrescenta  existiam serviços aos quais para se terem acesso tínhamos que nos deslocar até ao Porto e agora podemos ir a Vila Real”. Pois venha o diabo e escolha mas está claro que sim (sim senhor!) senhora Deputada, pois toda a gente sabe que ir a Vila Real ao Hospital é a mesma coisa que ir tomar um café ao Sport e que fica muito mais perto que a Raposeira. Este povinho flaviense o que tem é inveja e protesta por protestar, mas lá no fundo, está contentíssimo com os serviços que o Hospital de Chaves presta em Vila Real. Povo mal agradecido, pois além de ter a oportunidade de ir dar uma voltinha até à civilização saindo aqui da parvalheira, ainda anda para aí a protestar nos jornais. Mas a conclusão dos deputados continua, dizendo que com a constituição do Centro Hospitalar houve a possibilidade  de dispensar mais-valias pelas respectivas unidades”. É verdade. Eu próprio sou testemunha disso, pois já por duas vezes tive de me deslocar a Lamego (a mando do Centro Hospitalar)  a acompanhar um familiar para fazer exames corriqueiros numa clínica privada.

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Felizmente não tenho tido necessidade de cuidados hospitalares e portanto não sei o que se passa pelo nosso hospital, mas a julgar pela conclusão destes dois deputados, tudo vai bem pelo Hospital de Chaves e o problema às vezes surge, segunda a nossa deputada por “em Chaves, ao contrário de outras localidades, temos uma maior abordagem das pessoas às urgências do hospital e não às urgências dos Centros de Saúde”. Aqui, lamento cara deputada, mas tenho de discordar, pois que eu saiba no Centro de Saúde nº 1, o serviço de urgências foi abolido e só a boa vontade dos médicos de família poderão atender um caso urgente para além das consultas marcadas…mas há mais, pois que eu saiba, os Centros de Saúde não estão equipados para dar resposta à maioria dos casos urgentes, pois para além do médico, do enfermeiro e das respectivas batas, seringas, pensos, betadines e termómetros, pouco mais têm e depois, quando é que nós utentes sabemos se o caso de urgência é caso de Centro de Saúde ou de Hospital? Não misturem alhos com bugalhos e deixem aos Centros de Saúde a sua nobre função de medicina familiar, que já não é nada pouco, e aos Hospitais a sua função hospitalar, pois parece-me que num caso urgente uma passagem pelo Centro de Saúde, é apenas perder tempo (por falta de meios dos centros) e se agora os utentes morrem nas urgências do Hospital enquanto esperam ser atendidos, se toda a gente recorresse aos Centros de Saúde, alguns ficar-se-iam pelo caminho entre os Centros e o Hospital. Por fim, se conduzirem as urgências para os centros de saúde e tendo em vista que a maioria dos serviços anteriormente existentes no hospital foram desactivados, para quê existir o Hospital!? Aliás já hoje se pode por essa questão. Engraçado é que as clínicas privadas da cidade estão sempre atulhadas de gente para fazer exames corriqueiros, com equipamento privado e pagos a peso de ouro… enfim, a nossa saúde pública está doente…só gostaria de saber é onde a nossa deputada iria (ou vai) quando por cá está de fim-de-semana e se sente “gravemente” doente!?

 

Pois para vir a Chaves fazer balanços positivos sobre o Centro Hospitalar de Vila Real e o Hospital de Chaves, mais lhe valia fazer como o seu camarada e ficar em Lisboa a bater palmas!  Já agora gostaria de saber se o outro deputado flaviense concorda com esta posição da senhora deputada, mas pela certa, como ainda é novato no cargo,  ainda anda a aprender os tempos certos em que deve bater palmas e levantar o braço. Pois se assim é, para abreviar essas lides de Lisboa e passar a dedicar-se mais à causa flaviense, eu deixo uma dica: Basta estar com atenção à primeira fila da sua bancada e quando eles baterem palmas, o senhor Deputado também bate, quando eles levantarem o braço, levanta-o também, o resto é conversa…

 

Moral da estória. Como eu nestas coisas de saúde e politiquices sou um ignorante, passei a dormir mais descansado desde que soube que pelo nosso Hospital tudo está bem e que o Centro Hospitalar se recomenda, mas o melhor mesmo, é não necessitar dos seus serviços…

 

Até amanhã!

 

Hoje em devaneios há um pouco de luz

13
Jan10

Hoje há feijoada, com gays, sorrisos, Chaves, Torga e Portugal


Já sei que hoje é dia de feijoada, no entanto deixo essas questões gastronómicas para a hora do almoço, pois agora, talvez por o dia se ter apresentado frio e chuvoso, melancólico até, iam invadindo certas reflexões, de tudo e de nada, talvez apenas banalidades pensadas em dias de chuva…

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Suponho que ontem, já não sei, uma das notícias da televisão era sobre um estudo em que mentes, pela certa prodigiosas,  fizeram  um estudo sobre o sorriso português, tendo chegado à conclusão que o ser português, é um dos que menos sorri… suponho que é um estudo importante, mas dei comigo a reagir à notícia e à conclusão desse estudo com um:  – Pudera! Se calha não há razões para sorrir! E não é pelo fado nos correr nas veias ou por à beira mar plantados se viver poeticamente a imensidão dos oceanos, nada disso, é antes pela nossa secular condição de pobreza, que, nem mesmo quando a nossa história pinta algum passado a ouro, ele, nunca luziu para o povo português.

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E é com estudos sobre sorrisos, casamentos gay, telenovelas, Magalhães e rendimentos mínimos pagos aos profissionais do copo… que as brilhantes mentes políticas e seus associados vão iludindo um povo que chega ao fim do dia sem vontade de sorrir, porque a realidade do povo, é outra. Entretanto, nos escuros e silenciosos túneis da política, eles, vão-se encobrindo e tecendo a teia na qual todos cairemos.

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Pensando melhor, penso que não é só o frio e a chuva que nos tolhe os dias e nos deixa num estado melancólico sem vontade de sorrir, o pior de tudo, é que nem sequer basta ter consciência da realidade, pois tudo continuará igual, com a procissão do quero, posso e mando agora eu, agora tu. Mas o que mais custa, é continuar a ver o ajoelhar na passagem da procissão.

 

Pois é, nuns nunca se acredita e nos outros deixa-se de acreditar… talvez isto seja só coisa dos dias assim, chuvosos e frios, nos mesmos em que lá vou encontrando nos poetas algum conforto.

 

Tanto monta ser aqui, como no Terreiro do Paço. Ouvir um político, é ouvir um papagaio insincero”, pois continuemos com Torga:

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Chaves, 25 de Setembro de 1960

E daí, quem sabe? Talvez que, na verdade, seja necessário dar à vida uma certa margem de conformação. Ficar sempre aquém dos limites da intransigência. Como nas sangrias, nunca ultrapassar o meio litro. Permanecer na justa medida, haja o que houver. Contentar-se a gente com o quotidianamente possível na moral, na política, na ciência, no amor e na religião.

Mas conseguir que certos malucos da minha espécie compreendam as mil vantagens da mediana, tapem os ouvidos à voz ultrapassada do apóstolo  que no Apocalipse vomita os mornos, e se resignem ao uso sensato de uma camisa-de-forças? Naturezas mostruosas, absurdas, sedentas de absoluto, sempre quentes ou frias, andam no mundo por não verem andar as outras. E foi certamente a pensar nelas que Breughel  pintou a parábola dos cegos, sem, de resto, alcançar o seu fito, que devia ser desviá-los pedagogicamente do abismo. Do abismo onde já, também sem resultados animadores, precipita Ícaro, outro símbolo incorrigível de humano desvairo, de condenável fome de infinito.

Miguel Torga, In Diário IX

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Chaves, 17 de Setembro de 1961

É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disso. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.

Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.

 

Miguel Torga, In Diário IX

 

Até amanhã!

 

 

 

 

16
Dez09

Hoje há feijoada com ferro e betão


Sempre que aos fins-de-semana este blog vai até uma aldeia, é sempre aqui referido o despovoamento das mesmas, o abandono do casario antigo e o envelhecimento da população e tudo isto ligado ao êxodo das populações rurais, cujas causas são mais ou menos conhecidas e que, já por si, são difíceis de contrariar, tanto mais quando não há políticas interessadas em que tal aconteça.

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O destino das populações rurais tem sido as cidades e, se antes do 25 do Abril o destino desse êxodo era a emigração para o estrangeiro, a partir dessa data o destino também passou a ser o das nossas cidades, incluindo a nossa de Chaves.

 

Assim, um "boom" na construção era mais ou menos previsível. A cidade de então não suportava tanta gente, eram necessárias novas habitações e, elas começaram a surgir e da pior maneira, ou seja, em torres de betão … mas deslumbra, a população flaviense assistia à chegada da modernidade…

 

O problema é que nem sempre o crescimento e modernidade das cidades são sinónimo de progresso, principalmente quando esse crescimento é feito sem regras e medidas que aliado a um agressivo interesse imobiliário e outros interesses, semeio betão e com ele é semeado também o atabalhoamento e a desorganização, mas pior ainda, com custos para todos nós.

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Infelizmente a cidade cresceu sem qualquer planeamento e,  se algum houve, não foi de parte das autoridades responsáveis e interessadas, mas dos agentes económicos ligados ao interesses imobiliários e da construção, que fizeram de Chaves uma mina de ouro com custos reduzidos.

 

Todo este boom da construção seria aceitável se integrado numa cidade planeada, não só em termos de ocupação do solo mas também em termos de necessidades e limitações que estão ligadas ao crescimento das cidades, como infra-estruturas básicas e outras ligadas à saúde, ao ensino, ao ambiente, aos transportes e comunicações,  ao lazer e bem estar, mas também e ainda outras tão ou mais importantes e que estão ligadas ao aspecto social, como o trabalho, a cultura e juventude, a velhice e infância.

 

Planeamento para uma cidade em crescimento exigia-se, mas não o houve e, infelizmente continua a não haver.

 

Claro que por aí ainda há quem fique deslumbrado com este crescimento, principalmente para quem confunde crescimento com progresso e não se dê conta que todo este crescimento só serve para enriquecer meia dúzia e empobrecer-nos a todos, incluindo a autarquia, que neste capítulo, perde muito mais do que aquilo que ganha e, a ganhar, só em problemas,  investimentos e custos,   que deveriam ser suportados ou comparticipados pelos senhores do crescimento. Custos para a autarquia e o mesmo será dizer, custos para todos nós e com a agravante de a nossa qualidade de vida piorar.

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As contas e os custo do crescimento até são fáceis de fazer, bastava contabilizar os investimentos que a autarquia  e o estado fez em paralelo ao crescimento com a construção de novas vias, pontes, escolas, centros de saúde, hospital, redes de saneamento básico, abastecimento de água, recolha e tratamento de lixos, etc. Mas contabilizar também o investimento e custos que se fez nos anos do crescimento em quase uma centena de escolas nas aldeias e que agora estão fechadas e num hospital que não funciona, por exemplo.

 

Mas o que mais custa no meio disto, para além dos custos que nos sai do bolso a todos, são os incómodos que provocam, principalmente na falta de infra-estruturas de apoio como uma rede de transportes públicos que não existe, a falta de lugares de estacionamento ou mesmo de paragem onde mais são necessários e aqui saliento alguns locais onde o caos se instala todos os dias, como junto ao Centro de Saúde nº2/GNR/Escola Profissional onde há uma concentração de serviços e instalações e não existe um único parque de estacionamento. Tal também acontece junto às principais escolas, principalmente as que estão mais próximas da cidade (Estação, Santo Amaro, Nadir Afonso, Caneiro, Júlio Martins) onde nas horas de ponta, são as vias de circulação que servem de paragem e estacionamento, chegando mesmo a bloquear o trânsito, como no caso da Nadir Afonso.

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Mas também outros males estão ligados ao crescimento e um deles é o abandono habitacional do Centro Histórico que por sua vez leva à deterioração dos prédios,  deixando muitos deles em tão mau estado que não andará longe a ameaça da ruína.

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Mas para além de tudo isto que foi abordado há algumas perguntas que se impõem:  Todas estas novas construções estão habitadas? Quantas habitações existem no concelho? Quantas habitações existem na cidade? Quantas famílias existem no concelho? Porquê se continuam a construir habitações? O que vai acontecer com estas torres de betão daqui a 40 ou 50 anos?

 

Os dados existem e são acessíveis a todos. Seria bom que fossem estudados e analisados.

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Claro que há desculpas para todos os problemas e um deles, que muitas vezes os responsáveis apontam, é o de não haver meio de travar estes problemas porque a legislação os permite. Mas isto é um bocadinho como o gato quando se lembra de andar atrás da cauda, pois quem faz a legislação e os regulamentos são os próprios responsáveis que depois acabam por se queixar dela e depois há os contornos às Leis, mas também aqui, tal como os “chicos espertos” a contornam, também os responsáveis a podem contornar, e tudo dentro da legalidade como convém. É sabido (por exemplo) que em Chaves os loteamentos de terrenos para construção de moradias, praticamente não existem, embora existam.  Os terrenos individuais (prédios), tal como as pessoas, também se reproduzem e dão lugar a novos indivíduos, com tudo direitinho, com registo na conservatória e tudo. Pois tal como nas pessoas, agora também não há terrenos zorros. É sabido que caso um processo de loteamento seja tratado como deve ser, ao loteador cabe executar as infra-estruturas necessárias e levar até esses terrenos as infra-estruturas necessárias. Não sendo loteado legalmente, os terrenos vendem-se na mesmo ao preço de loteado, sem infra-estruturas iniciais, mas que mais ano menos ano, a Câmara, EDP, Telecom e outros, lá as farão chegar, a custo zero para o loteador. Um bom negócio que toda a gente conhece e do qual todos se aproveitam e que também todos acabaremos por pagar.

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Também aparentemente parece não haver forma de parar o crescimento (sem progresso). A lei e outros interesses permitem-no. Mas sem inventar nada, pois a fórmula já existe e é aplicada em países ditos civilizados (e também cá quando interessa), pode-se travar legalmente este crescimento atabalhoado. Como!?, simplesmente comprando os terrenos que não interessam urbanizar. Aparentemente mais caro, sairia na maioria dos casos bem mais barato à autarquia.

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Mas enfim, enquanto uma velha cidadade vai morrendo, uma nova vai nascendo, mas por cá, toda a gente parece estar contente com a nova modernidade sem progresso de uma cidade que cresce em betão e que nos sai bem cara, a todos! Mas só alguns lucram com ela.

 

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09
Dez09

Em dia de feijoada, Chaves e o Outro.


PRIMEIRA PARTE

Não tarda muito e este blog irá fazer 5 anos que está na NET. Voluntariamente venho aqui todos os dias deixar um bocadinho de Chaves e das nossas aldeias, em imagens e a falar um pouco do passado ou do presente, do que está bem ou está mal, falar dos nossos ilustres, dos erros do passado e do presente, às vezes questionar o futuro, contar estórias da cidade, falar da nossa importância histórica desde a cidade romana, à vila medieval passando pela vila e cidade da raia até aos nossos dias, em suma, por aqui, todos os dias se fala um pouco de Chaves e dos flavienses, ou seja, de nós. Mas que importa isso!? Que importância tem este blog!? Quem liga aquilo que por aqui se diz!?... a não ser  pelo contador de visitas e um ou outro comentário que aqui vai ficando, eu acreditaria mesmo que ninguém visita este blog, como também sei, que se este blog terminasse hoje, pouca gente se iria incomodar com isso, talvez alguns ficassem até felizes, ainda digo mais, poderia, com licença, desatar para aqui às caralhadas, a mandar badamerda a toda a gente,  chamar nomes a todos os flavienses, que tudo continuaria na mesma… num deixa andar diário, num não me incomodes nem me comprometas, num alheamento total à, e da cidade, numa falta de amor de meter dó, num seguidismo cego do pastor e sempre debaixo dos olhares atentos dos lobos que lhe cobiçam a condição.

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Pois é, embora tudo isto não seja mentira, também não é verdade, principalmente no que diz respeito ao amor à cidade e ao orgulho flaviense, porque sei que ele existe e que o há, às vezes até em demasia e, o problema está, em gastá-lo no diz-que-diz de cada esquina, o problema está em medos do passado que ainda são presentes, o problema está no clubismo partidário e cego de seguidores e ajoelhadores à passagem da procissão que dizem ámen!, mas também, (como diria Torga) nas “castas” de Chaves.

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Enfim, como sei que ninguém me liga, continuarei a fazer este blog para mim, com os meus devaneios, a dar as minhas voltinhas pelas aldeias, a fotografar o velho casario e a sonhar com uma cidade melhor, enquanto, claro, amargamente me vou rindo das anedotas e das cabeças pensantes onde, por ausência de ideias, se vão repetindo as palhaçadas na arena do circo.

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INTERVALO

Esta coisa das anedotas é engraçado. Fazem-nos rir com coisas sérias e, embora isso não resolva os nossos problemas, ridiculariza-os, ao ponto, de por momentos nos sentirmos aliviados, bem-dispostos e alegres. Talvez por isso, Portugal seja o país das anedotas, onde com tudo se brinca. O problema é que com tanta anedota que se ouve durante o dia, ao chegar à noite, quanto tentamos arrumar as coisas no nosso disco rígido, já nem sabemos se determinado ficheiro ou documento, é anedota ou verdadeiro, se foi sonhado ou é real.

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SEGUNDA PARTE

Aliados aos mais variados factores, as nossas aldeias foram sendo despovoadas num êxodo constante para as cidades e outros países. O mesmo fenómeno se passa nas pequenas cidades e vilas do interior, pois embora estas tenham aumentado de população, não é um aumento real, mas antes, população das suas aldeias que se deslocou para a cidade, pois a população do concelho, desde os anos 50, continua a decrescer.  Tal como nas questões do ambiente em que já não há retrocesso ao mal que foi feito, também por cá será difícil de contrariar a actual situação, tanto mais que as políticas actuais são centralistas e tudo concentram nos grandes centros e capitais de distrito, principalmente naquilo que é essencial  e diz respeito à saúde, educação, cultura, serviços públicos, etc.,  que tudo arrasta atrás deles, enquanto nós, vamos ficando por cá, apenas com aquilo que é nosso. Há que saber tirar proveito daquilo que nos resta.

 

E o que é nos resta!?

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Resta-nos aquilo que sempre tivemos e que sempre foi nosso. A nossa veiga, montanhas e planaltos, a nossa história, a nossa cultura, as nossas termas, a nossa gente, a nossa localização, a nossa gastronomia, os nossos produtos e o nosso comércio.

 

Se é certo que a nossa história sempre esteve ligada à fronteira, à cidade militar e ao comércio, se é certo que perdemos o contrabando e a importância militar, não perdemos a nossa condição de raia e comercial, que aliada às nossas coisas e produtos, podem fazer o futuro da cidade, livre das miragens dos futebóis e outros ensaios de futuros sem qualquer sustentabilidade. Sejamos nós próprios, com aquilo que é nosso, protegendo, promovendo e vendendo  aquilo que é nosso.

 

E o que é que podemos vender!?

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Tudo, desde que seja nosso.  Podemos vender a saúde nas termas aliadas ao lazer que lhes falta, podemos vender muito turismo aliado as nossas montanhas e planaltos, à nossa história, às nossas tradições, e riqueza de usos e costumes, à caça, à pesca, à gastronomia, ao divertimento, ao desporto, à noite e ao comércio dos produtos da terra, fazendo com que em Chaves, fosse dia de feira todos os dias.

 

Em vez de se andar a copiar feiras que em alguns locais até se fazem com algum sucesso porque têm e fizeram a tradição. Em vez de se levar à praça os sabores e saberes de Chaves com produtos e artesãos que nada têm a ver com o nosso concelho, nem sequer com a nossa região. Em vez de fazer por fazer para marcar pontos na realização de eventos, faça-se qualquer coisa que possa ser útil e dar algum sustento à nossa população, como por exemplo feiras francas semanais, com produtos nossos, genuínos e com a nossa gente da veiga, das aldeias e freguesias, onde possam vender tudo que a terra dá ou que a ela lhe está associada, produtos da época, produtos frescos, secos e conservas, fumeiro, o folar na Páscoa, a castanha no S.Martinho, os nabos e nabiças, os grelos, as couves, as batatas, a lenha, as cebolas, os pimentos, as nozes, o presunto, os pasteis, os niscaros e cogumelos, os medronhos, o pão centeio do forno, a azeitona com ou sem carabunha, a lenha,  as velharias, os barros de Vilar, os cestos, eu sei lá… desde que sejam produtos nossos, genuínos e com a nossa gente, à moda de uma verdadeira feira franca medieval, um pouco espalhada pelas praças do centro da cidade, poderíamos ter aqui uma grande feira franca,  todas as semanas, aos Sábados, por exemplo, que é quando gentes de fora nos visita e nós locais estamos mais disponíveis para comprar. Bastavam os nossos produtos (e só os nossos), alguma animação de rua,  alguma publicidade  inicial e tinha-mos enchente comercial todos os fins-de-semana, uma feira sem dúvida sustentável e que poderia dar também algum sustento aos resistentes das nossas aldeias.

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E ao contrário de outros, não vendo a ideia, ofereço-a. Se quiserem saber como é que se lança uma feira destas (se não houver ideias) sempre podem perguntar ao Padre Fontes, que é vizinho e amigo, pois numa terra onde nunca houve tradições de bruxarias (os nosso(a)s são bem mais afamado(a)s), conseguiu fazer do Congresso da Bruxaria de Vilar de Perdizes e das Sextas-Feiras 13, um acontecimento nacional e que tem sempre honras da imprensa nacional, televisão e enchentes nesses dias, com parque hoteleiro esgotado e restaurantes à pinha e só com reserva.

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FIM DO JOGO

Chaves 1 – o Outro, outro.

 

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25
Nov09

Hoje não há feijoada - Chaves - Portugal


 

Hoje não há feijoada, ou melhor, há feijoada. Aliás nem seria quarta-feira em Chaves se não houvesse feijoada. Assim, hoje também há feijoada, mas não me apetece!

 

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Será talvez do Outono, ou do frio que finalmente parece querer chegar, talvez cansaço, talvez comungar um pouco da indiferença a que todos são devotos. Seja o que for, hoje por aqui, não se come feijoada. Pode-se fumar um cigarro, beber um copo, calçar as pantufas, ligar a televisão e “prontos”, deixemos  que os outros nos conduzam até ao sono, que mais tarde ou mais cedo, chegará.

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Ainda pensei falar-vos um pouco de arquitectura, do único exemplar típico da casa portuguesa que existia em Chaves, que todos achavam bonita, que todos tinham pena de estar entalada pela modernidade do betão, que marcava a diferença e também fazia um pouco da história cá da terra. Enfim, engolida pelo betão, ninguém chorará uma lágrima sobre as suas cinzas… afinal estava desenquadrada do ambiente, dizem, por isso, para que andar “práqui” com merdas e requiens se, à única música a que terá direito será a das concertinas, tambores da Venda Nova e cabeçudos que desfilem pela rua na próxima festa.

 

Não, hoje não quero feijoada. Já disse, não me apetece.

 

De parte o intróito…esqueçamo-lo. Vamos mais uma vez a Miguel Torga, que como um bom poeta morto, deixou palavras para a posteridade e para os que ficam. Palavras, simples palavras para pensar e reflectir, os que conseguem, claro!

 

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Chaves, 20 de Setembro de 1963

 

Musa Ausente

 

Falta a luz dos teus olhos na paisagem:

O oiro dos restolhos não fulgura.

Os caminhos tropeçam, à procura

Da recta claridade dos teus passos.

Os horizontes, baços,

Muram a tua ausência.

Sem transparência,

O mesmo rio que te reflectiu

Afoga, agora, o teu perfil perdido.

Por te não ver, a vida anoiteceu

À hora em que teria amanhecido…

 

Miguel Torga, In Diário IX

 

 

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