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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Mar18

A Pertinácia da Informação

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A inércia dos corpos inertes

 

Não sei se o que sinto é inércia ou preguiça. Segundo a primeira lei de Newton um corpo permanece parado ou em movimento retilíneo uniforme a não ser que uma força seja aplicada sobre ele. Não há dúvida que somos corpos… metaforicamente falando, e não só, estamos parados ou em movimento uniforme, devido à inércia, e disso eu tenho a certeza.

 

Estamos à espera de uma força maior que nos retire do estado de repouso, fatidicamente à espera do D. Sebastião. Amanhã, sim amanhã farei. Às vezes, poeticamente, somos uma bola que rebola e acaba por parar em algum sitio “a mor” da ação do atrito.

 

Supostamente, quando estamos mal, o nosso instinto, ao menos esse, motiva-nos a mudar. Mas nós parecemos bestas domésticas, que, de tão maltratadas, nos resignamos e continuamos a puxar à nora em silêncio… Com um ou outro gemido e às vezes. Enquanto tivermos algum feno e palha nada mal. Em consequência de cada um de nós nos irmos acomodando com uma pouca palha lá se vai o espírito de solidariedade e o pensamento a longo prazo.

 

Vem a propósito disto, de bestas e de inércia, a notícia de que Berlusconi volta à “cena política”, o senhor apareceu no Teatro Manzoni, em Milão, onde foi muito aplaudido. Enquanto ouvia no noticiário as barbaridades do costume – a pérola desta vez foi dizer que a política é segunda atividade mais antiga do mundo e que muito se assemelha à primeira -  eu só pensava: “O indivíduo tem uma grande carrada de base na cara e uma cabeleira extremamente negra e volumosa, o que o distingue, nitidamente, do Trump.” O senhor, que já tem 81 anos, foi primeiro-ministro da Itália, e está proibido de se candidatar até 2019, foi condenado, por um tribunal de Nápoles, a três anos de prisão, por corrupção de um senador, mas lidera a Força Itália, aliada das duas maiores formações da extrema-direita. Afinal, a minha associação dele a Trump não é de todo descabida, o homem inspirou-se no lema de Trump, diz a notícia a 25 de Fevereiro no Euronews e, por isso, “colocará os italianos em primeiro se chegar a chefe de governo”.

 

António Damásio chegou à brilhante conclusão que “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”, referiu o neurocientista, numa entrevista ao Público a 31 de outubro de 2017. Uma conclusão engraçada e que vende livros… e confesso que estou a ficar farta dos livros, das palavras e dos autores. Confesso que estou a ficar farta da falta de ação, da resolução... Estou certa que não chegará a salvação das brumas, nem do sol… Estou certa que vem aí a primavera e tudo continuará a ser inverno se eu não fizer algo para mudar de estação, eu e cada um de nós.

 

A inércia dos corpos inertes é inevitável, mas nós ainda temos vontade, ou não?

 

Para além de ouvir as papaias do costume de Berlusconi, houve outras notícias, que todos ouvimos, mas claro “eram longe”. Umas eram longe e outras ainda não eram significativamente connosco – porque nós ainda temos alguma palha. Depois veio o futebol. A propósito de futebol, foram condecorados e muito bem os flavienses do Futsal – aqueles que ganharam um troféu importante. Achamos muito bem. No mesmo fim-de-semana, a irmã de um conhecido foi a uma prova de atletismo ao Algarve, no âmbito do desporto escolar. A viagem parecia nunca mais terminar. Quando chegaram ficaram “hospedados” num pavilhão onde dormiram em sacos cama, no chão. Acho que é uma experiência enriquecedora. Oxalá ela seja muito resiliente e consiga ganhar algum troféu muito importante daqui a uns anos e faço votos que também seja condecorada pela presidente da câmara dessa altura. Aliás, ela e todos os outros jovens atletas do nosso concelho – que se tornaram seres humanos intensamente resilientes, não só pelas características inerentes à própria natureza do desporto, mas todas as outras condicionantes.

 

Mas, falaram também do lamentável episódio do Matheus Pereira, jogador do GDC… e o comentário que oiço ao meu lado, de alguém que ouvia a noticia, foi: “O senhor foi para o hospital em Chaves?”

 

Não, não fui eu quem pensou isso, foi outra pessoa, que estava a ouviu o noticiário. Mas eu confesso que fiquei a pensar a seguir: “Céus, se uma de nós tiver algo grave e for de urgência… se calhar podemos morrer!”

 

Ah, não! Que alarmismos… além disso ainda estamos bem: “Temos alguma palha e respiramos!”

 

Às vezes a inércia tem algo a ver com o amor: falta de amor-próprio!

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

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