Flavienses por outras terras - Inês Freitas

Inês Freitas
Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à zona de Cascais. Em São Domingos de Rana vamos encontrar a Inês Freitas.

Onde nasceu, concretamente?
Nasci em Chaves, mesmo na cidade.
Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?
- Infantário - Jardim Infantil de Chaves (Maria Rita)
- 1º Ciclo - Escola Primária da Estação
- 2º Ciclo - Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso
- 3º Ciclo - Escola Secundária Dr. Júlio Martins
- Secundário - Escola Secundária Dr. António Granjo
Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?
Foi em 2006, devido ao facto de ter ido para a Faculdade estudar. Apesar de nessa altura ir a casa todos os fins-de-semana, foi a partir daí que deixei literalmente de viver a tempo inteiro em Chaves, visto que após terminar a Faculdade mudei-me para Lisboa.
Em que locais já viveu ou trabalhou?
Nasci e vivi até aos meus 18 anos em Chaves. Depois, fui para Vila do Conde, onde tirei o meu curso. Depois, segui para Lisboa, onde vivi e trabalhei durante 9 anos passando por vários atelier's e agências de design e inclusive criando o meu próprio espaço. Em 2017 comecei a trabalhar numa agência de publicidade em Oeiras e acabei por me mudar passado pouco tempo para Oeiras por causa da logística. Atualmente vivo em São Domingos de Rana - Cascais.
Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:
Tenho imensas! Apesar já ter saído há 13 anos de Chaves parece-me tudo muito próximo. Mas posso destacar o tempo, o tempo que tinha para fazer as coisas e para me deslocar para os sítios. Sair para um local qualquer e saber que tinha sempre lá alguém que conhecia, mesmo sem combinar. O grupo de amigos, as rotinas de um sábado à noite, por exemplo, ou as sextas à noite de cinema, onde era todo um evento em que íamos em grupo ao ponto de ocupar uma fila inteira. Ir almoçar a casa dos avós após as aulas e ao final do dia estarmos todos juntos (pais e irmão) à mesa a contar as peripécias do dia de cada um. As tardes na biblioteca com a malta que metia sempre a meio um croissant com chocolate! Onde já vão as duas... acho que ficava aqui imenso tempo a relatar os meus dias. São essencialmente as pessoas e a vida que se levava.
Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:
Para começar sugeria um passeio no caminho pedonal que existe à volta do rio Tâmega. Este passeio, para além de ser muito agradável por toda a sua envolvência, permite passar por pontos fulcrais para quem visita a cidade, como por exemplo o MACNA (Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso), a Ponte Romana, que nem precisa de comentários, as Poldras, que são só para os mais corajosos e, claro, para terminar, ir ao Parque Termal beber um copinho de água e relaxar de toda a caminhada. Não posso deixar de referir o centro histórico onde temos uma arquitetura muito característica com as varandas coloridas, o Museu e a Torre de Menagem, onde ficamos a saber mais da nossa história e de onde podemos usufruir de uma bela vista.
Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?
Oh... muitas! Mas sem saudosismos, foi uma fase e uma fase incrível que foi crucial no que sou hoje, tenho noção disso. Acho que a esta resposta posso associar o mesmo que disse nas recordações que tenho, está tudo ligado. Mas são essencialmente as pessoas, tenho a minha família toda em Chaves e é acima de tudo por elas que vou com muita frequência e também claro, pela calma que a cidade me transmite.
Com que frequência regressa a Chaves?
Estando em Lisboa já consegui ir uma vez por mês, porque tinha mais flexibilidade no trabalho. Hoje em dia estando mais limitada de dias disponíveis, e visto que ir só de fim-de-semana não é muito compensador, vou de 2 em 2 meses, mais ou menos. Faço uma ginástica para ir em épocas festivas e espaçá-las de forma a equilibrar o calendário.
O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?
Mais abertura para coisas novas, embora confesso que me tenho surpreendido nas últimas vezes que tenho ido, sinto que de repente tivemos um boom de novidades a surgir e isso deixa-me realmente contente. Ter mais atividades culturais, mais espaços e atividades, mas lá está, a coisa está realmente a mudar. Mais investimento no Pólo Universitário ia ajudar bastante a cidade em muitos sentidos. Percebo que o futebol seja importante para a cidade, mas para mim a cidade é muito mais que isso e convém não ficar esquecido.
Gostaria de voltar para Chaves para viver?
Quem sabe, um dia! Neste momento não me faz sentido mas é sem dúvida algo que não coloco de parte, nem que seja daqui a muitos anos. Mas gostava de deixar bem saliente que Chaves é a minha terapia e se fico muito tempo sem ir, isso tem um efeito descomunal em mim. Saber que tenho sempre esse refúgio ali que me vai acolher deixa-me sem dúvida muito mais serena e feliz. É bom voltar!

Fotografia de Inês Freitas
O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.































