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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Casas de Monforte - Chaves - Portugal

11.07.15 | Fer.Ribeiro

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Hoje vamos até Casas de Monforte por onde já fizemos algumas passagens mas onde começo a sentir que é tempo de por lá voltar outra vez, pois a última recolha fotográfica que fiz por lá já data de 2008. Não estou à espera de encontrar algo de novo, pois como todos sabemos as nossas aldeias, tal como acontece na cidade, parece que pararam no tempo nestes últimos anos, o que, se por um lado temos pena, por outro lado nem tudo é mau, pois também parou a fúria do b€tão e a construção desenfreada que pouco se preocupava com as necessidades ou com o planeamento, pois a única preocupação era mesmo a de investir (e leia-se também o verdadeiro significado da palavra investir) e o de sacar dinheiro a quem o podia arranjar. Toda uma trama estava montada com o carimbo de chico-espertismo, validada pelo poder, para tudo acabar como acabou. Era previsível.

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Tal como ia dizendo é tempo de voltar por Casas de Monforte, não para ver o que de novo apareceu mas para recolher aquilo que me escapou nas últimas visitas e também para ver a aldeia com um novo olhar, pois também este com o tempo se vai educando e apurando, tornando-se por um lado mais seletivo, o que não é mau, mas que também não detém todo o bem. Mas é tudo uma questão de sabermos balizar por um lado e sabermos quando se pode transgredir as fronteiras por outro. O tempo e a idade mas também a liberdade, ensina-nos também a ver com outros olhos, mais refinados, aquilo que outrora ignorávamos ou desprezávamos até.

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Costumámos atribuir ao passado do antes 25 de abril tudo que é de negativo, mas passados 42 anos o viver em liberdade dá-nos a liberdade de ver também algumas coisas não tão más no passado do estado novo e da ditadura. Coisas que o bom senso permitiu que chegassem até aos nossos dias, talvez e só pela utilidade que tinham, mas que valeu para esquecer a ligação que tinham ao passado. Refiro-me às fontes e fontanários que ainda hoje deixam ver o bom gosto e arte de bem construir. Construções mais ou menos tipo que se vão repetindo por todo o nosso Portugal, não só as dos fontanários mas também das escolas cinquentenárias. Pequenos-grandes pormenores que contribuíram para manter a população no mundo rural interior, tal como uma rede viária exemplar e uma aposta acertada nos caminhos de ferro.

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A piada disto tudo é que o pouco de bom que a ditadura e o estado novo nos deixaram a democracia acabou por destruir, fechar e esquecer, restam-nos as alminhas e os três efes do Fado, Futebol e Fátima, que a democracia inicialmente tanto criticou e que hoje tanto se apoiam, acarinham e se dizem tão nossos. Coisas do pilim, dos interesses e da promiscuidade com o poder.

 

Para finalizar não leiam nestas minhas palavras aquilo que não escrevo, como um regresso ao passado, mas antes, isso sim, a necessidade de um novo capítulo dessa coisa que dá pelo nome de democracia, um novo capítulo que faça jus e justiça ao verdadeiro significado da palavra.