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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Out18

5 de Outubro - Dia da Implantação da República

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Chaves - Praça da República

 

Hoje, dia 5 de outubro, comemora-se o dia da Implantação da República em Portugal e nós, blog, mas com este nós alargado a todos os flavienses, não devemos ficar estranhos a este dia, por várias razões que nos ligam à História da República Portuguesa, principalmente à 1ª república e à 3ª República.

 

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Na 1ª República a cidade de Chaves fica a ela ligada por dois acontecimentos. O primeiro com o início da República com os acontecimentos do dia 12 de julho de 1912 em que acontece o “outro dia da implantação da República” quando em Chaves se trava a última tentativa armada dos Monárquicos comandados do Paiva Couceiro retomarem a Monarquia, e que faz com que Chaves seja hoje consagrada e reconhecida em Portugal pelos “Defensores de Chaves” que até dá nome a uma das principais Avenidas da capital e Chaves tenha nesse dia o seu feriado municipal “Dia do Município”. O Segundo acontecimento prende-se com o fim da 1ª República e a “Noite Sangrenta” em que o flaviense Dr. António Granjo, então primeiro Ministro de Portugal é assassinado em Lisboa.

 

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Estátua de António Granjo, em Chaves

 

Mas Chaves está também ligado à “implantação” da 3ª Republica (pós 25 de abril) pelo ser de outro flaviense, o Marechal Francisco da Costa Gomes, como Presidente da República em que ficará para sempre na História de Portugal como um dos principais obreiros da instauração da democracia em Portugal (siga os links no nome ou imagem para ficar a saber mais deste Ilustre Flaviense).

 

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Assim fica, ainda um pouco da História da implantação da República, que não faz mal a ninguém, em vídeo:

 

 

 

Mas também com um Trailer do filme a “Noite Sangrenta”, filme que está disponível em episódios no youtube.

 

Noite sangrenta

 

 

 

 

E por fim um artigo da revista Sábado sobre a noite sangrenta e a morte de António Granjo:

 

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Segundos antes de morrer, António Granjo ouviu o desprezo dos algozes: "Supunhas que escapavas?!" O presidente do ministério (equivalente a primeiro-ministro) demissionário estava escondido num quarto simples do primeiro andar da casa da guarda no Arsenal da Marinha. "Matem-me, que matam um bom republicano." Os três militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e um número desconhecido de marinheiros - provavelmente já bem bebidos pelas celebrações da revolta que na manhã desse 19 de Outubro de 1921 depusera o governo de Granjo - dispararam, em raiva (houve quem falasse em 400 tiros). Quando o político liberal tombou, em agonia, deram-lhe uma coronhada que lhe partiu o maxilar e um clarim da Guarda, que lideraria o grupo, rasgou-lhe o tronco com um sabre e gritou: "Vejam de que cor é o sangue de porco!" 

António Granjo, 39 anos, era um homem alto, encorpado, de sorriso fácil. Mas os que o viram no necrotério, com muita dificuldade identificaram algum desses traços: balas na cabeça, pescoço, braços e pernas, o rosto inchado em resultado da coronhada, o colete e a camisa rasgados pela baioneta que lhe trespassara o peito. Depois dele, a carrinha que ao início da noite transportara Granjo até ali sob falsas promessas de protecção (e que ficou para a história como camioneta-fantasma) voltou a deixar o Arsenal, junto ao Terreiro do Paço, à procura de nova vítima: José Carlos da Maia, maçon, destacado oficial no 5 de Outubro, deputado à Constituinte e ministro da Marinha nos tempos de Sidónio Pais. Este capitão-de-fragata, de 43 anos, era vítima de um daqueles boatos que surgiam para fazer cair governos e faziam crescer o ressentimento nos militares: dizia-se que ele enviara os marinheiros rebeldes do 18 de Janeiro de 1918 para África. Era mentira. 

O Dente de Ouro 
Ganha protagonismo, a partir daqui, o cabo Abel Olímpio, o Dente de Ouro, um desconhecido que aparece nos livros como uma espécie de capataz desta noite sangrenta. Era ele que, durante a viagem até à Rua dos Açores, perto do Jardim Constantino, lembrava o papel desdenhoso de José Carlos da Maia às talvez duas dezenas de GNR, marinheiros e civis que seguiam na caixa da camioneta-fantasma. Foi ele que, pelas 23h, deu voz de prisão ao capitão-de-fragata. Aos pedidos de clemência de Berta Maia, que tinha o filho de 6 meses ao colo, o Dente de Ouro fez crescer a mentira: "Foi por causa deste que os marinheiros foram deportados para África, no tempo do Sidónio. Também a minha mãe morreu de dor quando me mandaram para lá." Ora, ele não fora deportado e a mãe estava viva. 

A caminho do Arsenal, gritava ainda o cabo Olímpio: "Cá está o Barbas de Chibo! É preciso liquidar este bandido, foi ele quem deportou os marinheiros!" Já no interior do recinto, as tropas aplaudem-no, os oficiais pouco intervêm e José Carlos da Maia é liquidado com um tiro de pistola na nuca enquanto tenta fugir. 

Dois mortos. Mas a "noite infame", como a recordaria o escritor Raul Brandão, ainda não acabara. Ainda seriam assassinados o motorista Carlos Gentil por ter criticado a onda de mortes e o capitão-de-fragata Carlos Freitas da Silva, aparentemente em substituição do seu antigo chefe, o ex-ministro da Marinha, Ricardo Pais Gomes, que estaria em Viseu. A camioneta pararia ainda junto ao nº 14 da Rua José Estêvão, para perpetrar um golpe contra o chamado pai da República, António Machado Santos, 46 anos, invejado pela sua pensão vitalícia e apodado de traidor pelos marinheiros que o viram a passar revista às unidades desarmadas num golpe contra Sidónio Pais. O Dente de Ouro prosseguia com a sua lengalenga: Machado Santos era mais um dos que castigara os marinheiros. E, escreve Jaime Nogueira Pinto em Nobre Povo - Os Anos da República, fora a fonte do desprezo a que os soldados que combateram no 5 de Outubro tinham sido votados desde então. 

À 1h30, o almirante parou de resistir e aceitou acompanhá-los até ao Arsenal. Saiu para a fresca madrugada de 20 de Outubro vestido à civil, com o tabaco no bolso, mas o seu destino terminou antes do que supunha: no Largo do Intendente, o motor da carrinha avariou e foi fuzilado. 

Os ocupantes da carrinha, cujo número variava em função do serviço e cujo teor alcoólico parecia subir com o avançar das horas, ainda deixaram às portas da morte o coronel de Cavalaria Carlos Botelho de Vasconcelos, que diziam os boatos (mais uma vez os boatos) "mandara os marinheiros beber água" nos tempos de Sidónio Pais. A frase depreciativa - verdadeira ou não - nunca foi perdoada. Mas a liderar o seu pelotão de fuzilamento estava o sargento Heitor Gilman, que tinha outros motivos: queria vingar-se do homem que o interrogara durante o dezembrismo. Em frente da Câmara Municipal de Lisboa, Gilman mandou o velho coronel encomendar "a alma ao diabo" antes de disparar.

Mais uma vez, os oficiais do Arsenal nada fizeram para evitar o fuzilamento. Só apareceram quando Botelho de Vasconcelos já estava tombado, mas ainda vivo. Pediram que um sidecar da Cruz Vermelha (CV) o retirasse para o hospital. Gilman ainda voltou a disparar - e outros dois marinheiros manifestaram a intenção de fazer o mesmo - antes de o enfermeiro Henrique Alberto Teixeira o tapar com a bandeira da CV e declarar que estava protegido pela instituição. Só assim conseguiu afastá-lo daqueles homens "sedentos de sangue e cegos pelo ódio", recordaria mais tarde. Botelho Vasconcelos não resistiria aos ferimentos. 

Numa só noite, cinco mortos e outras tentativas de assassinato (entre elas do industrial Alfredo da Silva, que ironicamente seria apontado - mas nunca acusado - como financiador da operação). Como é que se derramou tanto sangue num dia que começara com um golpe quase não violento, coordenado por Manuel Maria Coelho, o célebre tenente Coelho da revolução de 31 de Janeiro de 1891? Apenas o segundo-tenente do secretariado naval, José Correia Júnior, fora ferido no Quartel de Marinheiros, em Alcântara. E, excepto na zona da Rotunda, onde os revolucionários se concentravam, cumpria-se o quotidiano na capital (a normalidade percebe-se também porque esta era a 25ª revolta da República): as lojas estavam abertas, os eléctricos circulavam, os bombeiros, a Cruz Vermelha e os hospitais, que se tinham organizado para responder às urgências, não foram necessários, recorda José Brandão em A Noite Sangrenta. 

O presidente falha os planos 
António Granjo, que fora avisado do golpe e na véspera garantira ter o exército do seu lado, demitira-se de manhã, já que todas as unidades militares e da polícia obedeciam às ordens da Junta Revolucionária. Para isto contribuiu a força da GNR, que tinha 14 mil militares e o melhor armamento do País e o facto de o exército estar deslocado em Mafra. Ao meio-dia, os representantes da Junta Revolucionária (coronel Nobre da Veiga, primeiro-tenente Serrão Machado, capitão Camilo de Oliveira e os civis Veiga Simões, Afonso de Macedo e Jacinto Simões) estavam na sala de recepção do Presidente da República, António José de Almeida, com decretos sobre a constituição do novo Governo. Tudo ia bem. Só que o chefe do Estado recusou-se a assiná-los. "Considero findas as minhas funções oficiais de Presidente da República", anunciou-lhes. Até às 17h, muitos o contactariam, nomeadamente o tenente Coelho. Ninguém o demoveu. "Mandem-me fuzilar, mandem-me prender, mandem-me exilar, mas eu não me desonro." 

Pelas ruas circulava, então, a primeira proclamação dos revolucionários: "Não cumprir as ordens de um Governo incompetente que procura defender apenas interesses pessoais e de partido é um dever de todos os patriotas." A mensagem foi mais uma acha atirada à fogueira de ódio a António Granjo, alimentado nos meses anteriores nas notícias nos jornais Imprensa da Manhã e Mundo sobre a sua intenção de desarmar a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Marinha. 

José Brandão diz à SÁBADO que "o País ficaria para sempre manchado por uma revolução da qual ainda hoje pouco se sabe". Aquela noite, de há 96 anos, foi marcada pela anarquia sanguinária e sobre o seu autor moral (se é que houve) nada se sabe. Treze dos 22 assassinos foram condenados a penas de prisão e degredo por um tribunal especial que tinha como promotor da justiça Óscar Carmona, futuro Presidente da República no Estado Novo. A mais gravosa foi a do cabo Abel Olímpio (10 anos na Penitenciária de Coimbra e 20 no degredo). Mas os oficiais, que "eram os mesmos da cúpula revolucionária e da Junta do 19 de Outubro", sublinha Jaime Nogueira Pinto em Nobre Povo - Os Anos da República, foram absolvidos das acusações de negligência criminosa e de cumplicidade activa por não impedirem os crimes dos subalternos. 

Teorias, houve muitas: que foram incitados por monárquicos que queriam vingar o regicídio, pelos do partido democrático que perdera o poder para Granjo (dos liberais), pelos maçons - e até por Espanha, que teria financiado a revolta para justificar a acção das suas tropas no país vizinho. Em treze anos, os portugueses viram assassinar o Rei D. Carlos, em 1908, o Presidente da República, Sidónio Pais, em 1918 e o chefe do governo demissionário. "Se o Regicídio é o prenúncio do fim da Monarquia, a Noite Sangrenta é o adivinhar do fim da República", diz José Brandão. "A República tinha cometido demasiados erros" para sobreviver e escancarava-se a porta para a ditadura militar de 1926. 

Artigo publicado originalmente na edição 702 da SÁBADO, de 12 de Outubro de 2017

 

 

Viva a República!

 

 

 

05
Out18

Discursos sobre a cidade

SOUZA

 

 

O FACEBOOK COMO UM INSTRUMENTO NO EXERCÍCIO DA CIDADANIA

 

 

Não confundamos.

 

As «amizades» do Facebook são de outra ordem.

 

A este propósito, veio-nos à lembrança uma das passagens de uma entrevista do recém-falecido Bauman, quando se referia ao Facebook, e aos «amigos» desta «rede».

 

Dizia ele tratar-se de uma pessoa solitária, numa multidão de solitários.

 

Será?

 

Só?...

 

Será como Bauman diz, a atratividade deste tipo de rede é que não cria compromissos, não estabelece verdadeiros laços humanos, ao não se efetuar uma conexão de verdade como aquela que põe face a face, corpo a corpo e olhos nos olhos as pessoas?

 

Será que este tipo de relação, no Facebook, não promove ou não cria, compromisso nenhum entre amigos?

 

Será que não estamos perante uma pura espetacularização da vida privada, em plena praça pública?

 

Que a essência desta relação está só, e apenas, no «conectar» e «desconectar» do «amigo», conforme a este lhe der na “real gana”?

 

Não provocando, assim, situações difíceis que o «desconectar» real de uma amizade concita - na rotura da mesma -, e que, até, pode ser traumática?

 

É certo que o Facebook está na moda. E que reflete um dos “sinais dos tempos” propiciados pela novas tecnologias da comunicação e da informação, no contexto de uma sociedade globalizada, como aquela em que vivemos.

 

Uma sociedade em que se acentua, de forma cada vez mais clara, os sinais identificadores da perda das identidades e das raízes dos cidadãos. Uma sociedade em que assistimos ao paradoxo de sermos cidadãos do mundo, graças às fantásticas inovações tecnológicas e, ao mesmo tempo, sentimo-nos isolados diante de uma realidade que, muitíssimas vezes, nos escapa do controlo.

 

O homem globalizado, do nosso tempo, é um homem fragmentado e eticamente confuso, num processo acelerado de homogeneização e uniformização.

 

Sabendo embora tudo isto, perguntamo-nos:

  • Será que as «amizades», os diálogos e trocas de opinião que «a rede» estabelece e propicia podem-se entender como uma nova forma de “espaço público”, compreendido como ambiente de convívio e de formação da cidadania, sobretudo num momento histórico marcado pelo isolamento cada vez maior dos indivíduos, engaiolados em espaços privados, em nítida demonstração de retrocesso e de vitória do individualismo, em detrimento das conquistas coletivas?

 

A pergunta pode ter duas respostas.

 

Pela nossa parte preferimos aquela que vê e se serve da «rede» como uma possibilidade de “alcance de campo” que esta propicia, ao ampliar as possibilidades de conhecimento e de “mobilização” do cidadão  em ordem à construção da polis.

 

Pela convivência com os seus pares, integrantes da comunidade a que voluntariamente “aderiu” e/ou à qual pertence.

 

Comunidade efetiva e afetiva de homens e mulheres livres. Solidários. Justos.

 

Que, em última instância, procuram o contacto equilibrado e harmónico com a mãe-natureza.

 

Sem pretendermos darmos lições a ninguém, sinceramente esperamos que, passado um ano, depois de serem eleitos para os novos cargos autárquico no nosso concelho, os nossos novos representantes saibam estar à altura dos desafios que hoje são colocados à nossa sociedade.

 

Que não se usem as novas tecnologias de comunicação e informação apenas como simples fachada, mas como um meio ou instrumentos de, todos, construirmos, em verdadeiro diálogo, a nossa polIs.

 

Procuraremos estar atentos…

 

António de Souza e Silva

 

 

04
Out18

Alminhas

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De vez em quando a Soledade Martinho Costa “rouba-me” umas fotografias para ilustrar os seus textos. Eu pago-lhe com a mesma moeda, e de vez em quando “roubo-lhe” os textos para ilustrar as minha fotografias. Claro que são roubos consentidos por ambos. Hoje fica mais um texto da Soledade, sobre alminhas, que tantas vezes me interrompem viagens, fazendo-me parar para as tomar em registo fotográfico. Vamos lá, então, às alminhas. O texto é da Soledade.

 

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«ALMINHAS»



O culto religioso das «Alminhas», designação pela qual são conhecidos piedosa e popularmente estes altares ou nichos propiciatórios em favor e memória dos defuntos, apresentam-se como pequenas construções, construídas em pedra ou cimento, guarnecidas por pequenas imagens religiosas, esculpidas em pedra ou barro, ou pintadas de forma singela em azulejo, alusivas aos santos ou ao Purgatório. É frequente encontrá-las erguidas à beira das estradas, nos caminhos, nas encruzilhadas, ou mesmo no meio dos campos, quer em locais ermos ou habitados. A revelar, quase sempre, o acto de mão piedosa, dado pela deposição de algumas flores, ou pelo acender de uma vela, lamparina ou candeia de azeite, cuja chama, a alumiar a noite, nos faz lembrar os que já não se encontram entre nós.

 

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Localidades há onde são entregues aos habitantes «correndo a roda às casa», a fim de que todos possam contribuir para a sua preservação, limpeza e alindamento. Aquele que a tiver a seu cargo deverá alumiá-la todas as noites até findar o seu mandato. Daí, o uso, mantido em certos lugares, de se realizarem «peditórios de azeite para as alminhas», ou proceder-se à entrega dele em cumprimento de promessa. É também usual efectuar-se uma novena, em que durante esses nove dias a pessoa que fez a promessa vai alumiar as «alminhas» e fazer orações.

 

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Símbolos da religiosidade e do sentido piedoso do povo, deve-se às confrarias das almas, no século XVII, a sua contribuição para a divulgação das pinturas do Purgatório nelas representadas. No século XVIII as irmandades e confrarias das almas espalham-se de norte a sul do País.

 

Nas suas inscrições, pedem apenas a quem por elas passar, uma breve oração em seu favor, ou tão-só, um pensamento piedoso por sua intenção.

 

«Irmão, lembrai-vos das Almas que estão no Purgatório com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria», ou «Ó vós que ides passando/Lembrai-vos das almas que estão penando», ou ainda «Ó vós que aqui vindes tão descuidados de nós/Lembrai-vos das almas/Que nós nos lembramos de vós», são alguns dos dizeres afixados nesses altares.

 

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Em Sesimbra, por tempos idos, as «alminhas» eram lembradas naquela vila (devido às terríveis epidemias de cólera e de febre-amarela que dizimaram a população em 1856 e 1857), praticando-se o piedoso culto de se subir ao Calvário, local situado no Forte de Santa Cruz, onde as vítimas foram enterradas por não haver espaço nos cemitérios, para colocar junto à cruz ali existente lanternas com azeite para «alumiar as almas».


Soledade Martinho Costa

Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores

 

 

 

 

03
Out18

Crónicas de Assim Dizer

arrabalde-3

 

 

Omelete de bacon sem bacon

 

 

Depois de provar, o meu primeiro pensamento foi: quantos casamentos haverá assim?

 

Meia hora antes do jantar pensei em fazer uma omelete de bacon, este pensamento interiorizou-se e acrescentei-lhe um outro, que não poria sal porque o bacon já o tem em quantidade mais que a necessária. Costuma dizer-se “o suficiente”, em alguns casos sinónimo, mas não neste. Quando parti os ovos reparei que tinha salsa ao lado do fogão e mudei de ideias: não, vou é fazer uma omelete de salsa e cebola. A parte do sal nunca mais pensei nela! A omelete não sabia a nada! O sabor do ovo, da salsa e da cebola pouca diferença fazia. O que não era fundamental num caso, era-o no outro!

 

Menti, omiti, cometi adultério? Tudo ridículo. Eu mudei foi simplesmente de ideias.

 

É certo que o bacon entrou na minha expectativa, mas que eu me criei a mim própria e a que não correspondi. Ou seja, o bacon entrou na minha expectativa, mas não entrou na minha omelete!  Que culpa tem o outro de eu lá ter posto o que não devia e depois querer encontrar o que não podia? Há desilusão nisso, há desconforto? O que há é falta de sal, de tempero. Sim e não! A haver, provocada pela falta de sal que o bacon supriria, mas que não era obrigatório que viesse dele. Ao comer a omelete não senti a falta de bacon, mas a falta de sal. Quem está de fora a ler isto está agora a pensar: era tão fácil resolver o assunto, bastava pôr sal refinado no final! Mas isso era se eu estivesse a falar de omeletas sem sal e eu estou é a falar de omeletas de bacon sem bacon!

 

Também há omeletes sem ovos, mas essas são fáceis de identificar, não há qualquer engano nem desengano. A gente pergunta: ouve lá, tens ovos? E mesmo que não haja resposta vê-se logo pela cor da pele. Se for clara, dificilmente terá gema! Se tiver gema, dificilmente será clara!

 

Cristina Pizarro

 

 

02
Out18

Ocasionais - Flavistéis

 

 

ocasionais

 

 

 

“FLAVISTÉIS”

 

“Que temos nós de comum

com o botão de rosa que estremece

porque uma gota de água

lhe cai em cima”?

Fred.N.

 

 

Ontem passei numa Rua onde reparei num reclame que dizia “Pasteis de CHAVES”.

 

Já nem fui à passadeira: atravessei direitinho para a porta com o dito reclame.

 

 Casa asseada. Bem mobiliada e com ar condicionado: era hora de calor num dia quente deste Verão aldrabado.

 

Ao “Que desejam” (eu ia acompanhado por dois meus convidados) respondi:

 

- PASTÉIS DE CHAVES e cerveja.

 

- O agente-técnico-de-restauração-e-similares, solícito, perguntou se queria OS «pastéis de chocolate, de alheira, de bacalhau, de frango, de outras mixórdias, ou de «vitela».

 

Fui aos arames!

Nem dei conta que, de um salto, me levantei da cadeira.

 

- Ouça, amigo! Pedi “PASTÉIS DE CHAVES”!

 

Uma catraia, também agente-técnica-de-restauração–e-similares disse, penso que para o «colega de profissão»:

 

- São «pastéis de vitela»!

 

Apeteceu-me mesmo esganar «ambos os dois».

 

- Meus caros, eu quero “PASTÉIS DE CHAVES”   -  não gritei, mas quase!

 

Os “PASTÉIS DE CHAVES” são mesmo «de» vitela! Não «levam» outras tretas de pedante «inovação», nem de aldrabices, como carne de reco, de boi, de vaca, ou de burro, ou de cachorro nureongi, ou de  carneiro neozelandês!

 

A catraia pediu desculpa com o argumento de ser «nova, no emprego».

 

O agente-técnico-de-restauração-e-similares desculpou-se garantindo que não quis ofender-me.

 

Bem, lá vieram para a mesa os “PASTÉIS DE CHAVES”, depois de eu ter recomendado para virem mais morninhos.

 

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 Pastéis de Chaves (*)

 

AgÔra, os leitores e os flavienses imaginem se alguém pede, por exemplo, «pastéis de Tentúgal» e lhe perguntam se OS querem com carne de gato; se alguém pede, por exemplo, “Pastéis de Vouzela” e lhe perguntam se OS querem de «ovos de ornitorrinco»; se alguém pede, por exemplo, «covilhetes» (dos da “Bila”, os «Vilarrealetes», clarinho!) e lhe perguntam se OS querem de carne de rato; se alguém pede «Ovos Moles» (de Aveiro, claro!) e lhe perguntam se OS querem de Jacaré ou de mamba negra!.....

 

Estou mesmo a ver que, como se não bastasse já Santo Tirso ter-se envergonhado dos seus «Jesuítas» andarem aldrabados por todo o sítio e lado, CHAVES terá de mudar o nome aos seus ricos, deliciosos e retintos “PASTÉIS” para “FLAVISTÉIS”!.....

 

À pala da fama dos “NOSSOS Pastéis”, anda muita gentinha a governar-se servindo uma molengada qualquer a turistas pategos ou inocentes, e estes a sentirem-se regalados com a ilusão de terem papado um (ou mais) “Pastéis de Chaves”!

 

            E ‘inda dizem que “os milhores Pastéis do mundo”, os “PASTÉIS DE CHAVES”,  Já estão “CERTIFICADOS”!!!....

 

Bem mou Finto!!!...

Litoral, dezoito de Julho de 2018

Luís da Granginha

 

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(*) - Não foram estes pastéis (da imagem) que o Luís da Granjinha comeu com os seus amigos. Estes eram (já foram comidos) genuínos, mesmo de Chaves.

02
Out18

Cidade de Chaves, um olhar com neblinas

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Para os mais distraídos, pois pela temperatura nem por isso se nota muito, o outono deste ano teve início às 01H54 do dia 23 de setembro. Quer isto dizer que temos os “Santos” à porta, aliás uma montanha russa já poisou o seu arraial (mais ainda não está a funcionar – pra já!) e as neblinas com alguma frescura matinal também já começaram a aparecer, embora os dias ainda estejam quentinhos. Pois fica uma imagem da nossa Top Model e o príncipe Tâmega com as suas neblinas matinais da época, com quem diz: “o pai nevoeiro não tarda aí”.

 

E já que estamos pr’aqui com coisas nossas, hoje às 17 horas vamos ter aqui um post extra, “ocasionais”, com pastéis de Chaves, de chocolate, de alheira, de bacalhau, de frango, de outras mixórdias, ou de vitela… até lá! 

 

 

 

 

02
Out18

Chaves D´Aurora

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  1. CERIMÓNIA DO CHÁ.

 

À noite desse mesmo dia, quando todos dormiam, Alfredinho esgueirou-se a bicos de pés para trás do biombo. Passou por um belo jardim, onde mulheres de quimono faziam a cerimónia do chá. Uma delas até sorriu, a lhe estender uma chávena de fina porcelana e ele agradeceu-lhe com um olhar maroto. Outras duas o conduziram a um ambiente ornado de lanternas e flores de cerejeira, onde o aguardava uma bela gueixa, a quem abraçou como um samurai sedento de carinhos, em uma cena de Nô ou Kabuki, porém mais picante do que os singelos roteiros originais.

 

Iniciou-se, então, uma cerimónia do chá, mas de tisanas bem outras, que se repetiria por muitas noites, pois “a gente se acostumando, já não quer senão daquilo”, até que… até que o médico da rapariguinha, pasmo em seus muitos anos de ofício, dissesse à mulher do Gomes que algo de muito milagroso estava a se passar com a cliente. Na verdade ela ficara, mui rápida e efetivamente, curada de um mal que ele sequer pudera diagnosticar – Talvez uma alergia, de causa desconhecida – pois ao clínico não alcançava ainda a existência de certos sintomas, cujos males sabemos ser, atualmente, de fundo psicossomático.

 

Quando partiu de volta a Vidago, Alice carregou na bagagem algo mais entre as suas carências de mulher. Saudades. Como Aurora, ela também mergulhava em um sentimento de amor por alguém que tinha o mesmo curso das águas do Tâmega, ou seja, uma só direção, pois quanto ao rapazote, este apenas se preocupava com o que faria o Gomes, o que diria seu pai e, enfim, que maçadas lhe trariam as consequências dessa atitude impensada. O menino dizia a si mesmo – Ora, Alfredo, só podias estar mesmo viradinho do miolo, a ponto de fazer o que não devias, te meteres nos assados com essa rapariguinha! Agora é que são elas! Mas… tinha que ser! Foi! Melhor, meu caro, é não te deixares ferver em pouca água. Espera e vê, com muito jeitinho, pra que rumo te vai soprar o vento.

 

O vento não demorou a soprar. Alfredo voltava do liceu, quando viu Papá à sua espera, ao pé da escada lateral. João Reis começou solene – Senhor Alfredo! Temos cá uns ís, para lhes pôr os pingos! – mas logo se desfez da formalidade – Ó pedaço de asno! Não achas que já estás bem crescidote para reloucares desse jeito, desonrar a casa onde vivem tua mãe e tuas irmãs, a ponto de levares à perdição uma rapariguinha que veio cá alojar-se, sob a nossa proteção e lhe dares “a esmola antes do padre-nosso”? Antes, porém, que João Reis lhe chegasse bordoadas às costas, tratou logo de dizer – Eu caso, Papá, eu caso! Oh, Papá, me perdoa, fui um tonto, eu sei, perdi a cabeça, mas pode mandar dizer ao senhor Gomes que me caso com ela, meu pai, está bem que me caso! – e para já correu até Mamã, a se refugiar no regaço da mater amorosa, mater compadecida e agora, mater inconsolada.

 

 

  1. CEIA SEM CHÁ.

 

À ceia, em silêncio, ouviam-se apenas alguns talheres a tocar nos pratos, uns de leve e intermitentes, outros nervosos e sem parança. Ao final, Papá disse baixinho, à Mamã, que logo se mandassem preparar os banhos na Madalena, convidassem somente os parentes mais chegados e, sobretudo, não se falassem em copo d’água. Tudo haveria de ser simples e rápido, apenas com os cumprimentos a se darem lá mesmo, à sacristia.

 

Antes de se recolher ao seu gabinete doméstico, Reis olhou para a filha e lhe bateu de leve nas mãos, a um gesto de carinho, tão inusitado quanto imprevisto – Ainda bem que és mulher, minha Aurora e não estás a sair por aí, atrás de uns rabos de saia e a me dar umas maçadas, como o teu irmão. Se bem que já estás à altura de arranjar um bom marido. Se não o fizeres, veremos nós o que fazer. A propósito, tua mãe m’o disse que não andas lá muito bem de saúde. Nosso querido doutor Fagundes está a voltar por esses dias a Chaves e vai examinar essa menina, a ver se já não está a chegar em breve algum outro Alfredinho por aí... Vamos pedir, ora pois, que te veja também e a todos de casa, para sabermos a quantas anda a saúde aqui na Quinta.

 

Aurita ficou imóvel, lívida, sem saber como disfarçar. Salvou-a, em boa hora, a intervenção de Arminda – Papá, Papá, olha cá, olha só que lindo mimo a Tia Adelaide me deu! – e mostrou um estojo com guarnições de prata na tampa e um forro aveludado no interior, contendo pentes e escovas de madrepérolas.

 

(continua)

 

fim-de-post

 

 

 

01
Out18

De regresso à cidade com uma exposição

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Lembram-se de eu ter andado pr´aqui durante 100 dias com uma coisa chamada “Cem Brincadeira ComSiso”, pois 20 delas passaram a papel e estão em exposição, a partir de hoje, na Adega do Faustino, em Chaves, e irão estar por lá durante os próximos dois meses.

 

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Tal como desvendei na última publicação, o que até nem era necessário, todas essas “brincadeiras”, sem exceção tiveram como base uma ou mais fotografias tomadas no MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso ao longo destes últimos dois anos, e mais que uma  “brincadeira”, foi o meu tributo à casa da arte contemporânea de Chaves, reunindo fotografias que só por si não eram nada, mas que por qualquer motivo despertaram o clique, quer pelas sombras, quer pelas formas ou por outra qualquer coisa…, longe de terem sido pensadas para a finalidade que tiveram. Deu-me gozo fazer essas brincadeiras, deu-me gozo partilhá-las durante 100 dias,  e agora penso que é tempo de uma seleção sair do mundo virtual dos computadores, do blog, do facebook, da internet, para em papel poderem estar penduradas numa parede durante uns tempos outubro e novembro), à disposição de quem as queira ver.

 

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E por nós só nos resta agradecer aos nossos parceiros por tornarem possíveis mais uma exposição de fotografia, esta com arte digital à mistura. Assim agradecemos à Adega do Faustino, à Sinal TV e à Associação de Fotografia LUMBUDUS pelo apoio,  e a nós próprios (Blog Chaves) pela organização.

 

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Para quem não acompanhou a publicação das 100 brincadeiras, fica um vídeo com todas, das quais estão agora vinte em papel em exposição.

 

 

 

É tudo. Acabou-se a brincadeira. Toca a trabalhar!

 

 

 

01
Out18

Quem conta um ponto...

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411 - Pérolas e Diamantes: Honi soit qui mal y pense.

 

 

A escritora Hélia Correia disse que as pessoas que se põem a escrever e a insultar no anonimato lhe fazem lembrar os lupanares romanos onde os indivíduos iam à noite fazer tudo o que lhes apetecia.

 

O New York Times contou que Trump, ainda enquanto candidato republicano, terá delineado um plano para comprar todas as histórias que National Enquirer  tinha dele. Segundo fontes bem informadas, essas histórias são relativas à década de 80 e estavam relacionadas essencialmente com os casos extraconjugais, processos judiciais e batotas em jogos de golfe, o desporto preferido do atual chefe de Estado.

 

Com toda a intenção de dar bronca, Spike Lee realizou um filme (BlacKkKlansman: O Infiltrado, galardoado com o Grande Prémio do Festival) que termina com imagens reais da manifestante Heather Heyer a ser morta no desfile de supremacistas brancos de Charlottesvile, em 2017.

 

Em Cannes, perante os jornalistas, Lee esteve cinco minutos a discursar, com muitos palavrões pelo meio, referindo-se ao presidente dos EUA como “son of a bitch” e criticando-o por não condenar publicamente o Ku Klux Klan (KKK), o famoso grupo racista.

 

Exibindo uns óculos sisudos, muito de acordo com o seu semblante, afirmou o que já se vai tornando uma evidência preocupante: as pessoas vão-se apercebendo que a ascensão da extrema-direita não se encontra apenas confinada aos Estados Unidos, está  acontecer um pouco por todo o mundo.

 

O filme narra a incrível história, mas verdadeira, de um polícia negro, Ron Stallworth, que nos anos 70 se infiltrou no KKK, com a ajuda do seu parceiro branco.

 

Este filme é a oportunidade para se falar verdade, identificando o KKK, como direita alternativa, que, à semelhança dos grupos neonazis, são organizações terroristas que gozam de muita impunidade acrítica.

 

Spike Lee sofreu da “síndrome da impossibilidade Trump”,  pois nunca supôs que uma pessoa que afiançou que “podia estar em plena Quinta Avenida, matar alguém a tiro e mesmo assim não perderia votos” pudesse ser eleito Presidente do EUA. Nem a brincar.

 

Talvez estejamos a viver anos de forma perigosa.

 

Ao contrário do pronunciamento soft do filme de Wenders (Pope Francis: a Man of his Word, que a revista Variety classificou como um “retrato superficial com muito pouca personalidade), Spike Lee resolveu exibir uma soqueira de ouro incrustado com palavras “LOVE” (amor) e “HATE” (ódio).

 

Esta referência vem da sua admiração pelo filme de Charles Laugthon, de 1955 (The Night of the Hunter – A Sombra do Caçador).

 

Spike diz que viu o filme quando ainda andava na escola de cinema da Universidade de Nova Iorque, onde é professor há 25 anos. A película impressionou-o devida à sua realização e à escrita do argumento. Lembra-se, sobretudo, de Harry Powell (Robert Mitchum) ter tatuado na sua mão esquerda “HATE” e na mão direita “LOVE”.

 

Lembra aos incautos que, depois de morrer, ainda vão analisar os seus filmes e reparar que esses temas são transversais em todos eles.

 

A luta entre o amor e o ódio é uma das suas principais influências. Foi por isso que tirou as suas soqueiras do armário para ir exibi-las na passadeira vermelha de Cannes.

 

Spike Lee, como alguns escritos de Deleuze e de Guattari, e ainda a música de John Coltrane, recua e avança em duas direções. No fundo esse é o eterno objeto dos filósofos, que nos remete para uma dupla pergunta: “O que irá acontecer? O que acaba de acontecer?”

 

Todos eles dizem que gostariam de conseguir falar de trás para a frente, de começar uma frase a meio e de a completar seguindo em duas direções ao mesmo tempo. O canto dos pássaros é disso um bom exemplo.

 

Como diz Pedro A. H. Paixão “é preciso saber esperar pelos momentos em que se pode falar”. Quem trabalha em arte sabe como é insuportável estar fechado num espaço ideológico específico.

 

Identifico-me, por vezes, com o filósofo italiano Giorgio Agamben, pois é possível encontrar nele um pensamento de esquerda preciso, assim como um de direita. Isso é o que se pode definir como como um pensador autónomo, o que é raro hoje em dia.

 

Quem pensa assim é, frequentemente, apelidado de direita pelas pessoas de esquerda e apelidado de esquerda pelas pessoas e direita. Sentimo-nos sempre no lugar errado, o que pode ser frustrante, mas também é libertador.

 

É habitual as pessoas formarem tribos intolerantes. E se algo de importante acontece fora do âmbito das suas ideias e normas, elas fecham-se, evitam integrar-se, não assimilam.

 

Por isso, hoje a arte é, sobretudo, de atenção.

 

Há pessoas que fazem distinção entre prosa e poesia. Dizem que a prosa é escrita para os amigos, destinada às pessoas que conhecemos e que fisicamente sabemos quem são. Para pessoas concretas. Já a poesia é escrita para os leitores desconhecidos, para uma espécie de interlocutores secretos, situados na posteridade.

 

Dizem que a arte não é absolutamente necessária, mas, se repararmos bem, é a única coisa que prevalece e que passa como testemunho de geração em geração, de século em século, de milénio em milénio. Tudo o resto se transforma em pó, cinza e nada.

 

Atualmente vivemos um ambiente de policiamento correto que, por incrível que pareça, nasceu como um bem mas vai-se transformando em mal. Claro que tudo isso também é fruto da exposição gratuita das ideologias pessoais.

 

Honi soit qui mal y pense.

 

Propostas: Música:  Wake Up & Make Love with Me – Ian Dury; Leitura: História Natural da Estupidez – Paul Tabori; Viagens: http://www.destinosvividos.com/douro-royal-valley-hotel/ Restaurante: http://www.destinosvividos.com/melhores-restaurantes-porto/.

 

João Madureira

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