Cidade de Chaves - Um olhar
Rua Direita

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Com todos os sábados aqui no blog, trazemos uma aldeia do concelho de Chaves, seguindo a ordem alfabética. Já vamos na letra V e hoje é a vez de Ventuzelos.

Trazemos aqui algumas imagens inéditas que escaparam às últimas seleções dos posts dedicados à aldeia, o que não foi fácil, pois é uma das aldeias que já passou por aqui algumas vezes, não só pela aldeia em si, mas também pelo seu santuário de Santa Bárbara, onde com alguma frequência vamos, não por devoção, mas para descansar o olhar e porque não o espírito, pois a paz que por lá se vive recomenda-se.

Santa Bárbara desde onde se podem lançar olhares até Vila Pouca de Aguiar, até ao Barroso, até a cidade de Chaves grande parte do concelho e para a Galiza, e se não fosse a Serra do Brunheiro, entraríamos ainda no concelho de Valpaços e avistaríamos todo o concelho de Chaves.


Quanto à aldeia de Ventuzelos, é também uma aldeia simpática, com todas as características de aldeia de Montanha, comungando as suas virtudes e não virtudes, ou maleitas, a atual, é a do despovoamento e envelhecimento da população.


Trazemos também aqui aquele que já se tornou habitual nos posts das aldeias, o vídeo com todas as imagens publicadas até à presente data no Blog.
Ficam também os links para os anteriores posts dedicado a Ventuzelos e Santa Bárbara:
https://chaves.blogs.sapo.pt/santa-barbara-chaves-portugal-1839112
https://chaves.blogs.sapo.pt/ventuzelos-chaves-portugal-1360410
https://chaves.blogs.sapo.pt/santa-barbara-mais-uma-vez-1051864
https://chaves.blogs.sapo.pt/849701.html
https://chaves.blogs.sapo.pt/432787.html
https://chaves.blogs.sapo.pt/273251.html
https://chaves.blogs.sapo.pt/151365.html


CERDEIRA
Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Cerdeira, freguesia de Salto, Concelho de Montalegre.


Para compensar essa falta, hoje deixamos aqui mais algumas imagens de Cerdeira que escaparam à seleção inicial.

E agora sim, o vídeo com todas as imagens de Cerdeira publicadas até à presente data neste blog. Espero que gostem.
Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Cerdeira:
https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Hoje ficamos pela Rua do Rio com algumas curiosidades bem à vista de todos, mas que muitas das vezes nos passam ao lado, principalmente quando por lá passamos sem um olhar virgem, livre de ruídos. Curiosidades que para as ver podemos recuar, se necessário, um pouco no tempo, mesmo sem lançar mão da história. Ora comecemos pelo topónimo de Rua do Rio, um daqueles topónimos populares que nasceu naturalmente, tudo, porque esta rua dava acesso e entrava diretamente no rio, daí, para quê batizá-la com outro nome. Há fotografias antigas onde se vê a rua assim, a entrar no rio, tal como se vê nessas mesmas imagens algumas pessoas a atravessar o rio a pé ou até com carros de bois e carroças, isto muito antes do atual espelho de água, pela certa (certezinha) que tal só acontecia de verão, em que o rio se transformava em lameiras e areais, com um pequeno curso de água que era aproveitado para lavar roupa. Se repararem bem, na margem esquerda do Tâmega, na Madalena, na direção desta rua, existem umas escadas, e para que servem as escadas!? Bem, hoje em dia não servem para nada, mas tempos houve em que eram escadas de serviço para quem atravessava o rio, tal como do lado oposto da ponte, existe uma rampa que entra pelo rio adentro, e não era para os barcos fazerem cargas e descargas, mas antes, para as tais carroças e carros de bois saírem e entrarem no rio para as suas travessias. Outros tempos.

Agora reparem no casario desta rua, em alguns pormenores construtivos que demonstram bem o assédio que este naco de terreno, junto à ponte romana, teria sofrido aquando da construção deste prédios adossados à ponte, e a rentabilidade que então se tirou de cada pedacinho de terreno com menos de 100m² cada, onde se construíram prédios com 6 pisos, isto há uns bons 150 a 200 anos, mais coisa menos coisa, reparem como as construções vão ganhando espaço aéreo, lançando-se sobre a rua, nos 3 primeiros pisos, com consolas, sobre consolas, uma autêntica obra de engenharia, no tempo em que o betão não existia, isto para não falar do betão armado, modernices já do século XX. Aqui, em termos estruturais, quase e só se aplicavam dois tipos de materiais, a pedra e a madeira, cada um com sua função estrutural conforme o fim e características do material, a pedra para paredes em esforços de compressão e a madeira para esforços de tração, em soalhos, coberturas e varandas, onde a madeira pela sua leveza e resistência, permitiam consolas às quais a pedra não resistiria, sendo também esta (madeira) a preferida para os pisos mais altos, mesmo para paredes, aqui também pela sua leveza e facilidade de maneio, sem desprezar a sua resistência, quando muito, ou melhor, quase sempre, principalmente nos interiores, recorria-se às paredes estucadas, em que o estuque ou argilas eram aplicadas sobre um fina estrutura de madeira, geralmente constituída por pequenas réguas de madeira espaçadas e armadas em xadrez de forma a que o estuque ou argilas pudesse atravessar essa estrutura para ganhar melhor preza e resistência. Tal como disse no inicio, basta ir com olhos de ver para ver tudo isto nas construções e ruas mais antigas da cidade. E com esta me bou!

Mais um regresso à cidade, hoje com duas imagens, uma de cada margem do rio como quem vem ou vai pela Ponte Romana.

Duas imagens e um pedido de desculpas a quem ontem veio ao blog à procura de um post sobre o Barroso, que era minha intenção publicar, mas como o assunto a tratar é importante demais para ser tratado de forma leviana, acabei por gastar todo o meu tempo em pesquisas e a documentar-me, para além de construir várias imagens para defender a minha ideia sobre o assunto, pelo menos para poder argumentar na sua defesa, o que até nem é difícil, pois na falta de documentação factual sobre o tema, qualquer teoria pode ser válida, embora saiba de antemão que a minha, embora possível, vai andar longe da realidade, não a atual, mas a histórica, onde muita gente já se fartou de inventar, tanto, e tanta vez, que hoje é uma realidade, pelo menos oficial, válida ou não. Assunto que poderá ser um pouco polémico, mas que quero abordar de uma forma romântica, daquelas em que mesmo que não tenha toda a razão, gostaria de a ter, como quem diz, não é assim, mas devia ser… Seja como for tenho toda uma semana para refletir e amadurar o assunto, e no próximo domingo, cá estará então esse post sobre o Barroso.

Também nós entardecemos com estes entardeceres
mas vale a pena entardecer assim
na nossa cidade, junto ao Rio Tâmega.


O nosso destino de hoje é a aldeia de Pisões. Claro que quando falamos em Pisões, logo a primeira imagem que temos é a da barragem do Alto Rabagão, mais comummente conhecida por barragem dos Pisões. Daí, este post vai ser dedicado à aldeia, mas também um pouco à barragem. Não um post completo como inicialmente tinha pensado, mas um post como habitualmente temos vindo a fazer com as restantes aldeias de Barroso. O post completo sobre a barragem, ficará para mais tarde.
Falar sobre a aldeia dos Pisões não é coisa fácil, bem procurei documentos antigos sobre o local, mas sinceramente, os mais antigos que encontrei, referem-se todos aos finais dos anos 50 do século passado, ou seja, apenas referência aos Pisões já na era da construção da Barragem.

Na ausência de documentos disponíveis e falta de tempo e meios para ter acesso a outros que me poderiam esclarecer, arrisco, e pode ser pura ignorância minha, mas tudo me leva a crer que a aldeia dos Pisões não existia antes da construção da Barragem. A verdade é que as barragens acabam por ocupar as terras mais baixas em ambas as margens dos rios, terras que geralmente são agricolamente ricas e a esses fins destinadas, erguendo-se os aldeamentos em terras mais altas. Encontrei no entanto, na monografia de “Barroso” e na “Toponímia de Barroso” dados que parecem corroborar esta minha afirmação, quando lá se refere “ (…)as gigantescas albufeiras ocuparam alguns dos nossos melhores vales de cultivo e de forragens (…)” E “(…) Agora chama-se Pisões por influência dos muitos trabalhadores de fora parte que ao local se dirigiram e aqui residiram por vários anos na construção da barragem. Para os barrosões sempre foi apenas Pisão.”

Ora de Pisões para Pisão a diferença é enorme, quando muito, o Pisão teria uma ou duas construções destinadas, tal como o nome indica, a ter um pisão, que esses sim, tal como os moinhos de água, também se localizavam junto a rios e ribeiros para o funcionamento do pisão. Mas também se pode dar o caso de ser uma pequena aldeia, pelo menos, nas minhas pesquisas tropecei com uma pequena aldeia cujo topónimo é Pisão, mais propriamente a aldeia de Pisão, do concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu. Mas não me parece que tal acontecesse neste pisão do rio Rabagão.

Partindo então desse princípio de que a aldeia dos Pisões nasce com a construção da barragem, podemos dizer que é uma aldeia sem história antiga, pois a sua história é bem recente, começando em 1958, data em que é projetada a Barragem do Alto Rabagão. Aliás mesmo que tivesse existido uma aldeia antiga, a mesma deixou de existir. De facto, aldeia dos Pisões de hoje, é a que resultou da construção da barragem, parte do seu casario ainda hoje existente, foi aquele que foi construído para albergar alguns dos 15.000 trabalhadores que durante 8 anos andaram na construção da barragem, altura em que na prática existiu uma pequena cidade de apoio, com residências dos trabalhadores mas também muitos outros edifícios de apoio a essa mesma população laboral mas também para os seus familiares, como escola, hospital, igreja, lojas de venda, laboratórios, armazéns, etc., o típico num estaleiro de uma construção da envergadura destas, como o foi a Barragem dos Pisões (a maior barragem portuguesa até aparecer a de Alqueva), mas também equipamentos para diversão, como bares e um cinema.

Pois dessas construções apenas as residências dos trabalhadores das duas classes que por lá se estabeleceram resistiram até hoje, por um lado todo o pessoal operário que ocupou construções mais humildes, construídas do lado inferior da EN 103, por outro lado, os engenheiros, doutores e chefias, em moradias construídas no lado superior da EN103, onde foi também construída uma estalagem ainda hoje existente.

Antes de avançar acho que devo deixar aqui uma pequena nota explicativa, aliás é uma nota que há muito, talvez desde o início da feitura destes posts dedicados às aldeias de Barroso, que deveria ter deixado aqui. Como bem poderão reparar durante o decorrer deste post, desta parte de cima da aldeia que atrás mencionava, a das vivendas para pessoal que trabalhou na barragem, não deixo aqui qualquer imagem, tal como nas restantes aldeias de Barroso não deixo imagens das construções e bairros recentes, e porquê!? Ora a resposta é simples, é que esse tipo de construções são iguais ou muito semelhantes às construções que há por todo o lado, tanto faz serem do Barroso, como do Douro, como do litoral, como do Alentejo ou em cascos de rolha, ou seja, não são características de uma região, neste caso do Barroso e daí desinteressantes para este tipo de publicações. Vou mais pelas construções típicas da região, que mesmo remodeladas ou reconstruídas, mantêm algumas das suas características originais, ou são mesmo originais e únicas, que só nessa região existem, no caso do Barroso, acontece por exemplo com os fornos do povo ou a casa do boi do povo no Alto Barroso, tal como acontece com a capa de burel no vestuário.

Deixo, no entanto, em imagem, as habitações mais humildes que eram destinadas ao pessoal operário, embora da mesma época das vivendas e não seguindo, ou não tendo as características das construções tradicionais do Barroso, não deixam de ser interessantes do ponto de vista arquitetónico, pelo menos no seu conjunto, nestas soluções que se encontravam de em pouco espaço conseguirem fazer habitações, garantindo condições mínimas de habitabilidade, apenas as necessárias ou nem isso. Basta dizer que uma vivenda da parte superior da estrada, está implantada num lote de terreno com mais ou menos 1000m², área que na parte inferior da estrada é ocupada por 6 habitações.

Hoje em dia, para além dessas construções atrás referidas e algumas instalações ligadas ao funcionamento da barragem, apenas existem algumas ruinas, poucas, dispersas pelo espaço da “pequena cidade” que por lá existiu, tal como testemunham as fotografias seguintes que consegui extrair de um filme da época:
Assim pouco ou mais nada há a dizer sobre a aldeia dos Pisões, apenas referir que existe uma nova aldeia, com ambas as partes (a de cima e a de baixo da EN103) ainda habitadas, não sei se por pessoas que trabalham na barragem e se, e mesmo, por antigos trabalhadores do tempo da construção da barragem, ou seus descendentes, não sei.

Quanto à barragem do Alto Rabagão ou se preferirem, dos Pisões, foi projetada em 1958 e concluída/inaugurada em 1964, foi o primeiro aproveitamento construído em Portugal com o objetivo principal de regularização interanulai, represando água em anos húmidos, para aproveitá-la na produção de energia em anos secos.
Esta barragem foi também a primeira a ser dotada com equipamento de bombagem (grupos ternários, turbina-alternador-bomba), destinado a elevar, para a sua albufeira, água da albufeira de Venda Nova, localizada imediatamente a jusante e que já estava em funcionamento desde 1951.

A barragem do Alto Rabagão localiza-se na bacia hidrográfica do rio Cávado sendo uma das oito barragens que constituem o sistema hidroelétrico Cávado-Rabagão-Homem. Este sistema é constituído pelas seguintes barragens: Alto Rabagão, Alto Cávado, Paradela, Venda Nova, Salamonde, Caniçada, Vilarinho das Furnas e Penide – situadas nos rios Cávado, Rabagão e Homem. As albufeiras que alimentam as centrais do sistema têm uma capacidade de armazenamento total de 1 121 hm3 , dos quais 65% correspondem à albufeira do Alto Rabagão.

A albufeira do Alto Rabagão, tem 94m de altura, apresenta um comprimento de cerca de 10 km, e uma largura que varia entre os 2 e os 4km, mais de 50km de perímetro e inunda uma área de 2 224 ha, ao Nível de Pleno Armazenamento (NPA), que é de 870.8 m, e tem uma capacidade total de armazenamento de 568.7 hm3 .

Na página do município da Internet, podemos ler o seguinte (as notas de rodapé são nossas)
(…) Uma obra classificada como uma das mais notáveis da engenharia nacional. O presidente da Câmara Municipal de Montalegre lembra que estamos perante um investimento que foi «planeado e pensado por técnicos nacionais». Orlando Alves afirma: «foi durante muitos anos a maior barragem do país. Só recentemente fomos superados pela barragem do Alqueva e não temos complexo nenhum em ser a segunda porque durante muitos anos fomos a primeira».

E continua:
A história relata que 15.000 pessoas trabalharam em torno da construção da barragem dos Pisões. Um número gigantesco[i] que impressiona e que serve para avaliar o impacto que este investimento representou para Portugal[ii]. O autarca lembra que estamos perante um «potencial hidráulico e energético que a região tem e que foi sabiamente explorado pela EDP».
Sem se deter, o presidente do município puxa pela memória para partilhar: «lembro-me da construção da barragem dos Pisões e do impacto social que teve. Era uma pequena cidade, tinha tudo: cinema, igreja, hospital, médicos, diversão e muita animação». Foi, reforça, «um dos momentos mais ricos da vida recreativa e social em todo o território barrosão».

E continua:
PEDIDOS DO PRESIDENTE
Orlando Alves aproveitou a efeméride para lançar alguns pedidos à EDP: «o reposicionamento da brigada de intervenção que sempre aqui existiu... não faz sentido nenhum retirá-la porque isso atrasa as intervenções, deixando as nossas populações por vezes dias e dias sem eletricidade. Um outro pedido foi refazer-se um ou dois pisões em Montalegre. Trata-se de um equipamento pré-industrial que existia, de trabalhar o burel, esse elemento toponímico que deu o nome à terra. Faria todo o sentido a EDP ver a sua dinâmica interventiva ligada á recuperação deste património tão identitário da nossa terra».[iii]

No que respeita à obra, continua assim:
O aproveitamento hidroelétrico do Alto Rabagão é formado pela pequena barragem do Alto Cávado[iv], localizada na parte alta do rio Cávado, e pela barragem do Alto Rabagão, localizada no seu afluente da margem esquerda, o rio Rabagão. Com nascente entre as serras do Barroso e do Larouco, atravessa todo o concelho de Montalegre ao longo de 37 quilómetros. O corpo da barragem do Alto Rabagão, também conhecida por Pisões, possui secções distintas, uma no centro, com uma cúpula parabólica assimétrica, e duas laterais, em perfil gravidade, desenvolvendo-se ainda com um coroamento de 1.970 metros e uma altura máxima de 94 metros.

E continua:
A pequena barragem do Alto Cávado, do tipo gravidade, com 26 metros de altura e um coroamento de 220 metros, origina uma albufeira de derivação, que encaminha os caudais do rio, através de um túnel de 5km, para a grande albufeira do Alto Rabagão. Em situação de afluências de maior intensidade, o seu descarregador, em lâmina livre, permite uma passagem do caudal diretamente para o rio Cávado. Junto à barragem principal encontra-se a central subterrânea, que comporta os dois grupos turbina-alternador-bomba, verticais, de 45 MVA cada. [v]

E ainda:
As bombas são acopláveis aos veios dos grupos, por meio de um dispositivo tipo embraiagem, e possibilitam a bombagem da água da albufeira de Venda Nova para a do Alto Rabagão. O edifício de comando estabelece a comunicação com a central através de um poço com 130 metros de profundidade. Adjacente a este edifício localiza-se a subestação exterior, com dois transformadores principais de 45 MVA cada e uma linha de 150 KV sobre o barramento simples, a qual permite a entrega à rede da energia produzida.

Ainda a respeito da Barragem do Alto Rabagão ou Pisões, para ficarmos com uma pequena noção ou referência da sua dimensão, há a referir que confronta com 5 freguesias (Chã, Cervos, Morgade, Negrões e Viade de Baixo/Fervidelas) e com 13 aldeias: Chã/S.Vicente, Aldeia Nova, Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões, Lama da Missa, Pisões, Friães, Viade de Baixo, Parafita, Penedones e Travassos da Chã. Destas as que entram quase pela barragem adento quando a barragem está no seu limite de capacidade são Criande e Morgade, Negrões e Vilarinho de Negrões, nesta última aldeia, a água da barragem chega mesmo a tocar em algumas casas.

Vamos agora àquilo que se diz sobre os Pisões na monografia “Montalegre”. As notas de rodapé continuam a ser nossas.
Ainda antes de passarmos às transcrições, ficámos também a saber pela monografia da existência de um castro numa das elevações que emerge logo após a barragem sem as águas o atingirem, onde existem ainda vestígios de construções, trata-se do castro de S.Vicente.
Agora sim, as citações da monografia “Montalegre” a respeito da aldeia e da barragem:
Para além do Parque Nacional a natureza continua presente em Barroso. Nos grandes planaltos nascem os rios, como é o caso: na segunda maior serra nacional – o Larouco, nasce o segundo maior rio nacional – o Cávado; ali bem perto nasce o Regavão[vi] e logo ao lado o Beça – três rios extremamente ricos que a administração pública alienou prejudicando os montalegrenses: neles se fizeram enormes barragens para fornecer energia aos grandes centros e às zonas industrializadas mas o fornecimento de energia que nos reservaram é deplorável; depois, via Serviços Florestais e Aquícolas, lançaram nas nossas águas espécies assassinas de peixes que levaram à extinção os maravilhosos e incomparáveis escalos e trutas indígenas; as gigantescas albufeiras ocuparam alguns dos nossos melhores vales de cultivo e de forragens. Enquanto isso, o barrosão emigra…e “come o pão que o diabo amassou pelo mundo além”! Agora vem aí outra “agressão” se os homens bons desta terra (a começar pelo Presidente da Câmara) se não acautelarem!...A mãe de todas as barragens barrosãs – a Barragem de Pisões – vai dar água a metade do distrito de Vila Real! Primeiro ficámos sem os campos, agora pagamos a energia (fraca e incerta) tão cara como os mais e, mais tarde, nem campos, nem peixes, nem água!!! A ver vamos!

E continua:
O granito de cada zona (a carta geológica refere como principais tipos o de Montalegre - Pondras-Borralha, o de Vila da Ponte, o de Parada, o de Pisões, o de Telhado, e o granitoide de Seselhe) era o material de construção por excelência. Os telhados tanto podiam e podem ser de duas como de quatro águas. Mais de duas, geralmente com guarda-ventos. Hoje a cobertura é de telha; aliás, o colmo, no acto das debulhas que hoje se praticam, não sai em tão boas condições de ser utilizado como era antigamente.

E continua:
Talvez nenhuma outra região europeia tenha tão perto e tão diferentes seis barragens à sua espera: Salamonde, Venda Nova, Paradela, Salas (Tourém), Seselhe e Pisões.Se é adepto das aventuras aéreas, procure a Papa-Ventos, associação que o acompanhará numas manobras de parapente ou asa-delta; se prefere as adrenalinas do pedal, coma bem para tentar fazer subidas iguais às da Torre ou da Senhora da Graça; se gosta do pedal das viaturas apareça nas manifestações de velocidade no nosso Autódromo; se quer paz no espírito e deliciar os olhos e o corpo todo, dê um mergulho nas piscinas naturais da Abelheira, no Parque Nacional.

E ainda:
Há ainda pequenas associações culturais em vários pontos que são dignas de referência: a Borda de Água, em Salto, os Amigos das Barragens, em Pisões, e os centros paroquiais de Viade e Vila da Ponte com pequenos museus locais. Neste último há ou havia uma colecção de peças de trajo de finíssimo recorte e que merecia a atenção da administração pública pelo valor histórico, etnográfico e folclórico que carrega.

Vamos agora à Toponímia de Barroso:
Pisão / Pisões
Do latino Pisone. Claro que não recuamos até esta forma que também foi antropónimo. No nosso caso é o maquinismo de pisar a lã na tecelagem artesanal e, por sinal, arte antiquíssima. Pela forma intermédia pison, chegámos ao frequentativo pisoar, quando não apisoar, como o povo dizia. Agora chama-se Pisões por influência dos muitos trabalhadores de fora parte que ao local se dirigiram e aqui residiram por vários anos na construção da barragem. Para os barrosões sempre foi apenas Pisão.

E estamos a caminhar para o final deste post, mas ainda há tempo para deixarmos aqui o nosso itinerário para chegar à Barragem e aldeia dos Pisões, quase desnecessário, pois bastaria indicar-vos a estrada nacional 103 ou, se preferirem, a estrada de Braga até encontrarem a barragem. Ninguém, na passagem por ela lhe fica indiferente, graças à sua dimensão e companhia durante mais de 10 km. Pois bastava dizer – sigam pela EN103 até encontrarem a barragem, depois basta seguir sempre junto a ela até terminar e aí estarão na aldeia dos Pisões. Bastaria isso e é mesmo apenas isso que aqui vai ficar, bem como o nosso mapa.

Claro que quem quiser tornar mais interessante esta pequena viagem, poderá tomar outros itinerários, um deles via São Caetano, Soutelinho da Raia, Serraquinhos, Zebral, Barracão e outro via Boticas, Alturas do Barroso. Mais ainda, e tomando o primeiro itinerário por nós recomendado, poderá no Barracão, optar por abandonar a EN103 e ir até à aldeia dos Pisões via Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões, Lama da Missa. Aliás recomendo mesmo que se forem sempre pela EN103 até à aldeia dos Pisões, ou seja pela margem direita da barragem, no regresso, o façam pela margem esquerda, atravessando na ordem inversa as últimas aldeias atrás mencionadas. Vale a pena conhecer esse troço e passarão por uma das aldeias que foi candidata às maravilhas de Portugal - Vilarinho de Negrões.

E por último o vídeo do costume, com todas as fotografias da aldeia dos Pisões publicadas neste blog até à presente data, mas hoje, além das fotografias da aldeia, temos também fotografias da barragem e das aldeias implantadas à volta da barragem. Espero que gostem.
BIBLIOGRAFIA
BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.
BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.
WEBGRAFIA
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[i] Um número gigantesco que ultrapassa a população atual do concelho de Montalegre que segundo os CENSOS de 2011 apenas tem 10 537 habitantes.
[ii] Impacto muito mais notório no concelho de Montalegre, principalmente ao nível de aumento da população durante os anos de construção da barragem.
[iii] Um pedido que faz todo o sentido e que bem poderia ser alargado ao tratamento e manutenção de todo o espaço ocupado por anteriores construções de apoio e estaleiro, onde inclusive há lixeiras a céu aberto e na demolição e remoção de escombros de alguns edifícios que por lá ainda existem em ruínas, ou então a sua reconstrução e aproveitamento para fazer, por exemplo, um museu da barragem. Com o preço a que nos vendem a eletricidade, bem poderiam largar algum, para além de “ficarem bem na fotografia”.
[iv] Suponho que seja aquela a que chamamos barragem ou albufeira de Sezelhe, localizada à aldeia com o mesmo nome, outra não poderá ser.
[v] Diz que conhece que por baixo destas barragens existe todo um mundo subterrâneo, incluindo estrada de ligação.
[vi] Para constar e salientar que não há erro nosso quando no post referimos rio Rabagão e barragem do Alto Rabagão, é assim que oficialmente se deve escrever. O autor da monografia “Montalegre” que por sinal também é o autor da “Toponímia de Barroso” é que insiste, em ambas as publicações, grafar nos seus escritos Regavão em vez de Rabagão.

De regresso à cidade pela Madalena (em obras) e Ponte Romana.

Ontem, dia 20 de janeiro, como todos os anos, um pouco por todo o lado, mas principalmente no Barroso de Boticas e de Montalegre, festeja-se o São Sebastião com festas comunitárias. Este ano fomos a uma delas (Vila Grande de Dornelas), e passámos por outras duas (Cerdedo e Alturas do Barroso). Pois, muito resumido, mesmo muito, deixamos aqui a Festa da Mesinha de São Sebastião da Vila Grande, freguesia de Dornelas, concelho de Boticas, em cinco olhares da festa, mais um extra.

Como sempre a primeira imagem é a da chegada à aldeia e descida para a “casa dos potes”. Dependendo do ano, esse troço de rua logo pela manhãzinha, recebe-nos com chuva, com céus carregados, com geada e leves neblinas, com neve ou com sol radiante como foi o caso deste ano, mas com um frio de rachar, ou pelo menos com essa sensação, coisa que acontece sempre quando os ares vêm de norte, da Galiza. Claro que logo pela manhãzinha, poucos são os que andam por lá para além dos que estão (já há dias) a trabalhar para a festa e que na “casa dos potes”, têm sempre um pote cheio de sopa para servir aos mais madrugadores, como nós, que já somos fãs dela (da sopa, nem tanto do madrugar). Posso-vos dizer que é a melhor sopa do mundo… e se não for, para mim é a que melhor me sabe, até nos esquecemos do frio enquanto a comemos.

Depois da sopa, há que fazer a obrigatória visita à “casa dos potes” este ano contei 23, e não são potinhos, são “potões” tamanho XXL. Esta casa, para além dos potes, dá abrigo também ao pão, que durante duas semanas foi sendo cozido para ser servido na mesinha do santo ou para quem quiser levar para casa. É também nesta casa dos potes e do pão que tudo se faz (arroz e carne), para servir o almoço a todos os forasteiros, que ao meio dia já serão milhares ao longo da rua principal da aldeia, em frente à mesa mais comprida que conheço, com “apenas” uns 470 metros, mais metro, menos metro. Claro que toda esta comida, antes de ser servida, é benzida após a missa das 11 (horas), e só depois vai à mesa sobre toalha de linho.

Lá diz o povo “merenda comida, companhia desfeita”, e todos sabemos que o povo tem sempre razão. Aqui também não é exceção, após degustado o pão, o arroz e o naco de carne, a Vila Grande volta à normalidade dos dias, ou quase, pois é preciso levantar, encartar e guardar a mesa para o próximo ano, lavar os potes, arrumar a casa… enquanto isso, os forasteiros dirigem-se quase todos até à festa mais próxima, nas Alturas do Barroso, onde os espera um pão, um copo de vinho e uma feijoada, e esta festa, sim, entra pela noite dentro até não haver mais forasteiros na rua. Mas há ainda os que depois passam por Salto. Desta não vos posso dar informações, pois apenas sei que existe, mas nunca lá fui. Para que conste, a primeira destas festas comunitárias acontece em Cerdedo, a poucos quilómetros da Vila Grande e igualmente do concelho de Boticas. Passámos por lá na hora da missa, mas quase nem parámos, por isso, também não tenho pormenores, apenas sabemos que existe e aquilo que nos contaram, mas nós gostamos de deixar aqui o relato da nossa experiência ou viver da coisa. Talvez para o próximo ano fique por aqui Cerdedo.

Em geral regressamos a casa já bem de noite, mas como já conhecemos bem os cantos das festas da Vila Grande e das Alturas do Barroso, resolvemos regressar mais cedo, ao anoitecer, ainda com tempo para uma passagem e paragem em Montalegre e depois sim, o regresso a casa, que gostamos de fazer sempre via Pedrário, onde não resistimos a fazer uma paragem sempre que a mesma nos é solicitada por um olhar diferente. O de ontem, a coincidir com a última foto do dia, é um olhar sobre o anoitecer da Serra do Larouco.

E como as promessas são para cumprir, para o ano lá estaremos “se Deus quiser”, tal como diz o povo, e nunca esqueçam que o povo tem sempre razão...

De regresso à cidade com um pormenor...apenas!
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A minha terraÉ este chão antigoonde o fermento do ...
não indique onde se encontra, rua etc..
Olá Soledade, quando li o comentário, assustei-me,...
SÓ fui uma vez a Via Frade mas gostei muito da ald...
Foi uma surpresa para mim encontrar este meu texto...