Chá de Urze com Flores de Torga - 68

Para já fica um poema de Miguel Torga mas mais logo virá o resto com algumas imagens e algumas palavras.

Até mais logo.
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E o mais logo chegou.
O poema que atrás fica em imagem foi colocado no sábado passado no Jardim do Tabolado, em conjunto com dois corações. Sempre defendi aqui no blog que Chaves deve uma homenagem a Miguel Torga, mas não era bem esta, aliás esta nem sequer foi ou é uma homenagem a Torga, antes, o poema de Torga serve os propósitos para os quais os corações foram colocados no Tabolado, o de receberem cadeados do amor, tal como acontece um pouco nas pontes de toda a europa, principalmente na França e em Itália e que aqui em Chaves, também de há três anos para cá, foi acontecendo nos gradeamentos da Ponte Romana e posteriormente retirados pelo Município, daí, a ideia dos corações no Tabolado para que os enamorados possam continuar a amarrar aí os seus cadeados do amor, cuja inauguração foi feita com pompa e circunstância, com cortejo romano, atuação da tuna feminina da UTAD e um espetáculo de teatro de rua encenado para o efeito, onde nem sequer faltaram os deuses e deusas romanas, incluindo, claro, o cupido que talvez pelo frio que se sentia apareceu vestido. Isto são os factos.

Mas seja como for e o ato valha aquilo que vale, em que a pompa foi maior que a circunstância, a verdade é que os corações têm os seus adeptos e já há umas dezenas de cadeados amarrados aos corações enquanto que outros, os das contestações do costume, entretêm-se nas redes sociais a dizer que é triste e foleira a coisa… caindo também eles na esparrela que criticam.

Pessoalmente a coisa nem me aquece nem me arrefece a não ser o poema de Torga sobre o amor, o único que em Chaves está exposto e é assim dado a ler, levando aqueles que não o conhecem a fazer uma ideia errada do poeta, pois embora ele até seja um poeta do amor, o amor dele era outro bem distinto e bem mais nobre. Era o amor por Portugal, pela Ibéria e pelos seus povos, principalmente o povo português e “(…) na capacidade que temos de resistir à miséria. É uma espécie de direito à pobreza ou uma pobreza livre por teimosia” e “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão”. Torga não é o nosso poeta do amor mas antes da denúncia da nossa pobreza e realidade, pobreza que vai para além da pobreza material e está instalada naqueles nos “Actores singulares, que em vez de servir se servem (…)representam no palco da vida, a recitar em voz alta as palavras que adivinham no pensamento dos espectadores que hipnotizam. (…)”


