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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Mai20

Chaves D´Aurora

romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. ALEGRIA, ADEUS!

 

 

Um automóvel conversível, de encarnado bem vivo, com bolinhas e florezinhas brancas pintadas sobre o capô e nas laterais da carroçaria, versão moderna e motorizada da famosa Carochinha, parou à frente da estação. Envolvida em um vistoso casaco de peles e uma estola de marta (que, a esse tempo, a consciência ecológica ainda estava nula ou incipiente), dele saltou uma senhora que, ao ver os Bernardes, saudou-os em alto e bom som – Meus queridos! Não podeis partir sem o meu abraço!

 

Logo se pôs a abraçar um por um, inclusive a João Reis que, dessa vez, mostrou-se mais amável e recetivo, enquanto Afonso, mesmo que de pouco falar, exclamava – Ai que nos chega quem estava a faltar. Ai que a Alegria nos vem aquecer, esta manhã! – mas Adelaide, a desfazer, de repente, o que o rapaz dissera, tirou da bolsa encarnada um lencinho da mesma cor e enxugou os olhos, marejados de sincera tristeza. Ao sentar-se ao lado de Flor, no salão aquecido, abriu o casaco e revelou, por dentro, um belo vestido da mesma cor do automóvel. Arminda, após compartir com os demais o assombro diante do novo veículo – E a Carochinha, Tia Dedé? – devolveu novamente à alegre viúva o seu riso exclusivo e a tão saudável falta de siso – Ah, filha, agora sou uma mulher do século!

 

Ao conseguir um breve apartado que lhe propiciasse umas palavrinhas com Aurita, Adelaide abraçou e beijou a rapariga. – Pobre menina, amaste tanto a esse gajo e acabaste por ficar assim, com essa carinha de tristeza eterna. Quanta dor, depois de tanto amor! – e Aurora começou a chorar – Não, minha menina, não chores! De tudo sobrou-te esse querubim tão lindo, esse ai-jesus, teu e de toda a família. O que precisas entender, agora, é que de nada, nada mesmo, hás de ter culpa. Só é errado na vida fazer mal aos outros ou a si mesmo.

 

Aurora contestou – Mas se eu fiz a desgraça de todos os meus! – e a açoriana – Não, não fizeste. Cada um carrega na vida o baú de suas escolhas. Tiveste as tuas. Tua mãe, como quase todas as mulheres deste mundo em que vivemos, é alguém que deixa os maridos escolherem por ela, mas o teu pai... ele sempre teve, diante de si, várias escolhas a fazer. – Cuidou que ninguém mais a ouvisse e continuou – Bem podia o Reis ter procurado outras maneiras de resolver tudo isso. A mim parece que escolheu a pior. Acabou por condenar todos vós a um calvário sombrio, ao invés de buscar conservar apenas as alegrias da última ceia.

 

Mirou então os demais viajantes que seguiam para Braga ou ao Porto, dentre os quais alguns conhecidos de vista – Essa gente toda adora julgar os outros, mas ao sério e sem léria, detestam julgar a si mesmos. Essa gente... pouco se lhes dá, se é Cristo ou Barrabás. A cruz não é deles. Mas não culpes também ao senhor teu pai! São coisas da condição humana. Vai, busca sempre algum modo de ainda seres feliz! – e, dessa vez, as palavras da viúva não ficaram a entrar pelo Brunheiro e sair pelo Barrosão. Não sabia Adelaide, entretanto, que Aurora já estava com tudo bem arquitetado, a fim de ser feliz nos braços, para sempre amados, de um - agora - fiel e ajuizado Hernando, esperança de sua própria redenção.

 

 

  1. IRREVERÊNCIA, ADEUS!

 

O motorista atual de Dedé era um rapaz mais baixo, mais franzino e até alguns anos mais velho do que os valetes anteriores. Bicanço, bexigoso, era também aquilo que não se podia negar em dizer – um feio. Florinda custou a perguntar, mas não resistiu...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

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19
Mai20

Chaves D´Aurora

Romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. ADEUS, SIBILA.

 

 

Dentre as brumas de uma Avalon trasmontana, eis que um fantasma matinal veio a todos assombrar, aos que partiam e aos que se despediam na estação. Ali estava, diante de todos, Totonha de Murça. Mais velha, mais tétrica, mais horripilante e, pelo aroma que exalava, estava a merecer muito mais a alcunha da famosa porca de sua cidade natal (enorme escultura de pedra única, multissecular, possivelmente achada no castro de Cadaval e conduzida a Murça).

 

A caolha ergueu o seu cajado, carcomido por sucessivas gerações de cupins e, a cuspir por entre os cacos de seus últimos dentes, vociferou algumas palavras sem pausa e sem nexo aparente (mas das quais, um dia, Reis e os seus, no Brasil, haveriam de lembrar) – Vejo eu vejo vejo com estas manchas que comem o meu olho solteiro e mal me deixam enxergar mas eu vejo hoje tantas patacas no bolso amanhã muito suor e pouco ouro hoje pele de marta e de arminho nos ombros das princesas amanhã veste de algodão por cima da pele de asno dessas pobres meninas que vão para a leira trabalhar!

 

Prosseguiu – Hoje palácios bonitos e cheios de comedorias amanhã uma casita humilde de porta e janela onde essas moças bonitas mas sem cheiro de macho nos lençóis estão no ladinho de uma senhora de cara boa e serena que está a mascar e a cuspir as pontas de um charuto e todas estão a chorar porque a minha irmãzinha a Ti Sem Dó levou muito rápido para as veigas do Sem Volta o peito e a garganta daquele que fumava demais. – e isso irritou bastante a João Reis, que foi até à velha de Murça e a exortou – Basta, minha senhora, basta! – enquanto Arlindo acalmava o irmão – Deixa lá estar! Ela não sabe o que fala e a gente não ouve o que ela diz – mas Aurora, chegando-se à sibila, deu-lhe algumas moedas de bom valor.

 

Totonha, então, a escancarar para a rapariga o mais desdentado e horripilante dos sorrisos, falou-lhe mansamente, mas sempre sem qualquer pausa, como lhe era usual – Mas tu minha doce menina não estou a te ver junto da senhora que masca charutos nem das raparigas sem marido mas tu viverás para sempre ao lado de quem amas e que nunca de nunca vais deixar de amar embora eu te diga que vais carregar sempre contigo a saudade de outra criatura a quem queres tanto bem mas que de ti vai separar-se e tu jamais haverás de ver de novo embora essa criatura vá sempre estar contigo como parte do teu corpo e do teu coração.

 

Aurora sufocou um soluço repentino, a olhar já com futura saudade para a pequena Fátima que, alheia às eventuais ruindades da vida, dentre as quais a próxima e talvez definitiva separação de sua mãe, estava muito falante e a brincar, no entremeio dos adultos, enquanto a adivinha, após enrolar as moedas em alguns trapos, sumia, tal como viera, por entre as brumas da manhã.

 

 

  1. ALEGRIA, ADEUS!

 

Um automóvel conversível, de encarnado bem vivo, com bolinhas e florezinhas brancas pintadas sobre o capô e nas laterais da carroçaria, versão moderna e motorizada da famosa Carochinha, parou à frente da estação.

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12
Mai20

Chaves D´Aurora

romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. ADEUS, CHAVES!

 

 

À manhã da partida, bem cedo, já lá estava o cocheiro à frente da Quinta Grão Pará. Com o auxílio de Afonso, pôs-se a acomodar as malas, baús e todas as demais peças de bagagem da família no velho landó. Reis e os mais iriam em uma camioneta, com chofer à disposição, que o amigo Sarmento lhe havia emprestado. Ainda que Manuel de Fiães estivesse contente com os cavalos e o landó, os quais iriam servir-lhe, doravante, como o novo ganha-pão, Afonso logo lhe percebeu a humidade dos olhos, a explícita mostra dos sentimentos para com todos os que partiam. Tudo, enfim, a revelar a sincera emoção que aflorava da alma daquele homem simples, rústico, mas sensível.

 

Em toda a Veiga, camadas finas de gelo cobriam o solo das ruas, as plantas secas dos jardins, os telhados das casas e o que mais desse à vista. Dado que, nessa manhã tão fria, tudo em volta ainda estivesse bem ermo, as janelas do lar dos Camacho estavam fechadas e todos pareciam dormir. De Hernando, até mesmo os de sua casa não sabiam aos ondes nem por quantas ele andava. Só Aurita considerava-se a par de tudo, pois seu amado estava a se desenvencilhar dos últimos entraves e compromissos que ainda o impediam de partir com ela.

 

O que os Bernardes nunca souberam é que, por uma fresta, dona Mariazita olhava especialmente para a sua netinha, muito agasalhada e adormecida ao colo da mãe e rezava pela boa viagem e a buena dicha da criança. O que mais gostava é se pudesse, naquele momento, segurar as mãozitas da miúda e ler o seu destino.

 

 

Ao chegarem à estação de comboios, surpreenderam-se todos. Já lá se encontravam algumas pessoas a esperá-los, poucas, mas de muito apreço, mormente àquela hora e ao frio desse gélido final de outono de 1926, cuja neve já cobria com o seu alvo manto nupcial as serras ao redor: a tia Hortênsia, a tia Margarida, o tio Arlindo, o padre Augusto, o Mota com a esposa, os Gonzaga Sarmento, os Bacelar e mais alguns fregueses e antigos funcionários, todos emocionados a lhes darem seu adeus. Adeus, não, “até breve”, pois todos tentavam dizer algumas palavras de ânimo como – Se calhar que tu, ó Reis, em poucos anos estás a voltar a Portugal com a Florinda e os meninos. E com muito mais dinheiro! Quem sabe, tragas muito ouro e te estabeleças ao Porto ou a Lisboa.

 

Surpreenderam-se também com a presença ali da Manuela, a lavadeira, que viera especialmente de São Lourenço. Após cumprimentar a todos do clã, abraçou-se de um modo um pouco mais alongado com a – ai minha rica menina Aurora! – e, depois, um outro tanto, a Mamã. Depois, sem dizer palavra, afastou-se dali, a chorar copiosamente. Soube-se, algum tempo depois, em carta de Adelaide à Florinda, ter sido essa aldeã quem primeiro contou para algumas freguesas de lavados (e estas o fizeram chegar às Vila-Passos), o drama interno da família da Quinta Grão Pará. Isso deixou Reis ainda mais deprimido e os mais do clã ficaram todos bastante consternados, ao se lembrarem da querida e inesquecível Zefa, lamentavelmente injustiçada pela severidade do patriarca, o que levou este a pedir depois a Flor que o retratasse perante a barrosã, enviando-lhe do Brasil, com a mediação do Mota, uma carta e alguns réis.

 

  1. ADEUS, SIBILA.

 

Dentre as brumas de uma Avalon trasmontana, eis que um fantasma matinal veio a todos assombrar...

 

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05
Mai20

Chaves D´Aurora

Romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. PESAROSO ADEUS.

 

 

Nos dias anteriores ao da partida, os Bernardes foram até aos parentes e amigos mais fiéis, para cumprir um itinerário de visitas, das quais excluíam, certamente, aqueles que, sempre quando possível, fingiam não os ver ou faziam tudo para evitá-los. Mesmos tais, porém, a essa altura, já voltavam a tratá-los com uma falsa cordialidade que, ao Papá, muito enojava. Eram muitas as pessoas que agora, repentinamente, vinham cumprimentá-los e desejar boa viagem. À mente de João Reis, bem lhe parecia que essas pessoas estavam felizes, realmente, por se verem livres de um incómodo fardo social, como se fora um tumor canceroso, agora extirpado da comunidade, acondicionado em um frasco flutuante, ao formato de um navio a vapor e, finalmente, expelido para o Brasil.

 

À noite de véspera da partida, os Bernardes não se recolheram muito tarde. Atirar-se ao sono profundo, no entanto, alguns, como o Papá, mal o fizeram. Arminda dormiu agarradinha ao Mocho. O tareco, antes de ir até sua dona, sabe-se lá por quais felinos instintos, pôs-se a miar em um tom não usual e a roçar às pernas de cada uma das pessoas da casa, o que deixou a todos impressionados com esse facto insólito. Em carta que Sarmento enviou ao Reis, para tratar de alguns assuntos pendentes, contou que, por vários dias seguidos após a partida dos amigos, o Mochito ficou sem querer comer e a miar em tão alto volume, que deixava comovidos a todos os que passassem pela Estrada do Raio X.

 

Quanto aos cães, na antevéspera do embarque, Bubu apareceu à soleira da porta da casa do cocheiro e ali se deixou ficar. Este colocou-o no landó e o levou de volta à Quinta, mas o cão repetiu o trajeto inverso. No dia seguinte (véspera da partida), Manuel o fez retornar ao Raio X, mas este fugiu do landó e se deixou ficar, de novo, no mesmo sítio anterior, de onde não mais arredou pé, quer dizer, as patas. O cocheiro desistiu, enfim e acabou por incorporá-lo, definitivamente, aos porcos, galinhas, cabras e outros animais de seu pequeno património.

 

Já a velha Patusca, a canina dos olhos de Alfredo e que, na despedida do casal para a Argentina, proporcionara um momento bem sofrido de ganidos e uivos gemebundos, a contaminar de choro todas as mulheres do clã, foi dada a um latoeiro de Samaiões, o velho que estava sempre a vender suas panelas e fervedores às portas das casas de Chaves ou ao chão do Largo do Arrabalde. Talvez por depressão, morreu poucos meses depois!

 

No jardim da Quinta, Aurora plantara, por fim, só alguns poucos amores-perfeitos. Eram de um violeta tão escuro e aveludado, que pareciam...

 

Negros.

 

 

 

 

  1. ADEUS, CHAVES!

 

 

À manhã da partida, bem cedo, já lá estava o cocheiro à frente da Quinta Grão Pará. Com o auxílio de Afonso, pôs-se a acomodar as...

 

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28
Abr20

Chaves D´Aurora

ROMANCE


1600-chavesdaurora

 

 

 

  1. AFETUOSO ADEUS.

 

 

Ao abraço de adeus, os olhos de Lucinda encheram-se d’água e ela murmurou – Pobre menina, não sei que futuro melhor esteja a te esperar, se com os teus pais, com o cigano, ou até mesmo sozinha, caso ele te abandone a um canto qualquer por aí, pelo mundo! – ao que Aurora murmurou – Nem m’o fales! Se já não sou mais pura! – e logo foi contestada – Pura?! Mas és pura, sim, uma das raparigas mais puras que já conheci!

 

A moça falava, então, pelo que aprendera nas escolas do mundo – Acho que tudo vale a pena, quando é um ato de paz na Terra entre os seres de boa vontade – ao dizer isso, talvez não conhecesse ainda os versos de uma pessoa que lhe era contemporânea e, hoje, é considerada um dos maiores poetas da língua portuguesa: “tudo vale a pena, se a alma não é pequena” – mas concluiria, no entanto, com outras sapiências – Sim, vale sim, quando é um trato de amor entre nós, seres humanos que, uma hora estamos a gozar do que é bom, outra hora a sofrer do que é mal, sempre à mercê daquela senhora que ninguém convida para a festa, mas sempre aparece quando menos se espera.

 

Aurora, após observar alguns gajos que passavam – O primo Rodrigo disse que há muito, muito tempo, nós, as mulheres... a gente é que mandava no mundo – o que fez Lucinda altear a voz – Mas agora, só os homens é que dão as cartas! – ao que Aurita retorquiu, com a sua contumaz humildade – Que se há de fazer? A nós, mulheres, só nos dá jogar conforme o jogo – o que a Lucinda não conformava – O jogo deles. É, mas queira Deus não o seja para sempre! O pior é que eles meteram na cabeça que toda mulher tem de ser pura, guardar-se assim para o marido e até continuar pura, todas as vezes que se deitar com ele para lhe servir. Menos as prostitutas, pois estas, para eles, não são mulheres. São éguas amansadas para as suas montadas e cavalgadas.

 

Continuou a dar suas aulas de plena vivência – Ah, os homens! Eles se lambuzam de prazer com as rameiras, pois que um dia, tu sabes, já fui uma delas. Mas eles... ora, pois, que eles podem fazer isso quantas vezes quiserem e nunca vão achar que estão sujos. Para eles, são coisas de homem. Na verdade eles nos dividem em dois tipos de mulheres. As santas senhoras do lar, que só podem lhes oferecer uma única porta, por onde eles entram quando bem querem e que, em todos os tempos, elas devem manter limpa e purificada, para a sagrada devoção dos maridos; e as mulheres da taverna, com todas as portas por onde eles acham que podem entrar, quando bem quiserem e se servir à vontade, apenas por esfregarem na cara delas um manhuço de réis... Agora me diz, quais são as verdadeiras santas? As de casa ou as rameiras?

 

Aurora, contudo, traduzia-se confusa – Afinal de contas... o que achas que é ser pura? – e Lucinda – Ora, ora, minha amiga, tu. És tão pura, na mente e no coração, que nem te dás conta, mesmo quando a tua alma sofre com a sujeira do mundo! – Então, quase a chorar, precipitou o adeus – Vai com Deus, menina, que ainda sejas feliz, mesmo que tenhas cometido o maior dos pecados – ao que Aurita ergueu para a amiga um olhar de espanto – O maior dos pecados?! – Sim, o de amares demais. Mas estou a brincar com isso. Na verdade, minha boa Aurora, tudo que nos leva ao céu é coisa santa. E há de ter coisa que nos leve mais para o alto, mais para o céu, mais para o infinito do que o amor?

 

Abraçaram-se. Veio de Lucinda a recomendação final – Cuida-te, pois, minha amiga! Cuida-te sempre! Mas procura ver se esse gajo te ama de verdade. A falta de amor está sempre a estragar tudo... e pode levar qualquer um ao pior dos infernos! – mas todas essas palavras, como de costume, entravam e saíam da mente de Aurora, como um vento leve que vem do Brunheiro e logo se vai para o Barrosão.

 

Assim que se distanciou da costureira, a brasilita correu até à Rua Direita, próximo à Igreja Matriz e parou diante de um nicho de 1808, entranhado à parede de um prédio multissecular e no qual, até hoje, guarda-se uma bela imagem de Nossa Senhora do Bom Encontro. Como fosse a uma hora de discreto movimento, postou-se diante da santa e rezou uma salve-rainha, a implorar que, à hora, dia e local aprazados, Hernando fosse até ela, para o mais ansiado e feliz encontro de sua vida.

 

nicho.PNG

Nicho com imagem de N.S. do Bom Encontro(1808).

Chaves (PT). Foto do Autor (2010).

 

 

 

  1. PESAROSO ADEUS.

 

Nos dias anteriores ao da partida, os Bernardes foram até aos parentes e amigos mais fiéis, para cumprir um...

 

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21
Abr20

Chaves D´Aurora

romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. TRAGÉDIA FAMILIAR.

 

Como na via-sacra da quaresma, Florinda percorreu, um por um, os cómodos da casa, a se deter em cada paragem que a fazia lembrar-se de algo especial: aqui o Alfredo machucou o pezinho; ali a Lilinha escondeu uma boneca da Arminda e ela se pôs a correr, chateadinha, até ao colo da Mamã; acolá o Afonso e Aldenora acharam um ninho de vespas ao telhado; e aqui, na cozinha... o rosto sofrido de Aurora, a querer lhe dizer, sem conseguir – Estou prenha, Mamã!

 

Balançou, com os meneios de cabeça, de um lado para o outro, a sua profunda melancolia. Correu ao quarto do casal, pois, àquela altura, gostava de se ajoelhar diante do velho oratório. Este, porém, tal como o santuário menor ao quarto de Aurora, ali já não mais estava, embalado que o fora para a grande viagem. Rezou então diante do nada, do vazio, símbolo daqueles tristes e tormentosos dias.

 

Papá deixava-se trancar o tempo todo na salinha, taciturno, a fumar seus últimos havanos (sem saber que restavam mais alguns, guardados por sua Flor). Não lhe gostava tornar a esse hábito, quando estivesse no Brasil. Considerava que isso lhe estaria sempre a recordar um tempo feliz, mas que, conforme prenunciava a si mesmo, nunca mais voltaria a deslizar entre os ponteiros do seu relógio existencial. Começava, agora, a se valer dos cigarros comuns, para todos os momentos, a encher qualquer cinzeiro da casa, fosse este de prata, de cristal ou de simples latão.

 

Deixava-se ficar horas seguidas por lá, em seu canto e desencanto, a olhar um passe-partout de estanho com o retrato dos filhos, quando estes ainda eram pequenos e tudo na vida estava a fluir e fruir. Todos eles apareciam em uma postura rígida, com aquelas carinhas sérias, próprias das fotos de antigamente, mas Reis lembrava que, nesse dia, tão logo o artista da Foto Alves acabara de fotografá-los, os miúdos fizeram a maior algazarra em volta de si e de Mamã. Tudo isso, portanto, bem antes de os filhos criados começarem a dar os trabalhos dobrados do famosos dito popular.

 

Desonra, desgosto e depressão – esses três dês podiam resumir-se em uma só palavra: tragédia. Uma quase tragédia familiar. Tudo isso dava os panos a Aldenora e Aurélia, para as mangas que não deixavam um minuto sequer de paz à penitente. Aurora, conformadinha como sempre, vivia a se desdobrar nos preparativos da viagem, tentando acomodar, nos últimos baús disponíveis, a bagagem remanescente. Chateza mesmo era escutar as lamúrias daquelas irmãs, que só arrumavam para a viagem os seus próprios pertences – Ora, pois, Aurita, estás contente? – Viste lá, sua tonta, o que fizeste com todos nós? – Espero que nós ainda tenhamos a graça de arranjar marido ao Brasil, senão… a culpa vai ser toda tua! – Mas alguma coisa me diz, a me dar um nó na garganta, que nunca mais chegaremos a casar. E tudo isso, sabes porquê? – Por causa da tua imoralidade, tua falta de pudor, tua insanidade mental!

 

Eram esses e muitos outros os impropérios que Aurita estaria sujeita a escutar, por muitos e muitos anos, se não houvesse a certeza de ser amada por Hernando e de que, em breve, ele estaria a salvá-la de todos os infortúnios. Graças a isso, portanto, aos poucos ela estava a recuperar sua autoestima. Chegou até mesmo a erguer os olhos, algumas vezes e, deixando de lado a sua costumeira humildade, encarar com raiva as irmãs.

 

Uma única vez se deixou abater. Na azáfama de selecionar as miudezas que deveria encaixotar para viagem, estava a jogar fora, junto com os animais empalhados e outras coisas sem serventia, tantas outras mais, imateriais, recônditas, ejetadas do mais íntimo de si. Não só o que ficaria no aquém mar, porém tudo aquilo que não mais, nunca mais, iria estar à cova da memória. Eis então que o quadro de Nossa Senhora de Fátima escapou-lhe dos dedos e o vidro rachou-se, fazendo a rapariga entrever, por baixo das fendas do mosaico de cacos que ora se formara, o seu discreto sorriso de adolescente. Comoveu-se com os olhos de ontem a encarar os de hoje, infeliz menina retratada a um tempo em que mal começara a saber do Amor. Em um rápido impulso, atirou o óleo emoldurado a uma pequena fogueira, disposta para os devidos fins.

 

A alguém que, dela, próximo estivesse, teria passado um toque de humor involuntário. Ao compreender, de imediato, o sacrilégio que acabara de cometer com uma imagem santa e benta por um cura, pôs as mãos na cabeça – Ai meu Deus, mas o que eu fiz?! Nem Santa Joana! Joguei Nossa Senhora na fogueira!

 

 

  1. AFETUOSO ADEUS.

 

Ao abraço de adeus, os olhos de Lucinda encheram-se d’água e ela murmurou – Pobre menina, não sei que futuro melhor esteja a te esperar, se com...

 

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14
Abr20

Chaves D´Aurora

romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. PÁSSAROS.

 

 

No último dia dos Bernardes ao Raio X, ao abrir uma janela, Aurélia deixou seus ouvidos inebriarem-se do canto dos passarinhos. Ah, os pássaros de Chaves! Eles estão por toda parte e alguns, como cantam! Tordos, toutinegras, estorninhos, rouxinóis, rolas-turcas, melros, chapins, bicos-de-lacre, piscos, ferreirinhas, cotovias, chamarizes, pintassilgos, vendilhões... e muitos outros que, àquela altura, abundavam na veiga, nos jardins, nos pomares e nas margens arborizadas do Tâmega.

 

Talvez, ao quintal da casa onde fossem morar no Brasil, houvesse muitas espécies de aves canoras, pois, afinal, apesar de ser uma urbe crescida, Belém era parte vital dessa Amazónia, cercada de rios e de extensas matas. Apesar disso, porém, era possível que Lilinha, quando chegasse ao Brasil, ao se referir à terrinha distante, repetisse, a uma inversão geográfica, os versos do poeta maranhense Gonçalves Dias, em sua “Canção do Exílio”: “As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

 

 

  1. PIANO.

 

A casa estava agora apenas com os móveis comprados pelo senhor Sarmento e que lá mesmo, portanto, haveriam de ficar. Dentre estes, o piano sobressaía à sala de jantar onde todos da família, agora, viviam a se reunir, juntos mas isolados, em seus mudos solilóquios. Fechado, suas teclas estavam agora a tocar, por si só e para si mesmo, uma sinfonia de silêncios, um réquiem de disfonia sepulcral.

 

Após contemplá-lo por alguns minutos, Aurora resolveu abri-lo e deixar as marcas doridas de seus dedos, em cada uma das teclas. Selecionou algumas partituras e se pôs a tocar, como há muito tempo não fazia, Bach, Mozart, Lizt, Beethoven, Chopin… Aldenora ainda fez menção de impedi-la, achando aquilo tudo um disparate, mas o próprio pai a demoveu de tal censura.

 

Estavam todos ali emocionados, em volta do instrumento, apenas o pai à parte, mas como um ouvinte bem atento. A essa altura, ninguém externava mais seu pranto, nem mesmo Florinda. Talvez chorassem por dentro, como os jovens sentinelas do Palácio de Buckingham ou os da Guarda Suíça, ao Vaticano, obrigados a não se mexerem, reagirem ou expressarem qualquer emoção em suas faces petrificadas, ainda que lhes venha ao pensamento, de pronto, a lembrança da mãe que faleceu, ou a saudade de um amor que já se foi.

 

Quando Aurora tocou uma velha canção portuguesa, a que todos ali conheciam, o canto, no entanto, fez-se um pranto geral, ainda que não aos borbotões. Até mesmo nos olhos do patriarca podia-se ver alguma humidade, sinal de lágrimas contidas a lhe escorrerem para dentro da alma. Era um choro coletivo, mas calmo, suave, tão silencioso quanto a melodia de tons emudecidos que o piano, ao ser novamente abandonado, recomeçou a tocar para si mesmo.

 

O que Aurora perguntava-se agora é se, ao futuro – qui lo sa? – aqueles belos sons ainda continuariam a sair de suas mãos, em algum outro piano d’além mar.

 

 

  1. TRAGÉDIA FAMILIAR.

 

Como na via-sacra da quaresma, Florinda percorreu, um por um, os cómodos da casa,...

 

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07
Abr20

Chaves D´Aurora

ROMANCE


1600-chavesdaurora

 

 

  1. SUB JUDICE.

 

 

Ao dizer tudo isso a Lucinda, esta, com o auxílio de um dedo indicador e um polegar sobre as pálpebras da rapariga, atentou para o facto de que os olhos de Aurita deveriam ficar bem abertos, cada vez mais e sempre. Depois falou-lhe, a balançar a cabeça com descrédito – Tens que estar muito segura de que ele te ama, de facto. Quando duas almas unem seus corpos por se amarem de verdade, podem voar bem livres, até às mais altas nuvens e montanhas. Tudo pode se tornar mágico e belo, como num circo, mesmo entre as paredes de uma humilde habitação. Mas te pergunto, minha boa Aurita, será que esse gajo te ama, realmente, ao menos um tantito assim, de tudo o quanto estás a merecer? – Tornou a balançar a cabeça – Ou será que ele está apenas a querer se aproveitar de ti, como às mulheres pataqueiras?

 

Ante à previsível reação de Aurora, acalmou-a – Não, não! Estás a ver que eu não estou a insinuar coisa alguma... lá isso, não! Tal não é, nem nunca haverá de ser do teu feitio! Ah, minha rica menina! É preciso perceber se ele te ama para todas as horas e não apenas para os minutos de seu bel prazer – e tirou então, do baú de suas experiências, a assertiva de que a maioria dos homens (pelo menos os daquela época), está pouco a se importar em ver suas mulheres alcandoradas, antes, durante e após fazer amor. Quase todos querem, na verdade, apenas que elas fiquem a satisfazê-los, em seus caprichos de macho.

 

Aurora tentou dizer – Mas o Hernando... – calou-se, porém, incerta quanto ao que ia completar, enquanto a amiga explicava – Os machos orgulham-se de seus membros viris e até se comparam, entre eles, as grossuras e tamanhos, mas troçam das partes íntimas de nós, mulheres. Alguns chegam até a demonstrar nojo de chegar a face perto de nossas partes íntimas, acham uma coisa feia de se ver e, quando se aventuram a olhar, dizem a rir que “aquela coisa sabe a bacalhau” – factos para os quais Aurita jamais atinara e tudo isso a deixou impressionada – Mas são todos assim ?! – Lucinda balançou a cabeça – Salvam-se alguns.

 

Tudo isso era o que a amiga opinava, mas, pelo menos àquela altura e até várias décadas depois, era bem real o que ela estava a afirmar e talvez pudesse, estatisticamente, confirmar-se no contexto de então. Ela prosseguiu, convicta – Aqueles que amam de facto as mulheres, sabem achar bonito qualquer cantinho do corpo de cada uma de nós; sabem beijar suas amantes de várias formas; sabem encontrar caminhos raros e carinhos intensos, que até mesmo algumas meninas não sabem existir e sequer imaginam como encontrar em si mesmas.

 

Aurora Bernardes, ainda que ficasse várias vezes a corar, chocada com a crueza da amiga ao falar de tantas coisas novas e estranhas (mormente que, ao falar disso tudo, a linguagem de Lucinda fosse bem mais rude e mais explícita do que a deste narrador) e embora muitas coisas e loisas ainda não lhe coubessem entender, guardou essas informações dentro de si, o máximo que pôde. E, dessa vez, aquém do Brunheiro e do Barrosão. Continuava a sonhar, todavia, que o amor de Hernando para consigo estava a se tornar tão grande, quanto a sua paixão para com ele. Portanto, logo tratou de pôr o seu pote com água na cabeça, sobre uma rodela de pano torcido e se afastar do poço de incertezas onde, estarrecida com as palavras de Lucinda, estava prestes a mergulhar.

 

Embora sem nutrir qualquer simpatia pelo jovem Camacho, Lucinda consentiu em procurar o rapaz e lhe expor toda a conflituosa situação em que Aurita se encontrava. Pediu então ao gajo para confirmar, uma vez mais, se ele iria ao Porto buscar sua brasilita. Ao retornar, a modista retransmitiu à amiga, afinal, o sim tão desejado. Isso gerou em Aurora uma grande alegria, ainda que melhor fora se tal palavra tivesse sido proferida, diante de si mesma, pelos lábios do próprio amante.

 

 

  1. PÁSSAROS.

 

No último dia dos Bernardes ao Raio X, ao abrir uma janela, Aurélia deixou seus ouvidos...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

fim-de-post

 

 

 

31
Mar20

Chaves D´Aurora

ROMANCE


1600-chavesdaurora

 

 

  1. JURAS DE AMOR.

 

À última vez em que eles se enfiaram por baixo das cobertas na hospedaria, Hernando jurou-lhe, por Santa Sara e a vida de sua mamacita, que:

 

Primeiro - ainda que, até há pouco tempo, não amasse tanto a sua brasilita quanto agora, estava hoje a adorá-la com tal paixão, que tudo o que mais queria na vida era sabê-la feliz;

 

Segundo - estava pronto a estabelecer com Aurita uma vida bem ajustada, em algum lugar do mundo onde ele pudesse, algum dia, dar a Fatinha todo o amor de verdadeiro pai, pois não queria que a sua menina continuasse a ser uma filha zorra, como se dizia nas aldeias, com a certidão de nascimento a registar apenas “pai incógnito”;

 

Terceiro - já estava a confirmar, com um amigo carioca, a ida de ambos para Niterói, no Sudeste do Brasil;

 

Quarto - mesmo que Hernando não fosse à estação de comboios porque, a essa altura, estaria a buscar alguns cavalos de seu pai comprados em Saragoça, não deixaria jamais que Aurora e a miúda partissem com os mais à Amazónia; e,

 

Quinto - garantia que faria tudo isso e se, à última hora, no último instante, fosse buscá-las ao cais de Leixões e o paquete já estivesse a sair em alto mar, ele nadaria com todas as forças até alcançar o navio.

 

Esse último item fez Aurita rir, gostosamente, a uma de suas raras risadas, ao imaginar seu Hernandito a perseguir, em fortes braçadas, o imenso transatlântico.

 

Se, antes, jamais se interessara pela filha, que vira a uma única vez, quando Aurora conseguiu levar a miúda a tomar um banhozinho de sol no Jardim Público e, na ocasião, não manifestou o mais ínfimo gesto de ternura à pequerrucha, agora, estava sempre a perguntar por ela e até lhe comprava pequenos mimos. Quanto à sua brasilita, cumulava-a também de adoráveis presentes. Aurora se maravilhava então com esse outro Hernando, bem diverso daquele que ela perdoara por amor, mas que a dececionara tantas vezes, com a explícita manifestação de só pensar em seu próprio prazer, o dele, egoísta e fugaz. Ele era, pois, agora, outro homem, a cobri-la de carícias, quando iam refugiar-se à hospedaria da Madalena.

 

 

  1. SUB JUDICE.

Ao dizer tudo isso a Lucinda, esta, com o auxílio de um dedo indicador e um polegar sobre as pálpebras da rapariga, atentou para o facto de que os...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

 

https://www.chiadoeditora.com/livraria/chaves-daurora

24
Mar20

Chaves D´Aurora

Romance


1600-chavesdaurora

 

 

  1. ESPÓLIO DO CORAÇÃO.

 

 

Quanto ao mobiliário e à louçaria da Quinta Grão Pará, as transações se passaram de um modo mais entristecedor. Os móveis de nogueira, a maior parte das louças de fina faiança e as baixelas de prata, tudo isso foi vendido, a bem dizer e a mal comparar, a preço de carapaus (ou de banana, como se diz no Brasil). A cada peça que saía para as mãos do comprador, lágrimas eram derramadas pelas mulheres, em consternada homenagem aos serviços prestados por aquele bem, durante todos os anos ali vividos e a dó maior no coração era que, na verdade, pouquíssimas coisas foram salvas da pechincha geral. Apenas aquilo que pudessem acomodar nas imensas malas e baús que iriam constituir a bagagem familiar.

 

Flor sentiu o coração trespassado por mil flechas, quando Reis lhe disse achar difícil – Praticamente impossível, minha Flor! – levar de volta ao Pará a incrível obra de arte, mas de imenso porte, o oratório de jacarandá. Mamã, todavia, não consentiu de modo algum em se desfazer do seu mimo de arte. – Ainda que... – assim ela ameaçava, estoica – Tenha eu mesma de carregá-lo aos braços! – mas logo tudo se arranjou. De acordo comum, levariam consigo esse oratório e o menor, igualmente belo, mas de louça portuguesa e que, até então, estivera a adornar o quarto de Aurora. Com eles iria também o precioso relógio de madeira escura e ornamentos dourados, que o pai de Flor possuíra desde meados do século anterior.

 

Além de outras compensações e acertos de contas, o landó e os cavalos condutores, Murici e Açaí (os da cor de ébano, foram-se a bom preço), juntamente com alguns manhuços de justa e merecida indemnização, passariam a ser propriedade do cocheiro. Este, pela primeira vez, viu-se a dizer sentenças inteiras e a expressar, mesmo com dificuldade, algumas frases que, para ele, eram como que uma torrente de palavras – Ai Se... senhor João Reis, mu... muito obrigadito, que Deus lhe pague e lhe dê... lhe dê... a toda sua boa gentinha... uma vi... viagem em paz e salvamento e que... que... que o senhor esteja a fi... ficar muito feliz e com ... com muita saúde no Brasil!

 

 

Os cómodos da casa estavam agora desnudos e as paredes já mostravam as marcas das molduras dos quadros, após se retirarem delas os óleos originais de artistas portugueses, alguns ainda do século em que Florinda e o Reis nasceram. Tanto essas pinturas, como os retratos da família, haveriam de se empacotar com jeito e os levar ao Brasil. A Quinta Grão Pará seria, obviamente, a última coisa a se desfazer. Constituiu-se uma transação imobiliária justa e correta, pois comprou-a seu amigo Gonzaga Sarmento, em pleno e feliz acordo de ambas as partes.

 

 

  1. JURAS DE AMOR.

 

À última vez em que eles se enfiaram por baixo das cobertas na hospedaria, Hernando jurou-lhe, por Santa Sara...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

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