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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Set18

A Pertinácia da Informação

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Se fizeres algo, faz como deve ser. Coloca de imediato os pontos e as vírgulas no devido lugar. Faz tudo exatamente como deve ficar.

 

Quando sonhares, sonha o sonho todo. Se é para ser, seja, seja-se em grande e até ao infinito.

 

Passamos a vida – curta, por sinal – a amarrarmo-nos e a amarrar… às vezes também marramos e depois, ou até durante, dói.

 

Amarramos os outros com medo que nos fujam, com receio de ficarmos sós na penumbra da nossa ignóbil existenciazinha. Receamos crescer, prendemo-nos às nossas limitações, não procuramos caminhos, paralisamos e como se isso não fosse já suficientemente inútil obrigamos os outros a ficar atolados nas lamas das nossas dúvidas, dos nossos medos e cobardias. Infrutífero, extremamente infrutífero!

 

Nós viemos nascer tal como nascem as abóboras: germinou a pevide, fez-se plântula e depois planta; desabrochou generosamente a flor, com seus néctares viscosos e húmida; penetraram-lhe o pólen, no estigma e estilete; fez-se fruto, cresceu abóbora grossa e vigorosa… pena que não se lhe comam as carnes alaranjadas da abóbora menina, ora em compota, filhós ou cremosas sopas! A este destino esta reservada a vida de uma abóbora. Fantástico, não é?! O legume veio à Terra com o propósito de estimular as minhas papilas (ou as suas). Imagine-se a abóbora recusar-se a crescer e a ser abóbora menina em plenitude?!  Infrutífero, eximiamente infrutífero!

 

 

No nosso ciclo de vida, distinguem-nos das Cucurbitaceae, apenas os aspetos que naturalmente nos diferenciam, de resto, a necessidade de cumprirmos o que somos e vem dentro de nós, é exatamente a mesma. À semelhança do vegetal, que cresce e desenvolve as deliciosas “carnes” alaranjadas, também nós devemos crescer em todo ímpeto aquilo que somos e quem somos, na harmonia com o que nos rodeia, sem medos e sem queixumes.

 

Seres humanos, pássaros e nabos reunimo-nos todos na semelhança que nos irmana: viemos todos com o mesmo propósito de sermos, deixarmos ser e ajudarmos a ser.

 

Portanto, em cada ato do nosso propósito, em cada momento da nossa vida, seja-se.

 

Sejamos até à exaustão e o bouquet será do mais inimaginável de fermoso.

 

Mas, parece-me que há vidas paradas de propósito. Vidas que se obstinam na perseguição de muros. Ora, os muros nunca nos deixaram passar! Tomar caminhos murados e teimar em ir contra eles faz-nos parecer estólidas moscas que teimam em bater nos vidros, uma e outra… e outra vez, até que o tempo as pare, porque se lhes acabou o tempo.

 

Às vezes, há quem não entenda que por ali não é o caminho e teime em açambarcar para si a admiração, a afeição, a alma e o amor de alguém, que por sua vez, não tem em si mesmo nem o que ele procura, nem procura o que o outro tem. Infrutífero, absolutamente infrutífero!

 

Já se diz, em algum lado, que ninguém é de ninguém, e na verdade não somos de, mas sim, vivemos com, em proximidades reguladas pelas nossas próprias vontades.

 

Quanto tempo se perde ao teimarmos ter a vida que concebemos no nosso entendimento, mas sem criar as verdadeiras circunstâncias da sua existência!?

 

Mas, o pior de tudo, são aqueles seres que acham saber perfeitamente o que seria o ideal para os outros, melhor que eles mesmo. Assim, apresentam-se eles próprios como os extremosos cuidadores, legítimos vencedores de duelos e autoproclamados a própria verdade e salvação. Esses, são nada mais que moscas que embatem em vidraças. Mau para os outros, a quem soltam injúrias: “Hás de arrepender-te!”; “Vais descobrir que tiveste em tua presença o elixir da tua salvação e o recusaste! Depois, então será tarde!”

 

Ora um verdadeiro herói não precisa de chamar a si as suas glórias, nem um verdadeiro salvador se regozija com a vingança.

 

Mau para os outros, mas péssimo para si mesmo, pois se bem que atropela e prende o outro, também não aprende nem contorna o muro para seguir o seu caminho.

 

Infrutífero, definitivamente infrutífero.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

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