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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Ago18

Quem conta um ponto...

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407 - Pérolas e diamantes: O ser e o nada

 

 

Como se já não bastasse venderem-nos como genuínos o patriotismo dos políticos, a integridade dos primeiros-ministros, ministros e deputados; o celibato e outros desvios sexuais de padres e bispos; o amor à camisola dos jogadores de futebol; o altruísmo e a honradez dos presidentes dos grandes clubes de futebol; a honestidade dos banqueiros e economistas; a honestidade intelectual dos escritores de sucesso; a independência da opinião dos comentadores políticos televisivos; a beleza estruturante e genuína das top-models; a maioridade das nossas instituições nacionais e da nossa democracia; a irradicação do sarampo e da cunha nacional; o cumprimento das promessas eleitorais dos presidentes das câmaras; o amor à democracia por parte dos comunistas e fascistas; o amor à social-democracia por parte do PSD; o amor ao socialismo por parte do PS; o amor à ecologia por parte do PEV; o amor aos proletários por parte do BE; e o amor ao cristianismo por parte do CDS; a ASAE veio confirmar que em Portugal há pota a passar por polvo, paloco a fazer a vez de bacalhau, peixe com aditivos que retêm a água para ficar mais pesado, azeite virgem aditivado com produtos vegetais refinados, mel com açúcar, produtos que em vez de carne de vaca contêm carne de porco ou de cavalo, queijo de cabra feito com leite de ovelha, vinho com adição de açúcar e água, e aguardentes vínicas adulteradas com destilados de frutos baratos – um negócio que gera lucros ao nível do tráfico de droga.

 

A fraude alimentar tem um custo global de 45 mil milhões de euros e afeta um em cada dez produtos.

 

No entanto, a fraude intelectual, política, social e económica ainda não foi quantificada. Mas é capaz de, feitas as contas, dar para pagar a dívida soberana do Estado Português e com os trocos fazer um país com superavit, possibilitando a todos os portugueses comprarem uma rulote e irem de férias por essa Europa fora para os indígenas estrangeiros verem como é dolorosa a pegada ecológica dos turistas.

 

Estas coisas dão-me sempre vontade de rir, de nervoso, claro está. Não vão os estimados leitores pensar que sou um intelectual masoquista subsidiado pelo Ministério da Cultura de Lisboa e arredores.

 

Quando assim acontece, e o tempo ajuda, vou para o campo à noite esticar o pescoço tentando identificar a Via Láctea e as constelações que aprendi na juventude: Órion, Cassiopeia, Ursa Maior, Ursa Menor, Andrómeda, Pegasus, etc. Cada uma delas eternamente perfeita. Depois pergunto-me com que finalidade terá o Divino Deus criado as estrelas no céu para um dia nos supormos cheios de inspiração e, no dia seguinte, verificarmos como somos insignificantes.

 

Sinto-me então como o príncipe Rostov, personagem de um livro de Amor Towles, que quando é subestimado por um amigo, fica ofendido, pois os nossos amigos devem sobrestimar as nossas capacidades. Devem possuir uma opinião exacerbada acerca da nossa força moral, da nossa sensibilidade estética e do nosso estofo intelectual. “Aliás, deviam praticamente imaginar-nos a saltar por uma janela, num abrir e fechar de olhos, com a obra de Shakespeare numa mão” (no meu caso o D. Quixote de Cervantes) “e uma pistola na outra.”

 

Temos de aprender a ser pacientes. Razão tem a Condessa Rostov quando comenta, muito a seu gosto, que se a paciência não fosse tão facilmente posta à prova, não seria precisamente uma virtude.

 

Por isso nos dá, a mim e ao meu amigo Conde, para as inclinações filosóficas que, tanto num caso como no outro, são também inclinações meteorológicas. Acreditamos na influência indeclinável dos climas clementes e inclementes, na influência das geadas temporãs e nos verões prolongados, nas nuvens agourentas e nas chuvas delicadas, na densidade mitológica do nevoeiro, na inclemência do sol e na beleza fria e densa dos nevões. Mas numa coisa diferimos. Ele acredita na transformação dos destinos causada pela mais pequena mudança de temperatura. Eu, pelo contrário, talvez mais agnóstico, acredito piamente que essa transformação se dá especialmente quando se muda de poleiro.

 

Ele costuma dar como exemplo da sua crença o facto de uma simples subida de temperatura média fazer as árvores florir, os pardais desatarem a cantar e os bancos encherem-se de casais, jovens e velhos.

 

Eu contraponho que a gente que muda de poiso e se senta na poltrona do poder vê elevar-se, como por milagre, a árvore das patacas no seu jardim, a sua frota automóvel melhorar consideravelmente, em qualidade e quantidade, consegue, também, por pura magia, adquirir uma ou várias vivendas, uns quantos apartamentos, frequentar os melhores destinos turísticos e colocar uma soma considerável de dinheiro num offshore à prova de investigação judicial.

 

Ele ri-se.

 

Eu também. 

 

Depois deita o primeiro milho aos pardais enquanto eu me entretenho a ler mais um livro a confirmar a minha tese.

 

Ele ocupa o seu tempo com jantares, conversa, leitura e reflexão.

 

Eu, no tempo que me sobra da escola, continuo a esgrimir a minha pena com os resultados que todos os estimados leitores conhecem.

 

Propostas genuinamente pessoais e pagas do próprio bolso: Música: Mesh Baghanny – Maryam Saleh; Leitura: Breve história de sete assassinatos – Marlon James; Viagens: http://www.destinosvividos.com/visitar-lisboa-dicas/; Restaurante: A Talha – Chaves

12
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Pelas serras com Torga

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Mais uma ida até ao Barroso aqui tão perto, mas mais uma vez sem termos por cá qualquer aldeia e até temos uma preparada em imagem, mas ainda lhe faltam as palavras para as quais não tivemos tempo de lhe alinhavar as letras. Assim, hoje vamos mais uma vez para o Barroso, sim, mas aquele que é feito de serras e montanhas e água que corre, que cai, que estaciona entre o penedio. Vamos fazer nossas as palavras de Miguel Torga, não só por também nós comungarmos da sua paixão telúrica, mas por serem também palavras inspiradas por imagens como as que deixamos hoje, aliás algumas delas foram tomadas enquanto se falava de Torga e de como tão bem entendíamos e sentíamos as suas palavras quando estamos no seu ambiente natural.

 

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É possível que esta paixão telúrica que me faz divinizar as fragas, os rios e os carvalhos signifique, afinal de contas, que não consegui desembaraçar-me da placenta de ovelha que o destino me atirou à figura, como certo inimigo fez a Maomé. Mas não me desagrada a hipótese.

 

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Estou sinceramente convencido de que a realidade campestre nem é inferior à outra, nem se lhe  opõe. Por detrás das pedras roladas e das ravinas, pulsa o mesmo coração inquieto a vida. A solução, portanto, consiste apenas em auscultá-lo com a finura de ouvido que é obrigatória nas consultas citadinas. E a mágoa que me punge não é ser montanhês por devoção: é de não ser capaz de revelar todos os mistérios que se escondem nas dobras da estamenha.

 

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Bem rústicas parecem as urzes, e a abelha tira das suas flores mel perfumado. Nada mais agressivo do que um silvedo, e o melro faz o ninho no meio dele.

 

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O mal é nosso e, neste caso, meu particularmente. Confundimos a casca com o sabugo. Talvez porque só temos casca e não merecemos a graça de comungar à mesa onde Collete recebia o corpo eucarístico da natureza. Ela, sim, podia exprimir o cataclismo de cada fecundação e decompor o arco-íris  de cada primavera. Através do sacramento do amor e da entrega, real e substancialmente, os seres e as coisas passavam a fazer parte da sua humanidade profunda e falavam depois pela sua boca.

 

Miguel Torga, In Diário VII

 

 

 

11
Ago18

Cidade de Chaves - Uma manhã de sábado com a arte contemporânea

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Já abriu ontem ao público, mas só hoje, às 10H30,  inaugura em Chaves a 9ª Bienal Internacional de Gravura, que irá estar patente ao público até finais de outubro (das 09H00 às 16H00 de segunda a sexta feira), no Arquivo Histórico Municipal, na Rua Bispo Idácio, em Chaves.

 

Esta bienal que conta com a direção e curadoria de Nuno Canelas, e que nesta edição homenageia o artista José Guimarães, depois de nas edições anteriores ter homenageado outros artistas mundialmente reconhecidos, como  Antoni Tàpies, Paula Rego, Vieira da Silva, Octave Landuyt, Gil Teixeira Lopes, Nadir Afonso, David de Almeida, Bartolomeu dos Santos e Júlio Pomar.

 

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Na edição deste ano participam 700 artistas de 70 países de todos os continentes, com 1400 obras distribuídas por 14 exposições (Alijó, Favaios, Régua, Chaves, S.Martinho de Anta, Celeirós, Foz Côa, Vila Real e Bragança).

 

Fica a proposta para hoje de manhã, que poderá dedicar à arte contemporânea, iniciando às 10H30 na inauguração da Bienal de Gravura, no Arquivo Histórico Municipal, onde se esperam mais de 80 artistas participantes na Bienal. Depois pode descer a Rua Bispo Idácio, descer a ladeira da Brecha, atravessar a Rua de Stº António, descer pela Travessa do Faustino e entrar na Adega do Faustino, onde está patente ao público uma exposição de Fotografia de Horácio Graça, intitulada “Pateira”. Depois sobe as escadinhas da Travessa do Faustino, atravessa a Rua do Olival, desce as escadas entre os edifícios, atravessa a Av. 5 de Outubro e pode fazer uma visita “dupla” mas em simultâneo ao MACNA - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, onde estão duas exposições patentes ao público, uma permanente de Nadir Afonso e uma temporária, intitulada “A mesa dos sonhos” com duas coleções de arte contemporânea, uma da Fundação Luso-Americana e outra da Fundação de Serralves. Dizia visita dupla ao MACNA, porque em simultâneo estará a visitar também uma obra de arte da Arquitetura portuguesa e mundial de autoria do mais que consagrado arquiteto Siza Vieira.

 

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Depois destas visitas à arte contemporânea, poderá dizer que tem a manhã cumprida e já merece almoçar. Se está de visita a Chaves, entre num qualquer restaurante do nosso Centro Histórico, tem muita escolha, mas vai tudo dar ao mesmo, à nossa gastronomia, reconhecida por ser do melhor que há e farta, nada de amostras decorativas que se comem duma garfada e são caras como ó … vocês sabem!

 

 

 

 

 

10
Ago18

Vivências - Vamos tomar um café?

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Vamos tomar um café?

 

“Vamos tomar um café?” ou “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”.

 

Quando encontramos alguém que já não víamos há algum tempo é quase certo que uma destas duas expressões acabe por surgir na conversa como forma de dizer “…gostei de te encontrar e gostava de conversar mais um pouco contigo…”.

 

A primeira opção é a minha preferida, porque é imediata – olhamos em redor, trocamos opiniões sobre uma ou duas propostas de locais, em função daquilo que conhecemos na zona, e acabamos num café ou esplanada próximos com uma chávena de café na mão, ou então com outra bebida qualquer, pois o “tomar um café” não é para levar à letra. No final, na hora de ir embora, o “tomar um café” termina, geralmente, com uma “discussão” (no bom sentido, obviamente) sobre quem é que vai pagar a conta, mas isso na realidade pouco importa, pois já se sabe de antemão que da próxima vez será a outra parte a retribuir o gesto... Apenas se espera que a oportunidade para o próximo café não demore demasiado tempo...

 

A segunda opção, a do “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”, adia o café para um próximo encontro, porque como andamos sempre atarefados nesta correria do dia-a-dia, torna-se por vezes difícil, infelizmente, despender de uns minutos para um simples café quando encontramos alguém. Então, confirmamos que temos o contacto um do outro, ou, se estivermos mesmo com muita pressa, atiramos com algo do género: ”…procura-me no Facebook e pede-me amizade…” e despedimo-nos com a promessa de um futuro contacto.

 

“Tomar um café” é sempre sinónimo de encontro, de reencontro, de partilha, não é nunca um fim em si mesmo, mas antes um pretexto para um agradável momento que se prolonga muito para além dos dois ou três goles da chávena que temos à nossa frente... Se pensarmos bem, todos nós temos nas nossas melhores recordações momentos passados à volta de uma mesa de café…

 

Luís dos Anjos

 

 

 

09
Ago18

Chaves - Ruas da Cidade

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Travessa da Alfândega Velha

 

Travessa da Alfândega Velha, assim denominada por ligar à Rua da Alfândega Velha, ligando esta à Rua de Santa Maria. É uma das Travessas que faz parte das ruas típicas do Centro Histórico de Chaves, rasgadas dentro das antigas muralhas medievais das quais ainda existem alguns troços visíveis.

 

 

 

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