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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Dez18

Ocasionais

ocasionais

 

Maryprosa”

 

 

“Dêem-me mandrágora a beber

para que possa dormir

 durante todo este tempo

em que ....

«a minha Tera natal»

estã ausente”.

-paráfrase- LF

 

 

**Lá fui por aí acima com a minha cara-metade.

 

Conheço a Régua, Pinhão, Alijó e Favaios do Moscatel, Moncorvo, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros (e até o Vale da Porca!) e Vila Real.

 

Ainda não tinha visitado CHAVES.

 

Estive perto quando fui a uma Feira do Fumeiro a Montalegre. Valente Feira!

 

Por outra vez, num Dia de “Volta a Portugal”, estive nesta Vila Barrosã, e, com outros amigos, aproveitei para regressar por Sezelhe (Barragem), Paradela do Rio (Barragem), ficar ainda mais deslumbrado com uma Aldeia chamada PONTEIRA, descer até à Ponte da Misarela, virar para trás para a croa da Barragem da Venda Nova e seguir para a de Caniçada, tendo pernoitado no S. Bentinho de Porta Aberta.

 

Já tinha conhecido um OUTEIRO em Bragança; neste roteiro conheci o OUTEIRO de Paradela do Rio.

 

E, «agôra» em CHAVES, topei com três Outeiros: Outeiro Seco, Outeiro Jusão e Outeiro Machado. Falo neles porque, quando no passeio de carro pela margem direita do Tâmega, para montante, além de ter apreciado a veiga numa certa perspectiva, ter dado com os olhos em três ou quatro coisas de que nem quero falar, cheguei a um ponto em que tive de fazer um ângulo recto, à esquerda, para não seguir por um carreiro que já era «terras de Espanha»  - e quando cheguei outra vez a Outeiro Seco tinha passado por uma Vila, um Vilarinho, um Vilarelho e uma Vilela; o segundo, entendi-o melhor quando visitei o “Castro de Curalha” (que coisa maravilhosa! Até coelhos bravos nos vieram saudar! Ou seriam mouras encantadas?!...) – e achei o nome de «Jusão» muito bonito, em vez de «a jusante»; o terceiro, procurei-o por o meu amigo já me ter falado dele: afinal fica num rico vale, no Vale de Anta!

 

Não procurei um quarto Outeiro, o Outeiro Ladrão, com medo de nele ser roubado (bem, isto não é bem verdade: é que me disseram que o ladrão estava morto há muito tempo e que o Outeiro foi arrasado há pouco tempo).

 

Mas, como estava a dizer, fui por aí acima com a minha mulher   -   ó dianho! Tenho de ser moderno, estar na moda e dizer «minha namorada» (bem namorámos desde o 4º ano de Liceu e estamos casados há .... uma «porrada» de anos), que é para dar ares de «prà-frentex»!

 

Uma auto-estrada que podia muito bem ser um lindo miradouro   -  os pedaços de paisagem que se apanham assim o prometem   -   esconde mais do que aquilo que devia deixar ver!

 

Estacionei no “Jardim das Caldas”.

 

Subi a “Rua do Sol” pela sombra que me dava o passeio do lado esquerdo (o dia estava quente). Logo dei com o seu recomendado “João Padeiro”: encomendei-lhe os folares para o dia e hora do regresso.

 

Achei interessante aquele correr de casinhas baixinhas encostadas ao que julgo ser um pano de muralha. Uma viela a começar junto a um quiosque deu-me o palpite de ser entrada para a zona histórica da cidade. Meia dúzia de passadas e um cruzamento com uma rua estreita, breve para a esquerda e mais comprida para a direita. Segui por este lado, e fui dar a um parapeito.

 

Virei à esquerda e cheguei ao fundo da rua que soube ser a Rua Direita.

 

Aí, olhei para perto. Gostei do Lugar, a que disseram chamar-se “O ARRABALDE”. Veio-me à lembrança o seu “Os bearnesbaques do Arrabalde”.

 

Aí, olhei para longe. E vi uma linda cúpula de uma Igreja, uma montanha com lindos matizes a desenhar uma fronteira com o céu. À distância, pareceu-me ver espreitar a Torre de um Castelo.

 

Subi a Rua Direita. Umas Escadinhas, à esquerda, despertaram-me curiosidade. Mais acima deparei com um pequeno Largo onde está a Igreja Matriz e um edifício com interessante arquitectura.

 

Segui ao Rua Direita até ao cimo. Deu para uma descida a começar com um Largo ou pequena praceta. Disseram-me ser  “O Largo do Anjo”. Mas a estátua era a de um padreco!

 

Procurei a “Casa dos Pastéis”.

 

Afinal, ali, à mão de semear, ou seja, de dar ao dente, havia quatro Pastelarias de “Pastéis de CHAVES”!

 

Antes de almoço (a hora aproximava-se) provar quatro “Pastéis de CHAVES” pareceu-me demasiado.

 

Fui à “Loja dos Prazeres”.

 

Provei um. Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Desci uma rampita de zinco, e, ao balcão, pedi um “Pastel de Chaves”. Quentinho, avisaram-me para ter cuidado com a dentada.

 

Soprei-lhe de mansinho, convencido que ninguém daria conta. Pelo canto do olho reparei que alguém, na mesa da entrada, sorria.

 

Fiquei com vontade de outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Atravessei o Largo e segui pela Rua “1º de Dezembro”, larga, bonita, ao fundo da qual se adivinha um Jardim.

 

Entrei na alcova da “Princesa” e pedi-Lhe um “Pastel de Chaves”.

 

Não é todos os dias que se vê e se fala com uma princesa. E quando tal acontece, quem é que não fica derretido?!

 

Dei um primeiro beijinho, alto!, estou a sonhar, uma primeira dentadinha no “Pastel de Chaves” e fiquei derretido: tive a impressão que a princesa,  alto!, estou a sonhar, o Pastel se me derreteu na boca.

 

Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Voltei para trás e fui à procura da “Tia Maria”.

 

Meti pela Rua do “Cândido dos Caçadores e da Feijoada”, virei à esquerda, admirei-me com o Jardim do Castelo e a Torre de Menagem.

 

Não foi preciso muito para acertar com a casa da “Tia Maria”: um cheirinho especial levou-me lá direitinho.

 

Duas senhoritas cheiinhas de simpatia facilitaram-me,  com um daqueles sorrisos que até nos fazem tropeçar, a descida dos degraus de entrada.

 

- Venho conhecer e provar “O Pastel de CHAVES”.

 

Lourinho, quentinho (e nisto eu já estava avisado), foi-me servido com toda a delicadeza.

 

- Cuidado não se lhe queime a língua, disse uma das senhoritas.

 

Estive mesmo para soltar uma gargalhada: encontrei no aviso uma cúmplice duplicidade de intenção.

 

Ainda não o tinha acabado, e já me estava a apetecer logo outro!

 

Até cheguei a julgar que era o primeiro “Pastel de Chaves” que estava a provar!

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Como o Almoço estava aprazado para um Restaurante demasiado longe para ir a pé, voltei à esquina da “Rua do Cândido”, desci umas compridas escaleiras, atravessei um parque de estacionamento, apanhei a sombra das árvores de uma Rua, e, em frente ao “João dos Folares”, bolas!, “João Padeiro”, desci para o “Jardim das Caldas”.

 

Com o meu amigo me tinha falado nas virtudes milagrosas, especialmente digestivas, das Águas de CHAVES, já andava comigo um daqueles copinhos de encaixar, e fui à fonte «proβar», como por lá se «questuma» dizer, as águas.

 

Ai! Que bem me caíram!

 

Meti-me no carro e, graças às novas tecnologias, foi fácil subir até à croa de Stº Amaro e tratar do almoço.

 

O «agente-técnico-de-restauração-e-afins», com toda a cortesia, indicou a mesa. Depois, ao apresentar a carta do Menu, sugeriu que, hoje, tinha um  prato de «vitela guizada com cabaçotes”.

 

Soou-me uma campainha cá no toutiço: “Cabaça”, “Vitela”. “Batatas”!

 

’Stouque” foi ao meu amigo que «ouβi» falar de uma receita assim como muito especial, gulosamente saborosa, deliciosamente gulosa.

 

- Ora isso mesmo!  - disse eu, com certa euforia.

 

Nem lhe digo, nem lhe conto: foi cá um dos petiscos! E a «pinga» estava a matar! E a sobremesa,  também recomendada pelo «patrão»....!

 

Almoçadinho tão bem e tão regalado como estava, voltei com o carro para o “Jardim das Caldas”.

 

Apanhei uma sombra. E fui beber mais um gole de milagre digestivo.

 

Metendo conversa com um peregrino, comentando o milagre com que eu já tinha sido abençoado antes de almoço, e as belezas deste “Jardim das Caldas”, corrigiu-me, num galego-transmontano, que, sendo ele um frequente visitante desta cidade, sabia que o Jardim se chamava “Jardim do Tabulado” e não “das Caldas”!

 

E recomendou-me, se por acaso eu quisesse ter mais um motivo de diversão nesta visita, que reparasse no nome das Ruas, vielas, avenidas ... e canelhas!

 

Aqui, fiquei como numa “estrada sem saída” (é o que dá ter nascido e crescido uma floresta de cimento armado!).

 

Fui para o Hotel esconder-me da caloraça, dormir uma sesta.

 

Depois da sesta, e para abrir apetite para o Jantar, fui de carro pela ponte de S. Roque, estacionei perto da antiga Estação e dei uma volta por aquelas redondezas. Vi o Estádio do “Depor”, apreciei as muralhas que protegiam a “Srª das Brotas”, descobri a “Panificadora do Nadir” e o «cañon» por onde outrora circulava o comboio.

 

O Monumento aos Mortos da I G.G.  achei-o com muita dignidade   -   um importante e significativo testemunho de reconhecimento dos Flavienses.

 

Chegada a «hora da janta», fui regalar-me, mais a minha namorada, ‘stá claro, a um dos mais famosos Restaurantes da cidade. Antes de sair para um passeio pela Ponte de Trajano e pela margem do Tâmega, compus-me com um  traguinho abonadinho (repetido) de geropiga!...

 

Caro amigo, assim foi o nosso, o meu e o da minha (faço por não me esquecer da modernicice, claro!) namorada, primeiro dia da conquista de CHAVES.

 

E, com este balanço, fizemos as expedições dos curtos dias de férias que fomos passar à sua «terrinha natal», e, no final, quem acabou por ficar conquistado foram estes dois, bem levados na sua cantiga!

 

Já lhe deixei umas referências a algumas expedições dos dias seguintes. Para a próxima, conto-lhe o resto.

 

Mas lá que CHAVES é um verdadeiro campo minado de tentações, de surpresas e de admirações, ai lá isso é! **

 

Num dos passeios pela fresca, na avenida junto ao mar de uma praia da Costa Verde, dei de frente com este casal, com que tinha feito amizade há ainda pouco tempo.

 

Como não podia deixar de ser, falara-lhe da NOSSA TERRA.

 

Hoje, depois das protocolares cortesias, convidaram-me para um refresco numa das esplanadas à beira-mar.

 

A dado momento, o meu amigo, a quem notei um entusiasmo de quem vai fazer uma surpresa agradável ou dar uma boa notícia, perguntou-me se eu tenho ido «à terrinha». E antes de eu lhe responder, atirou:

 

- Sabe....

 

E começou e acabou o discurso que acabo de vos dar a ler.

 

M., nove de Setembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

05
Dez18

Sol e chuva para momentos (im)perfeitos

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A minha relação com a chuva é complicada, no entanto, recordo muitos lugares onde estava pela vez primeira, precisamente pela chuva, pela escuridão que produz adensando as cores para depois lhe dar uma demão de verniz por cima. Foi assim, num desses dias, que nos já longínquos anos oitenta assentei praça no Regimento de Angra do Heroísmo. Depois de tomar conta do meu canto, arrumados os pertences, liguei o pequeno rádio de pilhas e sai-me de lá uma canção de canto arrastado, com tanta melancolia como a do dia, com música a fazer lembrar o fado de Coimbra, com uma letra que nunca mais esqueci:

 

o sol perguntou à lua 
o sol perguntou à lua 
quando´a, quando havera amanhacer 
quando´a, quando havera amanhacer 

à vista dos olhos teus 
à vista dos olhos teus 
que vem, que vem o sol cá fazer 
que vem, que vem o sol cá fazer 

e o sol préguntou à lua 
quando havera amanhecer.

 

Era o primeiro dia de um longo ano que tinha de lá passar, pensei para com os meus botões... e acabei mesmo a murmurar o palavrão pensado: estou fodido!

Qual quê! Adorei, e ainda hoje recordo aquela cidade e aquela ilha com o carinho verde que a chuva lhe dá, muitas vezes a trautear " o sol préguntou à lua"...

 

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Melhor, ou igual, só mesmo o contraste do alentar das cores de um entardecer num degradê que se perde na escuridão do céu riscado pela passagem de um avião, com o desenho negro dos contornos de imagens de marca da minha cidade, de CHAVES, claro!

 

Depois da correria de ontem e do toutiço na testa, hoje já estou melhor, obrigado!  

 

05
Dez18

Crónicas de assim dizer

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Como eu me propus a educar deus e falhei

 

Em termos gerais, digamos que nesta idade, quando tropeçamos em deus e de repente Ele nos aparece à frente, só agora, quando teve a vida toda para o fazer e nunca o fez, e sabe Deus como às vezes era mesmo preciso para continuar, a nossa primeira tendência, em termos de atitude, porque a vida também já se encarregou de nos dizer que certos registos de comportamento em que teimamos insistir e não é pleonasmo literário porque o uso no sentido de reforçar a teimosia, ao limite, que às vezes temos, dizia, a nossa primeira tendência é agradar-Lhe e fazêmo-lo por vários razões: uma delas é porque Lhe reconhecemos, sabe-se lá porquê, alguma superioridade, ao menos em determinados aspectos, depois porque nos convencemos que Ele tem qualquer coisa para nos ensinar e adoptamos aquela atitude de professor e aluno: calamos quando não concordamos com Ele, fazemos que não ouvimos quando Ele divaga e começa o seu discurso do Eu, remetendo-nos, a nós, para a nossa insignificância de seres apenas humanos e quando Ele chega ao ponto, porque Ele chega com frequência a esse ponto, de se achar único e com direito a tudo, e deveres em nada, ignorando e desprezando os sentimentos que eventualmente tenhamos em relação ao que Ele nos diz, nós baixamos a cabeça!

 

Mas de repente começamos, com naturalidade, por causa daquela capacidade que temos de nos indignar e que é saudável pela característica peculiar que alguns de nós têm do espírito ou capacidade crítica, a perceber que talvez tenhamos escolha à imposição de que Ele nos quer ver reféns e de que se sente com absoluto direiro: “é assim que eu quero que faças” ou “eu não gosto disto em ti e por isso, se queres continuar a frequentar a minha igreja, vais ter de mudar, independentemente de gostares ou não, independentemente de sofreres ou não com isso, independentemente de seres ou não capaz. Eu não gosto! Eu não quero!”

 

Neste ponto começa a trabalhar em nós uma coisa que nem sempre sabemos que temos e aqui depende de sermos homens ou mulheres, porque uns temos umas e outros têm outras: as hormonas, chamemos-lhe assim só porque temos de lhe chamar alguma coisa e para que possamos avançar nesta exposição em que, arrisco dizer, o nome que damos às coisas não tem assim tanta importância, desde que a gente se entenda e se fixe mais no sentido que queremos dar às palavras do que noutra coisa qualquer. Ja percebemos, nesta altura da vida, que a questão da nomenclatura passa imediatamente para segundo plano quando temos em mãos coisas muito mais importantes como o entender das coisas.

 

Começamos então, nesta fase em que agora estamos, a equacionar diferentes formas de nos relacionarmos com Ele porque, apesar de tudo, e nós temos consciencia disso, nós queremos continuar a relacionar-nos com Ele e queremos até mais do que isso: que a relação seja saudável e que nos traga ou continue a trazer um ensinamento das coisas e uma aprendizagem da vida, sobretudo sobre aquela parte dela em que ainda não vivemos.

 

Julgamos, ou estamos convencidos, que vem a dar no mesmo, que mercê do título, Ele sabe mais do que nós, está mais preparado, tem mais experiência, mais sabedoria e conhecimento e até, ao ponto que nós chegamos, está seriamente preocupado connosco, supostamente seus filhos. Independentemente da metáfora ser cordeiros, somos filhos de Deus.

 

Pois parece-me agora que é exactamente aqui que nos enganamos. E não é fácil:

 

Primeiro, tomar consciência de que nos enganámos;

 

Segundo, achar que aquilo que tínhamos como perfeito tem imprecisões, algumas do tamanho do universo que Ele próprio criou;

 

Terceiro, pôr a hipótese de ser um crápula e

 

Quarto, suspeitar que, sabe-se lá por que razões ou motivos, Ele se quer vingar de nós.

 

E somos de facto engraçados neste ponto, depois da primeira reação que é o sofrimento de nos sentirmos abandonados e desprezados pelo pai, a coisa que fazemos logo a seguir é arranjar justificações para a sua atitude: talvez tenha tido uma vida difícil antes de chegar à coroação, ao altar que agora ocupa em todas as igrejas, acima de santos, anjos, arcanjos e do resto da família religiosa, dita assim, uma vez que não há em toda essa descendência o pecado da carne, a hereditariedade e a genética a justificarem o aumento exponencial dos defeitos ou a tendência para aprimorar qualidades que, de facto, não tem.

 

Percebemos, só neste ponto, que certas características ou qualidades que tínhamos como certas, estão nele não só em défice e mesmo ausentes como ainda tem a percepção de se convencer intimamente que é o único a tê-las e a considerarnos, a nós que o veneramos, como menores, incapazes e limitados, no que se refere a pensamentos, deduções, convicções e atitudes que afirma, em oração, gostar de ver em nós e que não vê! A questão que Ele nem sequer coloca, é que as temos todas, varia apenas nelas a importância que lhe damos e a forma como lidamos com elas. No nosso caso muito bem, no d’Ele incapaz de as saber interpretar porque lhe falta o resto: elasticidade mental!

 

E se há coisa que não lhe podemos perguntar, mas nunca, é: meu deus porque nos abandonaste? Só porque ele nunca nos vai dizer a verdade e vai desatar numa ladainha que nos vai fazer acreditar muito injustamente, isto não se faz a ninguém e muito menos a um filho, que a culpa é nossa. E isso é manifestamente impossível! E a razão é tão óbvia que até dá pena: nós não temos poderes!

 

Nota: Há um erro no texto de que já todos deram conta: onde se lê “Ele”, deve ler-se “ele”. Fica a nota para os não tão atentos a estas coisas da Língua.

 

Cristina Pizarro

 

 

 

04
Dez18

Uma no cravo, outra na ferradura...

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Uma no cravo, outra na ferradura

 

Já era tarde, muito tarde,  entardecia já a fugir para o anoitecer, tinha de regressar quanto antes, não podia chegar de noite a casa. Comecei a correr espavorido de todo, mesmo esgazeado, mas os meus passos não ganhavam terreno, forcei mais um pouco, cai de cabeça, fiz um galo mesmo no centro da testa, esperei um pouco, dois ou três segundos, não recordo bem quantas horas foram, pois a minha memória a partir da cabeçada começou a atraiçoar-me, já nem sabia o que fazia ali, só recordava que tinha de correr, correr, correr muito. Ergui-me, abanei a cabeça ao de leve, depois mais violentamente, e nada, parecia não haver nada solto dentro dela, resolvi correr de novo, agora sim, corria, corria, cada vez mais depressa, tanto que os olhos se encheram de lágrimas começando a toldar-me a visão, primeiro apenas um pouco, depois por completo, mas continuava a correr. Notava pela resistência do ar que a velocidade era cada vez maior, e eu sem ver nada, caía sucessivamente mas enrolava, cambalhoteava e continuava sem nunca parar, não sei quanto tempo, minutos, horas, talvez dias, tenho ideia de ter passado por alguns apeadeiros e uma ou duas estações, pelo calor, talvez fossem a primavera e o verão, mas não tenho a certeza, pois continuava sem ver boi à minha frente, mas continuava a correr, corria cada vez mais, tropeçava, enrolava, cambalhoteva, erguia e voltava a correr, continua…

 

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Enquanto esperava, tive tempo para umas fotos, para uma leitura de uma ou outra notícia…

 

“As redes sociais foram um fenómeno que nos permitiu ter acesso a conteúdos que, de outra forma, seriam muito difíceis de ter conhecimento. Mas… nem tudo são rosas e, a verdade, é que muitas pessoas não estão ‘educadas’ para saberem estar na Internet no geral e nas redes sociais em particular.

Por sua vez, o escritor italiano Umberto Eco, vem acentuar essa ideia, afirmando que as redes sociais vieram dar voz aos imbecis!

As declarações foram feitas (…) no decorrer do evento no qual Umberto Eco recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura, na Universidade de Turim, no norte de Itália.

O escritor italiano de renome, também conhecido por criticar o papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, é da opinião que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que, antes destas plataformas, apenas falavam nos bares, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a colectividade.

 

Segundo Umberto Eco:

“Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora têm o mesmo direito à palavra que um Prémio Nobel”.

 

Depois, ainda à espera, já no conforto do assento popó, passei pelas brasas e deu no que deu. Já uma vez vos tinha dito aqui que sou bom a esperar….

É melhor ficar por aqui!

Até amanhã!

 

04
Dez18

Chaves D´Aurora

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  1. CADAFALSO.

 

Maria Aurora Antonieta Bernardes encaminhou-se ao cadafalso e, se por fora, mostrava-se pálida e inerte, mais abatida estava em seu interior. Parecia-lhe, de repente, que o corredor a conduzi-la da Bastilha ao gabinete de Papá, nessa triste manhã, estava muito maior que o malfadado túnel de seu desatino. Enorme, infindável, tortuoso.

 

Ao passar pelo quarto dos rapazes, ouviu vozes exaltadas dos irmãos, a dizerem coisas como – Ai que vou matar esse gajo! – ou – Deviam fazer com ele, sabes o quê? Pegar-lhe com jeito os penduricalhos e ó! Nem aos leitões! – e, logo a seguir, baixou a cabeça diante do quarto das irmãs. Ali, a plebe jacobina, representada por Aldenora e Aurélia, embora não gritasse aos ouvidos de um invisível carrasco, como a rainha de copas no País das Maravilhas – Cortem-lhe a cabeça! – atirava à infeliz rapariga olhares de mágoa e reprovação.

 

Já próximo à sala íntima do pai, consolada pelo abraço à cintura que lhe dava Arminda, Mamã estava a chorar baixinho, com um lencinho de cambraia dobrado e encostado aos lábios. Ao ver a filha infortunada, abraçou-a e lhe beijou a testa.

 

Aurora entrou. Postou-se atrás da cadeira onde sentava-se João Reis, o pai que tanto amava e por quem sempre fora (e temia, a essa altura, já não ser mais) tão amada. Sentado na cadeira de balanço, voltado para a janela, cá estava aquele que o povo da terra alcunhara de brasileiro. Partira bem jovem às terras do Pará, na Amazónia e por lá fizera fortuna. Casara com uma ditosa rapariga, filha de boas gentes aveirenses que por lá andavam. Tornara depois à terrinha, com um ótimo tino comercial e muita fibra, e por cá ficara, na esperança de multiplicar, em Chaves, a fortuna amealhada no Além-mar.

 

Era nesse momento, porém, um pobre homem, alquebrado pelo desgosto repentino, que o não deixara dormir durante a noite passada. Lembrava-se, naquele momento, do dia em que Aurora nasceu e, por acaso, não fora um dia qualquer em Belém do Pará.

 

 

(continua)

 

fim-de-post

 

 

 

03
Dez18

De Vila Nova até Sidrós e a Ponte do Diabo

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No “Barroso aqui tão perto” de hoje vamos até um daqueles (Barrosos) que nos fica mais distante, com uma abordagem um bocadinho diferente daquilo que é habitual, pois em vez de uma aldeia, vamos ter duas, mas também um capítulo especial dedicado a uma das pontes mais afamadas da região, com direito a lendas e até a “milagres” do diabo, daí também ser conhecida como a Ponte do diabo ou Ponte da Misarela.

 

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Vamos então até Vila Nova e Sidrós, as aldeias, e até à Ponte da Misarela. A razão ou desculpa, de as juntar aqui hoje é simples – ficam todas perto entre si. Claro que só isto não seria razão, e até, bem poderiam vir aqui individualmente, aliás a Ponte da Misarela já teve aqui um post no blog, mas hoje é obrigatória mais uma abordagem.

 

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VILA NOVA e SIDRÓS

Na realidade tive de juntar as aldeias porque não tinha imagens suficientes para as deixar aqui individualmente. Talvez pudesse juntar Sidrós e a Ponte da Misarela, mas depois é que ficava mesmo sem imagens para Vila Nova. Tudo porque além das aldeias serem pequenas, também, talvez por falta de inspiração nas vezes que passei por Vila Nova e Sidrós não encontrei ou tive tempo para recolher mais motivos, mas costumo dizer, porque é verdade, que são coisas do subconsciente para me obrigar a voltar a estas localidades mais uma vez, e podem crer que vou voltar, pois a Ponte da Misarela não é senhora para uma só visita e para chegar até ela, lá teremos que passar por Vila Nova e Sidrós, e quem sabe,  na próxima vez pode acontecer que a inspiração esteja em alta.

 

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Continuemos com a localização destas duas aldeias para de seguida passarmos ao itinerário para lá chegar.

 

Ambas as aldeias estão implantadas na encosta da montanha  que desce para as curvas que o Rio Cávado faz imediatamente antes de entrar na barragem de Salamonde, bem próximas do rio, a apenas 200 metros deste. Mas tal como noutras localidades ribeirinhas do Rio Cávado, dada a vegetação e o declive do terreno, não se sente a sua presença.  

 

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Localiza-se também no limite sul do concelho de Montalegre, igualmente a 200 metros da aldeia de Sidrós, a linha de água que passa sob a Ponte da Misarela, serve de linha fronteira do concelho, tendo do outro lado o concelho de Vieira do Minho. Simultaneamente, é também limite da província de Trás-os-Montes, iniciando-se do outro lado da linha de água a província do Alto Minho. Curiosamente, não é limite do Barroso, pois as aldeias do concelho de Vieira do Minho mais próximas do concelho de Montalegre ainda são consideradas aldeias barrosãs e integrantes do território de Barroso. Com isto, poderemos dizer que embora a maior parte do território de Barroso pertença ao concelho de Montalegre e Boticas, estende-se ainda até aos concelhos de Vieira do Minho, Ribeira de Pena e Chaves.

 

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E por falar em Chaves, é daqui que partimos sempre para estas incursões no Barroso. Como vamos em maré de passeio e descoberta, a menor distância nem sempre conta para alcançarmos os nosso destinos. Vamos mais pelo fator interessante, principalmente o da paisagem, mas também o das localidades que se atravessam. Poder-se-á dizer que a via principal que atravessa o Barroso (a EN 103) nos poderia levar a todos os destinos do seu território, mas como quase sempre acontece com as vias principais, nem por isso são as mais interessantes. Poderão ter melhores condições, serem mais rápidas, menos distantes, mas às vezes sabe melhor andar pelas estradas secundárias.

 

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Pois desta vez para chegarmos a Vila Nova, Sidrós e à Ponte da Misarela, também poderíamos seguir pela EN 103, mas além de ser o mais longo (80km), é também o menos interessante. O mais curto é mesmo o itinerário via concelho de Boticas pela EN103+N311 (71.5Km), mas nós optámos pelo intermédio em distância (75Km), via Soutelinho da Raia, Montalegre, Paradela (barragem) via estradas municipais EM507 e EM508. Porquê!? Ora porque é dos trajetos mais interessantes do Barroso, por se passar ao lado da Serra do Larouco, por montes de aldeias tipicamente barrosãs, por passar por Montalegre e ao lado mas gozando das vistas do Parque Nacional da Peneda-Gêres e Serra do Gerês. Além disso, este trajeto resume aquilo que é o Barroso em termos físicos e orográficos, atravessando o agreste planalto da base da Serra do Larouco para a partir da Vila de Montalegre começarmos a entrar em pequenos vales entre montanhas que vão aumentando de verdura conforme vamos deixando Montalegre para trás, verdura essa que quando entra na Serra do Gerês para abruptamente para dar lugar ao reino do penedio, tudo isto e muito mais numa viagem de apenas 70 km.  

 

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Passemos agora aos topónimos de Vila Nova e Sidrós que nas primeiras impressões poderíamos dizer que Vila Nova teria surgido ao lado ou próxima de Villas mais antigas e Sidrós tem sabor à sidra da maçã. Mas isto sou eu a reinar, o que conta é o que está na “Toponímia de Barroso”. É para lá que vamos:

 

Vila Nova

Traz o nome com ela: há não muitos anos chamava-se Vila Nova de Sidrós, sinal de que alguns moradores de Sidrós se apartaram mais para junto dos seus campos formando um novo aglomerado populacional que, aliás, não é tão novo como isso. Aliás, Vila Nova pode muito bem ter começado devido à proximidade com o Cávado e, não havendo, como não havia até ao século passado nenhuma ponte por aquelas brenhas, a travessia do rio fazia-se em barcas. Uma frente a Vila Nova e outra, um pouco mais a poente, entre Frades e Cabril. E daí o topónimo: a “vila” se Nova.

 

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Sidrós

Não se entendem os toponimistas na etimologia deste lugar. Proponho Sudro e Sudros. A origem de sudro é desconhecida, mas são  vários os locais desse nome em Barroso e todos eles muito propícios a enxurradas. Na Vila da Ponte há Porto Sudro e Sudro em Pitões e Outeiro.

Ora a nossa povoação em 1258 NQ 1523 escrevia-se Sudroos, evidentemente diminutivo e plural do nome comum sudro.

Isto é, o Porto Sudro é a passagem onde ocasionalmente correm enxurradas e, portanto, fica surro, isto é, o local torna-se uma surreira com sujidade de godos e lamas. Em Sidrós, sítio atreito a enxurradas, a mesma coisa, com a modificação fonética corrente de passar o u a i por simples abrandamento. Assim sendo a grafia do topónimo não pode começar-se por C como é óbvio, mas por S.

 

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Ora bem, quanto aos meus palpites, o primeiro andou próximo, quanto ao segundo esparramei-me na lama da surreira. Era bem mais romântico Sidrós derivar da sidra da maçã que fresquinha cai melhor que ginjas e dá uma moca interessante do que derivar do surro da surreira, mas nem sempre o que parece é, daí aceitarmos que assim seja, aliás a zona (encosta da montanha onde se encontra Sidrós e Vila Nova) é bem conhecida por trágicas enxurradas, como, se bem me lembro, referi no Post de Covelo do Gerês,  aldeia próxima ainda na mesma encosta de montanha.

 

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E o que nos diz a “Toponímia Alegre”. Ora para Vila Nova temos uma quadra com cucos:

 

O cuco e mai-la cuca

Vieram ambos de fora:

O cuco vem da Ponteira

E a cuca de Vila Nova

 

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Ainda na "Toponímia Alegre" para Vila Nova mas também para Sidrós, a prosa é um pouco mais longa:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

 

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo,

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

de Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos dos Pardieiros,

Borra-Ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

Dizem os de Ponteira:

Fomos a ParadelaSidrós

Davam-nos caldo

E não tinham tigela!

 

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Passemos agora às nossas pesquisas.

Na internet sobre Vila Nova encontrámos um pequeno vídeo sobre a aldeia onde ficámos a saber da existência de uma Associação – Associação Amigos de Vila Nova. Fica um link para o vídeo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=uyqfD41aHvU

 

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Sobre Sidrós, graças à Ponte da Misarela, encontrámos algumas referências, uma que nos leva até à festa da Ponte da Misarela, ao que consegui apurar acontece no início de julho e e já vêm acontecendo desde 2012. Fica link para mais informação sobre estas festas:

https://www.cm-montalegre.pt/pages/823?news_id=4042

 

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No livro “Montalegre" encontrámos algumas referências a Vila Nova. Uma no capítulo “A grande rota das barragens”:

Em Sanguinhedo, a estrada começa a subir, passando por Padrões, até ao coroamento da barragem, continuando à direita pela EN 103-8. Daqui desça para Vila Nova e Sidrós, aldeias empoleiradas na garganta panorâmica do Rabagão. Nesta última aldeia pode visitar a Ponte do Diabo – ou da Misarela, que se ergue sobre os penhascos do leito do rio Rabagão. Aqui vê-se a ponte medieval da Misarela que, segundo a lenda teria sido construída pelo Diabo. Por ela passaram os franceses fugitivos, a quando da segunda invasão, chefiada por Soult.

As barragens do Parque Nacional da Peneda Gerês

Está-se assim na periferia do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), cuja entrada acontece um pouco mais à frente, junto à central hidroeléctrica de Vila Nova de onde  se pode contemplar o majestoso panorama da barragem de Salamonde.

 

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Outra referência a Vila Nova, refere-se à Central Elétrica existente, próxima da aldeia, apontada como ponto de interesse turístico e outra referência, no capítulo dedicado à freguesia de Paradela, numa referência à Barragem de Paradela e Venda Nova:

Na sede da freguesia demora uma barragem que assume uma grande novidade em termos de construção: o dique enorme foi erguido com pedregulho a granel, betonado a montante e com um sistema inovador de descarga num funil gigante associado ao túnel de profundidade. Tal como as da barragem da Venda Nova, as suas águas vão em tubarias gigantes fazer mover as turbinas da Central de Vila Nova produzindo energia hídrica.

 

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PONTE DA MISARELA – Ponte do diabo

Passemos agora a esta lendária mas também histórica ponte da Misarela, também conhecida por ponte do diabo, que faz parte do imaginário das lendas, da estórias barrosãs e consagrada em alguns romances e obras de importantes escritores portugueses, como no “Terra Fria” de Ferreira de Castro, também referida, incluindo as lendas nas Etnografias Transmontanas do Padre Lourenço Fonte entre outras. Mas, uma vez que ao respeito desta ponte temos quase tudo resumido no livro “Montalegre”, passamos à transcrição:

 

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As lendas constituíram desde sempre uma das mais fascinantes facetas da nossa cultura. A literatura oral barrosã conta, no seu impressionante espólio, com muitas lendas, algumas de inexcedível urdidura. Por isso, é a título de mero exemplo que contamos, aqui e agora, a lenda de Misarela, nas duas variantes populares mais correntes. Como todas as lendas a sua principal característica é estar relacionada com a ponte, naquele lugar belo–horrível, e abordando um tema de invulgar premência para o barrosão medieval: a constituição de uma família numerosa, com braços para o pastoreio, para a lavoura e para os serviços caseiros. É uma narrativa com razão de ser. O carácter étnico, ou seja, o carácter barrosânico desta lenda, é o carácter deste povo que a criou, que a acolheu e nela espelhou uma forma arcaica da liturgia do baptismo cristão. É possível identificar aqui as características das lendas? Terá um fundamento histórico a nossa lenda? Sem dúvida! Desde logo a ponte sobre o Regavão que, de início, era de madeira e, talvez só no século XVIII, de pedra; depois o baptismo dos nascituros que teriam de se chamar Senhorinhas e Gervásios, conforme o sexo - nomes próprios de nobres figuras regionais, da parcialidade dos Sousãos, senhores da terra barrosã e das redondezas minhotas e galegas, no século X e XI. Fica assim a nossa lenda situada no espaço e no tempo, duas características primordiais das lendas. Mas nela, como exige o maravilhoso popular dá-se o aparecimento do demónio e, igualmente, o maravilhoso cristão, na pessoa do padre que representa Deus.

 

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Lenda da Misarela

Um fidalgo duriense (há quem diga um criminoso) fugia desalmadamente aos beleguins do rei que injustamente o perseguiam e acusavam de traições. Quando chegou à Misarela o Regavão ia de monte a monte, medonhamente tempestuoso pelas chuvadas invernais. Vendo-se acossado e sem poder passar a corrente pediu a intervenção divina e de todos os santos que conhecia. Em vão. Não conseguia prosseguir a fuga. Lembrou-se então de invocar o poder do diabo em gritos desesperados:

-“Satanás! Satanás!

Passa-me que te dou a alma!”

E o diabo, aparecendo num estarrinco do trovão, respondeu:

-“Passarás, passarás, sem olhar para trás!”

 

No mesmo instante estendeu-se à sua frente uma ponte que o fidalgo (ou criminoso) atravessou. Mal pôs o pé na encosta fronteira, atrás de si, a ponte ruía com enormíssimo estrondo no abismo vertiginoso.

E assim fugiu à ira do monarca o tal fidalgo (ou criminoso) que decidira exilar-se em Barroso. Por aí viveu muitos anos ainda mas sempre roído de remorsos e angústias por ter dado a alma ao diabo.

Quando chegou a hora da morte mandou chamou o padre para se confessar. E contou-lhe o seu pecado. O padre absolveu-o, depois de exigir que confessasse toda a verdade e pensou que talvez fosse possível refazer a ponte sem grandes sacrifícios…

Tomou a caldeirinha da água benta e o hissope (há quem diga que foi uma laranja onde meteu água benta depois de lhe tirar do interior os favos por um orifício) e dirigiu-se uma noite ao local indicado pelo moribundo, invocando o diabo:

-“Satanás! Satanás!

Passa-me que te dou a alma!”

E repetiu-se a cena: o diabo (ao ribombar o trovão) apareceu e respondeu-lhe:

-“Passarás, passarás,

sem olhar para trás!’’

 

Num ápice reaparece entre dois penedões enormes a ponte. O padre começou a atravessar aspergindo água benta sobre a construção! (Também se diz que largou a laranja a rolar pela ponte! Eduardo Noronha, na sua obra “A marqueza de Chaves” diz que o padre aspergiu água benta da caldeirinha com um ramo de alecrim).

E assim ficou benzida a ponte! Nesse mesmo instante o diabo desapareceu como aparecera deixando no ar fortíssimo cheiro a enxofre, pez e incenso ( Noronha diz enxofre e salitre)… mas a ponte ficou de pé. Por isso há quem lhe chame Ponte do Diabo e Ponte do Salvador, mas para o nosso povo é a Ponte de Misarela, lugar mítico, mágico e sagrado.

As mulheres grávidas, com medo de abortar, dirigiam-se à ponte ao anoitecer e esperavam pacientemente que se verificassem duas coisas: que não passasse animal algum depois do pôr- do- sol e que a primeira pessoa a passar se dispusesse a baptizar o feto que trazia na barriga. Se tais condições se verificassem, a pessoa passante colheria das profundezas, com uma vasilha segura por uma corda, um pouco de água e, logo ali, regava o ventre da mulher desenhando cruzes e pronunciando ao mesmo tempo o ensalmo:

“Eu te baptizo pelo poder de Deus

e da Virgem Maria!

Padre-Nosso e Avé-Maria!

Se fores meninha (menina)

Serás Senhorinha;

Se fores rapaz Serás Gervás (Gervásio)”.

 

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A verdade é que são ainda muitas as pessoas que carregam esses chamadouros, saídos das noites passadas na ponte da Misarela!

 

A ponte da Misarela não deve ser conhecida apenas pela sua lenda nem por ser um sítio de beleza admirável ou simples cartaz turístico. É um local histórico que nos honra como povo amante da liberdade e cioso do seu sagrado chão.

As numerosas forças napoleónicas foram aqui acossadas, na muito tempestosa noite de dezasseis de Maio de 1809, às mãos de 800 paisanos barrosões, que esperaram em vão a chegada de reforços, porque as tropas anglo – portuguesas de Wellesley nunca chegaram. Desse facto há ecos no cancioneiro popular:

“Chorai meninas de França,

Chorai por vossos maridos,

Na ponte da Misarela

eram mais mortos que vivos!”

 

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A ponte deve também ser recordada porque lá se deu, em 25 de Janeiro de 1827, um recontro importante entre as tropas realistas do general Silveira e as tropas constitucionais do coronel Zagalo.

 

Ainda na Misarela, no dia 18 de Setembro de 1838, se feriu a cruenta batalha em que os liberais, liderados pelo General Antas, derrotaram as tropas cartistas do marechal Saldanha, do duque da Terceira e do barão de Leiria.

 

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Ainda sobre a lenda da ponte  e algumas estória reais, fica um interessante artigo (link) para:

 

MONTALEGRE: OS FILHOS DO DIABO

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/montalegre-os-filhos-do-diabo

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/montalegre-os-filhos-do-diabo , Consulta de 02/12/2018

https://www.cm-montalegre.pt/pages/823?news_id=4042 - Consulta de 02/12/2018

https://www.youtube.com/watch?v=uyqfD41aHvU - - Consulta de 02/12/2018

 

 

 

 

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03
Dez18

Quem conta um ponto...

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420 - Pérolas e Diamantes: A indignação necessária

 

Por incrível que pareça, houve  judeus que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial por causa do confirmado “paradoxo de Auschwitz”, segundo o qual os judeus que tivessem cometido um crime eram poupados às câmaras de gás. Fiquei a sabê-lo depois de ler o livro de Hanna Arendt, “Eichmann em Jerusalém – uma reportagem sobre a banalidade do mal”.

 

Lembro-me bem da minha avó me contar histórias verdadeiras sobre a guerra civil espanhola que contaminaram, de forma traumática, as populações da fronteira. Eram relatos difíceis de narrar. Ela tentava transmitir-me traços de um universo transfigurado. Acho que foi daí que surgiu o apelo de escrever poesia necessariamente pura, tentando recuperar a sua  alma, a sua candura e uma inocência de coração que só os justos possuem.

 

Ninguém, até hoje, conseguiu igualar a sua radiosa sinceridade.

 

Como disse o médico do exército alemão Peter Bamm, um dos raros memorialistas da Segunda Guerra Mundial, “um dos requintes dos governos totalitários do nosso século consiste em não permitir aos seus adversários que morram como mártires gloriosos em nome das suas convicções”.

 

Em todo o crime tem de haver castigo, pois, como dizia Grócio, ele é necessário “para defender a honra e a autoridade daquele que foi lesado pelo crime, a fim de que a ausência de castigo não cause a sua degradação”.

 

Uma coisa sabemos de ciência certa: a essência do totalitarismo, como a da burocracia, consiste em transformar os homens em funcionários, em singelas peças de máquina administrativa, ou seja, desumanizá-los.

 

Agora existe a tendência, supostamente baseada na psicologia e na biologia, de se atribuir um ato, não ao seu autor, mas aos mais diversos tipos de determinismo.

 

Também há literatos que defendem que a tentação e a coação são uma e a mesmo coisa, ou seja, de que não pode pedir-se a ninguém que resista à tentação. Ora esse argumento, além de falso e falacioso, dá muito jeito para defender comportamentos incorretos, quando não agressivos, em relação ao outro.

 

Parece existir uma espécie de tabu social que redobra quando se trata de criticar as palavras ou os atos de pessoas famosas ou que ocupam cargos de relevo. Costuma argumentar-se nestas ocasiões, com ar superior, que seria “superficial” insistir nos pormenores, ou mencionar nomes. E depois passam às generalizações, dando-se ares de gente sofisticada. Ou seja, que todos temos cor de burro quando foge e que todos, bem vistas as coisas, somos igualmente responsáveis, ou, no limite, que todos agiríamos da mesma maneira.

 

É normal negar os factos verificáveis e as responsabilidades individuais baseados em inumeráveis teorias fundadas em presunções genéricas, abstratas e hipotéticas. Por vezes até invocam o complexo de Édipo que, supostamente, todos transportamos. Tais teorias são tão abrangentes que explicam, e justificam, qualquer tipo de ato ou acontecimento. Quem assim argumenta parte do princípio de que não existem sequer outras alternativas e que, por isso, teria sido impossível agir de outra maneira.

 

Para o bem e para o mal, as responsabilidades morais individuais existem.

 

A ideia de que toda a culpa é coletiva e toda a inocência é individual está errada. Desta forma nenhum indivíduo pode ser considerado culpado ou inocente. É apenas vítima das circunstâncias.

 

Sob o ponto de vista moral, é quase tão mau sentirmo-nos culpados sem ter feito nada, como sentirmo-nos inocentes quando somos efetivamente culpados de alguma coisa.

 

É a velha luta entre ser e não ter e entre ter e não ser.

 

Existe sempre uma réstia de verdade nestas generalidades. De facto, é muito difícil resistir à ilusão das ideologias da moda. Existem os que querem compreender tudo com o intuito de perdoar tudo.

 

O esforço de objetividade deve dar lugar à indignação necessária.

 

De facto, a radicalidade do antissemitismo, que se exprimiu a partir de 1942 através da “solução final”, não foi objeto de desconfiança imediata. Ninguém conseguia acreditar no inacreditável. Dizem que foi a primeira vez que Deus morreu.

 

O comunismo, após 1945, que todos confundiam com a União Soviética e ainda mais com o Exército Vermelho, impôs aos países por onde passava um regime tão despótico quanto o dos nazis. Os mesmos campo de concentração recebiam outros “criminosos”, quando não os mesmos, pois os democratas e os liberais sofriam a mesma sina com Estaline e com Hitler.

 

Com estas atrocidades, Deus voltou a ressuscitar.

 

Como escreveu Raymond Aron a propósito das guerras: “A História nem sempre dá razão à inteligência de raciocínio. As fés coletivas, pelo menos no século XX, são, na sua maioria, grosseiras”.

 

João Madureira

 

01
Dez18

Samaiões - Chaves - Portugal

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Seguindo a ordem alfabética das nossas aldeias e depois de no último sábado ter passado por aqui a aldeia de Roriz, hoje calha a vez a Samaiões, a primeira das 33 aldeias do concelho de Chaves cujo topónimo começa por S.

 

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Samaiões, antiga sede de freguesia à qual pertenciam as aldeias de Outeiro Jusão e Izei, com a última reestruturação administrativa das freguesias portuguesas, passou a pertencer à união de freguesias da Madalena e Samaiões.  

 

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Embora Samaiões (aldeia) já esteja implantada em plena Serra do Brunheiro (nas suas faldas), a antiga freguesia já entrava praticamente na cidade, ocupando parte da reta do Raio X e passando mesmo o rio para a outra margem, incorporando no seu território o Bairro da Várzea e S. Fraústo. Apenas uma curiosidade mas que serve também para caracterizar a antiga freguesia, um misto de rural e urbana ou quase, pois ficava-se pela periferia da cidade.  

 

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Samaiões (freguesia) era também um misto de montanha e veiga. As aldeias em si, ocupavam às áreas elevadas deixando a veiga livre para a agricultura. Claro que isto acontecia quando a maioria da veiga era cultivada, ou melhor, antes de ao longo das principais ruas de freguesia, as que fazem o acesso à cidade, terem sido povoadas de construções, mesmo assim, a aldeia de Samaiões e Izei mantiveram a separação física entre elas e a cidade, já o mesmo não acontece com Outeiro Jusão, que na prática já não há separação entre a aldeia e a Madalena (cidade).

 

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Quando a aldeia de Samaiões, embora a proximidade da cidade e hoje fazendo parte de uma das freguesias da cidade, manteve a sua integridade como aldeia rural, que ainda vai mantendo a sua população e cultivando os seus campos, embora sirva também como aldeia dormitório.

 

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Samaiões é também uma aldeia miradouro da cidade e de toda a veiga de Chaves, desde onde se lançam excelentes vistas. Já o contrário não acontece, ou seja, a aldeia confunde-se um pouco com a montanha e com o arvoredo que a envolve.

 

1600-samaioes (126)

 

É uma das aldeias que às vezes fazemos calhar nos nossos itinerários, daí já ter passado aqui no blog várias vezes, não só por essa razão, mas também por ser uma aldeia sempre com motivos interessantes para fotografar. E continuaremos a passar por lá e pela certa continuará também a passar aqui pelo blog, mas a próxima, só depois de terminarmos esta ronda até chegarmos à última aldeia da lista – Vilela do Tâmega.

 

 

01
Dez18

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

A LISÍSTRATA OU A GREVE DO SEXO

 

Desde muito novo que me apaixonei pelo teatro.

 

Ainda pela mão de minha saudosa avó fui ao Cineteatro ver alguns espetáculos de amadores ou de profissionais que por vezes aqui se deslocavam em Tournée.

 

A cidade gostava de teatro e por norma, as representações esgotavam.

 

No Liceu em Chaves bem como no de Vil Real, o teatro esteve sempre presente na minha vida.

 

Representei e por vezes dirigi sobretudo nas récitas estudantis.

 

Em Coimbra pertenci ao CITAC, um grupo académico que todos os anos apresentava peças de autores contemporâneos.

 

Em Angola colaborei com o Teatro Experimental de Luanda.

 

Regressado a Chaves, depois do 25 de abril, liguei-me aos Canários, uma associação culturalmente empenhada e juntamente com alguns amigos fizemos teatro encenando criações coletivas.

 

Nos últimos anos, como amador sempre, participei na representação de algumas peças no pouco tempo que a vida de advogado me permitia.

 

 Nunca deixei, sempre que possível, de assistir aos espetáculos de teatro que por cá foram acontecendo.

 

Vem este introito, a propósitos da peça de Aristófanes “Lisístrata ou a greve do sexo” que vi no passado dia 7 apresentada pelo Teatro Fórum de Boticas, no Teatro Bento Martins.

 

O texto foi adaptado pelo grupo de um original escrito há mais de 2500 anos.

 

Há muito que desejava assistir a um espetáculo deste grupo porque me tinham chegado informações muito elogiosas.

 

Só agora contudo, tive oportunidade de presenciar esta representação que superou todas as espectativas.

 

Uma ótima encenação, atores e atrizes com desempenhos notáveis, superiormente dirigidos. O espetáculo decorreu sem falhas, sempre com um ritmo que prendeu assistência que lotava a sala.

 

O público manifestou o seu agrado aplaudindo de pé, prolongadamente.

 

Parabéns pois ao Fórum de Boticas, que pretendo ver mais vezes e que naquela noite me saciou a paixão antiga pelo teatro.

 

Termino esta crónica com uma frase de Frederico Garcia Lorca, dramaturgo e poeta que escreveu assim:

 

 “O teatro é uma escola de lágrimas e riso, uma tribuna livre onde os homens podem denunciar as morais antiquadas ou equívocas e explicar com exemplos vivos, as normas eternas do coração e do sentimento do homem”.

 

Depois das palavras, permitam-me que sensibilizado, termine com as minhas:

 

                        HAJA TEATRO!

                        VIVA O TEATRO!

 

António Roque

 

30
Nov18

Anoitecendo anoitestando !

1600-(42343)

 

Já sei que as imagens dizem tudo que há para dizer sobre elas, pelo menos há quem acredite que assim é, mas não, as imagens nada dizem, são sempre reproduções de um momento congelado onde lhe falta-lhe tudo, levando-nos ao engano daquilo que é a realidade e que só fica completa se tiver com ela os aromas, os sons, o calor ou frio a deslizar-nos nas faces. Quantas vezes não vamos atrás de uma imagem que vimos por aí e quando estamos perante ela, em carne e osso, é a desilusão total. No entanto não deixa de ser verdade que as imagens dizem quase tudo que há a dizer sobre elas, principalmente quando elas nos despertam sentimentos como a saudade e que nos transporta a outros momentos que temos congelados na memória, quer estejamos longe, ausentes, em que os sentires são mais intensos, ou por cá, presentes, onde também as imagens têm o dom de despertar emoções. Mas, continua a faltar-lhes os aromas, os sons e o sentir o ar nas faces. Nem há como anoitecer com a imagem, estando lá. Por mim, anoitecia lá todos os dias… mas como também não posso, contento-me com a imagem. E bou-me com esta!

 

 

 

 

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